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Tópico: A Ilha das Lamentações

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    Na praça, Lug abriu os olhos e deparou-se com a multidão ao seu redor. Meio indiferente, levantou-se e perguntou onde estava; que lugar era aquele. Uma das pessoas o reconheceu:
    - Lug... Vo... Você está em Othialla! Por Fýyr, onde mais poderia estar?
    - Ah! Respondeu, sem dar muita importância.
    Lug olhou a cidade como se nunca houvesse estado ali, com um olhar cinza e sem brilho, ao mesmo tempo vago e analítico. As pessoas confabulavam sobre aquele estranho ser que aparecera no meio da praça. Uns estavam felizes por Lug estar de volta, aparentemente bem. Outros diziam que Lug estava morto e que aquele era apenas o seu fantasma, enviado para amaldiçoar o povoado por algum demônio dos mares. Alguns falavam também no séssartróllar que teria tomado a forma de Lug para, à noite, alimentar-se dos cérebros das criancinhas. Um velho senhor que estava ali perguntou a Lug sobre seus amigos marinheiros. De uma forma friamente natural, Lug virou-se para o velho e respondeu que não sabia. Foi nesse momento que, em sua longa camisola branca, Shirà apareceu, correndo ao seu encontro...

    - Lug, meu amor! Você está vivo! disse, abraçando com todo o carinho do mundo aquele homem maltrapilho. Em seguida, deu-lhe um longo beijo, sem importar-se com o odor e sabor metálicos de sua boca ressecada.
    - Shirà... Eu estava com saudades dos seus braços... Vamos para casa. Prepare-me um banho, por favor, pois estou muito cansado.
    - Sim, Lug. Vamos logo.

    Shirà pareceu reanimar seu marido, como se ao vê-la, este voltasse a si mesmo. Já não tinha mais a aparência perdida e alheia à realidade de antes. Após Shirà vieram Mylla, sua irmã e Wrebh, seu vizinho. Tenner ficou em casa com a filha, que não quis ver o tio. Os quatro foram para a casa de Lug, em silêncio. Passada a euforia do encontro, todos estranhavam a aparência de Lug: apesar de seus trinta e três anos, ele aparentava agora ter cerca de cinquenta. Chegaram a casa e Mylla ficou com Wrebh na sala, enquanto Shirà desceu com o marido para preparar-lhe um banho com sais perfumados.

    Wrebh, o vizinho de Lug era um homem de aparência roedora, não muito alto, com cabelos negros cacheados, corpo e rosto massudos e nariz redondo, sob o qual ele cultivava um esquisitíssimo bigode que pairava sobre uma pequena boca com dentes salientes. Devia ter entre trinta e cinco e trinta e oito anos e era tão desengonçado quanto parecia. Falava pouco, parte medo de dizer o que não devia, parte por não ter muito assunto, mas era sempre muito prestativo. Ficar ali naquela sala junto de Mylla causava a ele certo desconforto. Resolveu, então, voltar para a padaria.
    - Senhora Mylla, vou deixar vocês. Tenho trabalho me aguardando. Acho que já não vão precisar mais de mim, né? Se quiserem algo, saberão onde me encontrar.
    - Tudo bem, Wrebh. Obrigado por tudo.

    Pouco depois, Shirà apareceu. Mylla não quis tecer comentários sobre Lug, apenas limitou-se a perguntar se o irmão estava bem, no que Shirà respondeu com um sinal de cabeça. Mais ou menos uma hora depois, Lug apareceu na sala, já com aparência bem melhor. Seus cabelos ondulados estavam mais arrumados e a barba estava feita. Trajava agora uma bela túnica avermelhada, com um cinto dourado. Foi até a mesa e sentou-se com as duas mulheres.

    - Mylla, minha querida irmã... Como estou? Lug, ainda visivelmente abatido, parecia fazer um esforço hercúleo para esboçar uma alegria. Mylla apenas sorriu de forma positiva.
    - Lug... Conte-nos! O que houve com você? O que aconteceu com seu barco, seus amigos? Porque demorou tanto a voltar? Shirà, pelo visto, tinha várias interrogações em sua mente.

    O semblante de Lug ficou sério. Olhou para as duas mulheres. Fez-se um silêncio. Por fim, ele disse:
    - Seu aniversário estava próximo, Shirà. Resolvi que iria até os rochedos de Darder no extremo sul para procurar a raríssima pérola escarlate, para presenteá-la. Minha equipe toda concordou.

    Houve uma nova pausa. Nisso, Lug começou a murmurar algo. Com uma voz estranha que parecia cuspida por entre os dentes disse:

    - ...E nunca chegamos em Darder, sabe? Acidente. Mar perigoso, ali. É! Errei o caminho. Eram pedras. Era uma torre. Noite. Tempestade. Ondas. Sangue. Morte... Sim! Uma torre! E uma ilha! Uma ilha que chorava! Uma ilha aos prantos! Eu matei! Foi ruína! A tempestade! Desespero! Gi... Le... Farg... AAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!

    Mylla e Shyrà estavam perplexas com a cena e a súbita alteração de humor. Lug tossiu aquelas palavras desconexas com a maior dificuldade do mundo. Pareceu ter dito tudo sem respirar. Estava com os olhos vermelhos e sem fôlego. Após dizer aquilo, apenas pediu licença e foi se deitar.

    -------------------------------------------------------------------
    @Tadeik: Que bom que gostou da história! Obrigado pelos comentários! Fico feliz, pois escrever essa história dá um certo trabalho... São muitos os detalhes e, com isso, aumentam as chances de haver passagens incoerentes. Costumo reler várias vezes os capítulos antes de postar aqui. Fui pesquisar sobre os TRASGOS e, de fato, são duendes da mitologia portuguesa. Como eu disse, podem ser EQUIVALENTES aos trolls. Usarei o termo pois quero evitar nomes em inglês. Já basta a língua fyr pra confundir... :triste:

    @Outros_Leitores: foi mal o capítulo-grande... O desencadear dos acontecimentos obrigou... hehehehe
    --------------------------------------------------------------------
    Nomes que aparecem nesse capítulo:


    - Darder: ao sul de Othialla, em um local de mar um tanto agitado, há uma pequena formação rochosa. As conchas que vivem ali produzem a "pérola escarlate" de coloração avermelhada. "Darder" vem de "Dardermyszà" - "Pedras Isoladas"

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    7

    Antes de continuarmos com a história, faz-se mister uma breve menção à administração de Othialla. O comando da cidade ficava a cargo de Chefe, escolhido pelos druidas e sacerdotes em um ritual complexo. Esse Chefe tomava as decisões na cidade, que tinham de ser aprovadas pelo Conselho, composto de cinco membros escolhidos pela população. Resumidamente, esse era o sistema político na cidade, cuja estrutura básica era muito comum nos demais povoados fyr. No momento, o Chefe da cidade era Rhizód Frinneqa, um homem forte e austero, notável caçador, inteligente, justo, respeitados por todos. Rhizód não era natural de Othialla, era um fyr do norte - seu sotaque monótono entregava suas origens - que se estabeleceu na cidade, adquirindo notoriedade no local.

    Na semana marcada pela volta de Lug, Rhizód não ouvia falar em outro assunto em seu escritório, próximo ao farol. Muitas pessoas iam vê-lo querendo saber notícias do pescador, outras, mais supersticiosas, pediam que decretasse seu banimento para terras afastadas. Muitos chagavam a afirmar a aparição um fantasma flutuando sobre o mar, em direção à cidade na noite de sua volta. Naquela manhã, Rhizód resolveu visitar Lug. Os dois eram conhecidos, não sendo íntimos. O Chefe não tinha a mínima intenção de baní-lo e não era muito supersticioso. Na verdade, acreditava que o povo estava apenas chocado com um acontecimento pouco usual, que quebrou a monótona rotina da pequena cidade perto do mar. Sua maior preocupação era o destino dos quatro homens que embarcaram com ele e não voltaram. Saiu de seu escritório e, na companhia de um dos membros do Conselho, caminhou até a casa de Lug Mariel.

    Após mais ou menos sete dias de sua chegada, Lug estava mais coerente em seu comportamento. Falava pouco, dormia muito, estava visivelmente cansado, mas nunca mais foi visto falando sozinho, murmurando bizarrices incompreensíveis ou cuspindo frases desconexas. Sua família achou melhor não perguntar mais nada sobre o ocorrido durante sua viagem, porém, o tema seria trazido novamente à tona naquele dia.

    Foi o próprio Lug quem atendeu à porta de sua casa. Lá também estava seu amigo Tenner e sua esposa Shirà.
    - Senhor-Chefe Frinneqa, Grande Caçador das Terras do Norte! Bem vindo à minha casa. Vamos entrando; pedirei a Shirà que lhe sirva o nosso melhor chá!
    - Muito obrigado, Lug! A hospitalidade dos Mariel é sempre acolhedora. Venho aqui com meu amigo Targos, Representante do Conselho. Gostaríamos de conversar com você.
    Sentaram-se na sala. Shirà percebeu que eles iriam falar sobre a viagem e ficou apreensiva. Mas sabia que era inevitável. Em algum momento, iriam tocar no assunto. Qual seria a reação de seu marido?


    --------------------------------------------------------------------
    Nomes que aparecem nesse capítulo:


    - Rhizód Frinneqa: Chefe de Othialla. Rhizód é um caçados das terras ao norte que fez daquela pequena cidade o seu lar.
    - Targos: representante do conselho.

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  2. #2
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    <<Atualizado>>

    CAPITULO 7 FRESQUINHO, LOGO APÓS O 6....


    Caro Lucas CS ou outo moderador, favor fundir os posts. Depois eu apago esses escritos semi-inúteis.

    Obrigado!
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    EEEEEE *-----* continua ta legal :3
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    Por mais que você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... // pense nisso...

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  4. #4
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    8
    Sentados na sala de Lug, Rhizód e Targos estavam visivelmente incomodados com o assunto que iriam abordar e o clima na casa estava tenso. Após conversarem um tempo sobre coisas triviais, Rhizód tocou logo no assunto.

    - Bem, Lug... Nós sabemos que você está cansado, após a viagem. Mas queremos saber algumas coisas. Pessoas vêm falar conosco sobre as estranhas condições de sua volta. Indagam-nos sobre seus amigos... O que houve com eles? Você sabe?
    Lug parou por um instante, como se quisesse se lembrar de algo. Por fim, disse:
    - Desculpem-me, cavalheiros. Os acontecimentos da viagem ainda estão turvos na minha mente. Não me lembro ao certo de como aconteceu, mas... Sei que eles estão mortos. Infelizmente, essa é a única certeza que lhes posso dar. O mar os levou.
    - Hum... Devemos então proceder aos ritos funerários.
    Targos interveio: “Mas Lug, você tem certeza de que estão mortos? Realizar rituais fúnebres para pessoas vivas é maldição na certa! Uma blasfêmia contra a vida!”
    - Nobre Targos, pode realizar os rituais sem medo. Eles estão mortos sim.
    - Se você diz, Lug, assim o faremos – falou o Chefe. Há também pessoas que afirmam que você saiu de seu barco flutuando, como um fantasma. O Senhor Mines mesmo disse não ter visto pegadas suas pela praia.
    Lug ficou em silêncio, como se tentasse lembrar o que havia ocorrido naquele dia.

    Shirà, voltando da cozinha, respondeu por Lug: “Meu marido chegou aqui com algas presas no cabelo e roupas molhadas. Ele saiu de seu barco nas pedras e nadou até o outro lado da praia, mais perto do centro da cidade. Por isso vocês não encontraram pegadas dele ao redor do barco.” A esposa do pescador estava visivelmente incomodada com as perguntas, com medo de que seu marido voltasse a ter reações estranhas.
    - Senhores – continuou Lug – minha esposa diz isso, mas eu mesmo não me lembro dos fatos com clareza. Com o passar dos dias, sinto que minhas lembranças vão ficando cada vez mais claras. Se eu me lembrar de algo mais, assumo o compromisso de ir até o conselho e prestar todas as informações.
    - Assim esperamos, Lug. Você e sua família sempre foram muito respeitados na comunidade. Estou feliz com sua volta, mas preocupado com os outros quatro marinheiros, respondeu o Chefe.

    Tenner tentou – e conseguiu – mudar o tópico do assunto para trivialidades cotidianas. Os dois visitantes terminaram o chá que lhes fora servido e despediram-se de seus anfitriões. Quando saíram, uma chuva fina teve início sobre a cidade.

    - E então Targos? Ele parece bem, não acha? Melhor do que eu esperava, em todo caso.
    - Não sei bem. Achei-o meio apreensivo.
    - Talvez devessemos dar mais um tempo a ele.
    - Sim, Rhizód... Mas é muito estranho a única certeza dele ser a morte dos quatro companheiros de viagem.
    - É... Essa viagem parece mesmo ter alterado sua percepção das coisas. Mas como ele mesmo falou, sua memória esta melhorando com o tempo. Vamos falar com os druidas para que procedam aos rituais funerários o quanto antes.
    - Não é nisso que eu estou pensando.
    - E no que é?
    - Assassinato!


    ------------------------------------------------------

    Nomes bizarros? Que nomes??

    @seleto grupo de leitores: Antes de mais nada, obrigado por acompanhar e pelos comentários. O capítulo 9 já está pronto, em processo de revisão... Porém, ainda tenho dúvidas se ele será de fato publicado. Isso porque ele difere do resto da história, sendo centrado em uma caçada... Emtão, CASO eu o publique mesmo, não estranhem a mudança abrupta de estilo. Será algo momentâneo.

    Abraços

    Karasutengu
    Última edição por Karasutengu; 24-09-2010 às 11:13.
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  5. #5
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    Padrão 9

    9


    Uma borboleta pousou no nariz de Lome no momento em que ela despertava naquele fim de semana. Ela estava decidida a ver o tio e iria até a casa dele, junto com os pais para almoçar. O dia estava bonito e uma brisa fresca vinha do mar. Lome era uma menina esperta e sorridente, de oito anos de idade. Não era parecida com Mylla, loira e alta; mas sim com seu pai, Tenner. Tinha uma pele mais escura e cabelos negros ondulados. Seus olhos grandes de olhar decidido, com uma intensa coloração mel, atestavam que, como em seu pai, corria nela o sangue das selvagens Amazonas do extremo leste. Ela olhou pela janela e viu a praia calma. Respirou profundamente e estava feliz. E assim estava toda a família, vendo que Lug se recuperava. A cor de seus olhos e de sua pele estava mais natural e ele parecia mais animado. Já falava até em voltar a pescar.

    Antes mesmo de Lome acordar, seu pai e Wrebh, vizinho de Lug, já haviam partido, com o nascer do sol, para uma caçada. Ah... Como Lug gostava da suculenta carne da qapybharã, aquele roedor grande e gordo que vivia nos lamacentos pântanos a sudeste da cidade. Tenner queria fazer uma surpresa ao amigo, levando para o almoço sua carne favorita. Em casa, Mylla já preparava o delicioso molho que iria temperar o animal. Especiarias picantes, sal grosso e a seiva gelatinosa de uma planta local entravam na receita. Mylla e Tenner eram famosos por seus pratos, verdadeiras iguarias capazes de surpreender e agradar aos mais exigentes paladares. Até os pântanos deviam ser umas duas horas de caminhada. Tenner e Wrebh pegaram a tortuosa trilha, que adentrava a floresta, passando por encostas íngremes e pequenos córregos. Chegaram ao pântano e, na lama, não tardaram a achar as pegadas da qapybharã, que levavam à sua toca. Esta, sempre tem uma ou duas saídas ocultas, não muito distantes da principal. O plano era simples: enquanto Wrebh ateava fogo em uma das entradas, abanando para que a espessa fumaça entrasse nos túneis, Tenner esperaria que o animal saísse por algum buraco camuflado. A fumaça não tardou em tomar conta da toca, que não devia ser muito grande. Logo, com um barulho rápido, folhas e galhos explodiram no pântano e a qapybharã partiu assustada em busca de abrigo. Tenner foi correndo atrás dela e, com uma funda, deu um tiro certeiro que deixou o animal inconsciente. Tirou da cintura uma pequena faca com a qual feriu fatalmente o futuro almoço. Wrebh apagou o fogo e os dois colocaram a caça em uma sorte de trenó de couro, para facilitar o transporte. Pelo tamanho, o almoço seria farto.

    Os dois estavam ansiosos para voltar pra Othialla, onde eram aguardados. Eram mais ou menos onze da manhã quando os dois caçadores chegaram à casa de Lug. Mylla e Lome já estavam lá, junto com os donos da casa. Lug mal pôde acreditar quando viu seus amigos chegando com a caça! O animal teve rapidamente seu couro e entralhas retirados. Pedaços da carne eram mergulhados no molho feito por Mylla e postos para assar, estalando sobre as brasas e exalando um aroma que tomou conta da cidade. Alguns amigos e curiosos chegaram para o banquete. Ainda que não tivessem sido convidados, foram muito bem recebidos pelos Mariel. Todos estavam felizes e o almoço logo se tornou uma festa, com cantorias, danças e piadas.

    Enquanto isso, o Chefe Rhizód Frinneqa se reunia com o Conselho. Embora acreditasse na inocência de Lug, muitas pessoas influentes na cidade, bem como parte do Conselho estavam convictos de que ele era um assassino. E, como tal, deveria ser julgado.


    --------------------------------------------------------
    Nomes que aparecem nesse capítulo:


    - Qapybharã: do tupi "kapii'gwara", de ka'pii (capim) + gwara (comedor) - capivara para os íntimos. Quem é brasileiro conhece; quem não é, procure na Wikipédia. Rato grande. Muito gostoso.




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  6. #6
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    KRAI VÉI!!! Massaa demais a história. Só demrei um pouco a ler pq é mei cansativa e tem uns nomes esquisitos. Mas gostei. Kd o proximo capítulo?

  7. #7
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    Padrão 10

    10


    Rhizód conseguiu o que queria. Lug seria julgado após os rituais fúnebres de seus quatro companheiros. O júri seria composto pelos cinco membros do Conselho, pelo Chefe e por dois Druidas. A defesa caberia ao próprio acusado podendo este ser auxiliado por alguém, se assim quisesse. No dia do funeral, Lug seria comunicado e, dali em dez dias, julgado. Este foi o acordo feito entre as autoridades de Othialla.

    Passaram-se três dias após o grande almoço e um emissário de Rhizód Frinneqa bateu à porta da família Mariel. Foi Lug quem o recebeu, sendo a este entregue uma carta com o brasão da cidade e as iniciais “R.F.”. Lug despediu-se do emissário, desejando-lhe um bom dia e leu a carta com os seguintes dizeres:

    “A Administração de Othialla e o Conselho dos Druidas convidam Vossa Senhoria e seus familiares a comparecerem às homenagens póstumas aos bravos pescadores Themis Ddebat, Loan Fyysz, Gánor de Thûum e Skarl Vórin, que foram acolhidos por Fyyr durante uma viagem ao mar. A cerimônia será no trigésimo quinto dia de nosso calendário, no momento em que o sol estiver despedindo-se. O local será no Altar da Árvore Verde, próximo ao Farol.”

    “É amanhã...” – Pensou Lug.

    No dia seguinte, Lug acordou um tanto indisposto. Shirà ficou preocupada com o marido. Será que sua comida não lhe havia feito bem? Lug, porém, estava com um mau pressentimento. Estava com um gosto metálico na boca, que lembrava aquele que sentia nos primeiros momentos de sua volta à Othialla. Preferiu não dizer nada a sua esposa. No almoço, limitou-se a comer uma sopa de legumes. Com o alimento, sentiu-se mais forte. Preferiu, no entanto, não ir ao ritual fúnebre dos amigos. Talvez fosse até isso que estivesse o deixando naquele estado. Pediu então a Shirà que ela fosse sozinha, representando a Casa Mariel, e prestasse as homenagens às famílias.

    Na hora determinada, havia muitas pessoas em frente ao Altar da Árvore Verde, que ficava ao pé de um grande carvalho em um campo aberto próximo ao farol. No ponto mais alto, em volta do altar, estavam três druidas, os cinco membros do Conselho, sentados e o Chefe Frinneqa. O ritual fúnebre teve início no cair da tarde, com cânticos tristes entoados pelos druidas enquanto estes queimavam ervas e sais aromáticos em reverência a Fyyr. Muitas pessoas acompanhavam a cantoria. Em seguida teve início um sermão, proferido pelo druida hierarquicamente superior, um senhor de cabelos brancos longos e escassos e de nariz proeminente. Olhando por cima dos presentes, começou sua fala, dirigida ao mar. Foi quando, de súbito, o Chefe e alguns membros do Conselho levantaram-se, surpresos, interrompendo o druida.

    Lug Mariel caminhava em direção ao altar. Passou pelas pessoas com a majestade e o olhar de um Imperador. Havia nele uma estranha prepotência; uma autoridade incomum. Fez-se um grande silêncio. Por um momento, ele olhou para a platéia. Com uma voz rouca, começou, então a esbravejar em uma língua gutural, jamais ouvida até então:

    "Pranach reichnech natram, calom lo kedalal preavh ghadneh! Rhadarash ne, tel kom otsat da preach reach, o calom. Da, vamorh ghomei o lo kedalal, songoeol preavh nes ramiun te kedor, te alam, te kedor. Irnetch e reach o dasam vasanath e reach lo ghumak cudiaraisu, nes o natram iccheindor... Nes lo ine: GI LE FARG!!!!!" Após pronunciar essas palavras, Lug desmaiou.

    O que se seguiu ficaria para sempre na memória das pessoas. Veio do sul. Veio do mar. Primeiro, começou distante, mas foi ficando mais alto, mais próximo e varreu a cidade. Uma gargalhada macabra e demente, de alguma mulher demoníaca; talvez alguma alma atormentada... Não há na cidade quem não tenha ouvido e a reação de todos foi a mesma: um frio glacial que percorreu a espinha e uma sensação inexplicável de pavor.

    Uma lágrima caiu do olho do velho druida que discursava. Quem estava próximo a ele pôde ouvi-lo resmungar:

    "Estamos perdidos. A Maldição caiu sobre nós... Que Fýyr nos ajude!"
    -------------------------------------------------------------------
    Nomes que aparecem nesse capítulo:

    - Themis Ddebat;
    - Loan Fyysz;
    - Gánor de Thûum;
    - Skarl Vórin: os quatro pescadores que partiram com Lug Mariel e sumiram no mar.




    @Kenseiden: Obrigado pelo comentário. Foi mal os nomes esquisitos mas... Sei lá, acho que fica mais plausível assim. =P
    Última edição por Karasutengu; 05-11-2010 às 12:44.
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