E eu fiquei esperando mais um comentário antes de postar a continuação =/
Nah, não desisti. Tenho 20 páginas de texto no Word até agora. Pretendo tentar publicar como livro quando acabar. Btw, o prólogo não deixa muitos mistérios.
Obrigado pelos comentários.
Capítulo 1
LOUCOS
#1
- Henry, sente-se. Realmente não pensei que você talvez fosse atender aos meus pedidos... É claro que ainda não foram totalmente atendidos, mas somente ao você vir se juntar a mim... É um progresso, não é?
- Não atenderia súplicas, caso não fossem do senhor. Tenho respeito por todas suas teorias. Mas não entendo, por mais que releia sua carta.
- Ora, esperava mais de você, senhor Henry. Eu conheci o seu pai, homem extremamente inteligente... Bom, não vamos mudar de assunto. Mas presumo que você tenha entendido a essência da carta, ao menos?
- Entendi que você quer que eu pare de caçá-lo... Mas por quê?
- Você realmente não entendeu nada do que eu escrevi. É melhor puxar a cadeira, pois será uma longa conversa... Ou assim espero.
Henry mantinha as mãos cruzadas no peito, em pé no escritório de Brandon. Depois de muita hesitação, puxou uma cadeira marrom-escura e sentou-se, com uma mesa o separando do doutor, que era um tanto quanto velho, tinha cabelos grisalhos e olhos amarelados.
As estantes que preenchiam as paredes estavam lotadas de livros catalogados e ordenados, arquivos com fichas e remédios. Na mesa de vidro, um grande livro negro intitulado Raízes ocupava grande espaço, ocultado parcialmente por um punhado de folhas de ofício e uma caneta solitária, com uma propaganda de Aspirina. Brandon massageou levemente embaixo dos olhos antes falar:
- Eu considero a loucura como uma dádiva. Claro, em circunstâncias em que ela não pode fazer um homem destrutivo. É só dar o habitat que combine com a insanidade dele que estará tudo bem. Salvo exceções, os loucos são mais honestos que os homens normais; não roubam...
- Espere aí. Você está me dizendo que os loucos são realmente melhores que os "normais"? - riu, afrouxando o nó da gravata.
- Henry. Você riu porque ficou nervoso, e afrouxou o nó da gravata pois começou a suar diante da perspectiva de eu estar ficando louco. Não é difícil para mim interpretar esses seus sinais. Talvez eu não use métodos comuns, mas vamos admitir: Você cedeu um tempo em que poderia estar investigando para me ver. Acho que sou algo, mesmo se não para você, para o mundo. Se não se incomoda, posso introduzi-lo a uma história para depois continuarmos?
O policial assentiu, com os braços cruzados e um pingo de suor escorrendo pelo rosto.
"Um dia, um louco perguntou-me:
- Loucos admitem que são loucos?
- Não - eu respondi.
- Pois eu sou louco. Então, segundo a lógica, eu não sou louco porque admiti ser louco.
Após aquele dia, eu libertei-o. "
- Está me dizendo... Que esse homem, que você soltou do hospício, é Seth?
- Exatamente. Mas, por favor, não se refira como hospício. Sabe que é uma palavra muito forte... Mas, mudando de assunto, Seth é, sem dúvida, o homem mais inteligente que eu já conheci.
- Ele é LOUCO! - exclamou Henry, projetando a cabeça demasiado para frente enquanto gritava.
- Eu sou louco - Walker falou visivelmente sério, porém com um fino sorriso esboçado no rosto com uma teia de rugas.
- Eu não vim aqui para perder meu tempo com essa conversa fiada, doutor. Então é melhor começar a falar antes que eu vá atrás dele.
- Eu sou louco. A sociedade, antes de eu ficar famoso, considerava meus métodos e idéias irregulares, a ponto de que já fui - contra a minha vontade - para psiquiatras quando mais jovem. Eu ainda não era um psiquiatra, apenas enfermeiro, mas tinha vontade de ser, e por isso aproveitava as visitas para tentar aprender como ajudar sobre a loucura e problemas humanos. Apesar disso, sempre achei todos os profissionais que visitei completamente ingênuos e pouco úteis. Deve ser porque eles nunca foram sinceros, sinceridade minha que visivelmente te deixa desconfortável.
Henry Jones remexeu-se na cadeira, antes de começar a falar algo. Os seus lábios se mexiam rapidamente, mas só murmurava coisas sem nexo e expressões que lembravam "hã"s. Finalmente, conseguiu murmurar:
- Mas o que tudo isso tem a ver com Seth?
- Você, muito mais do que eu, presumo, está á par do caso. O que ele fez é imperdoável para uma pessoa. Uma pessoa normal.
- Você mesmo disse que ele é a pessoa mais esperta que você conheceu. Porque então teria alguma diferença se ele não fosse louco? Ele apenas tem uma condição especial.
Walker empurrou o livro negro para Jones. Fez um gesto, convidando-o a abrir. Henry, um tanto quanto receoso no início, tirou os olhos do psiquiatra e focou a capa. "Raízes. Nome estranho.", pensou vagamente. Mas a contracapa colocava - justamente onde deveria estar Raízes - da loucura. Olhou para o doutor desconfiado e apreensivo, um tanto quanto retraído. Não fora o nome que despertara esses sentimentos nele, fora o autor.
- Brandon Walker. Você escreveu o livro, mesmo?
- Sim. Apesar de que imprimi pouquíssimas dessas aí. São extremamente úteis e contém a maioria dos segredos da loucura. Todos os segredos que me fizeram bem-sucedido. Apesar de que também conheço muito bem o comportamento humano. - apesar de não completar a frase, Walker pensou que o policial era ou preguiçoso ou machista. Não aparava a sobrancelha, apesar de ter vários pêlos rebeldes. Um ou dois fios escapavam do nariz e da orelha, e sua barba estava por fazer. "Machista.", concluiu. A mão que segurava o livro, incerta, tinha as unhas bem aparadas e limpas. Quase podia escutar o homem à sua frente falar com sua voz aguda e alta "Putz, que coisa de bicha tirar pêlos!".
Ele estava folheando o livro quando Walker falou, pacientemente, que achava que tudo o que deveria dizer já havia sido dito. E emprestou o livro para o policial:
- Fique com ele até terminá-lo... Mas lembre-se: Não persiga Seth até ter terminado. Ou, ao menos, não o prenda.
Jones levantou-se, dessa vez um pouco mais à vontade. Agora nutria certa simpatia com o louco à sua frente. Apesar de agora não mais acreditar em suas teorias.
-
É isso, pessoal. Não sei se há erros de português, e possivelmente haverão mudanças nesse capítulo posteriormente, mas isso somente se eu chegar a terminar a história, porque talvez o final interfira um pouco no início.
Abraços.
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