Quem é vivo sempre (re) aparece
Acho que falar "eu lamento por não ter postado no último mês inteiro nessa seção" não resolve muita coisa. Não que eu ache que deva explicações, até porque isso é um forum de internet, mas eu queria salientar apenas que foi por causa deste tópico. Perid simplesmente o fio da meada da minha história, me perdi nas idéias e fiquei sem ânimo. Setembro foi um mês horrível pra mim. Não que Outubro esteja melhor. Mas enfim, antes tarde do que nunca. Este capítulo finaliza o primeiro ciclo da história (Livro Um).Capítulo Oito
Você tem medo de escuro?
O pesado portão rangeu alto antes de se abrir. Os elfos viraram-se categoricamente para encarar o espaço criado na parede vegetal, avistando o outro lado pela primeira vez em meses. Havia um misto de espanto e ansiedade estampado em suas faces iluminadas. Uma nova era estava iniciando-se ali. Muitos teriam aquilo como um sinal que algo muito grande estaria para acontecer. Os elfos estão abandonando sua terra.
A morte estava próxima. Seu cheiro era perceptível no ar que envolvia a todos no campo. As Tropas das Sombras estavam mais perto do que se imaginava. Era preciso viajar rápido e sem descanso. Todos parecem dividir dessa idéia, pois as carroças puxadas por belos cavalos brancos começaram a avançar pelo verde, em direção ao campo recém-aberto. A multidão começou a imitar o gesto e a seguir em frente. Pouco a pouco todos foram partindo, deixando para trás um vazio que provavelmente Ab’Dendriel nunca antes experimentara.
O pombo cinzento alçou seu vôo no instante em que todos saíram. Suas asas batiam em fervor e seu bico empinava-se para frente enquanto ele lutava bravamente contra a carga de vento que vinha contra seu minúsculo corpo. Jazia amarrado a uma de suas patas um pequeno bilhete branco.
- Não se preocupe – Disse Faluae protegendo os olhos do sol forte que surgira enquanto vigiava o pombo. – Ele já viajou até Venore diversas vezes, vai saber o que fazer. No bilhete estou comunicando nossa partida, da perspectiva de chegada, sobre Raven, Zoroast e você.
- Ele pode ser interceptado? – Indagou Angela acompanhando o pombo com os olhos até o instante em que sumiu no céu.
- Improvável. No tempo em que essa rota era vigiada constantemente por caveiras ele nunca foi visto, porque agora que está vazia ele seria? – Ele fez uma pausa e olhou ao redor, constatando que todos já haviam ido. Só restavam alguns guardas armados perto do portão. Faluae abaixou-se e pegou sua mochila avermelhada e larga que deixara no chão. Passou uma alça pelo torso e virou na direção da clareira distante. – Fico feliz que tenha decidido vir conosco.
- Você praticamente não me deu outra opção. – Ela retrucou, indiferente.
- Por isso eu sou diplomata. – Ele sorriu de leve, da forma tola e breve que os elfos têm o péssimo hábito de fazer. – Onde raios está Zoroast? Tive muito trabalho para fazê-lo aceitar meu convite de se juntar à Unie. O que me falta é ele ter desistido!
Como se estivesse ouvindo tudo e só esperando ser citado para dar as caras, o minotauro surgiu do alto da elevação onde ficava o campo onde haviam dormido na noite anterior. Trazia seu saco bege e sujo e sua maça negra e pronta para o ataque, manchada de sangue seco. Trazia ainda uma expressão cansada na face, olhando fixamente para frente e arrastando os cascos no chão, com as costas levemente curvadas para frente. Bufava a cada passos dado e passou por Angela sem a cumprimentar. Depois falou alguma coisa em sua língua-mãe com Faluae e se aproximou do mesmo modo sem-vida dos portões, olhando feio para os guardas antes de seguir a multidão.
- Que deu nele? Está certo que nunca foi a criatura mais sociável do mundo, mas ele pelo menos costumava me cumprimentar! – Disse a bruxa erguendo uma sobrancelha e coçando o queixo.
- Está emburrado por que queira estar em Darashia, com os outros minotauros. Deixe-o, vai acabar se acostumando à idéia de que sobrou. Mas não se preocupe com ele; temos minotauros na Unie. Ele logo vai se integrar. Teoricamente falando, é claro. – Disse o elfo em um tom alegre enquanto analisava a posição do sol. – Vamos antes que nos deixem pra trás.
Começou então a avançar decididamente para fora da cidade. Angela seguia-o correndo para tentar acompanhar sue ritmo frenético. Em pouco tempo estavam cruzando a floresta escura que precedia a parede vegetal. A multidão em fervura estava logo à frente deles. Já não se podia mais ouvir as carroças. Angela podia observar que os elfos andavam com certa relutância, ora ou outra virando suas cabeças para tentar buscar um pedacinho da cidade. De longe, ouviu-se fechar o pesado portão. Um novo ciclo começa.
O tempo corria e os elfos não diminuíam seu ritmo empolgado. Pareciam determinados a chegar a Venore o mais rápido que fosse possível. Conversavam sem perder o fôlego sobre a natureza e sobre como seria aquela nova experiência tão “rica e culturalmente benéfica para todos”. Faluae já havia se integrado com um grupinho de elfos que andavam mais a frente e deixara Angela no vácuo, andando sozinha para fechar o cortejo. Zoroast estava enfiado no meio da multidão, e a bruxa se perguntava se os elfos estariam o encarando feio. Espero que ele volte a falar comigo logo. Cabeça-dura. Não pôde deixar de sorrir. Estava começando mais um capítulo de sua vida. E era bem neste que ela obteria sua vingança. Pagarão pelo que estão causando a todos nós. E isso era uma promessa.
Foi quando colocou um pé para fora da floresta que ela travou. Simplesmente ficou paralisada com um pé sobre uma raiz retorcida e outro cravado no chão, apoiada a um tronco meio putrefato e coberto de musgo. Seus olhos vidraram no além, acompanhando vaziamente a multidão ir lentamente desaparecendo no horizonte. Suas pupilas estavam se comprimindo em uma súplica para que Faluae se virasse e a visse naquele estado misterioso. Sentiu um vento anormal perpassar seu corpo e agitar suas vestes. Era um vento que trazia presságios malditos. Um forte arrepio congelou todos os ossos de seu corpo e a fez cair de joelhos. Começou a bater os dentes e a tremer de frio, mesmo estando com o sol diretamente sobre sua cabeça. Pode sentir então um rancor e uma tristeza profundos brotarem do fundo do seu coração e irem contaminando cada gota de seu sangue como o veneno faz. Pensamentos raivosos e obsessivos foram tomando sua mente aos poucos, enquanto ela largava a varinha e a deixava rolar para longe. Distante, uma voz desesperada chamou-a bem quando tudo ao seu redor sumiu. Piscou. O campo sumira. Só existia sombra. Estava tudo escuro ao seu redor. Não conseguia sequer ver suas mãos. Sentia-se dentro de um vazio que a consumia rápida e satisfatoriamente. Seus medos foram aflorando e fazendo-a perder a capacidade de pensar. Ela não precisava ver nada para saber exatamente o que estava acontecendo ali. Raven. Sua alma dizia que era isso. O medo que sentia dentro de si era igual ao que sentira quando o vira pela primeira vez.
- Você tem medo de escuro? – Sibilou uma voz cruel e fria em algum lugar da escuridão. Ouviu-se o som leve do farfalhar de penas e um grunhido alto. Uma gargalhada que agia exatamente como o fio de uma navalha. – Aposto que sim.
- Revele-se seu covarde! Vamos! Mostre essa sua cara nojenta para que eu possa queimá-la! – Bradou a bruxa com todas as suas forças. Mas não saiu voz alguma de sua garganta, deixando-a fortemente assustada. Começou a olhar para todos os lados, pronta para atacar, mesmo sabendo que era impossível acertar qualquer coisa naquela escuridão assombrosa. Estou ficando louca ou o que? Começaram então a surgir em sua mente dúvidas bobas sobre o que era verdade e o que não era. A incerteza se estava fazendo o que era certo começava a crescer, junto com uma melancolia profunda por não ter estado em sua casa apara salvar Wyda. Mas nada disso era comandado por ela. Era como se uma força maior estivesse manipulando seus sentimentos ruins.
- Hm... Onde será que eu estou? – Disse a mesma voz de antes, desta vez debochando. – Eu posso estar aqui... Ou posso estar acolá. Quem sabe eu esteja bem atrás de você... Ou posso estar flutuando sobre sua cabeça. – Ao terminar de falar a criatura sempre gargalhava alto, provocando mais e mais arrepios, cada vez mais fortes, tomarem todo o corpo da bruxa. Estou sendo vencida por uma ilusão. Não. De algum modo estranho ela sentia que Raven estava por ali, por perto, apenas esperando ela ficar completamente fora de si. Ela estava tão trêmula que mal conseguia sustentar seu corpo. Ela só não sabia se estava tremendo de medo ou de ódio. Rangia os dentes e sentia um fogo imponente queimar em seus olhos. Seu maior desejo naquele momento era destruir o maldito homem-corvo. E isso atropelava o bom-senso e a racionalidade. Não importava o que iria acontecer com ela depois. O que importava era que ela precisava matá-lo. Sentia como se fosse morrer caso não conseguisse destruir seu inimigo. E isso tomou-a por inteiro, dando-lhe forças para ficar em pé.
- Eu vou te matar seu desgraçado, eu juro pela minha alma que irei! – Ergueu os braços, apontando a palma de cada mão para um lado diferente. Concentrou-se em sua energia mágica, que agora fluía enlouquecida por suas veias, e gritou: - Exori Flam!
Suas conhecidas bolas de fogo foram disparadas, indo na direção do nada e sumindo sem causar danos. Mas ela não se importava. Começou a apontar e atirar para todos os lados, na vã tentativa de atingir seu objetivo. Cada erro lhe dava mais vontade de sentir o cheiro de penas carbonizadas.
- Talvez você deva praticar um pouco mais... Opa! Essa passou perto. Quer dizer, mais perto que as outras. – Raven devia estar se divertindo vendo aquela cena. Uma pontada de razão brotou na mente de Angela naquele instante, fazendo-a refletir sobre a possibilidade de ser justamente aquilo que Raven estava desejando: esgotar sua energia. Então parou de atacar. Houve então um prolongado silêncio assassino no qual tudo pareceu mergulhar em um quartinho sem ar. Angela sentiu sua vida ser sugada pela proximidade perturbadora de alguma coisa muito má. A morte estava chegando para buscá-la e a levar junto de Wyda. Foi fechando os olhos e se entregando ao espírito das trevas que consumia-a por inteiro. Leve-me, por favor! Tire-me deste universo tão mundano!
Lágrimas foram aflorando de seus olhos com força inominável, rolando por sue corpo. Mas tais gotas de água, tão puras e inocentes, congelavam antes de chegar ao seu busto. E depois caíam ao chão, como granizo. Suas pernas estabeleceram um ritmo de tremedeiras constantes que pareciam dispostas a jogá-la ao chão. O escuro ia a envolvendo cada vez mais, penetrando em sua pele e rasgando suas entranhas. A agonia foi crescendo até existir somente ela em sua mente. O fim chegara. Mas toda aquela malevolência concentrada fazia Angela perceber a proximidade de Raven. Sabia que ele estava ali, ao sue lado, encarando-a como o leão que afugentou sua presa no deserto. Ela podia sentir em seu cangote o ar nojento que saía do corpo transfigurado daquela coisa. E isso foi sua salvação.
- Não... Deixarei... – Murmurou ela com o peito em brasa. Cada sopro de ar que saía de sua garganta queimava-a.
- Sua longa jornada termina aqui. – E dizendo isso, o corvo pousou sua mão podre no na dela. E então aconteceu. Fora tudo muito rápido. No instante em que os membros se encostaram, uma energia púrpura anormal brotou dos dedos da bruxa e penetrou no corpo do ser, fazendo-o urrar de dor. Era como se milhões de raios convergissem dentro de sua boca. Fechou os olhos e grasnou alto, como nunca antes fizera, caindo de joelhos e implorando que Zathroth tivesse piedade dele. Então deitou-se de lado, tendo espasmos e vendo seus membros moverem-se involuntariamente de um modo débil. Começou a cuspir sangue.
Angela, por sua vez, nada sentira ao toque de Raven. Simplesmente foi sentindo tudo que a havia infestado nos últimos minutos – que confundiam-se com eternidades – esvair-se rapidamente. A agonia, a tristeza e a dor foram evaporando junto com a escuridão eterna, que vacilou até desaparecer por completo. Sentiu o ar voltar com força aos seus pulmões e o sol tomar seu corpo, fazendo o sangue correr de novo. Ela endireitou-se e sorriu de leve ao deixar a ilusão criada pela criatura.
- Jamais permitirei que toque em mim, infeliz. – Ela falava para o alto, em direção ao céu, pois não se via corvo algum ali. A única evidência da passagem, mesmo que momentânea, de Raven por ali, era um punhado de penas negras e familiares dispersas na grama amassada e infestada com algumas gotículas de sangue.
O que de fato acontecera, ela não sabia explicar. Raven simplesmente estivera ali, e ela sabia que era verdade. Ele fizera o possível para destruí-la. Mas falhara miseravelmente quando tocou em sua pele. Wyda me salvou. De algum modo, ela intercedeu por mim. Levou alguns segundos para recuperar sua total capacidade motora e mental. Então seguiu lentamente até o local onde estava sua varinha, deitada, inerte. Agarrou-a e arrumou o chapéu na cabeça. Lançou um último olhar para as penas negras jogadas ali e cuspiu sobre elas imediatamente. Restos de lixo. Agradeceu uma última vez pela proteção que Wyda supostamente lhe concedera e virou-se para o sul, para recomeçar a sua caminhada.
Foi só então que percebeu que era de noite e que ela estava completamente sozinha ali.
Fiz mudanças importantes. Encurtei muito A Cadeira de Cristal de modo que eu ainda possa ter alguma motivação para escrever a segunda das cinco partes que A Espinha terá. Nesse ritmo até 2012 terminamos, haha.
Bom, sobre o capítulo, simlpes e bobinho, sme muita coisa para falar. Ainda estou temeroso sobre escrever capítulos muito grandes como o Kamus faz em Ferumbras, isso pode ter deixado a cena narrada insossa e aparentemente inútil. Mas ela determina os rumos da história daqui para frente. A próxima atualização virá quando eu sentir que estou pronto. Pode ser semana que vem, pode ser mês que vem. Pode ser nunca mais.
Pra terminar esse momento agonia, DESDE QUANDO EMANOEL É SUB-MODERA? Não me chamaram pra festenha per quê? Não gostam mais de mim (algum dia gostaram?)? Tem algo contra meu nick, minha família e minha casa? Anyway, gratz tio Papis Noélis. Agora a seção se salvará o/ Ou irá pro poço de vez :*
PS: Revivi o tópico, mas como atualizei isso não é flood neah? :x
Manteiga.
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Droga Ldm, estragou minhas ilusões. Brinks :x Agradeço por ter passado mais uma vez! Pode esperar que logo eu posto de novo :p
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