Uma história de Elite - Parte 3 – O Arqueiro Caído
Zath acordou assustado, não sabia onde estava, e nem como havia chegado ali. A tempestade na rua ficava cada vez mais forte. A chuva nessa época do ano não era comum, ainda menos uma tempestade desse porte. Estariam os deuses zangados? Talvez algum plano de Zathroth tenha dado errado.
Um pensamento sombrio passou pela mente de Zath, até então ninguém havia sobrevivido a um ataque do leviatã, seria o ataque uma obra de Zathroth? Teria Fardos salvo a sua vida, somente para arruinar os planos do malvado deus?
De repente todos esses pensamentos fugiram de sua mente, um rosto de uma garota apareceu na frente de Zath, era Leluil, a filha do dono da hospedaria, entrou no quarto trazendo um jarro de água e algumas frutas, Zath estava sem comer havia dias, e a batalha contra o monstro sugou toda sua energia. Agradeceu com um aceno com a cabeça e logo pegou uma manga do cesto de frutos.
Você e um pirata, não é? Perguntou Leluil - meu pai sempre me disse que piratas são maus e agem como porcos.
Zath não respondeu a pergunta da garota, apenas ficou parado comendo a manga e observando a garota.
De repente, surgiu um homem alto na porta, era o dono da hospedaria, que foi logo gritando com Zath, - Eu sei que tipo de gente você é, gritou o homem, sei que veio aqui só para coletar informações sobre a cidade e planejar um ataque, MAS EU NAO VOU DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA!
Zath se levantou e não deu ouvido ao que o velho dizia, pegou suas coisas e saiu da hospedaria. Na rua a chuva caia forte, andou sem rumo pelas ruas da cidade onde avistou uma velha construção abandonada, resolveu ficar ali mesmo, queria ficar um tempo sozinho pensando em como sair da ilha onde parecia que não era bem vindo, e de fato não era, pensou em construir uma embarcação, mas não conseguiria sem suprimentos nem sem alguém que o ajudasse, e decidiu ficar por ali mesmo, quem sabe trabalhando nas plantações de cana e viajar para o grande continente quando conseguisse algum dinheiro.
Sua mente aflorava de ideias quando foi interrompido por passos assustados, empunhou seu sabre e levantou-se, foi até a porta da casa abandonada, onde esbarrou com um arqueiro, parecia ferido e aterrorizado, mas por um lado estava feliz por ter encontrado-se com o pirata.
O arqueiro pediu para adentrar a casa para se proteger da chuva, Zath não entendia por que, mas ele era diferente dos outros habitantes da cidade. Ficaram sentados ali parados por um longo tempo, bebendo um pouco do rum que Zath pegou escondido da fuga da hospedaria.
O novo amigo do pirata não havia dito seu nome, apenas que havia acabado de voltar escondido em um barco da guarda da rainha de Carlin (que era uma grande amiga de Eleonore) estava na cidade em uma missão secreta, mas contou a Zath uma conversa que ouviu sobre uma nova bebida na região.
Logo Zath percebeu o oficio que ele ocupava, era um guarda do forte da Baía da Liberdade, o arqueiro afirmou com um gesto com a cabeça, e falou que costumam chamá-lo de Arqueiro Catarinense, Zath gostou do nome e continuou a chamá-lo assim.
A noite já estava ficando tarde e a conversa entre os dois continuava a rolar solta.
O tempo passava e os dois aparentavam ter muita confiança um no outro, o arqueiro havia arrumado um emprego para o pirata na plantação de cana, e boatos corriam de que um novo fabricante de rum na cidade de Carlin estava monopolizando a produção da bebida, diziam até que o seu rum superava até o de Nargor e da Baia da Liberdade juntos.
Zath passava o dia todo na plantação e a noite ia para a hospedaria, onde o dono já passara a olhar com outros para o pirata, reunia-se ali com seu amigo arqueiro que o contava sobre as táticas de batalha no forte e sobre guerras do outro lado do mundo, o assunto fazia-o se lembrar da sua época de pirata, viajando sem rumo pelos mares do mundo.
Até que num desses dias muitos gritos saíram do lado de fora da hospedaria, havia piratas por todas as partes e o terror dominava a cidade, o arqueiro saiu em disparada em direção ao forte, deixando meia caneca de rum sobre a bancada Zath fez o mesmo e foi se abrigar no forte onde guardas disparavam flechas contra os piratas.
De cima da muralha Zath pode avistar grandes capitães, entre eles Brutus o Barba-de-sangue, que avançava em direção ao forte. De repente com um estrondo Zath viu os portões se derrubarem, piratas invadiam o forte por todos os lados, Zath evitando a confusão se escondeu atrás de um dos barris, flechas passavam zunindo sobre sua cabeça e o som de espadas perfurando corpos o deixava um pouco desorientado.
De repente aparece ao seu lado o amigo arqueiro, disparando flechas sem parar contra a direção oposta, então um cheiro forte de álcool e sangue misturados passa a se aproximar, escuta passos devagares se aproximando e seu coração começa a acelerar, os passos cessam, virou a cabeça para a direita e vê uma espada perfurando o peito de seu amigo, que cai sem vida no chão, escuta uma risada rouca e vê ali empunhando a espada o capitão Brutus, com um movimento repentino Zath empunha o arco do amigo e dispara uma flecha que acerta em cheio a garganta do capitão, naquele momento ele percebeu que não era mais um pirata e que nunca mais iria empunhar um sabre em sua vida.
A invasão dos piratas havia sido repelida, Zath carregou o corpo do amigo com grande pesar ate o casebre abandonado onde conhecera o amigo e decidiu sepultá-lo ali mesmo, em sinal de respeito e apreço a amizade dos dois, ali fez a sepultura do amigo e colocou junto ao corpo seu arco e a flecha que usara para vingar sua morte. E escreveu na lapide: de que vale lutar por riquezas e rum, quando se perde família, amigos, e honra. Aqui jaz Arqueiro Catarinense, um nobre guerreiro e defensor da cidade e acima de tudo um AMIGO.
Uma lagrima escorreu da face de Zath e decidiu sair do lugar, a alma de seu amigo estava em paz.







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