Hello dogs,
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Livro 1
Capítulo VI - Lua, Flecha e Terremoto
O lugar era mal iluminado. Não dava para descrever o lugar de tão escuro que a câmara era. O teto era quebrado e a luz da Lua incidia em um trono no topo de uma escada. A figura triste, esquelética e curvada sentada no trono iluminada pela luz levantou um dedo.

Lá embaixo, onde a Lua não alcançava, alguém falou:
- Salve, Rei dos reis!

A figura continuou como estava. As vezes seu braço esquelético tinha espasmos que pareciam involuntários.

- Já? – respondeu lá embaixo e a figura continuava em silêncio.

- Mas... sim. Chegaremos lá quando o Sol iluminar Vossa Majestade e...

A figura bateu com o punho no braço do trono e a pessoa respondeu:

- Ainda está no navio? – pausa - Então esperaremos. Nosso trono não ficará vazio. Pode confiar em nós como sempre confiou desde o início dos tempos.

***

Meio dia, naquele mesmo dia.

- P-p-prilore? – gaguejou Artorios

Marow olhou uma lista respondeu:

-Sim, temos uma Prilore. – olhou desconfiado para o príncipe – Como sabia?

- Ahn... ela tem cara de Prilore.

- Prilore! – gritou Marow

A garota demorou a olhar, mas quando olhou arregalou os olhos.

Artorios? – pensou

Algumas garotas bateram o pé, bufaram e gemeram de desapontamento, enquanto outras pareciam aliviadas.

- Fora! Fora! – dizia Marow empurrando as outras candidatas – O príncipe escolheu sua noiva.

- Príncipe? – murmurou Prilore para Artorios

- Noiva? – respondeu o garoto. Olhou para Marow que fechava a porta – Saia também, duende! Deixe-nos a sós.

O duende ficou olhando para os dois e então capengou para fora.

- Como assim?!? – gritou Prilore

- Como assim?, digo eu! – respondeu Artorios

- Não se faça de desentendido, Artorios, se esse é seu nome! E o exército?

- E sua família? O que veio fazer aqui?

- Não mude de assunto! Como você não me contou que você será o 100° rei de Nionda?

- Como você não me contou que iria ser uma candidata à 287ª rainha de Nionda?

- Talvez se você tivesse me dito que era o príncipe, eu não mentiria. Quem mentiu primeiro foi você!

- O que você faria? Ainda teria ficado comigo caso eu tivesse lhe dito quem era? Você teria ido para cama com um Luin?

- Talvez. Se o príncipe me escolhesse eu teria que ir de qualquer jeito.
Prilore cruzou os braços. Artorios andou por trás dela e a abraçou.

- Mas eu te escolhi. – disse próximo ao ouvido da princesa

- Só porque já me conhecia.

- Não. Você é a mais linda de todas.

- Sei. – disse sorrindo

Eles se beijaram.

***

- Até mês que vem, Araell! – gritou um guarda negro

- Até, Taderon, meu grande amigo. – disse Araell apertando a mão do negro gigante

- Enori? Esqueceu alguém lá?

- Acho que alguém esqueceu de mim.

- Deixe-me abrir o portão para você.

Taderon girou a roda e soltou os cabos que abriu o portão.

- Vai estar de volta para a festa do centésimo rei?

- Espero que não.

Um som de algo cortando ar irrompeu e uma flecha ficou no chão atrás de
Araell. Tinha um pedaço de pano rasgado preso nela. Taderon tirou e mostrou para Araell. No pedaço de pano estava escrito:

100°


- Ahn? – balbuciou Taderon coçando a careca suada

- Centésimo? – perguntou para si Araell

- Não seria o príncipe Artorios? 100° rei de Nionda...

- Hm... melhor falar com o general.

- Deve ser somente uma mensagem de congratulações, Araell.

- Uma mensagem há ver com Artorios cravada em uma flecha, me parece um
bom motivo para falar com o general.

Passou por Taderon no sentido contrário e andou em direção ao castelo.
Contornando-o, existia um casebre. Araell bateu três vezes no chão e abriu a porta. Lá tinha prateleiras empoeiradas cheias de ferramentas, garrafas vazias e aranhas. Ficou de cócoras e procurou embaixo da última prateleira uma chave. Limpou sua mão empoeirada e enfiou a chave numa fechadura no chão.

Abriu o alçapão e desceu as escadas que rangiam. Era silencioso ali. Raramente havia conversas ali dentro. Ali dentro era o “Quartel General” da Ordem em Vania.

O general responsável por todas as operações morava ali... era difícil dizer se já havia visto a luz do dia fora de um combate.
Abriu a porta de madeira bem trabalhada com o símbolo da ordem e entrou na sala.

A sala era quente por causa das tochas que ficavam acesas dia e noite e, pelo mesmo motivo, havia um cheiro de fumaça.

- General Andor? – perguntou Araell tentando enxergar através da fumaça

- Quem é? – perguntou a voz grave. Araell sempre pensou que os generais eram escolhidos pelo tom de voz, pois todos tinham esse tom grosso.

- Araell Phausus, senhor.

- Você não ia tirar férias, Araell?

- Ia, mas acabei me deparando com isso...

Araell depositou a flecha e o pano encima da mesa do general. A mão grande e cheia de veias saiu da neblina de fumaça, que rodeava a sala, agarrou o bilhete e leu.

- E o que significa isso?

- Acho que deve ser uma ameaça.

- Ameça? – o general riu

- Sim. Uma mensagem subliminar dizendo que vão atacar o centésimo rei de Nionda.

- Besteira. Vá tirar suas férias. O sol de Tir’Rafer queimou seus neurônios.
Araell virou de costas praguejando. Porque era difícil para um general, incumbido de proteger os Luins, acreditar que alguém tentava mata o próximo sucessor?

Que se dane. Não me importo com essa família mesmo...

Ao subir a escada de madeira, ela, as paredes, o chão começaram a tremer. Ouviu o general gritar um palavrão. Tentou se segurar em alguma coisa, mas caiu de costas. Lá encima, pessoas gritavam e o barulho de fogo crepitando.
Tinha algo errado, mas antes que tentasse descobrir, desmaiou.
Está quase no fim do Livro 1. O próximo capítulo é o penúltimo.

..:: Lorofous ::..