Capítulo 2
- Não tenho certeza. - respondeu o mago sinceramente. - Encontrei-o agora a pouco na biblioteca do deserto e esbarrei em você quando estava começando a ler.
- Esse é um livro sobre uma espada raríssima, e esse livro é tão raro quanto ela. Devemos levar o mais rápido póssivel ao governador de Venore, Abran Ironeye. – responde o paladino engolindo sua saliva.
Após terem se esbarrado, Rasunik e Zontix já pareciam grandes companheiros de longa data. Talvez porque ambos não possuíam muitos amigos...
Então, foram correndo em busca do governador.
- Eu não podia imaginar, Tenente. Achei-o interessante pela sua forma. Mas como um livro dessa importância foi parar lá? O que diz a história do livro? – pergunta Zontix indignado.
- É isso que eu quero saber! Não faz nenhum sentido... E cadê o governador quando mais precisamos dele! – Responde Rasunik correndo e olhando para todos os lados.
Quando os dois chegaram a uma loja a leste do portão de onde vieram, a chuva já havia parado e o tempo estava abrindo. O arqueiro cansado e ansioso pergunta pelo governador a um dos vendedores, e ele responde:
- Sorte de vocês el...
- Fale pelo amor de deus! – dizem os dois interrompendo um dos vendedores em tom grosseiro e com a cara fechada.
- Calma calma. Ele está neste momento um andar acima de nós. Ele vem aqui todas as tardes para descansar. Que grosseria...
Ainda encharcados por causa da chuva, subiram os degraus da escada e entraram em uma sala com nada além de uma mesa, algumas cadeiras, e algumas tochas desnecessariamente acesas. O céu já estava claro e Abran Ironeye estava de pé ao lado da mesa.
Ao entrar na sala, Zontix virou seus olhos para a esquerda sem mexer o rosto suado e ao mesmo tempo molhado por causa da chuva e viu um homem ao lado da mesa. Era Abran, com sua expressão fria e no lugar de seu olho esquerdo, havia um olho de metal o que assustou o mago no começo.
Abran estava com os olhos fechados e com a cabeça baixa. Mas já sabendo que havia alguém em sua sala, levanta lentamente sua cabeça para a direção de Rasunik, abre os olhos e diz:
- Tenente Rasunik! O que traz você e seu amigo aqui? Perai – diz o governador olhando analiticamente para o mago que carregava um livro grande no meio do braço direito. - Eu conheço você de algum lugar?
- Não temos tempo para isso, olha...
Enquanto Rasunik tirava a corda de seu arco e colocava cuidadosamente em um canto da mesa, Zontix tirou a mochila de suas costas, puxou o livro de seus braços, o colocou na mesa também e, sem piscar, ficou olhando fixamente para o governador do mesmo modo que um leão olha para sua presa.
Abran olhou o livro. E olhou outra vez. E mais outra. E quando os dois guerreiros pensaram que Abran não ia responder, foram surpreendidos:
- Hmm, bonito livro, realmente. Mas o que tem demais?
- Não está vendo a marca? Não reconhece? - disse o arqueiro com cara de decepcionado.
- Não! – diz o governador envergonhado.
- Abran, esse livro é sobre uma espada que dizem ser a mais poderosa de todas. Pelo que ouvi, foi forjada pelo Sweaty Cyclops e desapareceu. Os elfos de Ab'Dendriel suspeitam que ela foi roubada, é tudo que sei. E o livro está diretamente ligado a ela e provavelmente poderá nos dizer onde ela está. – revelou.
- Nossa! – diz o governador surpreendido. - Agora entendo as caras de espantados quando entraram aqui em minha sala! É, bom, chamarei todos os guardas aqui em minha sala. – diz já gritando pelo seu mensageiro. - O melhor que temos a fazer é enviar o livro para o rei em Thais.
Cada minuto que passava, pareciam dias para os dois aventureiros.
Não houve conversa nesse espaço de tempo. Zontix abriu o livro para ler, enquanto Rasunik afiava suas flechas elegantes com penas de ganso e o governador olhando pela janela aguardava a chegada dos guardas da cidade.
Então, sete guardas chegaram. Seus nomes eram Arnold, Jean Claude, Sylvester, Warbert, Alwin, Christopher, e por último, Baird. Estavam bem armados com suas espadas longas e cortejantes, sentindo a importância do que os trouxera ali. Baird parecia liderar o grupo.
Óbviamente, no lugar onde os guardas estavam de sentinelas, foram posicionados outros, porém menos competentes.
Abran chama a atenção de todos e diz bravamente:
- Tenente e seu amigo, levem o livro ao rei! Ele lhes dirá o que fazer. Guardas, escoltem-os em segurança até Thais. Essa missão é de extrema importância. Estão dispensados! Mas por hoje, presumo que estejam cansados e queiram uma boa cama e comida. Mas vocês deverão partir antes do amanhecer!
E assim seguiram Sylvester ao alojamento para soldados, localizado ao sul de Venore. Era um lugar grande, mas não muito confortável, porque soldados não podiam amolecer. Sylvester disse que ficaria de guarda durante a noite, e assim todos foram deitar, tranqüilos.
Não conversaram muito. Rasunik, como sempre faz, colocou seu crucifixo ao seu lado, ergueu as mãos sobre a cama dura e desarrumada, e rezou pela paz mundial. Zontix ficara pensando sobre os eventos do dia, e estava ansioso por aprender mais sobre o livro e as técnicas dos outros soldados no dia seguinte.
A infância de Zontix não foi muito feliz, mas ele não ligava. Vivia no meio dos elfos, em um orfanato, onde o dono lhe disse que ele era um filho bastardo e seu pai gostava muito de Ab'Dendriel e o deixou para viver na "cidade verde", como era chamada. Não conheceu nenhum de seus pais. Como um humano, era discriminado. Mas os elfos claramente sabem muito mais sobre a magia do que os humanos, e foi em Ab'Dendriel que ele aprendeu não só a magia, mas também a língua dos elfos e a dos humanos, claro. Fugiu aos 15 anos, apesar de gostar da cidade em si, que foi construída no meio da floresta e suas casas feitas no meio das árvores, sem derrubar uma sequer. Conseguiu o seu lugar no clan de magos em Thais facilmente.
Hoje Zontix trabalha para o rei. Tem 26 anos e seu trabalho é aconselhar no que ele deveria fazer, mas a verdade é que o rei nunca lhe deu ouvidos, pensava ele, relutante. O mago sentia-se desprezado pelo rei e o odiava. Já que só fora contratado por causa da insistência do clan de magos, que queriam participar de alguma forma no reinado, Zontix tinha muito tempo livre, o que o levou a escrever sobre a história do continente. "Acho que no começo dos tempos a ilha de Darama inteira, Edron e o continente Tibia eram apenas um só". Pensava com seus botões.
E foi o que o levou à biblioteca do deserto. Diziam que nela estavam os livros mais antigos do mundo e o mago tinha esperanças de achar algum indício de que seu mundo fora antes uma pangéia. E foi aí que encontrou Rasunik.
Rasunik por outro lado, nasceu na mesma cidade que ali estava, Venore. Desde pequeno tinha o sonho de ser como seu pai, um paladino profissional que conseguisse até mesmo matar dragões. Mas algo triste aconteceu quando Rasunik completou sua primeira década de vida. Um dragão vermelho, com olhos grandes e verdes destruiu todo seu vilarejo que ficava a norte de Venore, onde mais tarde as amazonas criaram um novo vilarejo por cima do destruído. Esses dragões são também conhecidos como líderes dos outros tipos da sua espécie. Eles são mesmo mais poderosos e normalmente aparecem com outros tipos de dragões em sua companhia. Assim como os outros dragões, podem jogar bolas e ondulações de fogo e se curam, mas além disso atacam com grandes e poderosas bombas de fogo. O pai de Rasunik e mais alguns homens tentaram combate-lo, porém, todos morreram.
Desde aquele dia, o paladino treinou durante 15 anos na academia de paladinos. Também aos 10 anos, começou a estudar a língua dos anões. Pois todos sabiam que os anões sempre foram inimigos dos dragões e o único motivo de eles se esconderem nas cavernas de Kazordoon foi porque as criaturas imensas estavam destruindo seus vilarejos. Quando se tornou um paladino profissional, jurou que nunca desistiria até encontrar e acabar com a vida do dragão que vira matando seu pai. Rasunik geralmente passa todas suas manhãs nas Planícies de Havoc. Alguns anões dizem que seu inimigo e também inimigo deles vive por lá. O arqueiro procura pelo seu dragão, e só batalha com um dragão se for atacado, porque estes são seres muito fortes. Além disso, seu trabalho é exterminar os Wyverns porque, como todo mundo sabe, são muito agressivos e não hesitam em atacar qualquer humano que vêem. O trabalho lhe fora dado pelo governador Abran Ironeye, e Rasunik ganhava bem.
Foi então que, aproximadamente 120 minutos antes do amanhecer, o arqueiro acordou com um barulho, que aos seus ouvidos atentos parecia ser uma briga no portão sul, à direita do acampamento. Logo em seguida, ele se levantou da cama, estendeu os braços e rapidamente mexeu o mago para acordá-lo, e nesse mesmo momento, ambos se entreolharam ao ouvirem um grito de socorro.
Não precisaram dizer nada. Zontix pegou sua mochila e enfiou o livro dentro dela, enquanto Rasunik colocou a corda em seu arco, pegou sua mochila e suas flechas.
Continua no próximo capítulo!
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