Uma Boa Semana Depois Do Capítulo II...
Capítulo III - A Ilha e a Montanha
Escuro. Não ouvia nada. Horas e horas permanecia sem saber se alguma coisa fazia sentido, ou mesmo o quê significa fazer sentido.
Mas... havia areia fresca em seus olhos... e essa areia parecia comprimir seus olhos cada vez mais...
Acordara. De alguma forma, havia quase engolido uma quantidade considerável
de areia.
E mirava o céu, com suas nuvens dos mais variados formatos. Não tinha forças para levantar, ou mesmo para falar. Havia desmaiado.
Não parecia haver ninguém por perto. Sentia o tempo passando por seu corpo. Alguma coisa dentro dele o imobilizava... Mas ele precisava reunir forças para sair daquela situação...
Estava finalmente decidido. E, por mais impressionante que isso pareça, levantou-se de um sopetão.
A paisagem que o cercava era belíssima. Parecia miragem.
Inúmeras aves circundavam o mar em um vôo esplendidamente perfeito.
Havia rochas, não aglomeradas, mas pareciam ter sido esculpidas. Havia coqueiros ao redor da ilha, e o sol fraco tornava-se agradavelmente homogêneo misturado com a leve brisa.
Mas logo se deu conta de que não podia ficar lá, parado, admirando a paisagem. Finalmente notou que seu companheiro na luta contra o minotauro ainda encontrava-se desacordado na areia ao seu lado.
Tentou acordá-lo, mas não obteve sucesso. Não podia larga-lo ali, jogado no chão. Mas também não podia ficar lá esperando. O quê faria?
Na dúvida, se destraiu repentinamente a ponto de não perceber o súbito movimento do outro. Ele havia recobrado os sentidos.
- Você está bem? - perguntou.
- O...o quê. Mm..você a-acha? - forçou-se a dizer, tentando ressaltar algum tom irônico na frase.
- Você tem que levantar. Estamos numa ilha, e não vejo nenhuma saída.
Mas tem que haver...
- E-está... está certo. - dizia, mas visivelmente estava mais ferido que Steven, e não parecia que ia conseguir levantar dali tão cedo.
- Não diga nada. Isso gasta energia. Vou esperar aqui, quando se sentir seguro, tente levantar.
MEIA HORA DEPOIS...
- Acho que... dá.
- Segure na minha mão. Tenha força!
E, com os dois em razoáveis condições, sabiam que estavam perdidos. Encontravam-se desprovidos de equipamentos - ou mesmo comida.
Será que iriam achar a saída daquele local? E se não achassem, como iriam sobreviver? Que perigos os aguardavam?
- Qual é seu nome? - perguntou Steven.
- Lucas.
- Ótimo. Agora temos de ir andando.
- Essa ilha é grande demais... Não acredito que chegaremos a algum lugar.
- Eu sei, mas tenho examinado de longe, não vê aquela abertura, no centro?
- Agora que você disse, consigo ver sim.
- Vamos lá, não temos outra opção mesmo...
Mas logo viram que não era tão simples assim. A abertura estava muito longe, e estava bloqueada. Se deram conta disso à medida que andavam.
- Não podemos ficar andando até lá, isso está interminável.
- Os coqueiros! Precisamos pegar alguns cocos, estou ficando com muita fome e sede.
- Mas estamos no meio do caminho... - lamentou-se Steven.
- Não sabemos se lá dentro há comida, e provavelmente não há. É melhor prevenir do que remediar.
- Está certo. Vamos voltar.
E fizeram o longo trajeto de volta.
- Como vamos quebrar esses cocos? - zangou-se Lucas.
- Há um jeito... sabe aquelas pedras?
- Boa idéia... achei que estávamos perdidos...
- Você é muito pessimista - retrucou. Estamos numa situação díficil... então nós deveríamos ao menos...
- Ok, ok, já entendi. Falar é muita perda de tempo.
Mas ao quebrarem os cocos, perceberam que havia muito pouca água dentro
deles. Devia ter evaporado, de tanto calor.
- Como essas coisas parecem tão boas quando se está com fome... - falou Lucas, tentando animar um Steven de cara amarrada.
- Não são ruins - disse Steven. Mas acho que isso é o suficiente. Vamos voltar, já está escurecendo. Precisamos achar gravetos, ou alguma coisa que faça fogo para podemos enxergar dentro daquela caverna...
- Primeiro vamos chegar lá novamente... há alguma coisa estranha, mas não vi direito o que é. Vamos voltar.
Ao chegar, confirmaram o que Lucas havia dito. A caverna estava bloqueada por um portão maciço de grossos troncos de coqueiro. Steven certificou-se que era impossível quebrá-lo em sua atual situação. Mas reparou que havia um jeito de abrir, uma corda que levava ao topo do monte logo acima. Havia uma espécie de escada rotatória talhada na pedra que levava até lá em cima.
- Temos que chegar lá em cima. Parece que é o único jeito de entrar nessa caverna, e pelo que está parecendo é nela que devemos ir se quisermos sair daqui.
Logo repararam que a escada era quase plana, o que a tornava longa. Os degraus pareciam mais falhas no chão do que degraus. A contagem era interminável...
O tempo se passava. O céu estava doentio, numa cor alaranjado-azul escuro.
Steven já havia perdido a conta dos degraus, a fome reinava novamente...
Gotas de suor caiam dos corpos tortos dos dois, quase caindo. Mas ao menos havia uma mudança nos degraus, ao invés de curtissímos, esses eram tão grandes que era necessário um grande esforço dos dois para subir cada um deles.
Logo, os degraus se tornaram estreitos e enormes, e era quase impossível se equilibrar. Parecia que a escada havia sido projetada para que não conseguissem subí-la. Por fim, alcançaram o último degrau, o estômago doendo de fome reclamava com roncos e com mais gotas de suor.
E lá em cima havia algo ao mesmo tempo muito misterioso e estranho.
Uma cavidade exatamente oval no topo da montanha, circundada por pilares de pedra. E no centro da cavidade havia uma pequena pedra reluzente.
Se aproximou dela e pegou-a, vendo que parecia valiosa.
Com muito esforço, os dois conseguiram amarrar a corda num dos pilares de pedra. Era uma corda muito grossa e longa. Com muito tempo e muito mais esforço, fizeram ziguezague em 3 pilares.
- Isso já é o suficiente - bufou Lucas. O portão deve ter aberto o suficiente para que nos possamos passar.
Mas ainda tinham que descer - porém a descida foi melhor que a subida. Tinham apenas que pular nos degraus altos e correr nos baixos.
Ao chegar no solo, já era noite. Por sorte, Steven não havia notado que tinha deixado algumas tochas de emergencia no seu bolso.
- Temos que economizá-las, vamos acender somente dentro da caverna.
- CORRA!! A corda esta rompendo! - gritou Steven.
Como a corda era grossa, tinha aguentado até o momento deles descerem. Mas estava por um fio de partir. Rapidamente, os dois rolaram. Tarde, ou quase tarde demais.
Eles conseguiram passar com sucesso, mas o portão tinha caído... sobre um dedo de Lucas.
- Aaaaaaaargggggggghhhhh! - urrou de dor. E desmaiou novamente.
VINTE MINUTOS DEPOIS.
- Meu deus... Por favor ACORDE!!! - gritava Steven em desespero.
- N-não posso sentir meu dedo...
- Eu usei uma das minhas tochas para queimá-lo.
O sangue parecia ter coagulado. Um visível preto indicava o que Steven havia feito no dedo de Lucas.
Mas não podiam ficar se lamentando. Estavam presos na caverna. Precisavam prosseguir.
CONTINUA...
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Questões pendentes à serem respondidas:
- Quem criou o portal mágico que os levou até a ilha?
- Como a ilha pode ser tão bela?
- Porque a caverna estava bloqueada?
- Que utilidade terá essa pedra? Porque ela estava no topo da montanha?
- O quê há dentro da caverna?
- Como os dois irão sobreviver sem comida, sem equipamento, e com algumas poucas tochas?
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Comentários do autor:
Neste capítulo preferi detalhar melhor o ambiente do que criar novos ambientes. Não há muitos acontecimentos, porém coloquei vários mistérios e uma certa dose de realismo, que tornou esse capítulo mais limpo que os anteriores.
Está mais longo que os dois anteriores, de todo jeito.
Quem aprecia detalhes, certamente gostou desse capítulo.
A previsão para o quarto capítulo é até segunda. Ou seja, de segunda NÃO passa.
Comentar será um incentivo para que eu poste o próximo capítulo mais rápido. Críticas construtivas aceitas
VISITEM SEMPRE O TÓPICO PARA NOVOS CAPÍTULOS.
Bem, acho que é só. Oh revu'á, misamí!