thx all, o próximo capítulo tá vindo em alguns minutos.
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chegou \o/
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Capítulo 2 - O começo de minha história
Ainda era noite quando acordei com as pancadas em minha porta.
- Ricardo! Ricardo, acorda, rapaz! Já é dia!
A voz rouca e fina era inconfundível. Campbell, o velho que me ensinara a escrever, descera de sua casa até o centro da vila, uma coisa um tanto rara. Murmurei algo como "Já vai, já v...vai..." e levantei, com um sono tremendo. Lavei o rosto e abri a porta para ver um homem grande e pardo, completamente careca à minha frente.
- Vamos? Já é hora...
- Uhm? Hora? Hora de quê?
- Ué, rapaz, você não queria aprender a lutar? Então! E vamos logo, aproveita minha boa vontade, os deuses não sabem quando vou estar disposto assim de novo.
- Ahm, tá. Vamos...
Andamos devagar pelas casas e atravessamos o portão de madeira que havia dormido aberto, continuamos caminhando, contornando as bordas do bosque até chegarmos num lugar um tanto grande, onde as árvores haviam sido arrancadas e no lugar delas havia sido plantado capim.
- Onde estamos? - perguntei.
- Aqui é um pedacinho de terra que eu cuido de vez em quando, mas nada que eu leve muito a sério. Aqui é bom pra treinar, não vão ter arbustos nos atrapalhando. Bom, vamos começar... Pegue aquele, hm... Graveto... ali! Ali, pegue aquele graveto e traga pra cá.
Obediente, busquei um pequeno galho que estava a uns 10 passos de nós e voltei.
- Isso, agora segure ele assim e faça movimentos assim, para cima e depois para baixo, sempre olhando para frente. Isso, agora vá estocando. Sabe o que é uma estocada?
- Não, senhor...
- Poxa, garoto, você também não sabe nada! Faça assim, ó!
E assim ele foi me ensinando os movimentos, e eu os praticando. E foi desse jeito que passamos o dia, e vários outros dias depois deste. Acordávamos bem cedo, íamos até o mesmo lugar no bosque e ele ia me ensinando táticas e dicas para lutar com uma espada e eu, sempre obediente, ouvia tudo com atenção. No final da tarde, eu voltava e terminava as tarefas de casa que minha mãe havia começado. Os dias passavam e cada vez mais eu me identificava com a espada, cada vez mais eu ia gostando de treinar, gostando da possibilidade de sair daquela cidadezinha e tornar-me soldado.
***
O fim do verão chegara, e com ele o outono. Nessa época, aconteciam poucas batalhas, já que a maior parte do populacho está trabalhando nas colheitas. Meus treinos com Campbell continuaram, mas agora eu tinha lutas com ele todos os dias. E foi num desses treinos, que para meu espanto, eu vi uns movimentos na floresta. Movimentos que pareciam ser de humanos, mas achei besteira, podia muito bem ser apenas um caçador, não? Então acabei nem avisando ninguém, podia ser um alarme falso que serviria apenas para deixar todos com medo... Então preferi ficar calado.
Mas para minha profunda infelicidade, eu estava errado, e dois dias depois, os humanos que eu tinha pensado ver, se revelaram: Uma pequena tropa de soldados saxões, que aparentavam ser extremamente inexperientes sairam do bosque e investiram em nossa direção, por volta do meio-dia, quando todos estavam em suas casas. Eu e Gunter, o caçador, corremos para o portão e o trancamos. Trouxemos então as mulheres e crianças para o centro da cidade e separamos dois grupos, sendo que um seria levado por Campbell para a estrada que levava a um vilarejo a oeste, e outro seria levado por Frederick, o feiticeiro e suas sacerdotisas para uma outra vila, ao sul. Ficamos na cidade apenas eu e mais uma meia dúzia de homens, alguns muito novos, outros muito velhos, mas todos (com exceção do caçador) sem armas. Improvisamos pás, foices e facas e esperamos os inimigos chegarem, o que não demorou a acontecer.
Alguns deles, com golpes de machados, destruiam nosso muro velho e fraco. Outros, preferiam tentar saltá-los, e foram esses os que enfrentamos primeiro.
- Fique atrás de mim, Richard - murmurou Gunter, ao que eu obedeci. O primeiro saxão veio e ele o derrubou com uma flecha de seu arco.
O segundo veio e desviou de sua seta, antes de derrubá-lo com um soco. Antes que ele pudesse cair sobre meu amigo, desarmado, eu joguei uma pedra em sua cabeça e parti gritando para cima dele, com um pedaço de pau na mão, mas recebi um chute na barriga e cai para o lado, antes de ver um Gunter ser vergonhosamente massacrado e mutilado a golpes de um machado saxão. O resto da aldeia estava um caos, vários soldados corriam pelas casas queimando tudo, e os homens que haviam ficado estavam quase todos mortos. Ao tentar me levantar, recebi um puxão pelas costas e uma voz conhecida, fina e rouca, sussurrou no meu ouvido:
- Vamos, garoto! Seu treinamento não terminou ainda! - Campbell, o velho, se encontrava atrás de mim, me puxando. Não sabia o que ele fazia ali naquela hora em que ele devia estar há uma certa distância de nós, a oeste, mas não perdi tempo para perguntar. Segui ele correndo até as árvores que ficavam próximas à sua casa, encima da colina, e contornamos os soldados, passando pelo muro e chegando ao bosque, no lugar onde treinavamos sempre.
- O que fazes aqui? - perguntei.
- Deixei uma amiga tomando conta do grupo, ela conhece o caminho e vai guiar as mulheres bem. Vim ver como estavam, parece que não posso deixar vocês sozinhos um minuto sequer, não?
- Obrigado, o senhor me salv...
- Sem tempo para lamuriações, sem tempo para choros... Vamos ter tempo para isso depois. Agora, preciso ir buscar minha espada, meu único bem precioso, eu já volto. Fique aqui, não saia!
Obedeci, e fiquei esperando e observando ele correr mancando para a casinha velha da colina, entrar e sair alguns segundos depois com um objeto metálico em mãos. Enquanto corria, vi que um dos soldados havia percebido a presença dele, e estava correndo em seu encalço.
- Senhor! Atrás de você! - gritei, a tempo de que ele se virasse e desviasse do machado que fora arremessado em sua direção.
Ele investiu para o saxão, com uma força demoníaca, espantosa para uma pessoa de sua idade, e em segundos o inimigo jazia no chão, com uma poça de sangue abaixo de si.
Andávamos rápido pela floresta, até que eu não aguentei mais o cansaço e pedi para pararmos e nos escondermos para um descanso.
- O que será que aqueles saxões queriam aqui, numa época dessas?
- Não sei, meu jovem... Mas sei que tivemos perdas demais hoje, e não vou deixar que perdamos você também.
- Senhor, onde estão os outros?
- Eles continuaram seu caminho. Eu voltei para salvar quem pudesse dos que haviam ficado na vila, e para levar o aviso do ataque à capital do reino.
- Vamos caminhar até a capital?
- É isso ou morrer, garoto! E não podemos ficar muito tempo aqui, vamos, levante-se! Não sabemos quantos malditos demônios saxões ainda estão aqui.
Levantei-me e novamente corremos, até que ouvimos alguns barulhos e paramos para escutar.
- Pelos deuses, Sacktrap, já disse que não tem nenhum bretão por aqui! Vamos voltar e nos reunir ao bando, eu já estou com medo de aparecerem pictos por aqui!
- Maldito seja, medroso! Tudo bem, tudo bem... Vamos voltar, mas que fique entendido que foi decisão sua, hein?
E seguiram caminhando pelo bosque.
- Vamos, Richard! Vamos, rápido, esses miseráveis não podem nos ver aqui! - disse, enquanto corríamos na direção oposta à dos soldados.
Corremos alguns minutos apenas, até que nos encontramos num tipo de bifurcação e seguimos o caminho mais por instinto que pela razão. Não demorou muito até que...
- Ei, Bertwold! Você ouviu o que eu ouvi?
- Sim Sacktrap! Malditos coelhos por aqui!
- Não idiota! Um coelho não faria tanto barulho... Olhe! Olhe ali encima do monte! Dois bastardos bretões, corra, homem! - e dizendo isso, correu para nós.
Corríamos o quanto podíamos, mas era impossível a um velho e uma criança correrem tanto como dois soldados, então pouco tempo depois eles acabaram nos alcançando. Campbell parou para dar combate aos soldados, que investiram os dois de vez, cada qual com um enorme machado de lâmina dupla. Mesmo velho, Campbell ofereceu um trabalho enorme a eles, e acabou por acertar um golpe na cabeça do saxão Sacktrap, que não usava elmo e que caiu no chão sangrando. Bertwold continuou, lutando bem, desviando dos golpes de espada e contra-atacando com uma fúria tremenda com seu machado. E num desses golpes, ele conseguiu acertar a perna esquerda do velho, que caiu ao chão, junto com sua espada, que vôou uns 5 passos de distância, vindo parar próximo a meus pés. Era a minha oportunidade de devolver-lhe a vida que ele tinha me salvado.
- Pare, demônio! - gritei, enfurecido. - Não ataque esse homem, ele é apenas um velho desarmado!
- E por que não atacaria, duendezinho desgraçado?
- Porque ele é um homem bom, saxão! E você o machucou!
- Ah, é? Vou lhe ensinar a respeitar os mais velhos, seu bastardozinho de uma figa! - e dizendo isso, partiu para cima de mim, segurando o machado com as duas mãos e gritando como um louco.
Quando chegou perto de mim, ele pulou na minha direção e desferiu um golpe de cima para baixo, muito forte, mas muito lento, me dando oportunidade de esquivar. Contra-ataquei com força, na altura dos olhos, mas ele aparou com a armadura do braço. Estoquei, então, na altura do umbigo dele, mas novamente errei, acertando a lâmina de seu machado, o qual ele usara como defesa. Ele devolveu, me dando um soco extremamente forte nas costelas, me levando ao chão, sem respirar, durante alguns segundos. Quando voltei a me mexer, ele estava em pé, em minha frente, com o machado levantado para desferir o golpe final, mas eu ainda tive tempo de girar para o lado e desviar da morte. Levantei e corri, esquivando dos seus golpes que vinham cada vez mais fortes e perigosos.
- Venha cá, seu rato! Pare de correr e lute como homem! - ele brigava, com raiva.
Eu parei alguns instantes na frente dele e esperei sua reação. Ele parou também, e ficamos nos encarando por uns instantes, até eu fintá-lo com um movimento de braço e golpear seu ombro com minha espada. Com um grito de dor, ele caiu no chão se contorcendo. Prostrei-me à frente dele, de pés, com a espada pronta para o golpe de misericórdia. Mas um frio passou em minha barriga. Aquele homem ia morrer, e eu que ia matá-lo... Meu Deus, eu era um monstro! Ia matar um homem!
Absorto em meus pensamentos, acabei sem prestar atenção, e foi a brecha que ele achou para levantar-se e me empurrar contra uma árvore, onde eu bati a cabeça e cai. Ajoelhado, à minha frente, ele puxou uma adaga de dentro da bota e gritou, bem no meu ouvido:
- Cadê, ratinho? Cadê o homem morto?
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Hum, que será que aconteceu? =P~
Próximo capítulo vai vir só com comentários, vei... Sem noção, vei... Porra não dá vontade de escrever assim, caramba... Vê se comenta nessa P****!