Drago e Laila com pronúncia óbvia.Capítulo Dez
Medidas Emergenciais
Os ventos agitavam-se em fúria entre os altos e pontiagudos prédios de Yalahar. Provocavam ruídos fantasmagóricos quando encostavam nas edificações de mármore e tinham um potencial excepcional de arrastar qualquer coisa que não estivesse presa ao chão. Nuvens de tempestade aproximavam-se do sul, trazendo consigo presságios de uma catástrofe. Entre os chiados do vento arrastando-se pelas ruas e as minúsculas gotículas de água caindo do céu, notou-se uma movimentação anormal em dada parte da cidade.
Uma luminosidade trepidante era emanada de uma janela oval no térreo de uma suntuosa torre de mármore em um lugar afastado do centro da cidade. A fonte de luz alaranjada passaria despercebida se não viesse acompanhada de algumas vozes até certo ponto alteradas.
- Devemos entrar em ação imediatamente. – Declarou um homem alto, de porte atlético e expressão meio séria e meio divertida na face. Analisava os demais integrantes do recinto com certa compenetração, tentando decifrar o que se escondia por trás de seus olhos. Infelizmente, não era bom nessas coisas.
- E o que pretende fazer, Drago? – Disse uma voz calma pertencente a outro homem. Os três ocupantes do lugar viraram-se, espantados, quando viram o elfo Faluae parado na janela, admirando-os com seus olhos inquisidores. Ele sorriu e displicentemente entrou pela janela, acomodando-se em uma cadeira de madeira ao lado do homem que acabar de falar.
Drago corou.
- Eu... Bem... Temos tropas, não temos? Podíamos erguer uma armadilha nas muralhas de Yalahar e ver se conseguíamos por as mãos no cara, Faluae. – Percebendo que ninguém mais defendia sua idéia, adiantou-se: - Claro, é só uma... Suposição.
- E você estaria disposto a ficar horas a fio de tocaia nessa tempestade apenas para por suas mãos em um único homem que nada tem a ver com as instruções que recebemos de Ahamed? – Quem falou dessa vez foi Vernac, um homem que transpirava mistério e que trajava uma completa armadura negra e resistente, que não produzia ruído algum enquanto este se movia. Possuía uma longa cimitarra prateada presa à cintura. Os furos em seu elmo deixavam seus olhos azuis transparecerem, ameaçadores. Apesar do porte aterrorizador de da voz estrondosa, Vernac era um homem leal e de bom coração. – Eu mesmo responderei. Claro que não. Todos aqui sabemos que não é capaz de se expor tanto assim.
- Não me ultraje Vernac. Eu apenas... Bem... Eu sou meio... Inseguro.
- Não há espaço para insegurança nesta guerra meu caro amigo. – Adiantou-se Faluae ao perceber que Vernac ansiava por uma de suas famosas respostas cortantes. Drago assentiu de leve e pousou o arco esverdeado que carregava no colo, olhando distraidamente para o ambiente que o cercava. Era uma grande mesa de madeira redonda com doze cadeiras dispersas em torno de sua circunferência. Ele estava sentado diretamente ao lado de faluae, com Vernac sentado no extremo oposto. Perto da porta estava uma mulher distraída que não parecia interessada na conversa. – Mas enfim... Só me juntei à vocês porque Vernac me garantiu ter novidades a respeito do homem que insiste em atrapalhar nossos planos. Espero que sejam realmente boas notícias.
- As melhores, Faluae. Não podemos mais ficar adiando nossos trabalhos. Já faz dois meses que nosso senhor Ahamed nos deixou essa missão de importância inenarrável para os objetivos da Unie, certo?
- Deixe de floreios Vernac. – Reclamou uma voz feminina. Todos voltaram-se para a jovem mulher ligeiramente baixa, de traços fortes e olhos tempestuosos. Seus cabelos dourados estavam amarrados em um rabo de cavalo longo. Usava roupas um tanto quanto masculinas. – Todos temos ciência de que Ahamed está quase enfartando enquanto aguarda por novidades que não chegam nunca. Até agora não conseguimos dar um passo em direção à reconciliação dos anões. Continuam separados nas tribos de Kazordoon e Beregar. E não se engane: não é porque todos eles estão amontoados em Yalahar que teremos mais facilidade. Estão furiosos uns com os outros.
- Agradeço por sua opinião Laila. Só acho que poderia ter sido um tanto quanto mais... Eufêmica. – Retorquiu o cavaleiro de preto. Pigarreou e voltou aos seus argumentos. – Acho que nossa companheira aqui já deixou clara nossa situação. Ahamed nos escolheu por razões óbvias para essa missão: a mim pelo fato de que sou um dos melhores generais que ele tem, a Faluae por sua excepcional ação como diplomata, a Drago por seus trabalhos passados como espião e à Laila por ser um membro de confiança da revolução. Tínhamos tudo para ter sucesso em pouco tempo. Mas até agora, apesar de nossos esforços, ainda não conseguimos que os líderes das duas tribos de anões assinassem um acordo e reunificassem seu império. E todos nós sabemos que se eles não se unificarem, não irão nos apoiar nessa guerra. E a última coisa que precisamos é perder aliados preciosos como os anões.
Faluae assentiu distraidamente enquanto Drago balançava as pernas em fervor, expressando seu típico nervosismo.
- Pois bem... Estamos fracassando miseravelmente. Precisamos fazer alguma coisa imediatamente, pois estamos perdendo muito tempo. E tempo é algo que não pode ser desperdiçado. – Vernac fez uma pausa para assegurar que suas palavras gerariam o efeito apropriado. – E não podemos fazer absolutamente nada enquanto aquele maldito que conhecemos por Assassino de Branco estiver solto por aí. Tenho a impressão de que enquanto ele respirar, seguirá matando. Mas felizmente, meus homens conseguiram grandes resultados nos últimos dias. Espionamos toda a superfície da cidade de Yalahar, incluindo os quarteirões, e fizemos duas descobertas que com certeza irão facilitar e muito nosso trabalho. Em primeiro lugar, nosso alvo é um ser humano. Atingimos um de seus braços com uma flecha, e este sangrou.
Drago sorriu de leve e Faluae permaneceu inalterado, como se esperasse mais. Mas de fato será mais fácil para matá-lo, pensou ele.
- A segunda descoberta foi a melhor. Seguimos a trilha de sangue deixada por ele e chegamos ao seu provável lar. O Quarteirão de Trocas.
Todos os presentes – incluindo Laila, que aparentava estar totalmente alheia ao discurso cansativo de Vernac - arregalaram os olhos perante a notícia inesperada. O Quarteirão de Trocas era um pedaço de Yalahar dominado pelos criminosos, composto de algumas casas e um verdadeiro labirinto de pontes e barcos de contrabando. Não era a mais surpreendente das notícias, mas significava um grande avanço. O Assassino de Branco era simplesmente o maior inimigo da Unie naquele momento. Um provável agente do Pentágono, vigiava e atacava qualquer humano que encontrasse – o que era muito estranho considerando a recente descoberta de Vernac. Sua rapidez e perícia invejável tornavam-no uma verdadeira peste impossível de se capturar. Inúmeras armadilhas já haviam sido feitas, mas nenhuma tivera êxito. Muitos homens haviam morrido para tentar detê-lo. E aparentemente chegara a hora do jogo virar de lado. Mas mesmo com a descoberta da aparente moradia do bandido, procurá-lo lá seria como capturar uma folha em um vendaval.
- Estou certo de que com ele fora do nosso caminho, finalmente poderemos completar o que nos foi atribuído. Já estou preparando meus homens para cercar todas as saídas possíveis do Quarteirão de Trocas. Amanhã de manhã iniciaremos uma incursão. E até o fim do dia o teremos, vivo ou morto. Preferencialmente morto.
- Muito bem Vernac. – Disse Faluae, ficando em pé e batendo o pó da capa marrom que usava sobre todo o corpo. – Mas não creio que o Assassino de Branco seja nossa maior preocupação no momento. Eu recentemente recebi informações preciosas de certo contato que possuo dentro das Tropas das Sombras. Informações que podem nos ajudar a conseguir a paz dos anões.
- O que?! Você tem um maldito espião nas Tropas? Mas... Como isso é possível?! – Gritou Drago engasgando-se entre uma sentença e outra. Vernac olhou-o com reprovação e Laila murmurou alguma coisa inaudível, como se estivesse o amaldiçoando.
- Por favor, peço que relevem esse fato, pelo menos por enquanto. Apenas posso assegurar que é um contato confiável. Devemos ir direto ao ponto: sabemos todos que, aproximadamente um ano atrás, ocorreram os lamentáveis assassinatos de nossos mais ilustres líderes. Entre eles estava Daniel Steelsoul, o grande governante de Edron. As análises feitas em seu corpo deixaram claras quais foram as causas de sua morte: envenenamento. Pois bem... Cerca de um mês após a morte de Steelsoul, o Imperador Kruzak de Kazordoon foi encontrado morto em seu trono. E adivinhem só. Ele foi envenenado.
- Onde quer chegar? – Indagou Laila de modo áspero. Vernac pareceu surpreso ao ouvi-la falar.
Faluae sorriu.
- Existe um registro no Barco à Vapor que liga Kazordoon à ilhota de Cormaya, localizada diretamente ao sul de Edron. Eu consultei esse registro nas últimas semanas e descobri que a última vez que aquele barco chegou à cidade dos anões foi há doze meses, exatos dois dias antes da morte de Kruzak.
- Está insinuando que o responsável pela morte de Steelsoul... – Começou Vernac, sendo abruptamente interrompido por Faluae com um gesto simples de sua mão esquerda.
- Também matou Kruzak. Isso é um fato. E como vocês sabem muito bem, devido a crises muito antigas, os anões passaram a viver em duas cidades diferentes: Kazordoon, no continente, e Beregar, nas profundas cavernas próximas à Yalahar. Viveram anos de uma guerra civil com objetivos adversos. E a morte de Kruzak foi a gota d’água. Os anões do norte acusam uma facção de anões de Kazordoon de serem os responsáveis, e assim fazem os anões do sul também. E isso é o fator responsável por sua ruptura, que justamente nos trouxe até aqui hoje. E até onde sabemos, provar que não foi nenhum dos dois grupos o responsável pela morte de seu imperador será um grande passo rumo ao retorno dos laços de amizade entre os anões.
- E daí? – Dessa vez quem falou foi Drago, bocejando.
- E daí que eu sei quem matou Daniel Steelsoul. É um dos vampiros mais conhecidos da atualidade, e um fiel servo de Konar, o amaldiçoado. Seu nome é Sir Valorcrest.
- Valorcrest?! – Gritou Vernac, ficando em pé e batendo na mesa com força. Já ouvira falar dele antes. Era conhecido por ser um vampiro poderoso de muito difícil de se capturar. Sua localização era uma incógnita. Valorcrest era tão brutal no que fazia que até mesmo os demais vampiros temiam pronunciar o seu nome.
- Exatamente. E tem mais: eu tenho quase certeza de onde ele está refugiado. – Os três encararam-no longamente, convidando-o à responder. Faluae respondeu com uma simples palavra que causou uma explosão nas mentes dos demais: - Aqui.
- Isso... Isso é... Inacreditável. Um dos seres mais procurados de todos os tempos... Bem embaixo do nosso nariz. – Vernac falou com um tom de leve decepção. Mas logo se recompôs e voltou-se para Faluae, encarando-o como se esperasse que o elfo desmentisse tudo de imediato. Mas como nada ocorreu, o líder das tropas de Yalahar pigarreou e falou com seu típico tom solene e convidativo. – Então faremos o seguinte: Eu e Drago, junto com as tropas já posicionadas, iremos atrás do Assassino de Branco amanhã mesmo. Irei também pedir que Oryx peque suas tropas e acompanhe você e Laila no que precisarem. Quero que você encontrem Valorcrest e façam o possível e o impossível para provar que é ele o responsável pela morte de Kruzak. Aproveitem e tentem extrair mais informações dele. Faluae... Valorcrest é nossa última esperança. Se não for ele quem unificará o império, ninguém mais o fará.
Faluae assentiu com um aceno de cabeça enquanto Vernac voltava a se sentar e pairava um perturbador e incomum silêncio nos ares de Yalahar. Os ventos haviam cessado.
"Vernac" = "Vêrnác"
"Valorcrest" = "Valorcrést"
Não tenho nada a dizer, apenas que é um capítulo transitório bobo para adptá-los aos acontecimentos atuais. No último capítulo conhecemos um pouco da situação passada do Pentágono, e nesse um pouco da situação atual do contexto. Capítulo fundamental também para apresentar tres personagens recorrentes nessa longa trama. Eu sei muito bem que esses últimos capítulos vieram atropelando tudo, saindo do ritmo da história, mas se eu não fizesse isso provavelmente eles ainda nem teriam chegado à Venore depois de sair de Ab. Ou era atropelar por três, quatro capítulos ou prolongar por cinco ou até mais. Espero que entendam :/
Anyway, esse é o capítulo com menos frases em itálico xD
@Todo mundo
Obrigado por passarem e comentarem, fico surpreso que tenha vindo bastante gente nesse último capítulo :O Fico feliz com seus comentários e espero que voltem mais vezes xD
@Drasty
Sim, eu tinha consciência de quase tudo o que você disse. Mas isso foi uma daquelas coisas que eu não tinha como mudar, do contrário ia ficar pior ainda. Obrigado pelo elogio, e que bom que gostou do Érbio ^^ Não planejei ele originalmente, mas acabei desenvonvelndo-o de um jeito que gostei muito. Quanto aos lordes, bem, lutar contra os cinco inevitavelmente acontecerá mais cedo ou mais tarde, e isso achei que tinha ficado claro desde o princípio. Mas isso não quer dizer que matar a cada um seja o objetivo fundamental da Unie. As lutas serão... Consequências.
@Avestruz
Don't worry, fiquei sem computador por uns dias e foi uma boa surpresa ver seu comentário quando voltei :d Eu concordo e discordo com sua abordagem sobre bem e mal. Discordo porque são dois pólos básicos e presentes em tudo, mesmo que de formas indiretas ou mascaradas. E concordo por que realmente é um clichê muito chato e que fica muito evidente na minha história. Espero poder lapidá-la de um modo proveitoso mesmo assim.
Manteiga.
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 





Responder com Citação


