capitulo 7 : desânimo
“Ele não evoluiu em nada, só pensa em matar. Com o ódio em seu coração, ele se torna um tolo e não vê. Já não posso lhe ensinar, mas conheço quem pode. Vou lhe tornar um homem de verdade e o entregarei a um novo mestre e, se ele não lhe mostrar a verdade sobre a vida, estará Grifft perdido para sempre.”
Dark voltou de sua pequena viagem em seus pensamentos resmungando e fitando seu pupilo. Este, estava sentado sobre uma pedra a alguns metros, admirando os corpos das criaturas que havia matado.
Grifft realmente não evoluiu desde que aprendera seu último feitiço. Sua melhora foi somente na área de batalhas, diferentemente do que Dark planejava, que era uma evolução espiritual para que ele se tornasse uma pessoa digna, não uma máquina de matar criaturas, como era até agora.
Desde o dia da batalha contra o Warlock, mestre e pupilo moravam em uma planície no meio do deserto, um oásis que, de tão grande, podia ser chamado de floresta. O lugar tinha uma variedade enorme de plantas, diversidade de criaturas e várias cachoeiras, embelezando ainda mais o ambiente. Lendas e velhos contos descreviam o oásis e seus mistérios mas, apenas uma delas era realmente fascinante: A de um dragão muito poderoso com o poder de controlar as águas, viver naquele lugar.
Grifft insistira várias vezes para que seu mestre o levasse até o dragão aquático, que era conhecido nas lendas como Hydra. Porém, Dark sabia da intenção de seu pupilo, que era a de matar o lendário dragão, e sempre respondia: “Eles são criaturas puras de espírito, Não reles experiência em batalha para aventureiros.”
* * *
– Grifft, vá se arrumar. Hoje iremos à cidade. – gritou Dark.
– O que!? Iremos à cidade? Verdade mestre? – Grifft perguntou.
Em seus pensamentos, seu pupilo precisava conhecer verdadeiras mulheres, já que, as únicas que ele conhecia eram: sua mãe e as aventureiras e vendedoras de Rookgaard. Então, pensou em levá-lo a um pequeno e conhecido bordel, mas não isso não foi preciso.
Na cidade havia alguns lugares freqüentados por mulheres aventureiras, sem um pingo de honra ou amor próprio, que iam a procura de uma bela noite com qualquer homem que lhes fossem agradáveis. Elas não podiam ser chamadas de meretrizes pois, faziam isto por escolha própria, sendo que, em sua maioria, só para ter um bom homem para preencher o espaço vago de suas cama, nem que fosse só por uma noite.
Suon estava caindo por de trás das montanhas e seus raios incidiam debilmente na cabana usada como casa por Grifft e Dark, quando Dark exclamou:
– Está pronto Grifft?! Como você é enrolado!
Atrás de um pequeno espaço cercado por uma cortina, o quarto de Grifft, seu pupilo se arrumava vestindo uma roupa que há muito não usava: uma vestimenta especial para festividades ou eventos importantes.
– Já vou mestre, já vou.
Grifft saiu do quarto usando um colete azul sobre uma camisa branca e calças pretas e desbotadas mas que lhe caíram bem no corpo robusto. Os cabelos loiros e encaracolados atingiam os ombros que, de tão mal cuidados e ressequidos pelo sol, combinava com o resto da roupa. Seu rosto, alvo como a neve, carregava um semblante risonho pois seria a primeira vez que colocaria os pés na cidade.
– Ficou até bonito. – Disse-lhe Dark ao analisá-lo de cima a baixo.
– O senhor também está belo. – Respondeu o pupilo em tom cordial. Grifft não era muito educado mais tinha os modos básicos de educação que lhe foram dados pela mãe.
Após os elogios e os sorrisos de satisfação, saíram.
* * *
– Olá! Entrem e sentem-se. – Disse um senhor que estava atrás do balcão. Na porta Grifft e Dark se encontravam parados, olhando o interior do estabelecimento, que tinha algumas mulheres e rapazes tomando canecas de cerveja. O lugar era pequeno, com mesas e cadeiras empoeiradas e encardidas, um balcão que ia de uma extremidade a outra da parede frontal e um cheiro de urina que impregnava os cantos.
Ao adentraram na taverna, sem retirar os olhos das mulheres que ali se encontravam, sentaram-se em uma mesa ao canto direito da porta. Grifft ficou beneficiado quanto a posição de sua cadeira, já que esta se encontrava de frente para o resto do lugar.
Fixando seus olhos na mesa a sua frente, ora olhando as curvas das mulheres, ora fitando-as nos olhos; ele provocou comentários e sussurros:
– Olhe que HOMEM – Diziam elas e depois suspiravam olhando o robusto corpo de Grifft.
Depois de alguns minutos, duas entre as outras se aproximaram. Uma delas era loira, cabelos lisos, curvas bem definidas e de aproximadamente 23 anos, segundo o que seu corpo e rosto lhe indicavam. A outra era mais alta e com o busto mais amplo, agradando principalmente a Dark, que se sentia fascinado pôr mulheres de seios volumosos.
– Olá. – Disse a mulher loira. – Meu nome é Rose e está é minha amiga Paula. Podemos nos sentar com vocês?
– Opa, claro! Que descortesia a minha. – disse Dark se levantando e puxando a cadeira para Paula. Rose esperou a mesma atitude de Grifft mas este não o fez, fazendo ela mesma puxar sua cadeira. A atitude sem cavalheirismo da parte dele só fez fustigar mais o desejo da mulher, pois esta adorava homens mais rudes.
A conversa foi agradável e as horas passaram-se rapidamente. Entre uma caneca de cerveja e outra, vários assuntos foram abordados: desde o perfume das flores na primavera até a arte da batalha. Neste último, Grifft saiu-se super bem, como já era esperado por Dark.
– Já está na hora de irmos... – Falou uma das garotas. – Poderiam vocês nos acompanhar até nossa casa? Pois já esta tarde e vários são os bandoleiros que se ocultam na escuridão para fazer mal a quem passe pelos becos e ruas pouco movimentadas...
Na verdade, as duas eram hábeis paladinas e sabiam se defender muito bem, mas a desculpa apresentada era para atrair os dois homens a sua casa... Tudo isso já esperado e premeditado por Dark.
– Sim, claro. Afinal não deixaremos que nada de mal vos aconteça, não é Grifft? – Disse Dark olhando para seu pupilo.
– Sim, sim.
– Então vamos. – inquiriu Rose.
Os 4 caminharam até uma casa na periferia da cidade, ao chegar Paula abriu a porta e disse:
– Dark poderia vistoriar meu quarto, afinal nunca se sabe se oculta algum ladrão. – Pediu Paula, com um sorriso no rosto.
Vinte minutos já se haviam passados desde que seu mestre entrara no quarto e neste momento só se ouviam o ranger da cama e gemidos abafados.
– Como meu mestre demora nesta vistoria, será que está acontecendo algo? – disse Grifft. Ele estava sentado na beirada inferior da cama de Rose.
– Grifft, tenho um pequeno machucado aqui. Poderia olhá-lo para mim? – Disse Rose, abaixando o decote e mostrando parte dos seios ao rapaz, fustigando a mão dele contra seu busto.
– Posso ver, mas digo-lhe: sou novo neste ramo...
A luz da lamparina se apagou e a noite foi doce para ambos. Não vou lhes contar a primeira experiência sexual de Grifft simplesmente por não ser relevante.
* * *
Suon se apresentou no céu e Dark há muito já havia acordado. Foi procurar ter com o novo mestre de Grifft.
Correu até as planícies onde morava com seu pupilo e chegou a uma grande distância, até alcançar uma grande escadaria ao lado de uma enorme cascata. Uma música de letra não inteligível ecoava no ar.
Dark avistou o enorme dragão de 3 cabeças que as lendas chamavam de Hydra. Com uma profunda reverência ao tocar o solo com ambas as mãos, gritou para o ser inatingível em cima da vasta cachoeira:
– Chamai a vingança de Tiquanda a minha presença, eu lhe peço senhor das cascatas.
A criatura de pele esverdeada era um dragão de três cabeças. Seu espírito puro e limpo o possibilitava a compreensão da linguagem humana, mas não era capaz de falar em nossa língua.
Um urro partido do bicho ecoou mais alto que o marulhar da cachoeira. Neste momento o vento parou e até a água em queda congelou-se no ar. Foi como se a floresta inteira curvasse-se diante do ser que se aproximava.
– Há quanto tempo meu velho. – Disse o grande e lendário animal verde.
– Creio que realmente muito tempo se passou e que.... – A fala de Dark foi interrompida.
– Sei de tudo! Que estas com um jovem, que é seu pupilo e que ele tem o espírito inquieto e mata tudo que vê... O que não me agrada.
– Sim, mas ele nada cresceu nada no sentido maior que a vossa senhoria me ensinou. Por isso, peço-lhe que o tome como pupilo.
– Eu? Já não tenho mais pupilos.
– Sim eu sei Gran Mestre, mas releve. O atraia até aqui e o ensine em nome de nossa velha amizade.
– Não sei... Sou um espírito velho e aturdido, não sou mais o mesmo de antes, estou rabugento.
– Eu quero que lhe dê o treinamento mais duro possível e que o transforme em um grande homem. Afinal, o senhor sabe do... –novamente Dark foi cortado no meio da frase pela voz da criatura.
– Sim. Do feiticeiro. – Falou indiferente. – Verei o que poço fazer, mas lembre-se: o ensinarei como se ele fosse meu último pupilo. Então, lhe darei informações que nem você sabe.
– Que assim seja! Só peço-lhe um último embate e ai... Ele é todo seu.
Dark saiu caminhando pensando que desafiaria seu pupilo a um duelo para lhe mostrar a verdadeira magia, e depois do duelo partiria para longe. Após alguns minutos, sumiu no horizonte indo buscar Grifft da noitada.
corretor: Davidson Gomes. meu pé de coelho.
SEGUINDO A LUZ.







Curtir: 





Responder com Citação