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Tópico: A Cadeira de Cristal

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  1. #1
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    Quem é vivo sempre (re) aparece

    Capítulo Oito
    Você tem medo de escuro?


    O pesado portão rangeu alto antes de se abrir. Os elfos viraram-se categoricamente para encarar o espaço criado na parede vegetal, avistando o outro lado pela primeira vez em meses. Havia um misto de espanto e ansiedade estampado em suas faces iluminadas. Uma nova era estava iniciando-se ali. Muitos teriam aquilo como um sinal que algo muito grande estaria para acontecer. Os elfos estão abandonando sua terra.

    A morte estava próxima. Seu cheiro era perceptível no ar que envolvia a todos no campo. As Tropas das Sombras estavam mais perto do que se imaginava. Era preciso viajar rápido e sem descanso. Todos parecem dividir dessa idéia, pois as carroças puxadas por belos cavalos brancos começaram a avançar pelo verde, em direção ao campo recém-aberto. A multidão começou a imitar o gesto e a seguir em frente. Pouco a pouco todos foram partindo, deixando para trás um vazio que provavelmente Ab’Dendriel nunca antes experimentara.

    O pombo cinzento alçou seu vôo no instante em que todos saíram. Suas asas batiam em fervor e seu bico empinava-se para frente enquanto ele lutava bravamente contra a carga de vento que vinha contra seu minúsculo corpo. Jazia amarrado a uma de suas patas um pequeno bilhete branco.
    - Não se preocupe – Disse Faluae protegendo os olhos do sol forte que surgira enquanto vigiava o pombo. – Ele já viajou até Venore diversas vezes, vai saber o que fazer. No bilhete estou comunicando nossa partida, da perspectiva de chegada, sobre Raven, Zoroast e você.
    - Ele pode ser interceptado? – Indagou Angela acompanhando o pombo com os olhos até o instante em que sumiu no céu.
    - Improvável. No tempo em que essa rota era vigiada constantemente por caveiras ele nunca foi visto, porque agora que está vazia ele seria? – Ele fez uma pausa e olhou ao redor, constatando que todos já haviam ido. Só restavam alguns guardas armados perto do portão. Faluae abaixou-se e pegou sua mochila avermelhada e larga que deixara no chão. Passou uma alça pelo torso e virou na direção da clareira distante. – Fico feliz que tenha decidido vir conosco.
    - Você praticamente não me deu outra opção. – Ela retrucou, indiferente.
    - Por isso eu sou diplomata. – Ele sorriu de leve, da forma tola e breve que os elfos têm o péssimo hábito de fazer. – Onde raios está Zoroast? Tive muito trabalho para fazê-lo aceitar meu convite de se juntar à Unie. O que me falta é ele ter desistido!

    Como se estivesse ouvindo tudo e só esperando ser citado para dar as caras, o minotauro surgiu do alto da elevação onde ficava o campo onde haviam dormido na noite anterior. Trazia seu saco bege e sujo e sua maça negra e pronta para o ataque, manchada de sangue seco. Trazia ainda uma expressão cansada na face, olhando fixamente para frente e arrastando os cascos no chão, com as costas levemente curvadas para frente. Bufava a cada passos dado e passou por Angela sem a cumprimentar. Depois falou alguma coisa em sua língua-mãe com Faluae e se aproximou do mesmo modo sem-vida dos portões, olhando feio para os guardas antes de seguir a multidão.

    - Que deu nele? Está certo que nunca foi a criatura mais sociável do mundo, mas ele pelo menos costumava me cumprimentar! – Disse a bruxa erguendo uma sobrancelha e coçando o queixo.
    - Está emburrado por que queira estar em Darashia, com os outros minotauros. Deixe-o, vai acabar se acostumando à idéia de que sobrou. Mas não se preocupe com ele; temos minotauros na Unie. Ele logo vai se integrar. Teoricamente falando, é claro. – Disse o elfo em um tom alegre enquanto analisava a posição do sol. – Vamos antes que nos deixem pra trás.

    Começou então a avançar decididamente para fora da cidade. Angela seguia-o correndo para tentar acompanhar sue ritmo frenético. Em pouco tempo estavam cruzando a floresta escura que precedia a parede vegetal. A multidão em fervura estava logo à frente deles. Já não se podia mais ouvir as carroças. Angela podia observar que os elfos andavam com certa relutância, ora ou outra virando suas cabeças para tentar buscar um pedacinho da cidade. De longe, ouviu-se fechar o pesado portão. Um novo ciclo começa.

    O tempo corria e os elfos não diminuíam seu ritmo empolgado. Pareciam determinados a chegar a Venore o mais rápido que fosse possível. Conversavam sem perder o fôlego sobre a natureza e sobre como seria aquela nova experiência tão “rica e culturalmente benéfica para todos”. Faluae já havia se integrado com um grupinho de elfos que andavam mais a frente e deixara Angela no vácuo, andando sozinha para fechar o cortejo. Zoroast estava enfiado no meio da multidão, e a bruxa se perguntava se os elfos estariam o encarando feio. Espero que ele volte a falar comigo logo. Cabeça-dura. Não pôde deixar de sorrir. Estava começando mais um capítulo de sua vida. E era bem neste que ela obteria sua vingança. Pagarão pelo que estão causando a todos nós. E isso era uma promessa.

    Foi quando colocou um pé para fora da floresta que ela travou. Simplesmente ficou paralisada com um pé sobre uma raiz retorcida e outro cravado no chão, apoiada a um tronco meio putrefato e coberto de musgo. Seus olhos vidraram no além, acompanhando vaziamente a multidão ir lentamente desaparecendo no horizonte. Suas pupilas estavam se comprimindo em uma súplica para que Faluae se virasse e a visse naquele estado misterioso. Sentiu um vento anormal perpassar seu corpo e agitar suas vestes. Era um vento que trazia presságios malditos. Um forte arrepio congelou todos os ossos de seu corpo e a fez cair de joelhos. Começou a bater os dentes e a tremer de frio, mesmo estando com o sol diretamente sobre sua cabeça. Pode sentir então um rancor e uma tristeza profundos brotarem do fundo do seu coração e irem contaminando cada gota de seu sangue como o veneno faz. Pensamentos raivosos e obsessivos foram tomando sua mente aos poucos, enquanto ela largava a varinha e a deixava rolar para longe. Distante, uma voz desesperada chamou-a bem quando tudo ao seu redor sumiu. Piscou. O campo sumira. Só existia sombra. Estava tudo escuro ao seu redor. Não conseguia sequer ver suas mãos. Sentia-se dentro de um vazio que a consumia rápida e satisfatoriamente. Seus medos foram aflorando e fazendo-a perder a capacidade de pensar. Ela não precisava ver nada para saber exatamente o que estava acontecendo ali. Raven. Sua alma dizia que era isso. O medo que sentia dentro de si era igual ao que sentira quando o vira pela primeira vez.

    - Você tem medo de escuro? – Sibilou uma voz cruel e fria em algum lugar da escuridão. Ouviu-se o som leve do farfalhar de penas e um grunhido alto. Uma gargalhada que agia exatamente como o fio de uma navalha. – Aposto que sim.
    - Revele-se seu covarde! Vamos! Mostre essa sua cara nojenta para que eu possa queimá-la! – Bradou a bruxa com todas as suas forças. Mas não saiu voz alguma de sua garganta, deixando-a fortemente assustada. Começou a olhar para todos os lados, pronta para atacar, mesmo sabendo que era impossível acertar qualquer coisa naquela escuridão assombrosa. Estou ficando louca ou o que? Começaram então a surgir em sua mente dúvidas bobas sobre o que era verdade e o que não era. A incerteza se estava fazendo o que era certo começava a crescer, junto com uma melancolia profunda por não ter estado em sua casa apara salvar Wyda. Mas nada disso era comandado por ela. Era como se uma força maior estivesse manipulando seus sentimentos ruins.

    - Hm... Onde será que eu estou? – Disse a mesma voz de antes, desta vez debochando. – Eu posso estar aqui... Ou posso estar acolá. Quem sabe eu esteja bem atrás de você... Ou posso estar flutuando sobre sua cabeça. – Ao terminar de falar a criatura sempre gargalhava alto, provocando mais e mais arrepios, cada vez mais fortes, tomarem todo o corpo da bruxa. Estou sendo vencida por uma ilusão. Não. De algum modo estranho ela sentia que Raven estava por ali, por perto, apenas esperando ela ficar completamente fora de si. Ela estava tão trêmula que mal conseguia sustentar seu corpo. Ela só não sabia se estava tremendo de medo ou de ódio. Rangia os dentes e sentia um fogo imponente queimar em seus olhos. Seu maior desejo naquele momento era destruir o maldito homem-corvo. E isso atropelava o bom-senso e a racionalidade. Não importava o que iria acontecer com ela depois. O que importava era que ela precisava matá-lo. Sentia como se fosse morrer caso não conseguisse destruir seu inimigo. E isso tomou-a por inteiro, dando-lhe forças para ficar em pé.

    - Eu vou te matar seu desgraçado, eu juro pela minha alma que irei! – Ergueu os braços, apontando a palma de cada mão para um lado diferente. Concentrou-se em sua energia mágica, que agora fluía enlouquecida por suas veias, e gritou: - Exori Flam!
    Suas conhecidas bolas de fogo foram disparadas, indo na direção do nada e sumindo sem causar danos. Mas ela não se importava. Começou a apontar e atirar para todos os lados, na vã tentativa de atingir seu objetivo. Cada erro lhe dava mais vontade de sentir o cheiro de penas carbonizadas.
    - Talvez você deva praticar um pouco mais... Opa! Essa passou perto. Quer dizer, mais perto que as outras. – Raven devia estar se divertindo vendo aquela cena. Uma pontada de razão brotou na mente de Angela naquele instante, fazendo-a refletir sobre a possibilidade de ser justamente aquilo que Raven estava desejando: esgotar sua energia. Então parou de atacar. Houve então um prolongado silêncio assassino no qual tudo pareceu mergulhar em um quartinho sem ar. Angela sentiu sua vida ser sugada pela proximidade perturbadora de alguma coisa muito má. A morte estava chegando para buscá-la e a levar junto de Wyda. Foi fechando os olhos e se entregando ao espírito das trevas que consumia-a por inteiro. Leve-me, por favor! Tire-me deste universo tão mundano!

    Lágrimas foram aflorando de seus olhos com força inominável, rolando por sue corpo. Mas tais gotas de água, tão puras e inocentes, congelavam antes de chegar ao seu busto. E depois caíam ao chão, como granizo. Suas pernas estabeleceram um ritmo de tremedeiras constantes que pareciam dispostas a jogá-la ao chão. O escuro ia a envolvendo cada vez mais, penetrando em sua pele e rasgando suas entranhas. A agonia foi crescendo até existir somente ela em sua mente. O fim chegara. Mas toda aquela malevolência concentrada fazia Angela perceber a proximidade de Raven. Sabia que ele estava ali, ao sue lado, encarando-a como o leão que afugentou sua presa no deserto. Ela podia sentir em seu cangote o ar nojento que saía do corpo transfigurado daquela coisa. E isso foi sua salvação.

    - Não... Deixarei... – Murmurou ela com o peito em brasa. Cada sopro de ar que saía de sua garganta queimava-a.
    - Sua longa jornada termina aqui. – E dizendo isso, o corvo pousou sua mão podre no na dela. E então aconteceu. Fora tudo muito rápido. No instante em que os membros se encostaram, uma energia púrpura anormal brotou dos dedos da bruxa e penetrou no corpo do ser, fazendo-o urrar de dor. Era como se milhões de raios convergissem dentro de sua boca. Fechou os olhos e grasnou alto, como nunca antes fizera, caindo de joelhos e implorando que Zathroth tivesse piedade dele. Então deitou-se de lado, tendo espasmos e vendo seus membros moverem-se involuntariamente de um modo débil. Começou a cuspir sangue.

    Angela, por sua vez, nada sentira ao toque de Raven. Simplesmente foi sentindo tudo que a havia infestado nos últimos minutos – que confundiam-se com eternidades – esvair-se rapidamente. A agonia, a tristeza e a dor foram evaporando junto com a escuridão eterna, que vacilou até desaparecer por completo. Sentiu o ar voltar com força aos seus pulmões e o sol tomar seu corpo, fazendo o sangue correr de novo. Ela endireitou-se e sorriu de leve ao deixar a ilusão criada pela criatura.
    - Jamais permitirei que toque em mim, infeliz. – Ela falava para o alto, em direção ao céu, pois não se via corvo algum ali. A única evidência da passagem, mesmo que momentânea, de Raven por ali, era um punhado de penas negras e familiares dispersas na grama amassada e infestada com algumas gotículas de sangue.

    O que de fato acontecera, ela não sabia explicar. Raven simplesmente estivera ali, e ela sabia que era verdade. Ele fizera o possível para destruí-la. Mas falhara miseravelmente quando tocou em sua pele. Wyda me salvou. De algum modo, ela intercedeu por mim. Levou alguns segundos para recuperar sua total capacidade motora e mental. Então seguiu lentamente até o local onde estava sua varinha, deitada, inerte. Agarrou-a e arrumou o chapéu na cabeça. Lançou um último olhar para as penas negras jogadas ali e cuspiu sobre elas imediatamente. Restos de lixo. Agradeceu uma última vez pela proteção que Wyda supostamente lhe concedera e virou-se para o sul, para recomeçar a sua caminhada.

    Foi só então que percebeu que era de noite e que ela estava completamente sozinha ali.
    Acho que falar "eu lamento por não ter postado no último mês inteiro nessa seção" não resolve muita coisa. Não que eu ache que deva explicações, até porque isso é um forum de internet, mas eu queria salientar apenas que foi por causa deste tópico. Perid simplesmente o fio da meada da minha história, me perdi nas idéias e fiquei sem ânimo. Setembro foi um mês horrível pra mim. Não que Outubro esteja melhor. Mas enfim, antes tarde do que nunca. Este capítulo finaliza o primeiro ciclo da história (Livro Um).

    Fiz mudanças importantes. Encurtei muito A Cadeira de Cristal de modo que eu ainda possa ter alguma motivação para escrever a segunda das cinco partes que A Espinha terá. Nesse ritmo até 2012 terminamos, haha.

    Bom, sobre o capítulo, simlpes e bobinho, sme muita coisa para falar. Ainda estou temeroso sobre escrever capítulos muito grandes como o Kamus faz em Ferumbras, isso pode ter deixado a cena narrada insossa e aparentemente inútil. Mas ela determina os rumos da história daqui para frente. A próxima atualização virá quando eu sentir que estou pronto. Pode ser semana que vem, pode ser mês que vem. Pode ser nunca mais.

    Pra terminar esse momento agonia, DESDE QUANDO EMANOEL É SUB-MODERA? Não me chamaram pra festenha per quê? Não gostam mais de mim (algum dia gostaram?)? Tem algo contra meu nick, minha família e minha casa? Anyway, gratz tio Papis Noélis. Agora a seção se salvará o/ Ou irá pro poço de vez :*

    PS: Revivi o tópico, mas como atualizei isso não é flood neah? :x
    Manteiga.

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  2. #2
    Avatar de Lucas CS
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    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Pra terminar esse momento agonia, DESDE QUANDO EMANOEL É SUB-MODERA? Não me chamaram pra festenha per quê? Não gostam mais de mim (algum dia gostaram?)? Tem algo contra meu nick, minha família e minha casa? Anyway, gratz tio Papis Noélis. Agora a seção se salvará o/ Ou irá pro poço de vez :*

    PS: Revivi o tópico, mas como atualizei isso não é flood neah? :x
    Manteiga.

    Ele, eu, Professor Girafales, Edu Apocalypse e Onigiri nos tornamos sub-modereas já há alguns dias atrás ^^

    Eu sou o que vai tomar as rédeas daqui rairiaiar.
    Ema vai tomar conta do board das cidades ^^

    Nem é flood, não se preocupe.

    @~

    Maravilhoso, cara, essa foi uma das melhores histórias que já ví na seção. Suas descrições são geniais. Espero por continuações :o

  3. #3
    Avatar de Emanoel
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    Receava por sua desistência! Como é de costume, os comentários são escassos... mas peço que não desanime. E torço para que o pessoal tome coragem para comentar.

    Eu gostei, apesar da situação apresentada ter sido bastante obscura. Após alguns parágrafos, achei que seria um capítulo típico, mas tomou um rumo estranho e imprevisível. Ótimas descrições; aquele "conflito" na escuridão ficou excelente.


    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Lágrimas foram aflorando de seus olhos com força inominável, rolando por sue corpo. Mas tais gotas de água, tão puras e inocentes, congelavam antes de chegar ao seu busto.
    Provavelmente estou sendo chato, mas lágrima não é água!

    E alguns outros (possíveis) erros:

    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Bufava a cada passos dado e passou por Angela sem a cumprimentar.

    passo
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Angela seguia-o correndo para tentar acompanhar sue ritmo frenético.

    seu
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Pode sentir então um rancor e uma tristeza profundos brotarem do fundo do seu coração e irem contaminando cada gota de seu sangue como o veneno faz.

    Pôde / profunda
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Estou ficando louca ou o que?

    quê
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    A incerteza se estava fazendo o que era certo começava a crescer, junto com uma melancolia profunda por não ter estado em sua casa apara salvar Wyda.

    para
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Ao terminar de falar a criatura sempre gargalhava alto, provocando mais e mais arrepios, cada vez mais fortes, tomarem todo o corpo da bruxa.

    <confuso>
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Lágrimas foram aflorando de seus olhos com força inominável, rolando por sue corpo.

    seu
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Sabia que ele estava ali, ao sue lado, encarando-a como o leão que afugentou sua presa no deserto.

    seu




    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Agora a seção se salvará o/
    O fórum está passando por mudanças...

    In Lucas we trust! :riso:


    Você sumiu! Aparece no chat!

  4. #4
    Avatar de Ldm
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    Como vai, cara?
    Desculpe-me pela demora de postar. Estive com um pouquinho de preguiça
    Sobre a história, ela está seguindo um rumo, digamos, interessante. Assim como muitos, receei pelo pior. Felizmente, quem é vivo sempre aparece.



    Até qualquer hora.
    P.S.: Desculpe pela escassez de palavras.

  5. #5
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    @Lucas
    OMG, gratz tiow :O Confesso que não é uma grande surpresa, não depois da Biblioteca e do Concurso [+ puxando saco]. Espero que divirta-se cuidando do emocionante board roleplaying :x Pelo menos podemos contar com alguém da equipe agora, aeae o/ Valeu pelo comentário :d

    @Noel
    Sentiu saudades foi? xD Não importa que sejam poucos comentários, o que importa é que sejam úteis para o crescimento da história [+ temos que puxar o saco de Emanoel também :d] Anyway, obrigado por ter passado e apontando os errinhos bobos que eu fiz aí pelo meio. Queria já ter voltado no MSN, mas eu não consigo baixar o novo ;-;

    @Ldm
    Don't worry, só o comentário já vale a pena ^^ Mas... Bem, até você postar, apenas sub-moderas tinham postado nesse capítulo, e assim eu ia me achar pors meus amiguinhos Droga Ldm, estragou minhas ilusões. Brinks :x Agradeço por ter passado mais uma vez! Pode esperar que logo eu posto de novo :p

    Manteiga.




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  6. #6
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    LIVRO DOIS


    Capítulo Nove
    Ensaio sobre o Pentágono de Yöer


    Com origens demasiadamente enigmáticas, que remontam antigos tempos de paz entre os humanos e de considerável “respeito” pelos poderes da Coroa de Thais, o Pentágono de Yöer, por vezes intitulado Pentágono das Sombras ou Espalhador do Pesadelo, é uma entidade cruel com longos tentáculos negros, que estendem-se atualmente por todas as instituições de poder que existem em Tibia.

    Érbio leu e releu a pequena passagem de poucas linhas que rabiscara displicentemente em um pergaminho cinzento e assentiu brevemente com a cabeça. Estava bom. Seria uma introdução suficientemente boa para situar os mais iluminados nos acontecimentos, quando aquele documento fosse lido, no futuro. Não sabia dizer se sairiam ou não daquela crise histórica, mas sabia dizer com perícia impecável que não faltariam registros sobre as crueldades realizadas por aqueles cinco que se intitulavam “Filhos dos Saberes”. Ficou examinando o primeiro parágrafo de Ensaio sobre o Pentágono de Yöer e sorriu internamente, apesar da hora ser pouco propícia. Pigarreou e buscou um copo de vidro repleto de um líquido cristalino, que bebeu sem hesitar. Sentiu a água limpar sua garganta por inteiro. Pousou o copo então no mesmo lugar de onde acabar de sair: sobre um paninho imundo dobrado cuidadosamente e localizado diretamente ao lado do tinteiro azulado.

    Examinou o resto de sua mesa, apreciando a pequena coleção de raridades ali presentes. Havia folhas de pergaminho enroladas cuidadosamente dentro de uma cesta de palha, o tinteiro e o copo, e alguns pertences pessoais irrelevantes. Mas o que de fato chamava sua atenção era a caveira dourada e meio rachada sobre um pequeno pedestal de mármore; a pena negra e alongada, já gasta pelo tempo, que provavelmente pertencera a um corvo gigante; o livro de capa de couro duro em que se lia Os Segredos dos Saberes; e por último, mas não menos importante, um longo cabo totalmente negro e encouraçado, que terminava abruptamente em um retângulo pesado de um material misterioso. Incrustado no meio daquele retângulo perfeitamente plano estava um olho de jade brilhante, que parecia despi-lo por inteiro. Dispostas pelo cabo em forma estranha estavam algumas frases douradas de uma língua perdida. Érbio pegou o martelo para si e girou-o nas mãos, lembrando-se do dia em que o líder da Unie, Ahamed, entregara-o sob sua responsabilidade. Quero que decifre a inscrição no cabo, dissera ele na ocasião. A relíquia foi encontrada em Darashia, e isso me dá esperanças de ter relação com o Pentágono.

    O escrivão largou calmamente a arma sobre a mesa e deixou seu olhar morrer sobre ela. Era um pesquisador excepcional, uma lenda viva da literatura thaiense. Todos na cidade conheciam suas grandes obras Lendo runas antigas e Passos na Areia de Devourer. Era um historiador renomado e grande conhecedor das artes da lingüística. Talvez tivesse sido chamado a se unir ao movimento revolucionário por aquelas qualidades, ou talvez porque suas pesquisas o levaram a grandes informações a respeito do Pentágono de Yöer. Repentinamente, pareceu lembrar-se de alguma coisa. Agarrou uma bela pena branca e curta que descansava sobre o papel, mergulhou sua ponta no tinteiro e voltou a escrever, com rabiscos negros quase ininteligíveis.

    O nome do movimento demoníaco originado nas profundas catacumbas da cordilheira de Kha’Zeel deriva da palavra antiga “Iaor”, cuja significa “nosso pai”, caso fosse traduzida para os dias atuais. O Pentágono do nome é uma clara alusão ao símbolo satânico de cinco pontas, o pentagrama, e ao fato de o movimento ser liderado por cinco lordes mortos-vivos em questão, cada um dominando uma das cinco áreas da magia negra, de acordo com as tradições: maldições, pragas, necromancia, magia negra propriamente dita e conhecimento perverso.

    Suas origens, como já foi citado nesta introdução, deram-se nas montanhas afastadas de Kha’Zeel, em uma depressão conhecida por eles como Katelchetroff, termo que significa basicamente “Terra dos Mortos”. Tal depressão atualmente é um pequeno deserto de areia de onde ergue-se a vila destruída de Drefia do Oeste, chamada no passado por um nome mais apropriado aos ideais yoereanos: Saberon (significa basicamente “Cidade da Sabedoria”). Ao contrário do que muitos estudiosos pensam, o Pentágono não surgiu inicialmente como uma espécie de culto aos demônios ou um antro de reunião daqueles que já morreram. Seus objetivos primários na realidade eram a incansável busca pelo conhecimento absoluto.

    Ele parou para descansar a mão e olhou pela sala. Era oval, pequena, composta pela mesinha tosca de madeira, por um tapete de cores vinho e alaranjado tecido em Ankrahmun e por um pequeno sofá verde e aparentemente muito convidativo. Existiam ainda cerca de quarenta lampiões rubros que prendiam chamas dançantes e quentes, espalhados vinte de cada lado da mesa presos no teto por correntes finas. Sua iluminação era eficaz para a escrita, mas criava sombras assustadoras que de vez em quando faziam o escrivão tremer no meio das noites de tempestade enquanto dedicava-se ao seu trabalho. Já havia terminado quase tudo: só faltava a introdução e as considerações finais.

    Longe, ao sul, houve uma grande explosão. Manifestou-se brevemente pelo estrondo fascinante, mas logo perdeu-se numa infinidade de gritos. Uma variedade anormal de passos ecoaram pelas ruas de mármore branco da cidade. Alguém bradou que eram caveiras, e que as Tropas das Sombras haviam chegado. Outro alguém urrou dizendo que finalmente as trevas venceriam o bem, e, pela movimentação que se seguiu, Érbio imaginava que o homem fora espancado e estava provavelmente inconsciente a essa altura, se é que estava vivo. Estou na cova dos leões, pensou ele, calmamente, a diferença é que estou em uma torrezinha um pouco mais elevada da morada dos felinos.

    Não agradava-lhe a idéia de estar tão distante de casa. Yalahar era um lugar estranhamente pouco acolhedor aos forasteiros, apesar de praticamente todas as raças existentes no mundo se manifestarem por seus quarteirões selvagens e monstruosos. Érbio não podia negar que a cidade possuía uma expressão cultural exemplar, fosse pelas lendas impressionantes que cercavam sua origem e decadência, fosse pela brilhante arquitetura inenarrável que tornava o coração de Yalahar um lugar perturbadora e inapropriadamente belo. Um ótimo lugar para uma guerra entre homens e mortos-vivos. Já fazia pelo menos dois meses que estava morando ali. Ahamed enviara-o juntamente com um pequeno grupo de soldados e alguns agentes pouco conhecidos da Unie. O líder do grupo dissera-lhe que estava os enviando com a missão mais nobre de todas: salvar o Império dos Anões.

    Ele suspirou. Virou-se para a esquerda e puxou uma caixinha de madeira totalmente quadrada de baixo de sua cadeira. Abriu o fecho cuidadosamente e pegou o considerável número de pergaminhos enrolados que dormiam alegremente ali dentro. Buscou atentamente pelas anotações no rodapé e logo encontrou a folha que estava procurando. Preciso de mais inspiração. Abriu-a com o carinho de um pai por um filho e começou a ler em silêncio o que escrevera até agora. Demorou-se um pouco mais em determinado trecho do capítulo inicial, como se revivesse a aventura que fora obter tais informações.

    [...] o Pentágono de Yöer inicia basicamente com a ascensão dos saberes nas terras do Devourer, o quente e curto deserto que envolve a cidade de Darashia. Muitos acreditam que a palavra “saberes” seja o simples plural do verbo “saber”, mas na realidade a palavra distingue um antigo grupo de humanos que migrou de Carlin em direção ao deserto antes mesmo de sua descoberta. Este grupo passou a ser denominado pelos moradores de Carlin como saberes (cuja sílaba tônica na realidade é o “sa”), um termo que significava “aqueles que vivem de pensar”. De fato, os saberes eram caracterizados como homens e mulheres brilhantes, que abandonaram a sociedade humana após constatarem que jamais seriam aceitos. Eram muito questionadores, buscando compreender tudo que pudessem sobre qualquer coisa. Suas buscas inquisitivas pelo conhecimento absoluto levaram-no a conhecer a existência de um deserto a sudoeste do continente, deserto este que só seria descoberto pelos demais humanos muitos anos depois.

    Os saberes rumaram imediatamente rumo ao tal deserto, e desembarcaram após uma longa e tortuosa viagem, na qual seguiram um mapa desenhado pelos próprios, baseando-se em informações de alguns orcs viventes no sul das Planícies do Caos. Evidências históricas indicam que eles chegaram exatamente em uma pequena parcela do deserto cercada por Kha’Zeel, onde atualmente fica Drefia do Oeste. Por isso não tomaram conhecimento da existência de outros desertos por muitos anos. Apesar disso, acredita-se que no apogeu de sua civilização brilhante, os saberes tenham mantido conversações diplomáticas com os lagartos, em Tiquanda, e com os mortos-vivos, em Ankrahmun. [...]


    Érbio assentiu com um breve aceno da cabeça e rabiscou alguma coisa na folha onde escrevia a introdução de seu livro. Então, coçou a barba longa e espessa, de cor cinza, deliberadamente. Pigarreou alto e bebeu o resto da água existente em seu copo. Antes de voltar à sua leitura, deu uma olhadela no martelo negro.

    [...] passados alguns anos, os moradores do continente esqueceram-se de quem eram os saberes e de como eles podiam ser inconvenientes. Alguns testemunhos de historiadores como Tael Moureau dizem que os saberes chegaram a questionar a existência dos deuses, e que provavelmente isso significou sua derrota na terra de Carlin. “Os moradores não estavam dispostos a se soltar de suas crenças por meia dúzia de fatos lógicos divulgados pelos saberes, então os expulsaram”, diz Moureau. Os saberes haviam constituído um duradouro império em Drefia, que na época chamavam de Saberon. Saberon possuía grandes vias para o trânsito de carroças avançadas para a época, um pequeno porto, grandes áreas residenciais e comerciais, pomares e hortas criados nas montanhas, regados pela água represada de um riozinho que cortava a cidade. Lá, os saberes tiveram sua liberdade de pensar e de se desenvolver. Representaram grande influência na formação da cidade de Ankrahmun, na época já uma cidade-morta (suas origens misteriosas não precisam ser discutidas neste volume).

    Mas os moradores do continente também eram ambiciosos. Mesmo décadas depois, ouviram falar da existência de um deserto e foram logo averiguar. Sem saber o que encontrariam, os venorianos desembarcaram onde atualmente fica a cidade de Darashia. Fundaram ali um pequeno vilarejo, e começaram a explorar e mapear as terras ao redor. Inesperadamente, porém, todos os homens enviados para a direção oeste de Darashia não retornavam. Exércitos foram enviados para a região, como se para enfrentar uma guerra, e surpreenderam-se ao encontrar Saberon e seus ilustres moradores. Aparentemente, nos anos que permaneceram isolados, os saberes desenvolveram fantástica habilidade para a magia negra. Com suas habilidades, os saberes combateram e venceram os venorianos facilmente. Mas logo foram atacados em massa por tropas vindas de todas as demais cidades, e assim, em um rápido e inesperado movimento, Saberon foi tomada e convertida em ruínas. [...]

    Ele fez uma pausa, rabiscou mais alguma coisa, e continuou a ler. O capítulo estava quase no fim.

    [...] Naquele tempo, os saberes eram regidos por um único senhor, chamado de Zeed. O Zeed era o iluminado maior, aquele que realmente tinha todas as respostas. Os saberes viam Zeed como uma espécie de deus, mas um deus que tudo sabia e tudo podia. Assim, fundaram sua própria religião, na qual passaram a adorar uma entidade chamada de Noor, termo sinônimo de Yöer. Eles defendiam que este era uma espécie de irmão de Zathroth, mas bondoso e que só deseja obter o conhecimento. Os venorianos porém, ao ficarem sabendo do culto ao “Deus do Saber”, que na terra era representado pelo líder espiritual dos saberes, enfureceram-se e invadiram a cidade em massa, que foi justamente o que de fato causou sua ruptura.

    Mas a história não termina ali. Alguns saberes sobreviveram ao ataque, e, cheios de ódio pelos tuquos (que era como eles chamavam os “não iluminados pela verdade absoluta”), os saberes se reorganizaram sob a liderança do Zeed mais famoso de toda a história: Teoth. Teoth dizia ser a personificação verdadeira de Noor em Tibia, e que apenas ele poderia levá-los ao saber verdadeiro. Não sabe-se exatamente como, mas Teoth aparentemente rompeu a fina camada que separa o nosso mundo do mundo dos demônios. Mago excepcional que era, Teoth conjurou as entidades diabólicas e supostamente teria deixado que cerca de cinco demônios incorporassem em seu espírito, transformando-o em uma hedionda entidade maligna com poderes equiparáveis aos de um deus de verdade. Teoth, que agora adotara o nome de Yöer, transformou os saberes originais (aqueles que resistiram ao ataque) em serem imortais pela ação do tempo e infiltrou-os nas instituições mais notáveis do mundo, como a TBI e a Sociedade Exploradora. Mas nada teria acabado ainda. Yöer reuniria em Saberon diversas criaturas inocentes, como peixes, pássaros e répteis, e transfiguraria tais criaturas em entidades monstruosas, meio humanas e meio feras, que também receberiam grandes dons e a incapacidade de morte pelo tempo. Estas criaturas bizarras passariam então a habitar a mente das pessoas como os verdadeiros saberes, razão esta responsável pelo equívoco comum de que os saberes seriam monstros, e não humanos. Na realidade, os saberes não todo e qualquer um que viveu em Saberon no seu tempo de glória.

    Yöer iniciaria ali uma guerra inigualável, na qual confrontou milhões de exércitos no Devourer. Os líderes de estado da época, para evitar explicações complicadas, omitiram a informação básica de que a guerra se dava contra demônios e entidades nunca antes vistas, e declarou que os homens estavam lutando contra dragões que viviam em Kha’Zeel. A batalha duraria apenas um ano, no final do qual, Yöer teria sido morto. Com a morte do líder, suas criações ficaram desorientadas, e foram facilmente superadas. Porém, cerca de meia dúzia de saberes resistiram ao embate (segundo antigos depoimentos de soldados combatentes). Seu paradeiro é desconhecido até hoje, mas se de fato não foram mortos por agentes externos, com certeza não foi o tempo que os destruiu. Yöer foi enterrado em uma cripta nas profundezas de Saberon, e nunca mais se ouvir falar dele. [...]


    Até agora, pensou Érbio, abandonando a leitura. Guardou o pergaminho junto com os demais na mesma caixinha e recolocou-a no local de origem, com o mesmo cuidado costumeiro. Não precisava ler mais nada para se lembrar com perfeição do que ocorria em seguida. A Redenção. Cinco entidades misteriosas, provavelmente desprovidas de vida, surgiram do além, cada uma de uma região específica do Tibia. E como se acessassem uma biblioteca antiga, pareciam saber tudo sobre aquela história negra e há muito esquecida. Reergueram os ideais sanguinários da segunda geração de saberes liderados por Yöer, e, da noite para o dia, tomaram todo um planeta. Se não fosse ele mesmo, se não conhecesse a história, se não tivesse visto o corpo mutilado de Tibianus III pendurado naquele poste desoladamente, Érbio provavelmente não acreditaria no que estava acontecendo. Os cinco repartiram o planeta entre si como crianças fariam com um punhado de amoras, e passaram a se intitular Pentágono de Yöer, em uma clara alusão ao símbolo máximo de Saberon, o pentagrama. Érbio perguntava-se se o nome traria a definição de Noor por acaso, ou se eles realmente idolatravam aquele deus fajuto.

    O que era mais perturbador era que aqueles cinco, que nem usavam o título de saberes, simplesmente dominavam todos os campos das artes das trevas, e ao, contrário das gerações anteriores de sua laia, não eram puros ou invocavam demônios. Preferiram colocar todos os mortos-vivos do seu lado. Com um exército ilimitado, os Cinco Lordes das Sombras conseguiram o que nenhum outro Zeed conseguira: ter o Tibia nas mãos. Naturalmente, a Unie e tantos outros movimentos revolucionários já haviam retomado algumas cidades. Edron, Carlin, Venore, Darashia e Yalahar erma agora lugares seguros para se viver. Pelo menos por enquanto. Mas apesar de praticamente já terem assegurado seu triunfo sobre os humanos, Érbio tinha o péssimo palpite de que os cinco queriam algo além. E infelizmente, Érbio costumava acertar seus palpites.

    Agora estavam naquela guerra caótica, na esperança provavelmente em vão de lutar contra o Pentágono. Cada lorde parecia relevar o que se dava com os seus vizinhos, cuidando apenas de suas terras, seus exércitos e seus tesouros. Isso talvez facilitasse o trabalho deles. Mas se eles resolvessem se unir como já fizeram um ano antes, quando Thais caiu, eles teriam sérios problemas. Que os deuses nos ajudem. Olhou para uma pequena janelinha triangular que estava logo às suas costas, quase imperceptível. Através dela ele viu, distante, o continente. Uma nostalgia incomum invadiu seu peito. Era a primeira vez em mais de trinta anos que Érbio abandonava sua terra. E tudo culpa de cinco imbecis que mereciam morrer de novo.

    Seus nomes não deviam em voz alta serem pronunciados. Transpiravam crueldade e espalhavam medo. Mas ele não tinha medo de gritá-los se fosse preciso. Cada um deles merecia um castigo pior do que o último, e Érbio esperava ansiosamente o dia em que seriam punidos. Ele suspirou, lembrando-se daquilo que ninguém deveria lembrar. Konar, o senhor das trevas, rei absoluto do Condado do Sul. Catura, o grande sábio amaldiçoado, o grande rei do Condado do Norte. Razan, aquele que não possui corpo físico e que entende a morte melhor do que todos os outros juntos, sultão absoluto das terras da Parcela de Darama. Ternur, a mulher que era meio inseto e que era capaz de controlar todas as pragas, sendo ela a rainha do Reino de Tiquanda e Ilhas Próximas. E por fim, Ylana, a cruel feiticeira do gelo, que assassinara o lorde original – e seu marido, Azzard – e que representava a magia negra. Suas terras eram o distante Estado de Hrodmir e Ilhas de Gelo. Os Cinco Lordes.

    Uma batida suave na portinha de madeira negra arrancou-o de seu devaneio. Já sabia que ele viria. Só esperava terminar o manuscrito antes para poder entregar a ele.
    - Entre. – Disse com sua voz tristonha e baixa. Houve um momento de espera e a porta abriu-se, revelando um elfo extremamente alto e com uma expressão apática. Seu monóculo dourado estava sujo e levemente lascado. – Veio mais cedo Faluae, ou eu que me perdi demais em meus pensamentos, sem ver o tempo correr?
    O elfo sorriu de leve, revelando rugas inexistentes alguns dias atrás.
    - Provavelmente a segunda opção, meu bom amigo. – Ele observou o pergaminho rabiscado sobre a mesa. – Concluiu finalmente?
    - Não, ainda não. Falta pouco. Quero dizer, com o que tenho até agora. Mas ainda falta muito para se pesquisar, para que eu enfim compreenda nosso inimigo por completo.
    - Estamos contando com isso. Todos nós. – Disse ele, sério. Érbio guardou o manuscrito junto aos demais e mergulhou a pena no tinteiro, deixando-a lá. – Não posso me demorar... Vernac quer me ver. Parece que tem novidades sobre o Assassino de branco. Só vim avisá-lo que os guardas chegaram para o escoltar até Beregar. Os chefes anões estão ansiosos para ouvir suas palavras.

    Érbio assentiu levemente, com o olhar perdido na janelinha triangular.
    - Diga a eles que me aguardem no térreo. Logo descerei para irmos. Preciso trocar de sapatos, afinal, pelo que me disseram, o caminho até Beregar é muito acidentado.
    O elfo sorriu em resposta, levantando-se de imediato e caminhado demoradamente rumo ao portal que ainda jazia aberto.
    - Espero que consiga o que nenhum de nós conseguiu, Érbio.
    - Um milagre?
    Ele balançou a cabeça, perdido em devaneios antigos.
    - Sim. Um milagre. – E dizendo isso, Faluae virou-se e rumou para a porta, saindo e fechando-a ao passar.

    - Faluae! – Gritou Érbio repentinamente, como se lembrasse de alguma coisa. O elfo parou e enfiou a cabeça pela fresta ainda aberta da porta, esperando-o continuar. Érbio indicou o martelo negro sobre a mesa. – Diga a Ahamed que consegui traduzir uma linha. Está escrito Belzeebub.
    ---
    Creio que todo mundo entendeu como se lê "Érbio"
    "Belzeebub" seria lido como "Belzebú"
    Dos Cinco Lordes, três a pronúncia ainda não havia sido apresentada, imagino eu:
    "Razan" = "Razân"
    "Ternur" = "Térnúr"
    "Ylana" = "Ilâna"
    A palavra "Zeed" lê-se como "Zid"
    Da mesma forma que "Noor" é "Nûr"
    Acho que agora chega. Ufa!


    Um capítulo longo, insosso e muito chato de se ler, eu sei e entendo que possam torcer o nariz pro que eu escrevi. Não é exatamente o que vocês esperavam para o começo do Livro Dois, mas eu só podia fazer isso perante todas as modificações que fiz no curso da história. Originalmente a história do Pentágono seria narrada quando Angela e companhia ficassem cara a cara com Ahamed, lá pelo capítulo doze no planejamento original. Mas eu removi essa cena, mudei muita coisa pra deixar a história mais legal e essa cena aqui teve de ser feita por diversos motivos, não só contar a história. Que por sinal, está só pela meta aí em cima. Espero ter sido claro na explicação.

    Agora teremos mais dois capítulos meio parados e pouco informativos até que a história retome seu ritmo habitual. Isso se deve a passagem de tempo que se dá entre o capítulo oito e o nove. Espero que compreendam :x

    Manteiga.
    Última edição por Manteiga; 10-10-2009 às 17:06.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  7. #7
    Avatar de Lord Callipso
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    Opa, que bom ter a história de volta, Manteiga!

    Só fui constatar a volta d'A Cadeira de Cristal agora, com este capítulo. Enfim, não sou mestre nisso, mas vou destacar algumas coisas que gostaria de rever.
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    [...]a caveira dourada e meio rachada[...]
    Não captei a idéia de "meio rachada". Tenho para mim que ou ela está rachada, ou não está
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    [...] Naquele tempo, os saberes eram regidos por um único senhor, chamado de Zeed. O Zeed era o iluminado maior, aquele que realmente tinha todas as respostas. Os saberes viam Zeed como uma espécie de deus, mas um deus que tudo sabia e tudo podia. Assim, fundaram sua própria religião, na qual passaram a adorar uma entidade chamada de Noor, termo sinônimo de Yöer. Eles defendiam que este era uma espécie de irmão de Zathroth, mas bondoso e que só deseja obter o conhecimento. Os venorianos porém, ao ficarem sabendo do culto ao “Deus do Saber”, que na terra era representado pelo líder espiritual dos saberes, enfureceram-se e invadiram a cidade em massa, que foi justamente o que de fato causou sua ruptura.
    Não está em itálico .
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    [...]cada uma de uma região específica do Tibia.
    [...]ter o Tibia nas mãos.
    Não sei o porquê, mas os dois trechos me pareceram estranhos. "O Tibia" me parece um tanto quanto errado, visto que imagino "O Tibia" como O Jogo. Busquei um pouco mais e achei no Gênese um trecho:

    Ele uniu-se com a terra que como sabemos é chamada de Tibia.
    A terra é chamada, mas fico em dúvida se não queria ter escrito "do continente de Tibia" e "ter o continente de Tibia" nas mãos. Todavia, esperemos alguém se manifestar sobre isso.
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    [...]– Veio mais cedo Faluae[...]
    Só mais uma vez aquele errinho de vírgula, pra arrumar: "[...]- Veio mais cedo, Faluae[...]".
    Todavia, a história continua fantástica. No começo do capítulo nono, me assustei com a mudança de foco da história, passando de Angela para Érbio. Fico curioso, o foco voltará para a bruxa de laranja?

    Enfim foi interessante saber mais sobre o Pentágono. Mas espero... talvez um pouco mais de ação no próximo capítulo .

    Sinceros parabéns, e boa volta.

  8. #8
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    @Lord Callipso
    Obrigado por indicar aquele parágrafo que não estava em itálico, já fui lá e arrumei :p A caveira "meio rachada" na realidade está trincada, só me faltou a palavra na hora :x Imagine como um copo que bate em algo e racha mas não quebra. Sobre o Tibia, bem, ficou estranho mesmo. Mas podemos imaginar esse o Tibia como o mundo, o planeta ou algo assim, não? Enfim, é uma questão de interpretação, eu acho ._.'

    Obrigado por ter passado e comentado o/ Érbio assumiu as funções desse capítulo porque com certeza ele era o melhor para passar essa história adiante. Infelizmente não posso prometer mais ação nos próximos capítulos visto que há muito para ser completado, mas eu prometo que um dia essa ação vem :x E quem sabe a Angela apareça junto com ela...

    ---
    Aos demais, podem comentar viu ._. Eu deixo.

    Manteiga.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  9. #9
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    Desculpe-me pela demora. Já fui o escritor e sei como é chato esperar vários dias por comentários...


    Por um instante, me senti lendo uma estranha mistura de O Mundo de Sofia com O Silmarillion. O capítulo ficou realmente cansativo e didático, mas admito que conseguiu inspirar curiosidade pelos próximos acontecimentos.

    Na minha opinião, o problema é que o mote parece muito clichê e, de certa forma, infantil. A luta do bem contra o mal é um tema extremamente batido que necessita de renovação. Todavia, é claro que a história pode ser muito boa, só depende da abordagem e nível de profundidade.

    Esse nono capítulo está muito bem escrito, mas algumas partes ficaram confusas, frases repletas de informações embaralhadas ou inseridas fora de contexto (o quarto parágrafo é o melhor exemplo).

    Mais dois pontos:

    • O trecho "pergaminhos enrolados que dormiam alegremente" ficou muito estranho.

    • Tenha cuidado com as vírgulas antes da letra E. Nem todas estão erradas, mas muitas são desnecessárias, apenas travam o texto.



    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Pousou o copo então no mesmo lugar de onde acabar de sair: sobre um paninho imundo dobrado cuidadosamente e localizado diretamente ao lado do tinteiro azulado.

    acabara
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Érbio não podia negar que a cidade possuía uma expressão cultural exemplar, fosse pelas lendas impressionantes que cercavam sua origem e decadência, fosse pela brilhante arquitetura inenarrável que tornava o coração de Yalahar um lugar perturbadora e inapropriadamente belo.

    perturbador
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Na realidade, os saberes não todo e qualquer um que viveu em Saberon no seu tempo de glória.

    são
    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    Edron, Carlin, Venore, Darashia e Yalahar erma agora lugares seguros para se viver.

    eram

    Até!

  10. #10
    Avatar de Meltoh
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    Nossa. Li os nove capítulos Estão bem extensos alguns deles, isso é legal, a história parece se encaminhar para uma grande história épica cheia de ação, então é normal haver muita explicação em partes como o capítulo 9, que por sinal pensei que esse mesmo capítulo estivesse mostrando uma cena isolada no futuro, depois entendi que você disse que teve mesmo um salto no tempo.


    A história está boa, e acredito que mais personagens principais aparecerão com o tempo, não é? Se não aparecerem tudo bem, o Zoroast é um personagem bem interessante. Só não gostei muito da Angela ainda... Mas ainda tem coisas interessantes a se mostrar sobre essa personagem.


    Valeu, e parabéns pela história.

    OBS : Se quiser dá uma olhada na minha história também: Terras Distantes!

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