Capítulo I
Parte II


Dessa vez, as imagens na tela eram de estações espaciais na órbita da terra com letras enormes e brilhantes anunciando que tinham quartos vagos, algumas daquelas estações pareciam até prédios em órbita, como se alho os tivesse tirado do chão. Havia também até mesmo um outdoor gigante orbitando a Terra, anunciando uma marca de tênis cara. As imagens foram substituídas por imagens de construção na lua, astronautas e robôs carregando materiais e peças e estruturas de metal sendo formadas...

— Graças ao dinheiro fornecido pelas grandes multinacionais, foi iniciado um projeto de construção de grandes complexos lunares no satélite da Terra. O primeiro hotel na lua foi inaugurado no ano de 2078, e foi um grande passo no avanço da tecnologia terrestre, e mais ou menos na mesma época foi desenvolvido o primeiro gerador de gravidade, uma máquina que simulava os efeitos da gravidade da Terra em naves espaciais e nos próprios complexos da Lua. Enquanto estes eram construídos, as nações corriam para ver quem construía o melhor laboratório de pesquisa, as estufas de plantas mais avançadas, e até mesmo a primeira base de lançamento marciana. Ao final dessa corrida, o resultado foi para as nações frustrante, porque todas elas conseguiram ótimos resultados na corrida e terminaram a base de lançamento praticamente ao mesmo tempo, com exceção dos EUA que, aliados à Europa, iam mais lentamente na corrida porque ainda se recuperavam da guerra... E durante muito tempo foi assim, os países corriam para ver quem chegava mais longe primeiro, enquanto a iniciativa privada ia povoando tudo um pouco mais atrás. Após alguns anos as primeiras naves de astronautas chegaram às Luas de júpiter, e alguns anos depois as colônias começaram a ser construídas por lá, usando a tecnologia do gerador de gravidade para igualar a alta gravidade provocada pela influência de Júpiter com a da Terra.

O monitor começou a mostrar imagens de colônias em lua, marte, nas luas de Júpiter... Até que começou a mostrar a órbita da Terra. Era impressionante: As estações e os satélites ocupavam muito o espaço, era quase uma outra cidade, ou uma extensão da Terra. Então, a imagem mudou e mostrou um centro de pesquisas japonês, localizado no centro de Tóquio:

— Mais ou menos no início do século vinte e três o governo japonês decidiu deslocar grande parte das verbas destinadas à pesquisa de exploração do espaço exterior para o desenvolvimento de armas de uso espacial ou extraterreno. Essa notícia chegou aos ouvidos dos outros governos que, com medo de serem submetidos militarmente ao Japão, começaram a investir no desenvolvimento de armas também. Com tais desenvolvimentos, mais a rivalidade dos países na corrida espacial, um clima de tensão constante foi estabelecido, como se uma guerra pudesse estourar a qualquer momento: era o início da segunda guerra fria. A tecnologia, após isso, chegou em tão alta escala que os desenvolvimentos alcançaram patamares incríveis: o Japão desenvolveu uma arma que funcionava a partir do espaço e que poderia atingir qualquer ponto estratégico da Terra, os países sul-americanos então desenvolveram aviões militares que chamaram de “ anfíbios”, pois apesar deles terem o formato era dos jatos atuais, continham algo diferente: eram úteis tanto dentro da terra quanto no espaço. Os EUA e a Europa desenvolveram uma grande nave equipada com um enorme imã, nomeado "Magneto", capaz de desmantelar qualquer tipo de estrutura de metal. Foi um passo importantíssimo na tecnologia militar, um avanço enorme. Baseados no projeto sul-americano a China, representando países da Ásia, e a Índia aprimoraram os jatos anfíbios e criaram também Trajes Anfíbios, que consistiam em trajes militares úteis tanto na terra, quanto na água ou no mar, ou até mesmo no espaço. Enfim, cada união copiava as idéias de outras uniões, tentando assim desenvolver armas melhores e mais avançadas. Conforme as uniões movimentavam seus peões o clima de tensão cada vez aumentava cada vez mais, e por causa disso estes faziam pouco progresso na aproximação das luas de Saturno, atrasando possíveis avanços tecnológicos que seriam adquiridos com isso e ficando cava vez mais difícil bloquear a iniciativa privada de interferirem na exploração de regiões desconhecidas, que era reservada somente aos governos. Porém, as multinacionais já haviam começado a explorar o cinturão de asteróides, coisa que havia gerado alguns acidentes e que poderia gerar mais ainda.

As sucessivas imagens pararam, e se fixaram num grande edifício branco, com os dizeres “Corporação Omega de exploração espacial”.

— Devido à falta de influência dos governos sobre o avanço das multinacionais sobre o espaço, foi criada a corporação de empresas Omega, que tinham como objetivo a construção de colônias a baixo custo no espaço, de modo a possibilitar a colonização do espaço pelas classes mais baixas. Devido à Guerra Fria e o constante clima de tensão na Terra, a possibilidade de ir viver no espaço pareceu aos pobres algo bem atrativo, uma vez que o custo era baixo e que a corporação prometia melhores empregos e condições de vida e uma vez que havia muita gente desempregada por causa dos robôs que assumiam várias tarefas antes dedicadas a humanos, afora toda a poluição e crimes... Assim, Omega começou a construir conjuntos habitacionais nas luas e em marte e começou a levar pessoas pobres para lá, aos milhares, através do uso de naves “ônibus” gigantes, com capacidade para mais de mil pessoas. É claro que a construção dos conjuntos e todo o projeto em si era cara e o pagamento dos pobres não compensava os gastos, mas essa mesma empresa conseguia extorquir dinheiro dessas classes de outras formas, através da venda cara de alimentos nos conjuntos, através de empregos mal remunerados, entre outras coisas. No final das contas não era tão em conta assim se mudar para o espaço, mas muitas pessoas continuaram fazendo isso, de certo modo até despovoando a Terra. E assim, anos depois, esse projeto foi considerado como marco do início da colonização oficial do espaço, antes reservada aos ricos.

[... continua ...]

Sem mais;
Asha Thrazi!