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Tópico: A Cadeira de Cristal

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  1. #1
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    Capítulo Dez
    Medidas Emergenciais

    Os ventos agitavam-se em fúria entre os altos e pontiagudos prédios de Yalahar. Provocavam ruídos fantasmagóricos quando encostavam nas edificações de mármore e tinham um potencial excepcional de arrastar qualquer coisa que não estivesse presa ao chão. Nuvens de tempestade aproximavam-se do sul, trazendo consigo presságios de uma catástrofe. Entre os chiados do vento arrastando-se pelas ruas e as minúsculas gotículas de água caindo do céu, notou-se uma movimentação anormal em dada parte da cidade.

    Uma luminosidade trepidante era emanada de uma janela oval no térreo de uma suntuosa torre de mármore em um lugar afastado do centro da cidade. A fonte de luz alaranjada passaria despercebida se não viesse acompanhada de algumas vozes até certo ponto alteradas.
    - Devemos entrar em ação imediatamente. – Declarou um homem alto, de porte atlético e expressão meio séria e meio divertida na face. Analisava os demais integrantes do recinto com certa compenetração, tentando decifrar o que se escondia por trás de seus olhos. Infelizmente, não era bom nessas coisas.
    - E o que pretende fazer, Drago? – Disse uma voz calma pertencente a outro homem. Os três ocupantes do lugar viraram-se, espantados, quando viram o elfo Faluae parado na janela, admirando-os com seus olhos inquisidores. Ele sorriu e displicentemente entrou pela janela, acomodando-se em uma cadeira de madeira ao lado do homem que acabar de falar.

    Drago corou.
    - Eu... Bem... Temos tropas, não temos? Podíamos erguer uma armadilha nas muralhas de Yalahar e ver se conseguíamos por as mãos no cara, Faluae. – Percebendo que ninguém mais defendia sua idéia, adiantou-se: - Claro, é só uma... Suposição.
    - E você estaria disposto a ficar horas a fio de tocaia nessa tempestade apenas para por suas mãos em um único homem que nada tem a ver com as instruções que recebemos de Ahamed? – Quem falou dessa vez foi Vernac, um homem que transpirava mistério e que trajava uma completa armadura negra e resistente, que não produzia ruído algum enquanto este se movia. Possuía uma longa cimitarra prateada presa à cintura. Os furos em seu elmo deixavam seus olhos azuis transparecerem, ameaçadores. Apesar do porte aterrorizador de da voz estrondosa, Vernac era um homem leal e de bom coração. – Eu mesmo responderei. Claro que não. Todos aqui sabemos que não é capaz de se expor tanto assim.

    - Não me ultraje Vernac. Eu apenas... Bem... Eu sou meio... Inseguro.
    - Não há espaço para insegurança nesta guerra meu caro amigo. – Adiantou-se Faluae ao perceber que Vernac ansiava por uma de suas famosas respostas cortantes. Drago assentiu de leve e pousou o arco esverdeado que carregava no colo, olhando distraidamente para o ambiente que o cercava. Era uma grande mesa de madeira redonda com doze cadeiras dispersas em torno de sua circunferência. Ele estava sentado diretamente ao lado de faluae, com Vernac sentado no extremo oposto. Perto da porta estava uma mulher distraída que não parecia interessada na conversa. – Mas enfim... Só me juntei à vocês porque Vernac me garantiu ter novidades a respeito do homem que insiste em atrapalhar nossos planos. Espero que sejam realmente boas notícias.

    - As melhores, Faluae. Não podemos mais ficar adiando nossos trabalhos. Já faz dois meses que nosso senhor Ahamed nos deixou essa missão de importância inenarrável para os objetivos da Unie, certo?
    - Deixe de floreios Vernac. – Reclamou uma voz feminina. Todos voltaram-se para a jovem mulher ligeiramente baixa, de traços fortes e olhos tempestuosos. Seus cabelos dourados estavam amarrados em um rabo de cavalo longo. Usava roupas um tanto quanto masculinas. – Todos temos ciência de que Ahamed está quase enfartando enquanto aguarda por novidades que não chegam nunca. Até agora não conseguimos dar um passo em direção à reconciliação dos anões. Continuam separados nas tribos de Kazordoon e Beregar. E não se engane: não é porque todos eles estão amontoados em Yalahar que teremos mais facilidade. Estão furiosos uns com os outros.

    - Agradeço por sua opinião Laila. Só acho que poderia ter sido um tanto quanto mais... Eufêmica. – Retorquiu o cavaleiro de preto. Pigarreou e voltou aos seus argumentos. – Acho que nossa companheira aqui já deixou clara nossa situação. Ahamed nos escolheu por razões óbvias para essa missão: a mim pelo fato de que sou um dos melhores generais que ele tem, a Faluae por sua excepcional ação como diplomata, a Drago por seus trabalhos passados como espião e à Laila por ser um membro de confiança da revolução. Tínhamos tudo para ter sucesso em pouco tempo. Mas até agora, apesar de nossos esforços, ainda não conseguimos que os líderes das duas tribos de anões assinassem um acordo e reunificassem seu império. E todos nós sabemos que se eles não se unificarem, não irão nos apoiar nessa guerra. E a última coisa que precisamos é perder aliados preciosos como os anões.

    Faluae assentiu distraidamente enquanto Drago balançava as pernas em fervor, expressando seu típico nervosismo.

    - Pois bem... Estamos fracassando miseravelmente. Precisamos fazer alguma coisa imediatamente, pois estamos perdendo muito tempo. E tempo é algo que não pode ser desperdiçado. – Vernac fez uma pausa para assegurar que suas palavras gerariam o efeito apropriado. – E não podemos fazer absolutamente nada enquanto aquele maldito que conhecemos por Assassino de Branco estiver solto por aí. Tenho a impressão de que enquanto ele respirar, seguirá matando. Mas felizmente, meus homens conseguiram grandes resultados nos últimos dias. Espionamos toda a superfície da cidade de Yalahar, incluindo os quarteirões, e fizemos duas descobertas que com certeza irão facilitar e muito nosso trabalho. Em primeiro lugar, nosso alvo é um ser humano. Atingimos um de seus braços com uma flecha, e este sangrou.

    Drago sorriu de leve e Faluae permaneceu inalterado, como se esperasse mais. Mas de fato será mais fácil para matá-lo, pensou ele.
    - A segunda descoberta foi a melhor. Seguimos a trilha de sangue deixada por ele e chegamos ao seu provável lar. O Quarteirão de Trocas.
    Todos os presentes – incluindo Laila, que aparentava estar totalmente alheia ao discurso cansativo de Vernac - arregalaram os olhos perante a notícia inesperada. O Quarteirão de Trocas era um pedaço de Yalahar dominado pelos criminosos, composto de algumas casas e um verdadeiro labirinto de pontes e barcos de contrabando. Não era a mais surpreendente das notícias, mas significava um grande avanço. O Assassino de Branco era simplesmente o maior inimigo da Unie naquele momento. Um provável agente do Pentágono, vigiava e atacava qualquer humano que encontrasse – o que era muito estranho considerando a recente descoberta de Vernac. Sua rapidez e perícia invejável tornavam-no uma verdadeira peste impossível de se capturar. Inúmeras armadilhas já haviam sido feitas, mas nenhuma tivera êxito. Muitos homens haviam morrido para tentar detê-lo. E aparentemente chegara a hora do jogo virar de lado. Mas mesmo com a descoberta da aparente moradia do bandido, procurá-lo lá seria como capturar uma folha em um vendaval.

    - Estou certo de que com ele fora do nosso caminho, finalmente poderemos completar o que nos foi atribuído. Já estou preparando meus homens para cercar todas as saídas possíveis do Quarteirão de Trocas. Amanhã de manhã iniciaremos uma incursão. E até o fim do dia o teremos, vivo ou morto. Preferencialmente morto.
    - Muito bem Vernac. – Disse Faluae, ficando em pé e batendo o pó da capa marrom que usava sobre todo o corpo. – Mas não creio que o Assassino de Branco seja nossa maior preocupação no momento. Eu recentemente recebi informações preciosas de certo contato que possuo dentro das Tropas das Sombras. Informações que podem nos ajudar a conseguir a paz dos anões.
    - O que?! Você tem um maldito espião nas Tropas? Mas... Como isso é possível?! – Gritou Drago engasgando-se entre uma sentença e outra. Vernac olhou-o com reprovação e Laila murmurou alguma coisa inaudível, como se estivesse o amaldiçoando.
    - Por favor, peço que relevem esse fato, pelo menos por enquanto. Apenas posso assegurar que é um contato confiável. Devemos ir direto ao ponto: sabemos todos que, aproximadamente um ano atrás, ocorreram os lamentáveis assassinatos de nossos mais ilustres líderes. Entre eles estava Daniel Steelsoul, o grande governante de Edron. As análises feitas em seu corpo deixaram claras quais foram as causas de sua morte: envenenamento. Pois bem... Cerca de um mês após a morte de Steelsoul, o Imperador Kruzak de Kazordoon foi encontrado morto em seu trono. E adivinhem só. Ele foi envenenado.

    - Onde quer chegar? – Indagou Laila de modo áspero. Vernac pareceu surpreso ao ouvi-la falar.
    Faluae sorriu.
    - Existe um registro no Barco à Vapor que liga Kazordoon à ilhota de Cormaya, localizada diretamente ao sul de Edron. Eu consultei esse registro nas últimas semanas e descobri que a última vez que aquele barco chegou à cidade dos anões foi há doze meses, exatos dois dias antes da morte de Kruzak.
    - Está insinuando que o responsável pela morte de Steelsoul... – Começou Vernac, sendo abruptamente interrompido por Faluae com um gesto simples de sua mão esquerda.
    - Também matou Kruzak. Isso é um fato. E como vocês sabem muito bem, devido a crises muito antigas, os anões passaram a viver em duas cidades diferentes: Kazordoon, no continente, e Beregar, nas profundas cavernas próximas à Yalahar. Viveram anos de uma guerra civil com objetivos adversos. E a morte de Kruzak foi a gota d’água. Os anões do norte acusam uma facção de anões de Kazordoon de serem os responsáveis, e assim fazem os anões do sul também. E isso é o fator responsável por sua ruptura, que justamente nos trouxe até aqui hoje. E até onde sabemos, provar que não foi nenhum dos dois grupos o responsável pela morte de seu imperador será um grande passo rumo ao retorno dos laços de amizade entre os anões.

    - E daí? – Dessa vez quem falou foi Drago, bocejando.
    - E daí que eu sei quem matou Daniel Steelsoul. É um dos vampiros mais conhecidos da atualidade, e um fiel servo de Konar, o amaldiçoado. Seu nome é Sir Valorcrest.
    - Valorcrest?! – Gritou Vernac, ficando em pé e batendo na mesa com força. Já ouvira falar dele antes. Era conhecido por ser um vampiro poderoso de muito difícil de se capturar. Sua localização era uma incógnita. Valorcrest era tão brutal no que fazia que até mesmo os demais vampiros temiam pronunciar o seu nome.
    - Exatamente. E tem mais: eu tenho quase certeza de onde ele está refugiado. – Os três encararam-no longamente, convidando-o à responder. Faluae respondeu com uma simples palavra que causou uma explosão nas mentes dos demais: - Aqui.

    - Isso... Isso é... Inacreditável. Um dos seres mais procurados de todos os tempos... Bem embaixo do nosso nariz. – Vernac falou com um tom de leve decepção. Mas logo se recompôs e voltou-se para Faluae, encarando-o como se esperasse que o elfo desmentisse tudo de imediato. Mas como nada ocorreu, o líder das tropas de Yalahar pigarreou e falou com seu típico tom solene e convidativo. – Então faremos o seguinte: Eu e Drago, junto com as tropas já posicionadas, iremos atrás do Assassino de Branco amanhã mesmo. Irei também pedir que Oryx peque suas tropas e acompanhe você e Laila no que precisarem. Quero que você encontrem Valorcrest e façam o possível e o impossível para provar que é ele o responsável pela morte de Kruzak. Aproveitem e tentem extrair mais informações dele. Faluae... Valorcrest é nossa última esperança. Se não for ele quem unificará o império, ninguém mais o fará.

    Faluae assentiu com um aceno de cabeça enquanto Vernac voltava a se sentar e pairava um perturbador e incomum silêncio nos ares de Yalahar. Os ventos haviam cessado.
    Drago e Laila com pronúncia óbvia.
    "Vernac" = "Vêrnác"
    "Valorcrest" = "Valorcrést"


    Não tenho nada a dizer, apenas que é um capítulo transitório bobo para adptá-los aos acontecimentos atuais. No último capítulo conhecemos um pouco da situação passada do Pentágono, e nesse um pouco da situação atual do contexto. Capítulo fundamental também para apresentar tres personagens recorrentes nessa longa trama. Eu sei muito bem que esses últimos capítulos vieram atropelando tudo, saindo do ritmo da história, mas se eu não fizesse isso provavelmente eles ainda nem teriam chegado à Venore depois de sair de Ab. Ou era atropelar por três, quatro capítulos ou prolongar por cinco ou até mais. Espero que entendam :/

    Anyway, esse é o capítulo com menos frases em itálico xD

    @Todo mundo
    Obrigado por passarem e comentarem, fico surpreso que tenha vindo bastante gente nesse último capítulo :O Fico feliz com seus comentários e espero que voltem mais vezes xD

    @Drasty
    Sim, eu tinha consciência de quase tudo o que você disse. Mas isso foi uma daquelas coisas que eu não tinha como mudar, do contrário ia ficar pior ainda. Obrigado pelo elogio, e que bom que gostou do Érbio ^^ Não planejei ele originalmente, mas acabei desenvonvelndo-o de um jeito que gostei muito. Quanto aos lordes, bem, lutar contra os cinco inevitavelmente acontecerá mais cedo ou mais tarde, e isso achei que tinha ficado claro desde o princípio. Mas isso não quer dizer que matar a cada um seja o objetivo fundamental da Unie. As lutas serão... Consequências.

    @Avestruz
    Don't worry, fiquei sem computador por uns dias e foi uma boa surpresa ver seu comentário quando voltei :d Eu concordo e discordo com sua abordagem sobre bem e mal. Discordo porque são dois pólos básicos e presentes em tudo, mesmo que de formas indiretas ou mascaradas. E concordo por que realmente é um clichê muito chato e que fica muito evidente na minha história. Espero poder lapidá-la de um modo proveitoso mesmo assim.

    Manteiga.

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    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  2. #2
    Avatar de Emanoel
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    Na minha opinião, o capítulo dez peca em vários quesitos.

    Apesar de não ser tão difícil imaginar, uma descrição como "expressão meio séria e meio divertida" está longe de ser instigante. Além disso, algumas frases ficaram cansativas, entupidas de adjetivos. (Exemplo: "Uma luminosidade trepidante era emanada de uma janela oval no térreo de uma suntuosa torre de mármore em um lugar afastado do centro da cidade".)

    A primeira citação sobre Laila é bastante redundante ("uma mulher distraída que não parecia interessada na conversa"). E eu fiquei sem entender a personagem, que ouvia tudo, mas estava em outro universo... por sinal, nada parecia se encaixar. A reunião resultou em uma passagem artificial e pouco fluida, principalmente quando Vernac explicou as funções de cada um deles e Faluae deu uma aula de história sobre Kazordoon.

    O problema não é ser transitório, mas, como você mesmo disse, bobo. É possível preparar o terreno e introduzir personagens em capítulos interessantes e bem escritos. O texto perde a graça quando tudo soa como justificativa forçada para explicar acontecimentos futuros.


    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Ele sorriu e displicentemente entrou pela janela, acomodando-se em uma cadeira de madeira ao lado do homem que acabar de falar.

    acabara
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Apesar do porte aterrorizador de da voz estrondosa, Vernac era um homem leal e de bom coração.

    <apaga>
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    - Não há espaço para insegurança nesta guerra meu caro amigo.

    <vírgula>
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Ele estava sentado diretamente ao lado de faluae, com Vernac sentado no extremo oposto.

    Faluae
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    - Agradeço por sua opinião Laila.

    <vírgula>
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    - O que?!

    quê
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Era conhecido por ser um vampiro poderoso de muito difícil de se capturar.

    e
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Quero que você encontrem Valorcrest e façam o possível e o impossível para provar que é ele o responsável pela morte de Kruzak.

    vocês

    Impossível não reparar que você costuma cometer os mesmos erros, como "acabara" incompleto, "sue", "que" sem acento circunflexo (quando está no final da frase), e por aí vai. É caso para uma revisão minuciosa.

    Até.
    Última edição por Emanoel; 26-10-2009 às 15:03.

  3. #3
    Avatar de Drasty
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    Desculpa a demora, finalmente vou comentar.

    Esse capítulo me lembrou as partes do "Senhor Dos Anéis" onde a história é explicada, só que quando isso acontece o interlocutor não sabe de nada. No caso desse capítulo, todos já a conheciam, ficou algo extremamente estranho. Era necessário, mas você deveria ter feito de outra forma...

    Os personagens foram arremessados na gente, pouco conhecemo-os e tivemos que logo entender seus argumentos e idéias. Faluae continua a ser apenas mais um e os outros também me pareceram estereotipados. Você ainda precisa trabalhar muito em cima disso.

    A história finalmente toma rumo, estou esperando por mais...

  4. #4

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    Padrão Sem igual!

    Meu Deus.

    Eu não tenho uma só crítica para essa história.

    É simplesmente sem igual!

    É tão boa que não tenho outra palavra para descrevê-la senão magnífica. Acho que não ponho os olhos em histórias tão boas faz tempo.

    Meus parabéns, e continue assim!



    Err, e só uma coisinha de nada... Vê a minha história, Makyan? :wub:
    Última edição por Bibas2; 31-01-2010 às 14:39.

  5. #5
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    Olá caríssimos (novos?) companheiros do Literatura. Aos que vierem a ver este post entes de ler o contexto do tópico, vou esclarecer: Este tópico refere-se a uma história criada por mim referente ao jogo Tibia, e por opção pedi que fosse movida do Histórias para cá. É um tanto estranho, mas conforme o novo sistema do forum achei que este se enquadrar melhor aqui do que na área de roleplay. Quem não gosta do jogo e de nada ligado a este, simplesmente não entre. Ficarei feliz em retomar as postagens para um grupo que se sinta interessado.

    Capítulo Treze
    Um Capricho dos Deuses


    Aquela era sem dúvida alguma a situação mais improvável que Angela vivera nos últimos dois meses. Estava parada no meio do cubículo de pedra aonde fora enfiada – chamavam de Cela de Contenção Máxima – com um homem completamente estranho em pé apenas uns dois metros à sua frente. Segurava o livro negro com uma força descomunal, como se acreditasse que ele surtiria algum efeito. Ela, por sua vez, estava com a palma da mão esquerda apontada diretamente para ele, sentindo a energia pulsar pelos seus dedos. Segundo fora lhe dito – e confirmado por ela mesma posteriormente, diga-se de passagem – a sala era encantada com uma espécie de barreira contra-feitiços, o que impossibilitava que ela explodisse as paredes, por exemplo. Mas esqueceram-se de um detalhe muito interessante. Ainda posso estourar os miolos de quem entrar. Era uma medida muito efetiva numa situação como aquela. Tudo que tinha a fazer era chantagear o sujeito até que conseguisse sair dali. Mas algo lhe dizia que não seria uma tarefa tão simples assim. O homem dos cabelos cor de ouro a encarava com uma fúria animal. Ele parecia ter uma vontade astronômica de impedir seus planos.

    - Eu não temo a morte, bruxa. Pode fazer o que quiser comigo. Jamais conseguirá sair daqui. – Disse ele, fuzilando-a com seus malditos olhos. Estava levemente curvado e Angela tinha a péssima impressão de que ele tinha a pretensão de levar a mão livre até a bainha e sacar a espada. – Ainda que passe pelo meu corpo sem vida, há outros guardas neste ambiente.
    - Se eu matar um, posso matar todos. – Disse ela com simplicidade. Ela detestaria tomar uma atitude como aquela, mas se não tivesse escolhe, não hesitaria. Ela precisava sair daquele lugar, e rápido. Se demorasse mais um dia sequer, sabia que todo o trabalho que tivera nos últimos dois meses seria em vão. Já foi gasto tempo demais com trivialidades. Ela suspirou e encarou o homem diretamente à sua frente. Tinha duas opções para tentar passar. A primeira, relativamente mais simples, era jogar uma bola de fogo nele, sair calmamente pela porta, explodir a parede mais próxima e sumir antes que os guardas a achassem. A outra opção consistia em tentar persuadir o homem a acreditar nela e ajudá-la a sair. Improvável que dê certo, mas é o que prefiro fazer. Ela começou a falar sem tirar os olhos dele. – Escute. Eu sei que será muitíssimo difícil de acreditar nas palavras que irei proferir neste momento, mas você deve ouvir-me.
    Ele seque piscou. Angela interpretou aquilo como uma concessão, mas ainda assim gostaria muito de saber o que se passava na mente dele. Prosseguiu.
    - Quando eu cheguei aqui, algum tempo atrás, estava sedenta por ajuda. Havia passado por alguns momentos desagradáveis e precisava urgentemente me recompor, pois eu ainda tinha uma longa viagem a fazer. Pois bem. Fui muito bem tratada por seus homens, até que um deles resolveu me interrogar. Digamos que ele foi um pouco... Hostil. Minha única opção foi reagir à altura, e então...
    - Você assassinou-o sem dó nem piedade. – Completou Apollo, com sua voz forte ecoando pela sala. Havia um rancor claro em sua fala que fez Angela arquear uma das sobrancelhas.

    - Não foi bem assim. Não se pode assassinar o que não está vivo. – Ela disse com uma entonação de obviedade. O homem soltou uma gargalhada forçada altíssima, que ela tinha a impressão de ter durado eternidades. Ele encarou-a com mais força ainda, e ela sentiu-se despida pelos seus olhos. Quanta energia em um olhar. Quando ele falou, as palavras saíram agressivas, como se ele pretendesse desarmá-la pela fala.
    - Você acha que vou cair em uma explicação tão sem fundamento? Que coisa mais ridícula é essa? Wattson estava vivo sim, eu o vi antes de morrer! Eu falei com ele, eu perguntei sobre sua mulher, ou melhor, sobre sua viúva! – Ele estava gritando. – E ele me disse que tudo estava bem. Disse que ia lhe fazer umas perguntas de rotina e ir pra casa. E eu o vi entrando na maldita sala para fazer a porcaria da última coisa que faria na vida! – Ele fez uma pausa alonga na qual tomou o máximo de ar que pode. – Eu tentei ser compreensivo o máximo que pude até hoje. Eu tentei fazer eles te manterem com o mínimo de luxo possível. Eu tentei acreditar que foi uma reação involuntária sua, eu juro que tentei. Eu juro pelos deuses que eu não quis me precipitar. Mas quando eu vi este maldito livro, quando li o que estava escrito aqui.... Eu simplesmente não pude mais agüentar. E eu vim até aqui para acabar com esta história, para saber toda a verdade. E o que você me fala? Uma maldita de uma história de bêbado!

    Ela respirou fundo, parecendo pouco surpresa com as palavras fortes de Apollo. Eu não esperava que fosse fácil, de qualquer maneira. Mas teve de admitir que era muito estranho. Pelo que ouvira os guardas comentarem pelos corredores, a morte de Wattson não tivera a repercussão que merecia. Esperou que o silêncio reinasse absoluto e voltou a falar. Nenhum dos dois movia o olhar.
    - Ele não estava vivo. – Apollo fez menção de gritar alguma coisa, mas Angela não deu tempo para respostas. – Você viu sangue na sala depois que acharam o corpo? Você viu uma mísera gotícula de um maldito sangue em qualquer parte daquele ambiente, do corpo dele ou das minhas vestes? Eu mesma lhe respondo. Você não viu. E sabe por que não? Porque não nada. Ele não sangrou. E ele não sangrou porque não tinha sangue para perder.
    Ele encarou-a abismado. Era um fato que não fora achado qualquer resíduo sanguíneo na cena do crime, e isso o surpreendera muito quando o encontraram. Ele possuía alguns ferimentos em algumas partes do corpo, alguns superficiais, outros profundos, e nenhum deles tivera a mínima quantia de sangue. Na época fora dito que como os ferimentos eram mágicos eles não sangrariam, mas Apollo sabia que não podia ser a única explicação racional. Desfez sua posição de quase-ataque e encarou-a longamente, invadindo seus olhos. Não pôde ver nada além de névoa neles. Mas... Como ela pode dizer que ele não estava vivo? Angela pareceu compreender a confusão do outro, pois logo retomou sua ladainha:
    - Eu passei os últimos dois meses investigando uma colônia do Pentágono localizada perto de Northport. Descobri muitas coisas interessantíssimas enquanto estive lá. Mas a mais chocante de todas elas foi a última coisa que fiquei sabendo. Os necromantes servos de Yöer parecem ter desenvolvido a mórbida capacidade de... De manipular os mortos. – Ela fez uma pausa na qual uma expressão atônita formou-se na face de Apollo. – Usaram algum tipo de magia negra para fazê-los os servirem. Não é a mesma coisa que com as caveiras ou o resto das tropas. É uma magia estranha capaz de guardar a memória do morto. É como uma ressurreição. Tive muito trabalho para descobrir que eles estão matando agentes da Unie na encolha e os possuindo com esta magia para os infiltrar de novo como se nada tivesse acontecido. O que pretendem com isso? Estava prestes a descobrir quando tive que fugir para cá. E me deparei com a prova das minhas incursões. Wattson era um impostor.

    Apollo largou o livro, que caiu com um baque no chão, erguendo uma pequena quantia de poeira. Jamais acreditaria naquilo se não tivesse visto tudo o que viu. O corpo de Wattson estirado no chão, sem qualquer sinal de sangue. Os cortes nos braços, os profundos ferimentos no peito resultados de magia. E nada. Ele devia ter suspeitado. Caveiras não sangram. Perguntou-se a quanto tempo aquilo acontecia. Perguntou-se se Wattson já era um servo das trevas quando sue filho mais novo nascera alguns dias antes de sua morte. Pegou-se surpreso acreditando nas palavras da bruxa. Era irracional. Era impossível. Era inaceitável. Era verdade. Algo dentro dele dizia que era. Era como se alguma força maior o fizesse acreditar. Era como se aquela mulher de laranja tivesse algum poder de persuasão maior que a própria razão. Naquele momento, parecia impossível discordar daquela informação. Pelo menos para ele. Mas então veio a dúvida. E se ela for um deles? E se ela estiver apenas fazendo um joguinho?

    - Não posso acreditar em você! – Bradou, levando as mãos ao cabo da espada e sacando-a com vigor. Um tilintar metálico foi ouvido quando a arma surgiu entre ambos. – Está me enganado apenas para sair daqui e fazer sabe-se lá o que!
    - Cale a boca! Se eu quisesse sair tanto assim eu já teria matado você e saído. O que eu teria a perder se eu fosse uma necromante de Yöer? Aliás, se eu fosse uma serva de Catura, pode ter certeza que eu teria destruído esse prédio assim que cheguei a ele. Vamos, homem! Você sabe que não há lógica nisso tudo!
    - E o livro? Como você tinha o maldito livro? – Disse Apollo indicando o tomo caído ao chão. Ela suspirou longamente.
    - Fruto da curiosidade de uma bruxa. Vai me condenar agora é? – Ela parou e recolheu sua mão. O fluxo de energia cessou. – Vamos parar com essa palhaçada. Eu preciso entregar esta informação a alguém muito importante que está em Thais, mas eu não posso fazer isso se estiver presa aqui dentro. Saia da frente e me deixe ir.
    Apollo não moveu-se um centímetro sequer.
    - Não há garantias. Você pode ter recebido a missão de coletar informações. Agora que gastou tempo suficiente aqui pode muito bem acabar com seu teatrinho. Eu não posso acreditar em você! Ninguém pode provar que você está do nosso lado!
    - Ah! Quer saber? Cansei de brincar! – Ela encarou-o tenebrosamente e concentrou sua energia nas artérias, de modo que fosse espalhada para todo o corpo. Pronunciou as palavras mágicas quase que imediatamente. – Utana Vid!

    Apollo assistiu aterrorizado o corpo da mulher desaparecer por inteiro. Piscou umas três vezes para ter certeza do que vira. Ela... Sumiu! Esquecera-se por completo de que ela ainda podia executar feitiçarias contra si mesma ali dentro. Estava pronto para baixar a guarda quando ouviu um som muito semelhante ao de um pé sendo arrastado. O barulho repetiu-se mais algumas vezes. Seu coração acelerou quando ele finalmente compreendeu o que havia acontecido de fato. Ela ficou invisível. E parecia que ela havia adquirido o poder de ler mentes também, pois, logo depois de receber aquela revelação, Apollo foi atingido na cabeça por alguma coisa dura que o fez urrar e soltar a espada, que caiu pesadamente no chão. Sentiu a dor latejante invadi-lo bem quando a bruxa reapareceu às suas costas, colocando um sapato de casca de coco de volta no pé. Ela deu uma piscadela e murmurou um pedido de desculpas, abrindo a porta e deixando a claridade penetrar na sala. Jogou-se para fora do cômodo bem no momento que passos rápidos brotavam pelo corredor de pedra. Apollo ergueu os olhos para o ambiente externo e viu Perseu chegar correndo, gritando alguma coisa ininteligível. Ele mal percebeu que um filete de sangue escorria entre seus cabelos louros, pois, o que se deu em seguida foi completamente inesperado e difícil de digerir. Angela, talvez por reflexo, havia gritado alguma palavra mágica e apontado a mão na direção do outro guarda. Uma grande bola de fogo foi arremessada, atingindo em cheio o braço direito nu do oficial. Houve a explosão, o grito de dor de Perseu, o berro de surpresa de Angela e a hedionda cena que se seguiu. O membro superior do amigo de Apollo. Rodopiando, inerte, pelo corredor, até chocar-se com a parede mais próxima.

    O homem caiu no chão, levando a mão esquerda ao que restara do outro braço. Urrava de dor e as lágrimas brotavam de seus olhos. Mas o que de fato destruiu Apollo naquele momento não foi ver a dor do amigo. Foi constatar que não caía sequer uma gota de sangue do ferimento de Perseu.
    Nada a dizer a respeito.

    Manteiga.




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    Última edição por Manteiga; 10-05-2010 às 14:45.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  6. #6
    Avatar de Emanoel
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    Acho difícil novos leitores se interessarem por grandes histórias tibianas em andamento, mas nada impede que os antigos compareçam, então provavelmente ficaremos na mesma quanto a esse quesito.

    Alguns meses se passaram e admito ter esquecido os detalhes. Eu achei os diálogos críveis, bem cadenciados, e apesar do contexto ser mágico-aventuresco demais para me agradar, até que prendeu a atenção. Sendo sincero, mesmo quando o capítulo é legal, raramente sinto vontade de retornar para o próximo. Ainda não tenho certeza se é um problema pessoal ou se o erro consiste em prolongar demais as histórias, mas ei, seu tópico, sua criatividade, sua decisão.

    Falous.

  7. #7
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    Citação Postado originalmente por Emanoel Ver Post
    Acho difícil novos leitores se interessarem por grandes histórias tibianas em andamento, mas nada impede que os antigos compareçam, então provavelmente ficaremos na mesma quanto a esse quesito.

    Alguns meses se passaram e admito ter esquecido os detalhes. Eu achei os diálogos críveis, bem cadenciados, e apesar do contexto ser mágico-aventuresco demais para me agradar, até que prendeu a atenção. Sendo sincero, mesmo quando o capítulo é legal, raramente sinto vontade de retornar para o próximo. Ainda não tenho certeza se é um problema pessoal ou se o erro consiste em prolongar demais as histórias, mas ei, seu tópico, sua criatividade, sua decisão.

    Falous.
    eu acabei de ver o topico e ler o primeiro capitulo
    vou continuar amanha assim q tiver tempo
    me interessei muito sim, e pretendo ler e acompanhar até o fim
    e acho q o problema de n ter vontade de ler o proximo capitulo é seu sim
    pois eu mesmo quando li um ja fiquei com muita vontade de ler o próximo
    ~~http://anacromico.tumblr.com/~~
    Side Winder ~~ Bons tempos :>
    Pew Pew Pew



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