Testo Retirado de http://www.jornaldacidade.com.br/cad...im,e%20dai.htm
MÁRCIO ROBERTO SOUZA
"Uma lágrima rolou do meu olho ao perceber que era a única vez que eu ia ver você, outra lágrima rolou dentro do meu coração ao ver a velocidade com que as vidas vêm e vão(...) E eu quero saber como proceder, pra esquecer da tua voz, do teu viver".
Ao contrário do que possa parecer, o trecho acima não faz parte da nova música de sucesso da Vanessa Camargo nem da dupla Sandy & Júnior, tampouco foi retirado de algum novo romance. O sentimentalismo presente nos dois parágrafos é um trecho da música "Duas Lágrimas", da banda gaúcha Fresno, uma das prediletas dos emos. Para quem não sabe, a palavra emo vem do termo inglês Emotional hardcore que é confundido por muitos como hardcore melódico. A diferença básica entre eles está nas letras das músicas. Uma música não pode ser emo se ela não conter sentimentos como o amor, a decepção e a dor.
Originalmente, o emocore é um estilo musical que fez muito sucesso na década de 80 e que se restringia apenas ao sentimentalismo juvenil das músicas. No Brasil, ele está sendo transformado pelos adolescentes em um estilo de vida, com visual, regras e atitudes próprias. "O que vemos atualmente é uma mutação do emocore original. Essa história de usar franja no cabelo, boné, mochila com desenhos e camiseta apertada é uma invenção do público brasileiro", destaca Lukas "Paraíba", vocalista e compositor da banda Fresno.
Mesmo sem o aval dos ídolos, o público Emo cresce a cada dia, assim como crescem o número de características típicas da turma. Além do boné, da mochila, da camiseta e do cabelo, eles possuem também uma linguagem própria, na qual o diminutivo é a regra principal. Termos como cão, bicho e lindo passam a se chamar "cãozinho", "bichinho" e "lindinho". "É um estilo musical, mas também é uma filosofia de vida, por que não?", defende o estudante Lucas Magnetroon, integrante da banda Insple e fã do estilo emo de viver. "Não saio de casa sem meu boné de redinha e minha munhequeira", diz, sem se preocupar muito com estereótipos.
Apesar de um site ter criado uma cartilha ensinando a ser um emo, os integrantes desta nova "tribo" garantem que isso é uma bobagem, uma vez que a essência é totalmente musical. "Se você não gostar da música, não adianta. Não existe estilo sem música. O visual é uma questão de preferência e não uma exigência para fazer parte da 'turma'", explica o estudante José Armando Del Greco, de 16 anos, que cita a si próprio como exemplo. "Acho bonito o estilo, mas não me sinto bem trajando camiseta justa, cinto com rebites e alargadores de orelha. A única coisa que faço, e mesmo assim só de vez em quando, é me maquiar", afirma.
Opinião semelhante tem Rafael Falcão, de 20 anos. Ele gosta muito da sonoridade da música emo e acha as letras apenas "legais", mas garante que seu jeito de se vestir é uma questão totalmente pessoal e não uma tática para se infiltrar numa turma. "Eu já ouvia a banda The Used - um dos ícones do estilo - há muito tempo, muito antes da onda emo atingir os adolescentes. Uso cabelo com franja, adoro boné e mochila, mas disso eu sempre gostei", afirma.
Sentimentos
"Os emos geralmente são depressivos, melancólicos, assim como são alegres e meigos também. Extremamente sentimentais, eles costumam se apaixonar facilmente e mudam constantemente de humor. Um emo fica triste sem motivos, ou melhor, possui motivos, sim, mas conhecidos e compreendidos apenas por ele mesmo. Da mesma maneira, sorriem com pequenas coisas e ficam contentes repentinamente. É uma emoção que vai e volta de uma forma muito rápida e incontrolável. Afinal, o que há de errado em não ter vergonha e apenas sentir? O que há de errado em ter sentimentos e não ter vergonha disso?". Com esta definição, uma comunidade destinada aos emos no Orkut (site de relacionamentos) já atraiu mais de 10 mil integrantes.
O sentimentalismo constante, por vezes exagerado, beirando a crise existencial, é o fio condutor do movimento. Talvez por isso o sucesso seja cada dia maior, uma vez que o público alvo está na fase da vida em que os questionamentos estão à flor da pele. "A música é melancólica e causa em quem ouve uma certa fossa. E é disso que nós gostamos", explica José Armando, fã de Rufio, Dance of Days, Aditive, Dashboard Confessional e Yellowcard, todas presentes na prateleira de CDs de qualquer emo que se preze.
Outro ponto que exerce forte influência sobre os fãs é o fato de que o emocore é música feita por adolescentes para adolescentes, cantando traumas, frustrações e alegrias da adolescência. "As composições são autobiográficas, o que faz com que quem ouve se identifique. Afinal, quem nunca teve uma paixão na adolescência?", salienta Lucas "Paraíba", da banda Fresno.
Preconceito
Como não poderia ser diferente, o preconceito também faz parte da vida de um emo. Afinal, um garoto com idade entre 14 e 20 anos gostar de música romântica e ter sensibilidade suficiente para chorar em algumas ocasiões não é algo entendido com naturalidade na sociedade machista em que vivemos.
"Sempre tem uns engraçadinhos que dizem coisas do tipo 'fala chorão' ou 'já retocou a maquiagem hoje?'", conta José Armando. Uma atitude que beira a tolice, uma vez que todos têm o direito de gostar ou não gostar de alguma coisa. "As pessoas não conseguem curtir a sua vida e deixar que os outros curtam as deles. Têm sempre que dar 'pitaco', por isso que o Brasil não evolui", filosofa Lucas, da banda Insple. Para Rafael Falcão, o preconceito existe, sim, mas não atrapalha. "A maioria das pessoas respeita. Só alguns idiotas que chegam ao absurdo de ir em um show de uma banda emo e ficar reclamando das músicas, dizendo que é coisa de 'veado'", conta.
A pergunta que fica no ar é essa: Baseado num assunto tão polêmico qual é o seu ponto de vista em relação é essa pessoas ou estilo de vida?
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