Uma história de Elite – Parte 1 – Encontro inesperado
O forte odor que sentia era insuportável, lembrava pólvora, ou era apenas fruto da sua imaginação, já que estava mais uma vez bêbado. Tourniquett seguiu cambaleando pelas ruas de Carlin em direção à origem do cheiro, conforme chegava mais perto, nuvens de fumaça começavam a aparecer no céu.
Ao chegar à costa, avistava os restos de uma embarcação na praia, junto dos pedaços do que outrora fora um grande navio cargueiro, uma espécie de planta cortada e amarrada em grandes fardos. Tork, como era chamado pelos velhos companheiros de noitada nos becos de Thais, vasculhava os escombros até que encontrou uma caixa com garrafas cheias de um estranho líquido marrom, curioso com o que acaba de achar, e com medo de alguém roubá-lo, foi em direção à mata e escondeu a caixa com as bebidas ao lado de um antigo carvalho.
Tork decidiu voltar para a cidade e descansar um pouco, mas acabou tropeçando no caminho e acabou por dormir ali mesmo. Pela manhã, com os raios de sol batendo em seu rosto, acordou, mas não se lembrou do que aconteceu na noite passada, apenas de uma pequena memória de uma caixa com bebidas de rótulos dourados.
Sedento por experimentar ele passou horas e horas procurando em vão pelas bebidas, a ressaca das cervejas que tomou antes de encontrar o navio o impedia.
No meio das árvores, enquanto procurava, um veado branco e raivoso partiu em disparada atrás dele, Tourniquett tentou correr com toda a energia que tem, mas acabou sendo alcançado e derrubado pela besta branca que o pisoteia sem dó. Ela só para quando Tourniquett desmaiou.
Duas horas passadas após ser atacado pelo veado, Tourniquett se levanta com fortes dores no corpo, mas algo mudou nele, sua memória agora veio a tona, ele se lembrou perfeitamente onde havia escondido as bebidas, do carvalho, da caixa, da embarcação.
Saiu em disparada atrás do mais importante, as garrafas.
Ao encontrá-las, logo vai abrindo uma, o primeiro gole foi como se nunca tivesse tomado algo antes, foi espetacular, mágico, o gosto era inimaginável, nunca havia bebido algo tão bom em sua vida. Ele percebeu que aquele líquido só podia ter sido feito daquelas plantas de cheiro forte e gosto adocicado, ideias começaram a preencher sua cabeça.
De uma só vez já havia tomado quase toda a garrafa. Bêbado, completamente bêbado, mas totalmente ciente e decidido do que fazer, partiu a correr para a praia e começou a carregar as plantas que restaram para um local seco. Já com a tarefa realizada tomou outra garrafa do que ele começou a chamar de "O Sagrado Suco de Sabedoria" e aos soluços entoou uma canção.
“Sit and drink Pennyroyal Tea,
Distill the life that's inside of me
Sit and drink Pennyroyal Tea
I'm anemic royalty”
Descansado, ele junta pedaços de madeira e construiu uma cabana fora da cidade. O sentido de sua vida mudou completamente. Ele bebeu rum por dias e noites até que sem mais nenhuma gota da bebida, decidiu tentar fazer mais com a cana que coletou da embarcação naufragada.
Mas antes disso tinha uma questão de honra a resolver. Vingar-se da besta branca.
Ele começou a caçada aos arredores da cidade e o avistou ao lado de um pinheiro, aquele par de chifres era inconfundível, o veado parecia zombar da sua fraqueza, Tourniquett empunhou sua espada e vai em direção ao animal, chegando a poucos centímetros do animal, o golpe foi dado, o chifre esquerdo foi cortado.
Tão rápida quanto uma flecha, o olhar do animal mudou, com medo e desespero, o veado branco ao ver a determinação daquele homem fugiu em alta velocidade. Tourniquett ainda zombou: - Corra seu desesperado, corra.
Ele voltou pra a cabana, com sua honra restaurada e foi em busca de reproduzir a bebida.
Muitas tentativas foram em vão, decidiu ir à taberna de Carlin procurar informações sobre produção de bebidas, depois de horas de conversa jogadas e fora ele decidiu continuar tentando sozinho. Chegando na sua cabana, tentou uma, duas, três formas diferentes até conseguir um sabor semelhante ao original, feliz com a sua façanha colocou o liquido em um barril para que o envelhecimento da bebida ficasse completo.
Sonhos bons coroaram aquela noite de fascinação, mas ao acordar percebeu que o barril que havia produzido não se encontra mais ali. – Maldição. Ele gritou com fúria. Em seu lugar encontrou uma runa estranha com o desenho de um coração negro e uns rabiscos onde se viam as letras LB.
Pela primeira vez em sua vida, Tork estava dominado mais pelo ódio e pela raiva do que pela sua sede de álcool, ele correu seguindo as pegadas que iam rumo à cidade de Carlin.
Ele correu como nunca correra antes, tanto que nem percebeu o velho amigo arqueiro que caçava no caminho, o qual tinha assuntos a tratar. Estava realmente disposto a recuperar sua bebida.
Ele chega a Carlin e começou a procurar pelo bandido, vasculhou a cidade toda. Sem êxito. Cansado da busca, ele foi ao bar, beber um pouco para tentar esquecer-se da perda. Quando entrou na taberna sentiu que o lugar estava mais alegre que de costume, lá estava, seu precioso barril sobre o balcão, todos no lugar estavam cantando e dançando.
Todos haviam tomado de seu rum.
Empunhou sua espada e foi ao dono do bar, Karl era seu nome. Tork o obrigou a falar quem foi que lhe deu aquilo, indignado, gritou que aquela bebida era sua criação. Os fregueses do local espantados disseram que ela era maravilhosa e oferecera grandes quantias de dinheiro por ela, mas a raiva falava mais alto. – Pela última vez, quem lhe deu isso Karl. Gritou Tourniquett apontando a espada em direção ao peito de Karl. Temendo por sua vida o dono do bar apontou em direção ao fundo do salão, um lugar pouco iluminado.
- Lá, lá está o seu ladrão. Respondeu o velho.
Sem ver quem já o observava, Tourniquett partiu para cima do ladrão ainda com a espada em punhos, chegou mais perto e se espanta.
-Não pode ser. Você? Eu deveria ter imaginado. Bradou o furioso Tourniquett.
Para Tork, agora as letras LB da runa fazia sentido.
- Levante-se Lhar Baenit, temos assuntos a acertar. Disse ele.