Eita, dia corrido hoje. Postando então outro capítulo porque estava desoculpado, e isso me leva a escrever. Como eu disse ontem, não acostumem.
Aí vai.
Capítulo 4 – O peso da verdade.
Os pássaros cantavam sobre os galhos das árvores na manhã do dia seguinte, Suon brilhava fraco por trás das nuvens enquanto Fafnar ainda acordava.
_Belo dia, meu amigo.
_Belíssimo dia, caro Seymor. – sorriu Cipfried, cumprimentando o bibliotecário que entrara no seu templo – E então, andas muito ocupado?
_Um pouco, ainda estou atrás da garota. Dallheim faz buscas diariamente, estou certo que ela deva estar morta, já faz dez dias que ela não retorna a cidade. – comentou, desolado.
_Infelizmente. Que os deuses orem por ela.
_Senhor, a última encomenda. – disse um rapaz, deixando um último pacote na entrada do templo – Estamos voltando para o continente, adeus. – sorriu e se despediu, saindo da vista de Cipfried.
_A família Elthan? – comentou Seymor, enquanto caminhava na direção do pacote.
_Com certeza. – gargalhou o monge, enquanto levantava o pacote – Mais da metade das encomendas são para seus filhos que moram aqui, eu acho isso tão estranho quanto engraçado.
_Eu acho que todos são tão loucos quanto Donovan. – disse Seymor, e os dois gargalharam juntos.
Saíram do templo, Cipfried levava o pacote para Aletch Elthan embaixo do seu braço. O centro movimentado logo pela manhã, uma garota recolhia rapidamente frascos de um líquido verde quando recebera um olhar feio do monge, a rua de pedra então se dividia em uma bifurcação. Seguindo ao norte, chegariam até a ponte de saída da cidade, para a esquerda chegariam à Loja de Al Dee, um homem muito respeitado na cidade. No segundo andar da loja, morava Aletch Elthan, um rapaz de uma família tradicional da cidade de Venore.
_Como estás, senhor Seymor? – cumprimentou simpaticamente Al Dee, que se encontrava no balcão.
_Posso dizer que estou, bem, complicado. Muitos problemas Al Dee, muitos. – comentou ao homem de cabelos castanhos.
_E o senhor, Cipfried?
_Eu estou ótimo Al Dee, obrigado. Têm trabalhado muito? – perguntou o monge, enquanto deixava o pacote sobre o balcão.
_Sim, sempre. Uman sabe que sim. De onde saem tantos moleques? Eles se multiplicam de semana em semana! – reclamava o vendedor, enquanto Seymor e Cipfried gargalhavam. Se não fosse o nervoso que ele passava quando muitos novatos se juntavam a frente de seu balcão, se empurrando para fazer suas compras, Al Dee poderia ser um comediante. Ele era um bom homem, um homem de respeito. Trajava roupas espalhafatosas como uma camisa laranja e uma calça azul, gostava de ser notado, de ser citado. Ele e Obi eram irmãos, e o comércio da ilha era movimentado por eles. Respeito e uma pequena fortuna em uma ilha pacata, eles não precisavam mais do que isso. – Mas o que estão fazendo aqui, amigos?
_Este pacote é para Aletch Elthan, vim entregar pessoalmente para o rapaz.
_Ah Cipfried, é uma pena, mas creio que o senhor chegou um pouco tarde. – comentou – Ele foi para o continente nesta madrugada.
_Aletch? Finalmente! Seria desperdício que mais um rapaz de potencial se prendesse à essa pequena ilha. – disse Seymor, sorrindo.
_Então terei que despachar este pacote de volta, quando o próximo barco vier para Rookgard. Afinal, o Oráculo faz o que acha certo, não é? – disse o monge, enquanto colocava o pacote novamente abaixo do braço – Mas é uma boa notícia, Aletch será um bom homem. É o destino dele.
_É a coisa certa a se fazer, você viu que Donovan se arrependeu de não ter ido para o continente quando era novo, não viu? Não são todos como o Velho Sunrise que se tornam um guerreiro de Rookgard e se afastam do resto do mundo. É preciso fibra. – dizia Al Dee, como se pregasse as suas palavras para os credores à sua frente.
_Não o vejo a um bom tempo. – comentou Seymor.
_E não verá por mais tempo ainda, aquele velho é misterioso. Deve ter feito uma casa ao oeste da ponte, acho que a idade o abateu. – disse o monge, que tornou a apertar a mão do vendedor – Bom, então vou voltar para o templo. Alguns garotos precisam de cuidados. Adeus, amigo. – sorrindo, caminhando para a saída.
_Adeus. – disse Seymor, seguindo o monge.
_Adeus, amigos! Voltem sempre! – exclamava o vendedor, agitando os braços.
Seguiram de volta para o templo, onde Cipfried guardou a encomenda. As horas haviam passado rápido e neste momento Suon e Fafnar se alinhavam no céu, então Seymor se retirou para almoçar.
A tarde passava e aventureiros começavam a voltar para a cidade, enfrentar criaturas de noite era realmente perigoso. O monge Cipfried andava aos arredores do templo, havia lembrado do seu velho amigo Donovan, o novo mestre daquele jovem tão interessante. Qual seria o nome dele mesmo? Ah sim, Argos. Aquele rapaz tinha futuro, Cipfried havia visto em seus olhos verdes. Ele tinha potencial.
_Senhor! Senhor! – gritava um rapaz, carregava em punho uma espada – Onde está Argos?
_Argos? Eu não sei meu jovem.
_Eu não o vejo desde ontem, no horário do desjejum. Ele não retornou para o alojamento pela noite, e eu não o vi por todo o dia de hoje. – comentou o rapaz, nervoso.
_Irei fazer uma busca neste momento, volte para seu quarto. – disse o monge, e desta vez no seu rosto não havia um sorriso. Apenas uma expressão apreensiva.
O monge se apressou a ir até a biblioteca enquanto lembrava da conversa que tivera no dia anterior. “Donovan! Idiota!” pensava, quando abriu a porta da biblioteca. “O que ele havia dito mesmo? Preciso levar meu garoto para descobrir o quão forte ele está. Não vou mostrá-lo aos ratos, vou testar as habilidades dele com algo mais forte.”
_Idiota! Mil vezes idiota! – bradou Cipfried, ao entrar no escritório de Seymor.
_O que houve Cipfried? – perguntou o bibliotecário, estranhado com o jeito do monge.
_Desde que saiu ontem pela manhã, Donovan não retornou. Nem Argos.
_Onde ele disse que iria? – perguntou Seymor, levantando da cadeira.
_Ele disse que iria testar as habilidades de Argos com alguma criatura forte, ele tinha crença naquele garoto. Lembra daquela conversa que tivemos aquele dia, sobre os avanços de Argos? Ele queria que Argos se torna-se forte rapidamente! Donovan idiota! – tornou a dizer, socando a mesa.
_Acha que Donovan desafiou seu medo para testar Argos? – perguntou Seymor, agora tão nervoso quanto Cipfried.
_Eu tenho certeza. E não é medo, é um trauma. Há cinco anos ele perdeu seu irmão e sua mulher naquela caverna, ele não quis ir para o continente para não deixá-los. A família do grande Donovan Skyhole. Agora aquele caduco levou seu pupilo para morrer junto da sua família. – Cipfried agora falava rápido, suas pernas tremiam. Seu amigo não poderia ter feito uma idiotice tamanha. – Mande Dallheim procurá-los! – o monge suava frio.
_Dallheim, neste momento, deve estar à procura da garota. Maldição!
_Parece que os Orcs deixaram esse andar. – comentou o guerreiro com si mesmo, enquanto a tocha presa a suas costas por uma corda iluminava o ambiente – Faz algum tempo que eu não vejo nenhum deles por aqui.
Dallheim andava por entre cadáveres de Orcs no chão, mas não havia nenhum sinal de vida.
_Acho que esse é o ultimo local que eu não procurei. – disse ao chegar a uma escada, embainhando a sua Espada Longa. – Se a garota não estiver aqui, ela evaporou. Senhor Seymor terá que entender. – comentava para não se sentir solitário, enquanto descia as escadas. Quando seu pé tocou o chão, sentiu sua velha bota encharcar. A poça de sangue, e um corpo de Orc perto da escada que havia sido morto no máximo há um dia. Dallheim olhou para os lados, atento. Caminhou no sentido norte, mas a escuridão o deixava levemente nervoso.
_Droga. – sussurrou, enquanto apertava o cabo da espada com a mão direita. Um escudo de prata outra mão, a armadura negra cobrindo todo o seu corpo. Continuou a caminhar e viu sinais de vida, uma mesa improvisada, uma fogueira que havia sido apagada há pouco tempo. Um corpo de um minotauro, próximo à parede com vários cortes e uma lança cravada no seu peito.
_Um minotauro, morto? – e olhou mais para frente do minotauro. Neste momento sua respiração cessou, seu peito sentiu uma dor intensa. No chão, a alguns metros de onde o minotauro se encontrava, Donovan Skyhole, seu grande amigo de batalhas, estava estendido, imóvel. – DONOVAN? – gritou o rapaz, sem pensar nas conseqüências e correu até onde seu companheiro descansava, mas desta vez não levantaria mais. Dallheim olhou em volta, algo havia matado Donovan. E ele iria se vingar. Mas seu peito tornou a sofrer quando avistou um garoto caído no chão, tão pálido quanto Donovan. Era possível ver o osso do seu ombro, ver o sangue que havia banhado a sua roupa. Dallheim se sentia fraco, caminhou cambaleando na direção do jovem, não tinha sido capaz de fazer nada por essas vidas. Donovan e um garoto, mortos naquele local. O soldado colocou o garoto sobre o ombro, e começou a caminhar até Donovan, inerte no chão.
Sua mão tocou a mão do seu amigo, e se ajoelhando o colocou sobre o ombro do lado esquerdo. Mas, neste momento, sua tocha apagou. Dallheim não acreditara, talvez fosse obra de sua imaginação, mas ele ouviu um riso. Um riso de prazer, de vontade de matar.
_Maldito seja! – bradou Dallheim, e deixou ambos os corpos no chão – Estais em Rookgard, o que pensas que estais fazendo? – desembainhou sua espada longa e a cravou no chão – Apareça criatura desprezível! Utevo Lux!
Neste momento uma luz emanou do seu corpo e iluminou todo o local.
_Você está desafiando o guardião de Rookgard, então se prepare! – tornou a gritar Dallheim, tentando esvair seu nervosismo – Você não conseguirá poder aqui, maldito!
Foi quando de todos os locais visíveis começaram a surgir Orcs, caminhando em sua direção, sedentos de fome, de sede.
_Ah... - Argos tossiu próximo ao pé de Dallheim. Sangue jorrou de sua boca na direção das botas do cavaleiro, sujando-as.
_Ele está vivo. Está vivo! – sussurrou para si mesmo, enquanto os Orcs se aproximavam – Este é o momento. – e procurando dentro de um saco que ele carregava para onde ia, Dallheim tirou um pequeno frasco contendo um líquido viscoso de cor rosa, e tomou – Venham Orcs! Vocês todos cairão aqui!
Os Orcs partiram para o ataque, todos grunhindo e usando o máximo de suas armas para ferir o homem que ousava enfrentá-los. Porém a espada de Dallheim perfurou um dos Orcs, que caiu agonizando. Logo o segundo Orc caiu, após perder a cabeça em um ataque mortal.
_AHH! – atacava os Orcs com ódio, com força e com toda a experiência que havia adquirido na época que era soldado do Rei Tibianus, de Thais.
Os Orcs não se rendiam e com um ataque bem executado um deles acertou as costas da armadura de Dallheim, que caiu no chão com o impacto e logo se levantou, mas suas costas doíam e ele sentia uma leve falta de ar. Grunhindo novamente os Orcs o atacaram, e Dallheim bloqueou alguns dos ataques com o escudo, enquanto usava a espada para contra-atacar. Mas então o guerreiro se viu cercado, os Orcs haviam feito uma estratégia e agora Dallheim estava cercado por sete deles. Novamente Dallheim teve a impressão de escutar um riso, e largou o seu escudo.
Mantendo sua espada a sua frente, de costas para alguns Orcs, Dallheim se preparou quando escutou as criaturas grunhindo para o ataque final. Ambas as mãos apertaram o cabo da espada, e seu pé direito pegou um impulso enquanto palavras saiam harmoniosamente de sua boca.
_Exori.
Ao subir correndo pelas escadas da ponte que o levaria para fora da cidade, Seymor viu uma cena que lhe deu arrepios. Dallheim caminhava mancando e sem sua armadura que protegia os ombros e o peito. Sobre seu ombro direito estava Argos, muito próximo da morte.
_Dallheim! O que houve? – gritou o bibliotecário, acompanhado pelo monge.
_Leve... Leve este garoto, ele precisa de magia o mais rápido possível, ou a morte dele... A morte dele será inevitável! – murmurou Dallheim, quase sem forças entregando o garoto à Cipfried.
_Dallheim! Onde está Donovan?
O soldado fitou-o, e socou a grama enquanto as lágrimas sufocadas agora escorriam como um rio pelo seu rosto.
_Donovan... Donovan deve estar ensinando pequenos anjos no céu a usar uma espada, como um herói.
Bem, é isso. Comentem!
Sem mais;
Asha Thrazi!![]()
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