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Tópico: Setor Verde

  1. #1
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    Padrão Setor Verde

    Capítulo I: Universo


    Janeiro em Ugho, capital de Mãdáchaong, conhecida como Planeta X42a no universo. Dois programadores, enquanto realizavam ronda á unidades de armazenamento, encontram um modelo antigo, que mais parece um caixote desgastado pelo tempo. Não tem conexões nem dono. Depois de decifrado, a caixa se abre, e começa a contar um relato de muito tempo atrás.

    “Sou a unidade de armazenamento 23E#, criada para guardar registros de fatos acontecidos em Mãdáchaong. Á muito perdi minha utilidade, agora que unidades mais modernas chegam a este planeta atrasado todos os dias, realizando as mais diversas tarefas e inutilizando meu trabalho. Essa narrativa foi inteiramente redigida por isto , á partir de diários deixados pelo alienígena M3 e relatos que colhi ao longo do tempo.
    Era um dia como outro qualquer em Mãdáchaong. Ghooro, filho de Mahsgaa, descansava em sua cabana nômade em frente á um lago temporário, daqueles que se formam nas regiões semidesérticas nos períodos de chuva, e esvaziam-se, levando para longe de si seus dependentes.
    Ghooro morava sozinho, e levava uma vida muito regrada por causa de sua condição. Não se lamentava por viver entre a linha que separa a miséria da morte, pois não sabia o que era ser miserável onde não haviam outras gentes mais ricas, outros seres mais vivos, outros lugares mais verdes. Á seu planeta ele chamava de Mãdáchaong, mas aqueles de além- céus o chamariam por uma letra, assim como chamam planetas que julgam ser insignificantes. Para os habitantes de Beta á Ares, Mãdáchaong era o Planeta X42a, e Ghooro era mais um de seus habitantes que viva desconexo da realidade interplanetária.
    Mas neste mesmo dia, um habitante desta realidade caiu no mundo em que morava Ghooro. Mas precisamente, ao lado de sua cabana, que por ser feita apenas de barro e lama, se estraçalhou pelo tufão de vento lançado pela nave escura e metálica que vinha do céu. E qual não foi o espanto daquele pobre nômade, ao ver um humano como ele sair da nave sangrando, implorando por socorro e pedindo ajuda á deuses antigos e desconhecidos.
    Ghooro saiu em disparada, mas o humano correu atrás dele. Ele, pensando se tratar de uma perseguição, resolveu lutar contra este, mas percebeu que ele estava armado quando usou uma arma que execrava um fedor insuportável.
    Este foi o começo da viagem de M3, que em um só golpe de faca decapitou aquele nômade, já imobilizado no chão. Em poucos segundos, M3 já estava curado e andava normalmente pelo deserto.”


    - Conhece este tal de M3?
    - Não, nem de vista. Mas pelo que isto disse, parece ser um daqueles mercenários que se perdeu no espaço. Acho melhor sairmos daqui, estão começando a nos olhar torto.
    Fague5 dizia isto porque estavam no Setor Baixo, que era de certa forma o submundo de Ugho. Localiza-se embaixo da terra, perto dos geradores de energia e alimento centrais. Mas isto não faz do Setor Baixo um lugar melhor: é morada de mendigos, carregadores, mercenários. Fague5 e MK Ultra agora andavam em seus automóveis pelas ruas sujas de esgoto e de entulho eletrônico. As pessoas lavavam o que colhiam no próprio esgoto, enquanto as do mundo de cima tinham acesso á toda água gerada pelo gerador, que ficava ao lado daquele setor. Ugho realmente era o que podemos chamar de um lugar irônico.
    - Conseguiu acesso aos diários?
    - Ainda não. Estão escritos em línguas antigas, com muita informação cruzada. Se eu conseguir... Bingo!
    A exclamação de MK Ultra justificava-se. Tinha conseguido acesso ao programa gerenciador da unidade de armazenamento. Agora ela rodava um trecho do diário do alienígena, com apenas o dia preenchido.

    “Dia 12.

    Este planeta, se não um dos piores, é um dos mais cômicos lugares do universo. Em meu 12º dia de caminhada, cheguei á “metade de aço” se é que se pode chamar assim. É bizarro ter de caminhar sempre por um piso de aço, que o tempo todo lhe monitora com insetos eletrônicos, restos ativos de hardware, unidades de armazenamento privadas. Agora mesmo me observa escondida em um monte de lixo uma unidade moderna, provavelmente propriedade de alguém, para ser tão nova. É repugnante como as máquinas, nesse lugar, imitam a vida. Tudo aqui é metade vivo, meio-morto, meio mecânico. As unidades quando ficam ultrapassadas, ao invés de serem recicladas ou destruídas, são abandonadas nas bordas do deserto. Talvez isto justifique o atraso secular de X42a: um lugar onde a vida se mistura ao morto só tende a piorar. Mesmo assim, tenho que continuar minha caminhada, por este lugar frio e desértico. “


    Não é preciso falar que MK Ultra e Fague5 se sentiram ofendidos com aquele trecho. Não eram nômades, eram moradores da parte metálica, que fora destruída por um meteoro quando ainda era de terra. Sucederam-se vários comentários de ambos: “ Etnocêntrico ”, “deve morar em Ares”. Coisa de Csiano. E realmente tinham uma parcela de razão, embora grande parte do que M3 disse fosse verdade. Mas ao mesmo tempo ficaram intrigados com aquela unidade. Não constava nada sobre M3 em nenhuma outra unidade que estivesse conectada á rede csiana de armazenamento. Resolveram levá-la então até o centro de gerenciamento de Ugho, sem o qual a rede csiana entraria em colapso.
    Saíram do submundo (educadamente chamado de “setor Y” pela elite), e foram para o Setor Verde, que ficava suspenso no ar. Era mais um entrelaçado de naves e colônias flutuantes acima das nuvens do que um setor propriamente dito. Mas nesses tempos difíceis, estar acima das nuvens era de muita valia. Acabava de ter acontecido uma grande erupção vulcânica em uma já conhecida falha ao leste, o que fez que toda X42a ficasse coberta por nuvens espessas que deixavam o planeta bem mais frio. O frio não trouxe só conseqüências para a natureza: afetou a vida em sociedade: ele deixou as pessoas mais egoístas e indiferentes.
    Porém, a Central não estava onde devia estar. Devido á crescente piora do clima, tiveram de subir ainda mais alto para chegar até ela. Ao entrar pela porta metálica, foram recebidos com a devida má- educação das elites sociais. Como de costume, ninguém lhes cumprimentou ou deu importância ás suas presenças. Se dirigiram diretamente ao Grande Pensador.
    - Temos aqui uma caixa de armazenamento para ser arquivada.
    - Eu já sabia disto. Bote-a na câmara receptora.
    MK Ultra a botou em um buraco feito no chão que se reajustava com o tamanho da carga.
    - Não posso computar isto.
    Os cientistas ali presentes continuavam com seus trabalhos, mas agora olhavam disfarçadamente o que estava acontecendo. O Grande Pensador nunca houvera falhado em uma operação antes? Fague 5, indignado, soltou uma exclamação.
    - Como?
    - Não posso computar isto.
    Saíram de lá com a caixa na mão sem dizer uma palavra. Sabiam que se perguntassem á alguém naquela sala seriam esnobados, e se perguntassem ao Grande Pensador o porque daquilo ele soltaria um bando de constantes matemáticas ou coisas sem sentido. O ser humano havia construído uma máquina que tinha as respostas para todas as perguntas que ela não conseguia compreender.
    - Fag, o que devemos fazer com isto agora?
    - Vamos ter que decifrá-la lentamente. Algo me diz que ganharemos muita grana com isso.
    - Você só pensa em grana. Aposto que você vai morrer antes de terminar essa coisa.
    - Acho que o problema dele está no centro de comando. Ele rompeu sua conexão com a rede mundial e programou uma rede dentro de si mesmo.
    - Quem seria o programador imbecil o suficiente para dispensar a rede mundial para construir uma rede própria?
    - Bem... eu não acho que posso chamar isso de uma rede.
    Fague5 estava certo. Aquela unidade de armazenamento tinha uma rede com muitas conexões. E conexões que davam para conexões dentro de si mesma, em uma progressão infinita. Cadeias imensas que se rompiam com uma facilidade tremenda, a medida que a informação era processada.
    - Isso me lembra uma aula de Medicina...
    - Você acha que...?
    - Puff! Você só pode estar brincando comigo. Isso é impossível, já foi comprovado.
    - Você tem razão. Mas com certeza há algo de errado com essa unidade.

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  2. #2
    Avatar de Curiox Morozesk
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    :787: Here I go! :dry:

    Eu estou ficando meio bobo ou você meio que prolongou o texto do Universo?

    E está estranho, não que eu tenha me perdido no meio da leitura, mas é bastante entretenimento complexo. Uma caixa que narra algo em um planeta onde havia um habitante "troglodita", uma humanidade supra-desenvolvida...

    E esse texto confirma uma coisa: "O Homem é o destruidor..." Mas do que?


    Curiox Morozesk



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