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Tópico: Amor Eterno...Conflitos Insolúveis

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  1. #1
    Eu não floodo. Você sim Avatar de Dard Drak
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    OMG, Dard Drak está doente?¿ Não deu nem uma semana e já está postando novo capítulo!!
    Esse foi dificil de fazer...não de escrever, mas por causa do PC mesmo...reiniciou 4x enquanto eu passava pro Word (que trava depois de uma hora de uso), então foi chato pra caramba =/...
    Capítulo 8 – O Plano





    As palavras ditas por João Carlos soavam como um trovão em meus ouvidos. Assaltar, o banco?

    - O que... Mas, onde o livro entra na história? – Pergunto, ainda pensando em suas últimas palavras...

    - É aí que ele entra! Foi um modo que Rafael achou para entrar em contato comigo, dias atrás...




    **********





    Duas semanas se passaram desde aquele fatídico “encontro”.
    Ficam rondando minha casa, me vigiando, e nada posso fazer... Paula não suspeita de nada, só Maria, que estranhou ver sempre o mesmo carro dando voltas pela rua, mas a conveci que estava trabalhando demais, e que precisava descansar um pouco...

    Não tenho mais privacidade. Não consigo conversar com ninguém sem eles estarem ouvindo e vendo tudo. Depois daquele dia não falei mais com João Carlos, mas precisava de sua ajuda, já que não podia ir à polícia. Mas, como pedir seu auxílio sem eles saberem? Impossível...

    Mais um dia de trabalho. Pego meu carro, saio para a rua e logo atrás vem ele: Ícaro, rapaz franzino, que nem de longe se parecia com um bandido, me seguia, dirigindo um Corsa branco, ficando sempre à pelo menos dez metros de distância de mim.

    Todo dia faz isso. E todo dia tenho que me conformar com a situação. Talvez seja melhor aceitar logo o que eles pedem...

    Sinal vermelho, paro. Observo as pessoas ao meu redor: Em um Gol vermelho, vejo um homem, de aparentemente uns trintas anos, falando no celular enquanto dirige, que idiota... Do outro lado, observo um corcel azul, e uma bela mulher ruiva no volante, em companhia de um jovem rapaz no banco de trás, lendo um livro... Mal sabem pelo que estou passando... Demoro para conseguir ver a capa: Um livro de poesias, de Mário Quintana. Lembro-me de João Carlos, fã fissurado de Ezra Pound e seus magníficos versos. Ia dar um livro desse poeta em seu aniversário, há um mês atrás, mas ele acabou viajando, e não consegui dar o presente... Mas ainda tenho o livro, o deixo no carro, e todo dia leio um poema à caminho do trabalho...
    Mas hoje, como ontem, e talvez amanhã também, não estou com cabeça para ler nada. Pego o livro, abro-o em uma página com algum poema qualquer e o marco, tentarei vê-lo mais tarde...
    Sinal abre, continuo o meu caminho.

    Dez longos minutos passados, chego ao banco. Como rotina, cumprimento todo mundo. O dia passa normal, calmo, sem graça. Rápido...

    Sete horas, hora de ir embora, voltar para casa. Deparo-me com um trânsito infernal, estressante. Vinte minutos andando mais devagar que uma tartaruga. Pego o livro, melhor ler um pouco, não vou chegar tão cedo em casa mesmo... Mas quando o pego, meu celular toca, me assusto por alguns segundos, e deixo o livro cair no banco de trás do carro...

    - Alô?

    - Oi Rafael. Reconhece minha voz?

    Era Marcos. Fico preocupado, em choque, desde aquele dia não falava com ele.

    - Sim, sem quem é...

    - Ótimo! Olha, liguei para perguntar se já decidiu o que irá fazer, se nos “ajudará” mesmo. E então?

    - E-eu não sei ainda...- Esqueço que estou dirigindo, quase bato numa Lotação que estava logo à frente...

    - Ô Rafael, me decepcionou. Os dias estão passando, e o tempo acabando. Mas não sei o porquê da demora de dizer sim a uma proposta cuja qual se você recusar, se arrependerá, e muito, disso...

    - Ligue... Ligue amanhã, conversaremos amanhã.

    - Não é você que dá as ordens aqui, que fique bem claro. Mas está bem, tem até amanhã, se passar disso será pior para você. – E desliga repentinamente, grosseiramente.

    Suado. Fico suado. Um suor frio, de medo, de pânico. Até amanhã, só amanhã... Só mais um dia...

    Onde está o livro? Preciso me acalmar, pensar em outra coisa. Relaxar. O acho, e vejo que com a queda vários papéis, pequenos, saíram de dentro dele. Anotações... Paula... Números de telefone, listas de compras, endereços... Uma foto de nossa filha, Jéssica. Realmente, um bom lugar para se guardar esses tipos de coisas... Um bom lugar...

    Um bom...

    Isso! Uma boa idéia, boa não, ótima, me vem à cabeça. Uma idéia que, se der certo, poderei falar com João Carlos sem eles perceberem, e assim pedir ajuda.

    Extasiado pela idéia que tive, nem reparo que já estava chegando em meu lar. Sou recebido calorosamente por Paula. Jantamos calmamente, conversamos harmoniosamente. Brincamos com Jéssica alegremente, a colocamos para dormir. Fazemos amor, coisa que não tínhamos á semanas. Coisa que não conseguia fazer depois que tudo ocorreu. De um jeito que desconhecíamos há meses. Sinto-me culpado, ela está feliz. Feliz, mas não sabe de nada do que está acontecendo. Não sabe, e, se Deus quiser, jamais precisará saber... Durmo, pela primeira vez, em paz.

    Novo dia. Porém, esse não será como os demais. Será diferente. Porei em prática meu plano, ou ao menos, tentarei.

    - Tchau querida, já vou indo, pegarei ônibus hoje.

    - Por que não vai de carro?

    - Sem gasolina – Minto, omito.

    - Ah...

    Carrego o livro de poesias, de Ezra Pound. Pego também um pedaço de papel e escrevo nele um recado. O coloco dentro do livro e este dentro de minha jaqueta preta, escondendo seu volume.

    Saio de casa. Vejo Ícaro, estacionado do outro lado da rua, esperando eu entrar no carro e assim começar a me seguir. Passo direto pela garagem, surpreendendo o rapaz, e vou em direção ao ponto de ônibus, que ficava a uns cinqüenta metros de distância. O vejo pegando um celular...

    - Marcos, ele não vai de carro, parece que vai pegar um ônibus.

    - Droga! Segue ele, dentro do ônibus!

    Meu celular toca. Já até sei quem é...

    - Sim?

    - Porra, o que é que você está fazendo? Vá pegar seu carro!

    - Desculpe... Marcos, está sem gasolina. Vai querer que eu falte ao trabalho?

    Silêncio. Pela primeira vez ele ficava sem palavras, não eu...

    - Filho da mãe... Se acha que assim não será seguido, está enganado, Ícaro entrará junto com você no ônibus.

    - Tudo bem.

    Desliga indelicadamente o telefone. Por enquanto, tudo indo bem.

    Entro no ônibus. Ícaro senta dois bancos atrás, olhando constantemente em minha direção. Se eu não estiver errado, e espero que não, João Carlos pegará este coletivo para ir trabalhar, já que ele tem um serviço de motoboy em uma firma da Avenida 9 de Julho, pelo menos era o emprego dele há um mês atrás, em nossa última conversa... Antes dono de uma firma, agora empregado, coitado...
    Torço também, para, caso seja mesmo esse ônibus que ele costuma pegar, que não se atrase e o perca, senão terei que esperar até amanhã, mas não tenho tempo.

    Tempo algum.

    Vinte minutos depois, chega no ponto no qual ele deveria ficar. Mas não o vejo. Merda, deve ter se atrasado ou pego outro mais cedo.Terei que fazer isso de novo mesmo, porém não sei como me explicar com Marcos...

    Inconformado, decepcionado, sinto o veículo partir. Mas, olhando pela janela do meu lado esquerdo, vejo um homem, correndo de um modo desajeitado, tentando alcançar o veículo... João Carlos! Por pouco...

    Consegue entrar. Ainda não me viu. Olho para Ícaro, lendo uma revista, INFO... No instante em que João Carlos passa pela catraca e paga sua passagem, repara em mim, sentado em um banco, junto com uma mulher idosa. Dá um sorriso, um sorriso amigável.

    Vem em minha direção. Entro em desespero, não sei como não falar com ele, como ignora-lo, para Ícaro não suspeitar de nada...

    Finjo que vou trocar de banco, e vou em direção a ele. Ícaro olha, observa. Vou me aproximando de João Carlos, que levanta a mão direita para me cumprimentar. Olho para o chão, disfarçando que não vejo nada. Esbarro nele, e rapidamente tiro o livro de minha jaqueta e o derrubo no chão.

    - Opa, desculpe senhor, estava desatento.

    - Mas Ra...

    - Tome aqui seu livro – Falo o mais rápido possível, para não deixa-lo dizer nada – Desculpe pelo esbarrão.

    Olho em seus olhos. Com uma face séria, chego perto de seus ouvidos e sussurro “Não fale comigo” e entrego o livro, mostrando a página que continha o bilhete.

    Confuso, olha para mim. Vejo que não está entendendo nada, mas não o culpo, eu na mesma situação ficaria sem ação também... Mas mesmo assim, obedece o que digo:

    - Ah, é... Obrigado rapaz, não foi nada...

    Ícaro parece ter desconfiado de algo, mas logo depois ignora João Carlos e volta a ler o artigo de computadores da revista, mas me olhando de vez em quando... João Carlos senta no fundo do ônibus, e lê o bilhete...

    Deu certo...









    Esse pode estar meio chato, mas os próximos melhorarão...e também falem o que achou dessa mudança de narrador no começo do capítulo =x, tipo, se ficou estranho e talz...
    Dard*

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    Última edição por Dard Drak; 22-05-2007 às 22:46.

  2. #2
    Avatar de cronus0590
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    ta bom =), realmente vc chegou ao ponto do inicio de tdo xD, o que vai esclarecendo nossas duvidas, sei la foi normal msm o narrador, continua

  3. #3
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    Graaaaaande Dard \o/

    Olha, eu gostei do cap.
    Assim como da história inteira.

    O conto vai subindo um degrau de cada vez, e você ta conseguindo fazer isso sempre, assim você não pula nenhuma parte e o leitor não se perde.

    Eu não achei chato, muitas vezes é necessário que os capítulos não tenham ação por eles tendem a ligar os capítulos.


    Cap. PERFEITO. Mais uma vez, parabéns!


    Grato, Wakka H.
    _/_/_/_/_/_/_/_/_/

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  4. #4
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    Dae Dard!
    Tá mto bom o Cap. kra!
    adorei!

    Achei legal a parte do buzão =D
    Tá cada vez melhor o RP cara...e sobre a mudança de narrador naum ficou estranho não =D tá mto bom!

    Abraços.
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  5. #5
    Banido Avatar de Karteler Iridia
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    Ae, parabéns. Para mim esse foi o melhor de todos os caps.

    Só achei uma coisa estranha. O Ícaro, como estava vigiando ele, deveria ter sentado do lado dele, assim, poderia vigiá-lo melhor ou até impedi-lo de levantar a ir ao encontro de João Carlos.
    Mas por outro lado, poderia chamar atenção demais. Bem, foi só para constar.

    [ironia=on]Lol, ele ainda tem coragem de pegar ônibus em plena São Paulo? xD[/ironia=off]

    ||KaRtElEr||




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  6. #6
    Eu não floodo. Você sim Avatar de Dard Drak
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    Capítulo 8 – O Plano – Parte 2




    - Foi esperto.

    - É, Rafael sempre foi um rapaz formidável...

    - Mas, esse bilhete que ele lhe passou, é este que eu achei? – Indago. Mesmo ele tentando esclarecer tudo, ainda tinha dúvidas, e muitas...

    - Não, esse que eu falei foi no ano passado, dois dias antes do ano novo. Foram em torno de cinco trocas de bilhetes, sempre com o mesmo livro. Deixava no canto de um banco, mudava de lugar e depois eu o pegava, e aos poucos ele ia contando tudo que estava acontecendo. Eu fazia a mesma coisa, para poder falar com ele. Rafael aceitou ajudá-los no assalto, mas depois voltou atrás, e mandou esse bilhete aí que você achou...- Dá uma pausa, meio deprimido – E... E, depois disso, não o vi mais no ônibus. Pensei em ir na casa dele, ver o que houve, mas não fui, poderia piorar a situação... Mas há dois dias Paula entrou em contato comigo, desesperada, perguntando se eu sabia onde Rafael estava, mas não disse nada, fingi que não o via há tempos. Rafael queria que eu não contasse nada a ela, em nenhuma circunstância, e fiquei calado...

    - E depois?

    - Não me interrompa, calma. Depois, fui com Paula à polícia registrar o desaparecimento dele, e não disse nada, sobre os assaltantes, o banco, os bilhetes, nada... Fiz errado, eu sei, mas Rafael não queria que mais ninguém soubesse. Só tinha levado, como já disse, o bilhete que ele achou dentro do carro, no qual ele me passou por um livro, mas a polícia ignorou, disse que não devia ser nada sério. Idiotas...

    - É, tanto os policiais quanto você.

    - Já disse que me arrependo muito disso...

    - Isso não resolve. Mas, o que de importante os outros bilhetes diziam?

    - Depois que ele aceitou fazer o serviço, contaram como seria o assalto e também a data que seria realizado o assalto.

    - E, será quando?

    - Dia vinte e cinco... Vinte e cinco de janeiro, feriado, aniversário de São Paulo. Será mais fácil para o roubo, e além disso, haverá, como Rafael citou...

    - Mais dinheiro no caixa-forte – Completo, como se tivéssemos ensaiado...

    - Sim.

    - Mas hoje já é dia quinze, só faltam dez dias, temos que fazer algo, e rápido!

    - Mas o que? Rafael está sumido, não sabemos onde os bandidos estão ou quem são, e eu já fui à polícia, mas nem ligaram, e prometi a Rafael que não diria nada a ninguém, mas fui obrigado a lhe contar tudo, depois de você me ajudar, e também por achar o livro e esse bilhete...

    - Droga... Mas ainda não entendi, por que ele?

    - Disse que o principal motivo era por ele possuir e saber parte da senha do caixa-forte principal, tornando assim mais fácil o assalto.

    - Então o Sr. Augustus, dono do banco, corre perigo também. E...

    E...

    Não! Sua idiota, você agora também possui parte da senha! Submersa pela história, pelo que João Carlos contava, nem se lembrou disso... Idiota! Mas, quer dizer que... Davi! Gustavo!

    - Não...

    - Vanessa, que foi?

    - Minha família, corre perigo!

    - Mas, por quê?

    - Agora eu tenho parte da senha do caixa-forte! Rápido, enquanto ligo para meu marido, você vá à polícia, com Paula, e leve os outros bilhetes, e conte tudo o que sabe.

    - Mas prome...

    - Esquece isso! Por sua causa ele já pode estar morto!

    Não devia ter dito isso, o deixo magoado, se sentindo culpado. Sua burra...

    - Bem... Tá bem, eu vou. Mas, e você?

    - Eu irei com meu marido, e pedirei proteção para minha família, eles não vão poder recusar depois que souberem de tudo...

    - Certo, até mais...

    Pago a conta, saio correndo para um lugar mais calmo do shopping e ligo para Gustavo, que deveria estar ainda no hospital, trabalhando:

    - Alô, Gustavo?

    - Querida, ta ofegante. O que houve?

    - Não dá tempo de explicar. Preciso que pegue Davi na escolinha e...

    - Mas, ele só sai daqui a duas horas, e é você quem sempre pega...

    - Me ouça! Pegue Davi na escolinha, o leve para casa, e me esperem lá.

    - Mas, por quê?

    - Meu bem, apenas faça isso e depois nos falamos. Tchau.

    - Tchau...


    **********


    Mas, o que foi isso? Ela liga para mim e me diz para fazer coisas sem sentido, sem ao menos se explicar? Que desrespeito foi esse? Que loucura foi essa? Querendo ou não, a contragosto, farei o que ela pede, mas depois terá que me explicar tudo!

    - Ângela, terei que sair mais cedo hoje, Diga ao doutor André me substituir, está bem?

    - Claro, Dr. Gustavo.

    O dia passou e acabei me esquecendo do tal sujeito que rondava o quarto de Rafael. Desde que entrou no banheiro não o vi mais. Deixo pra lá...

    Antes de sair, visito uma paciente. Uma garotinha, de apenas dez anos. Tem uma grave, e fatal, doença, e a cirurgia para curá-la é muito cara, infelizmente os pais não têm dinheiro suficiente para paga-la.
    Sinto pena, mas, não é uma coisa rara de se ver, triste... Cuidarei disso depois, não tenho tempo para pensar nisso agora, minha querida... E louca... Esposa, me espera.

    Ligo meu carro e vou em direção à escolinha de Davi. A maior parte do caminho transcorre normalmente, porém... Curiosamente, um carro, uma pick-up, para ser mais exato, parece me seguir. Pega as mesmas ruas, para nos mesmos pontos. Coincidência em fazer o mesmo caminho, só pode...

    De repente se distancia de mim, some. Paranóia minha mesmo. Dados dez minutos, chego onde Davi estuda, tendo que tira-lo no meio da aula.

    Entro na escola, ando a passos rápidos pelo corredor até a diretoria, para depois pegar Davi em sua sala, que no momento estava desenhando alguma coisa que a professora pedira.

    - Mas, senhor Gustavo, por que está levando ele mais cedo hoje?- Pergunta a professora de Davi, uma velha, chata e rabugenta...

    - Médico... Dentista, marcado – Invento.

    O levo pro carro e seguimos caminho, desta vez para casa, onde teria que esperar por Vanessa, sem nem saber o por quê...

    - Papai, pó que tenhu que ir no médico?

    - Você não vai não filho, vamos para casa. Lá sua mãe nos espera....

    - Espera po que?

    - Não sei filho, não sei...

    Finalmente chegamos em casa. Só que, parece vazia, sem ninguém...

    - Filho, espere aqui no carro, jájá volto com a mamãe.

    - Ta.

    - Querida...Vanessa! – Grito por ela, sem resposta...

    Porta da frente aberta, escancarada. Entro em casa, grito novamente – VANESSSA! – Mas só ouço minha voz, mais nada...

    Vou à sala. Que coisa, toda bagunçada, com almofadas espalhadas pelo cômodo, tapetes desarrumados, abajur no chão... Quem fez isso?

    - PAPAI!

    Meu filho, gritando! O esqueci no carro, sozinho... Seu irresponsável!

    - JÁ VOU DAVI!

    Corro para fora da casa. Tropeço no abajur, me machuco, mas não foi nada... Está um vento, um vento forte, incessante. Vejo Snoopy, preso, latindo feito doido, mas só faz assim quando tem estranhos por perto... Vou em direção ao meu carro, vejo, do lado dele, aquela pick-up, a que eu achava que me seguia... Droga, eu estava certo...

    - Davi? – Carro vazio, ele não está mais lá. – DAVI! – Grito por seu nome, mas não adianta... Viro-me para ver a pick-up novamente, só que dessa vez a porta do motorista estava aberta, mas anteriormente quando as vi na primeira vez estavam todas fechadas...

    Hã, que foi isso? Ouço barulhos vindo de dentro da casa, talvez seja ele! – Davi? – Porta entreaberta, passo por ela, não vejo ninguém... Ouço um barulho atrás de mim, vindo da porta, o que...


    **********


    - Um momento senhor João Carlos, um oficial virá lhe atender em breve.

    - Obrigado.

    - SEU CANALHA, POR QUE NÃO ME DISSE NADA?

    - Paula, compreenda, foi o que Rafael pediu, que eu não contasse nada. Entenda, foi para seu pró...

    - SAI DE PERTO DE MIM!

    Saco. Que pessoa é essa que faz a mulher de seu melhor amigo chorar aos prantos? Tudo minha culpa... A deixo sentada numa cadeira qualquer, precisa ficar sozinha, absorver os fatos, compreender tudo, não tem como falar com ela agora, está fora de si... Mas, cadê esse oficial que não vem logo?

    - Boa tarde, senhor?

    - João Carlos.

    - Senhor João Carlos. Sou o capitão Cláudio, desculpe-me pela demora, fui visitar minha filha. Bem, soube que você tem informações sobre um possível assalto a banco e seqüestro, então, no que posso lhe ajudar?








    Não sei se foi por que o dia todo ficou chovendo ,ou se por que morri no Tíbia XD, sei lá.. Mas, não fui muito com a cara desse '-.-... Mas ta ai o/
    Dard*
    Última edição por Dard Drak; 22-05-2007 às 22:46.

  7. #7
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    Fala Dard!

    Você não foi com a cara do cap.?
    Eu gostei (novidade HAHA ;x) e muito!

    Que saco, eu queria alguma coisinha, algum errinho pra me fazer de crítico, mais só que você é muito mal e não me da oportunidades!

    Cara, eu gostei muito desse narrador em primeira pessoa, mesmo sendo mais complexo que os outros narradores, a disposição do texto evita que o leitor se perca.

    Parabéens!
    Vo torcer pra você morrer mais vezes no Tibia! ;x
    Brincadeira.



    Grato, Wakka H.
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  8. #8
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    Capítulo 9 – Justiceiro





    Sete da manhã. Ainda está cedo, só entro no trabalho as onze hoje. Volto a dormir...

    ...

    Nove horas, antes adiantado, agora atrasado. Porcaria...

    Minha mulher, Ivone, já não está mais em casa, talvez tenha ido visitar nossa filha mais cedo hoje. Também queria ir vê-la, mas o dever me chama.

    Pego meu uniforme, e o visto o mais rápido possível, muito atrasado estou. Olho-me no espelho, ah, como você ta ficando velho, esse trabalho está lhe matando, dia após dia... Estando pronto, todo arrumado, vou para o meu serviço, a pé, não tenho carro, nem dinheiro para tal, no que eu trabalho o salário não é lá essas coisas, mesmo sendo um serviço muitas vezes perigoso, até para a minha família...

    Trinta minutos mais tarde, chego ao meu destino: 35º Distrito da Polícia Militar de São Paulo, lugar onde trabalho à quase vinte e cinco anos, minha segunda casa, praticamente...

    - Bom dia, capitão – Cumprimenta Bruno, meu parceiro de trabalho, um jovem rapaz no qual admiro muito seu esforço para se tornar alguém nesse lugar sujo, imundo...

    - Bom dia, Bruno.

    - O senhor tem um recado, da sua mulher. Quer que ligue urgente para ela.

    - Ah, obrigado, depois ligo – Fico preocupado, tenso... Será que tem a ver com nossa filha?

    - PORRA MEO, eu não fiz nada, nem sabia que era de menor! - Meus pensamentos se esvaem de minha mente com o grito de um delinqüente que acabara de chegar, algemado em companhia de um policial.

    - O que foi que ele fez? – Pergunto.

    - Estava em um motel junto com uma jovem de dezesseis anos, e ainda por cima com cinqüenta gramas de cocaína.

    - Pode deixar que eu falo com ele – Interrompe outro policial. Seu nome, Guilherme. Violento, ele batia, para depois bater mais ainda, para depois começar a perguntar o que aconteceu. Corrupto, tinha tratos com os bandidos mais influenciáveis da cidade, na qual dava proteção a eles e informações sobre operações e investigações policiais. Era assim que ele conseguia seu segundo “salário”. Muitos do departamento sabiam de suas ações, mas provas, não tinham, não existiam...

    - Okay Guilherme. Mas cuidado para não deixa-lo “fugir”, hein?

    - Engraçadinho – Responde, com certo desgosto.

    - DROGA, mas ela falou que tinha vinte anos!

    Continua berrando o infeliz. Jovem, vinte e cinco anos, mas com quatro passagens pela polícia, por roubo e assalto à mão armada. Será solto em instantes, faz parte de uma gangue na qual o líder é “amigo” de Guilherme. Ficará livre como se nada tivesse feito...

    Mas, apesar disso, é um dia comum no departamento. Um lugar feio, barulhento, mal-cuidado. De um lado vejo uma mulher fazendo um B.O. de seu marido que a espancara mais uma vez. Não irá adiantar nada, e semana que vem estará aqui novamente. No fundo, passando por algumas portas trancadas com grossos cadeados, tem os presos, que ficam aqui até um camburão vim pega-los e leva-los ao presídio mais próximo, e cheio. Vejo também um policial dormindo em sua cadeira de seu escritório, outro lendo um jornal, outro juntando as pistas de um homicídio que ocorreu na noite anterior. Que milagre, alguém trabalhando...

    Reparo em um novato, perdido em seus afazeres, cumprindo à risca as regras que aprendeu no treinamento, e que todo mundo esquece ou ignora tempos depois. Ainda é inocente, com a ilusão de que ser policial é que nem nos filmes americanos, aquelas merdas...
    Um dia ele verá e sentirá a verdade, e será tão trabalhador quanto o dorminhoco do meu lado...

    Devo ser um dos únicos que ainda sabe de cor as regras, os artigos, as penas, os códigos, tudo. Devo ser também um dos mais velhos que ainda trabalha nas ruas. Quarenta e cinco anos, mas mais rápido e efetivo que muitos de trinta. Prendi mais de mil e quinhentos bandidos em toda a minha carreira, mas pelo menos metade estão por aí, soltos, livres, protegidos...

    Atualmente, estou em um caso de assaltantes de banco, e isso já faz dois anos. Começaram com pequenos bancos do interior, mas nos últimos anos assaltaram quatro grandes bancos do estado. Quase os peguei uma vez, mas fugiram, por pouco... São liderados por um tal de Marcos, já fora preso uma vez, por assassinato. Ele eu conheço bem, já os outros integrantes do grupo, nem tanto... Mas um...

    - Capitão, sua mulher, esqueceu? – Indaga Bruno, me fazendo deixa de lado o que estava pensando.

    - Opa, vou ligar logo, deve ser importante... – Procuro meu celular, uma “coisa” na qual ainda não me acostumei...

    - Alô, Ivone? O que houve?

    - Por que demorou para ligar?

    - É que...

    - Deixa pra lá ! Venha logo no hospital, é urgente!

    - Mas, o que houve?

    - Nossa filha, Cláudio, está morrendo, está morrendo! Vem logo! – E desliga subitamente o celular, mas pude ouvir ela começar a chorar...

    Não penso em nada, só corro instintivamente para fora do departamento, afim de pegar um ônibus e chegar logo ao hospital.

    - Capitão, o...

    Não ouço ninguém, só corro. Pego um ônibus, dez minutos até chegar ao hospital. Trânsito. Tudo parado. Saio e vou a pé mesmo. Demoro, chego exausto, mas não ligo, tenho que ver minha filha!

    Chego no balcão, pergunto pra atendente:

    - Por favor, onde está internada Sophia, Sophia de Oliveira?

    - O senhor é algum parente?

    - Pai – Cansado, mal consigo falar...

    - Quarto 12B, terceiro andar, no fim do corredor, Mas tem que as..

    Não presto mais atenção. Saio correndo novamente,em direção ao elevador. Espero, espero, e espero. Ahhhh que droga, Demora demais, vou pelas escadas mesmo, três andares apenas...

    Enquanto vou subindo degrau por degrau sem descanso, me pergunto no que pode ter acontecido de tão grave com Sophia. Será que o estado dela piorou? Meu Deus, dez anos, tão jovem, tão nova, uma criança... Não sei o que faria sem ela...

    Ando depressa pelo corre... Ai... Meu coração... Meu peito, dói demais... Será que vou ter um enfarte, de novo? Se sim, pelo menos já estarei no lugar certo e serei atendido logo...
    Ah, to quase lá, 4B, 5B, 6B, banheiro... Mas o que...Vejo alguém familiar saindo do banheiro, lembro do rosto, cabelos longos, mas quem... Não, que se dane, não deve ser nada. Continuo a procurar o quarto. Nove B, 10B, 11... Doze B, aqui!

    Abro a porta bruscamente...

    - Sophia!

    - Não grita! Ela está dormindo! – Replica minha querida Ivone. Olhos vermelhos e marejados, deve ter chorado até não agüentar mais...

    Realmente ela dormia. Dormia como um anjo, escondendo seus belos olhos verdes herdados da mãe. Vestia apenas uma roupa, um vestido, do hospital, de um branco puro, dando um ar angelical maior ainda a ela. Não tinha mais seus cabelinhos cacheados, estava calva, devido à doença...

    - Senhor... Cláudio, certo? – Entra no quarto um médico. Nunca havia falado com ele, mas o já tinha visto, cuidando de minha princesinha.

    - Sim, sou eu...

    - Dr. Gustavo, prazer. Esperei o senhor chegar para falar para ambos sobre o caso de sua filha.

    - Bem, cá estou, diga.

    - Como sabem, a filha de vocês tem tumor no cérebro e...

    - Sim, sabemos faz uns dois meses, doutor...

    - Deixe-me terminar, por favor. Mas já faz quatro meses que ela está com essa doença. Se tivesse sido descoberta antes Sophia já poderia estar melhor de saúde. E ela não tem um só tumor, têm três, que tem que ser tirados o mais rápido possível, com cirurgia.

    - Sim, sim, o plano de saúde vai cobrir os gastos, certo?

    - Infelizmente, esse tipo de cirurgia, não. Vão ter que pagar por ela separadamente.

    Não...

    - Como? E quanto é?

    Bem, contando a cirurgia de quimioterapia, radioterapia, entre outras, mais a parte dos médicos, mais o transporte e estadia dela em outro hospital, no Rio de Janeiro, por que aqui não poderemos fazer, entre outros gastos, ficará em torno de cem mil reais.

    - Meu Deus...

    - Mas, não temos tudo isso! Minha mulher está desempregada e eu recebo só dois mil por mês! – Falo, grito, irritado, perplexo, pasmo...

    - Sinto muito, mas tem que pagar pelo menos quarenta mil antes da cirurgia, e, tem que ser feita rapidamente.

    - Por que, para quando?

    - Duas semanas, isso dá até dia 29 de janeiro. Se demorarmos muito, ela pode...

    Ele pára de falar, titubeia por alguns instantes...

    - Pode o que doutor? Não enrole!

    - Morrer senhor Cláudio, morrer. Ela não aguentará mais do que três semanas, e então terá morte cerebral.

    Ivone não se contém, e começa a chorar, sem parar. Tento consola-la, mas em vão...

    - Bem, quando acordar tentem não fazer ela se esforçar muito, deixe-a em paz. Se me dão licença, tenho que sair mais cedo hoje. Qualquer coisa chamem Ângela, minha assistente...

    - Tudo bem doutor...

    Ele vai embora, e eu e minha mulher ficamos lá, olhando para a nossa adorável filha. Queria ficar mais tempo, mas recebo um chamado pelo celular, estão me procurando no departamento... Mas antes, fico mais alguns segundos observando minha doce Sophia dormir como se estivesse em plena saúde. Observando um pequeno ser que pode deixar de viver por causa de dinheiro, ou a falta dele. Malditos gananciosos, maldito plano de saúde... Mas, não importa como, farei de tudo para conseguir o dinheiro!







    Malz pela demora, mas PC fd...Desse capítulo nada tenho à reclamar, só acho que o dexei muito rápido =x
    Dard*
    Última edição por Dard Drak; 22-05-2007 às 22:48.

  9. #9
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    Citação Postado originalmente por Dard Drak
    Realmente ela dormia. Dormia como um anjo, escondendo seus belos olhos verdes herdados da mãe. Vestia apenas uma roupa, um vestido, do hospital, de um branco puro, dando um ar angelical maior ainda a ela. Não tinha mais seus cabelinhos cacheados, estava careca, devido à doença...
    Citação Postado originalmente por Dard Drak
    Bem, contando a cirurgia de quimioterapia, radioterapia, entre outras, mais a parte dos médicos, mais o transporte e estadia dela em outro hospital, no Rio de Janeiro, por que aqui não poderemos fazer, entre outros gastos, ficará em torno de cem mil reais.
    Não seria tratamento de quimio/radioterapia?


    Primeiro a ler este capítulo!?
    Parabéns! Uma obra prima como sempre!


    Grato, Wakka H.
    _/_/_/_/_/_/_/_/_/

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  10. #10
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    Citação Postado originalmente por Wakka Hill
    Não seria tratamento de quimio/radioterapia?


    Primeiro a ler este capítulo!?
    Parabéns! Uma obra prima como sempre!


    Grato, Wakka H.

    Bem, isso que da escrever à uma da manhã ^^...
    Quanto à "careca", tá certo, não fica bem em se tratando da garotinha...Se fosse falando dele, por exemplo, até ia...

    Quanto aos "cabelos", sei lá, eu coloquei em diminutivo pra enfatizar o amor e o carinho que ele tem pela filha XD...

    E sim, é "tratamento", li um texto falando disso mas nem reparei na hora que passei pra história '-.-...

    Oras, obrigado pelas correções =D...

    Mas...não acha que o desenrolar do capítulo não foi meio rápido demas =x?¿

    Dard*

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