Deu-me vontade de escrever um pequeno texto, pena que não a tempo do concurso. :riso:
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Fim dos tempos
Calor intenso. Era o que todos sentiam naquele momento. O barulho era imenso, uma grande mistura de diferentes ruídos. Em um canto um homem repetia monotonicamente "dentista", como num mantra. Na esquina outro homem imitava a voz do apresentador Sílvio Santos, dizendo as ofertas da loja para a qual trabalhava. No centro da praça uma equipe de televisão entrevistava os pedestres, perguntando sobre os resultados futebolísticos do fim de semana anterior. Perto de um muro, um mendigo gritava loucamente - "O fim do mundo está próximo! O fim do mundo está próximo!"
Carros, motos, ônibus, sirenes, tudo contribuía para aumentar ainda mais o barulho. As baforadas de poeira e fuligem negra dos escapamentos dos ônibus aumentava a sensação térmica ainda mais. Era o centro da cidade, formigueiro humano, verdadeira bagunça e desordem, nada fora da rotina. Ou pelo menos era o que parecia...
Não mais do que de repente, uma fenda se abre no chão, numa parte da calçada que estava vazia. O estrondo conseguiu se sobrepor ao barulho do local, como um trovão, surpreendendo a todos. Uma rajada de fumaça começou a sair da fenda, trazendo consigo uma onda de calor tão intensa como meia dúzia das supracitadas baforadas dos ônibus. Em meio a fumaça uma sombra se desloca verticalmente de baixo para cima, como se estivesse encima de uma plataforma elevadora. Ficou perceptível que a sombra tinha forma humana. E então, em meio a fumaça, um homem velho sai. As rugas em sua face mostravam que muitos anos ele carregava nas costas. Seus cabelos eram negros e penteados para trás, como se tivesse usado muito gel. Seus olhos tinham um brilho especial, parecia que este era um momento que ele aguardava com ansiedade. Usava um terno preto, com uma camisa e gravata vermelhas.
Logo após o homem chegar à superfície, o céu começou a ficar estranhamente claro, como se várias lâmpadas fluorescentes muito intensas fossem acesas simultaneamente. Uma nuvem começa a se formar no céu, crescendo cada vez mais. Ao som de trombetas que pareciam ressoar no céu, vindo ao mesmo tempo de toda a abóbada celeste, e de lugar nenhum, um portão dourado se abre dentro da nuvem. Um homem desce flutuando das nuvens até o chão. Usava uma túnica branca, e tinha um longo cabelo e barba, na cor castanha. Suas sobrancelhas estavam arqueadas, parecia bravo com a situação. Pára o som das trombetas. Os dois homens se fitavam, o de terno com os olhos cerrados, ambos muito concentrados.
O formigueiro humano estava estático, todos atônitos, sem entender o que estava acontecendo. Apenas o mendigo ignorado por todos, entendia a situação. Era o fim dos tempos, a batalha final entre Deus e Satanás. "O fim do mundo está próximo!", gritava ele, parecendo agora mais são do que nunca, em toda sua paradoxal insanidade.
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