É... double post... :triste: Terminei de digitar o 4, leiam e comentem. Pretendo em breve pôr o 5 também, quando sair da cabeça, né? :rolleyes:
Capítulo 4 – Confissões
-Querido, você está bem?
As leves sacudidelas de Margareth retiraram Iluminista de seu sono suavemente. Com a voz rouca, ele respondeu:
-Hum... não, Margareth. Mas, preciso ir – agora, com os olhos bem abertos, ele se levantou devagar e já se preparava para partir. Porém, a mulher ao seu lado segurou seu braço fortemente. Impressionado com a pressão projetada por uma velha senhora, observou-a falar:
-Não irá a lugar nenhum, meu rapaz. Precisa saber de algumas verdades. Sente-se aqui, e eu lhe esclarecerem tudo o que puder.
Sem esperar o tom sério da mulher, Iluminista parou e sentou novamente, seguindo a ordem de Margareth.
-Filho – sim, ela se considerava sua mãe – não tenha vergonha de você mesmo. Não tem culpa de tudo isso.
Ela levantou sua mão levemente ao ver que ele abria a boca para contra-argumentar. Continuou:
-Tenho certeza de que não sabe o porquê do interesse daqueles vampiros pela minha família. Se me deixar falar, descobrirá – após uma breve pausa para tomar fôlego, disse – Quando a pousada pegou fogo, aqueles dois idiotas, os causadores do incêndio, me sequestraram, levando-me para as proximidades da cidade. Como viu, queriam informações. Deve estar se perguntando: “Por quê?” “Quais seriam suas intenções para com uma pobre velha?” Bem, vamos ver se adivinhará. Querido, você conhece a história de Marx Chacal? Pois sim. Ele foi era meu bisavô, ou melhor, é. Escondido até hoje em sabe-se lá onde, ele foi o primeiro lupino a liderar uma guerra contra vampiros e ter seu exército vencedor. Causas do conflito? Um simples disputa por sangue entre Marx, o macho Alfa e Klifos, o primeiro dos Nótus. Apesar de ter ganho a horrível guerra, Marx se refugiou em algum lugar pela maioria desconhecido, pois a seita queria vingança e meu bisavô estava só, todos os outros se foram.
Fez-se uma alongada interrupção:
-Sinto dizer-lhe, mas é nesse momento que minha narrativa ganha imensas lacunas. As informações que lhe dei podem ser facilmente encontradas em livros da história tibiana. Porém, não faço ideia de onde meu bisavô esteja... Sei que vive, pois nós, lobos, temos os sentidos muito apurados quanto aos semelhantes, principalmente quando se trata da família. – sua voz embargou-se, mas ela continuou - Nasci na própria cidade de Carlin, numa época difícil. Corria mais um pesado conflito essas duas raças – Margareth pigarreou, os olhos baixos – meu pai fora para a guerra. Simplesmente suas origens o convidavam a lutar ao lado dos lobisomens. Infelizmente, nunca mais voltou, e fui criada somente por minha mãe.
A essa altura, sua face molhava-se de pequenas gotas salgadas. Iluminista estendeu seu braço pelas costas da senhora, a fim de acalentá-la.
-É- é difícil lembrar... dói em meu peito... mas prosseguirei – ela endireitou-se por sobre as pernas e prosseguiu – eu crescia cada dia mais, como uma criança normal. Abrigava-me no porão de casa quando a guerra deslocava-se para dentro da cidade, sentia medo. Sim, isso era o padrão para qualquer um de Carlin naquela época. Aos meus quinze anos, porém, algo intrigante aconteceu. Sentia meu corpo formigar, minha visão turvar-se. Então veio a transformação. Sim, eu era como meu pai. Diferente, feroz. Tinha nojo, medo de mim mesma. Principalmente quando...
E ela parou, faltava-lhe voz. Seus olhos agora eram marejados de lágrimas, e suas mãos tremiam descontroladamente.
-Ah, foi terrível! A cidade inteira soube... Tudo aconteceu em uma noite nebulosa. Ela castigara-me por ter chegado em casa tarde demais, muito após o toque de recolher. A raiva, o furor vieram à tona. Quando dei por mim, já ia rua afora, urrando de forma horrível.
Iluminista encontrou o olhar vazio de Margareth Chacal, enquanto esta cerrava os punhos fortemente.
-A notícia do assassinato correu como uma flecha por Carlin. Eu me escondera nas profundezas dos esgotos da cidade, desejando que toda aquela fúria que me acometera naquela noite voltasse, apenas para que eu pudesse rasgar meu próprio peito e acabar com tudo. Por muito não ousei sair de onde estava. Alimentava-me de restos de comida e bebia a água de um pequeno rio subterrâneo que encontrei, muito abaixo dos esgotos. Assim fui seguindo, corpo vivo, alma já perecida. Os anos se passaram. Sentia estar envelhecendo a cada dia. Subi a Carlin novamente, talvez renascida. – uma pausa, e Margareth fitou-o com ternos olhos – convido-o a renascer também.
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