ZERO HORA
Porto Alegre, 18 de abril de 2005. Edição nº 14482
Comportamento
Jogo virtual sem fim vira febre entre a gurizada
CAMILA SACCOMORI
Seu filho não sai da frente do computador? Confira se ele não está jogando Tibia, um programa interativo que caiu nas graças de milhares de crianças e jovens. Baixado gratuitamente de sites como http://www.tibia.com e http://www.tibiabr.com, o jogo pode ser uma ferramenta interessante na educação dos pequenos, desde que sejam especificados limites.
Espécie de RPG online, Tibia não possui um objetivo único: cada jogador cria seu próprio personagem, que passa o tempo todo aperfeiçoando suas características e é guiado por um mundo fictício. Assim, o personagem ganha "experiência", que é revertida em força e inteligência.
O game, criado na Alemanha e com comandos em inglês, é também usado para bate-papo entre usuários do mundo todo. Os participantes podem conversar e tentar resolver os problemas juntos. Os irmãos Gabriela Gonçalves Dias Ponzi, 10 anos, e os gêmeos Vinicius e Camila, 12, descobriram Tibia nas férias e hoje se revezam no teclado para jogar.
Gabriela (esquerda), Camila e Vinícius são fãs de Tibia.
Foto(s): Ricardo Duarte/ZH
- O jogo é muito instrutivo porque simula situações reais que eles vivenciam. Eles fazem amigos, aprendem a se defender, trocar pertences e ainda falam inglês, consultando dicionários - aprova a mãe, a nutricionista Mirian.
Nem sempre a lição é fácil. Gabriela queixou-se de um roubo recentemente. Ela estava em negociação para comprar um shield (escudo) de outro jogador, porém deixou o dinheiro virtual solto em vez de colocar na bag (mochila).
Outra situação comum é encontrar um PK ("player killer", matador), um jogador sem espírito esportivo que tira a vida dos outros personagens. Ainda que não seja um jogo violento, Tibia alia recursos dos tempos modernos com a vida simples: é preciso caçar e pescar para sobreviver.
Mais do que simples simulação de vida em sociedade e aula de inglês divertida, o maior atrativo do jogo é servir de ponto de encontro virtual.
- O mais legal é fazer amigos - confirma Camila.
No site oficial do jogo, uma enquete revela que os usuários passam de três a quatro horas na frente do computador. Na casa dos Ponzi, a brincadeira é limitada apenas aos fins de semana. Os especialistas alertam justamente para este excesso de dedicação a uma atividade que estimula demais competição.
- As crianças que entrevistei criticaram o Tibia por estarem adictas. É uma estimulação acelerada para vencer, passar os níveis, ser melhor que os outros - constata a psicóloga Léa da Cruz Fagundes.
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