A Cura
Para acabar com a maldição de Vengoth, reduto de Arthei o nefasto Lorde Vampiro, os irmãos Lersatio, Marziel e Boreth tentaram sem sucesso assassinar Arthei, que virou vampiro após uma explosão de um laboratório alquímico em Yalahar.
Aconteceu que os três foram contaminados pela mesma doença que fez com que Arthei virasse um vampiro.
Assim surgiram os quatro Lordes de Vengoth. Sedentos por sangue, poder e trevas eternas, que assombravam a tudo e a todos.
Melava, mulher de Marziel e Paja, uma amiga da família, não foram afetadas e ficaram escondidas no sótão do castelo. Inundadas por pavor ao lembrar nas criaturas os irmãos haviam se transformado buscavam uma forma de reverter a tragédia.
Depois de meses escondidas, Melava foi a Yalahar, em busca da ajuda de Julius, um caçador de vampiros. Juntos eles espionaram os restos dos laboratórios alquímicos e as suas experiências que lá foram realizadas. Sabiam que podiam achar pistas valiosas no local do incidente que deu origem a doença de Arthei.
Depois de muito tempo em tocaia, espionando os alquímicos e seus testes, eles encontram uma forma de furtar algumas doses do antídoto recém criado.
Melava voltou para Vengoth e começou a curar os irmãos, aplicando secretamente os antídotos nas refeições dos irmãos. Assim pouco a pouco eles estavam voltando a ser humanos novamente.
Trecho do diário de Melava, 13 de Setembro.
"Finalmente encontramos um antídoto para a maldição que afetou nossa família, mas um deles ainda está desacordado, Marziel, meu marido.
Parece que somente com o sopro de uma virgem podemos acordá-lo para aplicar o antídoto, logo isso terá um fim e teremos nossas vidas de volta.
Amanhã eu irei a Yalahar, dizem que algumas amazonas vivem nos subúrbios da cidade, será uma tarefa difícil, trazê-la aqui, mas farei de tudo para que dê tudo certo."
Duas semanas após Melava ir para Yalahar os irmãos Boreth, Lersatio e Arthei, curados, começavam a suspeitar que algo tinha acontecido com ela.
- Irmãos, já fazem duas semanas que a senhora Melava foi para a cidade, e ainda não recebemos nenhuma notícia dela, temo que o pior tenha acontecido. Disse Boreth preocupado.
- O que quer dizer com isso Boreth? Disse Lersatio.
Boreth com um tom de medo na voz respondeu: - Não ficastes sabendo dos boatos Lersatio? Parece que na cidade está acontecendo o mesmo que aconteceu conosco, uma maldição está afetando as pessoas após a explosão de alguns laboratórios alquímicos, e acho que Melava foi contaminada por... algum daqueles novos vampi... alguma criatura contaminada.
Espantado, Lersatio diz: - Então temos que fazer alguma coisa, não?
-Claro, eu, você e Arthei iremos partir ao amanhecer e Paja ficará cuidando do Marziel, mantendo-o trancado numa das torres. Ordena Boreth em resposta.
Ao amanhecer, os três irmãos iniciaram a viajem para Yalahar, depois de um dia e um terço de viajem eles avistam a cidade no horizonte, eles desembarcam no Quarteirão do Comércio, que não havia mudado nada desde a última vez que estiveram ali, mas estava deserto, não havia ninguém nas ruas, e as casas estavam todas trancadas com pedaços de madeira.
Todas estavam daquela maneira, exceto a casa de Julius.
Os três irmãos vão em direção a casa do caçador de vampiros, e um forte cheiro de alho começou a surgir conforme iam avançando.
De repente, surgindo por traz deles, Julius diz: - Vejo que três estão curados, ao que tudo indica a persistente Melava teve sucesso em sua jornada.
- Então você é Julius, devemos nossas vidas ao senhor, se não fosse sua ajuda para encontrar o antídoto nós estaríamos naquele estado até agora. Agradeceu Boreth ao reverenciar Julius.
- Não há necessidade de me agradecer meu jovem, mas me diga, por que vocês estão aqui, e onde está o quarto irmão, Marziel? – com um semblante de preocupação, Julius continuou – não resistiu ao antídoto?
Sem hesitar Arthei responde: -Marziel não foi curado ainda, está em um sono profundo e a medicação não tem efeito nele. Melava veio pra cá há duas semanas, em busca de uma virgem para realizar um ritual a fim de acordar Marziel, como não tivemos notícias dela, achamos que o pior possa ter acontecido a ela.
Lersatio explicou que já estavam sabendo da nova contaminação que ocorrera na cidade. E que temia pela terra que os acolheu.
Julius ficou espantado: - Então um Lorde ainda resta. Devo preparar minhas estacas? Quanto a moça, eu a vi indo em direção ao pequeno porto ao sul, seis dias atrás com uma garotinha, pensei que ela estivesse voltando para Vengoth. Para sorte dos senhores, o barqueiro virá até esta casa nesta tarde para reportar suas notícias, aguardemos por suas informações. Sintam-se a vontade. Aceitam uma xícara de chá?
Antes que pudessem esvaziar suas xícaras Harlow, o barqueiro aparece à porta de Julius, ofegante: - S... Senhor Ju... Julius, lamento ter demorado a chegar até aqui, estava sendo perseguido por cinco deles.
Ansioso por Melava, Arthei interrompeu Harlow de imediato. E perguntou sobre a mulher.
- Eu vi a alguns uns dias atrás, junto de uma jovem, parecia tudo muito bem, até que algo terrível aconteceu. Aquilo foi terrível.
Uma lágrima escorreu do rosto de Harlow que continuou o relato: - A garotinha na verdade estava infectada, atacou a moça quando ela menos esperava.
Ela ficou agonizando ali por horas, mas eu não pude fazer nada. Eu lamento senhor. Isso tem acontecido muito por aqui.
- Temos de achá-la irmãos! Julius, por favor, nos ajude mais uma vez e será recompensado com minhas mais valiosas raridades. Gritou Boreth.
Julius fechou os olhos como se estivesse pensando por alguns instantes. Ele quebrou o silêncio da sala ao anunciar. - Acho que será uma busca valiosa. Irei, mas deverão seguir as minhas ordens sem questionar. Esta é a minha condição. Aqui é meu território, conheço essa cidade como a palma da minha mão, começaremos a procurar aqui por perto, esperança homens, só isso que temos agora, esperança.
Mas antes vamos comer algo, vocês estão exaustos.
A noite passou lentamente, os planos e preparações foram até a madrugada. Sempre conduzidos por Julius. Harlow, percebendo que juntar-se a eles era o meio mais seguro de andar por Yalahar, permaneceu com eles. Ele não era forte o suficiente para se manter seguro sozinho. E os barulhos assustadores vindos do lado de fora da casa o assustava a todo o momento.
Fosse o vento soprando, ou um goblin cambaleante passando lá fora. Tudo o assustava, ainda mais ao ouvir as histórias contadas por Lersatio.
Frascos de água sagrada e cabeças de alho foram divididas entre os cinco. As estacas de madeira foram afiadas sob a luz da lareira que os mantinha aquecidos. Julius repassou suas dicas de como agir em caso de emergência e os esconderijos de vampiros que ele conhecia, mas não tinha coragem de adentrar sozinho.
Descansaram por um pequeno período da noite e na manhã do dia seguinte o grupo partiu em busca de Melava.
Horas procurando em vão, quando de repente um grito foi ouvido vindo de um beco escuro.
Todos correram em direção ao grito, e lá estavam, quatro vampiros, sendo um deles a noiva de Marziel, quase irreconhecível, indo em direção a Iriana, uma bárbara que vendia suprimentos para os aventureiros desprevenidos que passam por ali.
Os cinco integrantes do grupo interferiram no ataque dos vampiros empunhando sabres, adagas e estacas.
Os vampiros não aparentavam medo, para eles aquele grupo era somente mais comida.
Um vampiro avançou em direção a Julius, que pegou uma de suas estacas de madeira e perfurou o peito do vampiro, que com um grito perturbador se transformou em cinzas diante dos olhos de todos que ali estavam.
Iriana, que todos acreditavam que estava indefesa ali fez todo o restante do serviço.
Com uma armadilha de redes e cordas capturou todos os outros vampiros. Apenas puxando uma alavanca.
– Malditos, estas criaturas um dia foram nossos amigos, vizinhos, tirem suas estacas da minha loja. Não precisamos de mais mortes em Yalahar, apenas uma cura precisa ser encontrada.
Saiam daqui eu prenderei estes no porão. – Iriana não estava nem um pouco contente – um dia se arrependerão de cada vampiro que mataram ao perceberem que poderia ter devolvido a vida a eles.
Julius tomou a frente do grupo. – Perdão vendedora, achamos que você corria perigo. – Empunhando um frasco marrom continuou – A cura nós temos, acho que é o suficiente para estes.
Uma hora e meia depois Melava recuperou os sentidos.
- Melava! Até que enfim você acordou, oh céus! Estava tão preocupado! Disse Boreth com uma imensa alegria.
Onde estamos? E onde está a garotinha que eu iria levar para o meu doce Marziel? Perguntou Melava assustada.
Julius, intrometendo-se na conversa respondeu: - Devido ao efeito da contaminação, você não se lembra do que aconteceu nos últimos dias, e quanto à menina, ela deve estar se alimentando do sangue de algum gato nessas horas.
- Precisamos achar outra virgem para salvar nosso irmão. Disse Arthei.
Iriana pediu que contassem o que estava acontecendo, e tudo foi explicado a ela.
- Em troca de cinco destes frascos que vocês usaram eu posso ajudá-los. Sugeriu Iriana.
Iriana, que nunca teve sorte com homens concordou em ir a Vengoth e despertar Marziel com seu sopro.
A comitiva partiu para Vengoth. Chegando lá, Marziel estava deitado no seu caixão em sono profundo, amarraram-no para que não tentasse atacá-los. O sopro de ar de Iriana despertou Marziel, o antídoto foi aplicado e os efeitos, como esperado, foram acontecendo, a palidez começou a desaparecer e seus olhos de um tom avermelhado começavam a voltar para um esverdeado
Depois de receber seu pagamento Julius estava partindo, junto de Iriana e Harlow.
- Então acho que isso é um adeus não é Julius? - disse Arthei - Obrigado mais uma vez.
Julius respondeu - Por hora é, bravo Arthei, em duas luas uma esquadra thaiana chegará à Yalahar, com caçadores de demônios, dizem que o pessoal da inquisição é bom nessas coisas, espero que dêem um fim nisso.
Iriana disse que se dedicaria a replicar o antídoto e curar o máximo de contaminados que conseguisse.
Na balsa de Harlow, voltaram os três à cidade, cientes de que suas tarefas agora eram nas terras de Yalahar.
Quinze dias depois a esquadra thaiana chegou a Yalahar e a operação começou, em menos de um mês todos os infectados já estavam curados ou mortos pelos inquisidores.
Tudo voltara ao normal em Yalahar, mas Vengoth ainda infértil e assustadora não dava sinal de recuperação da sua maldição.
Em seu coração Melava sentia que mesmo em paz em Vengoth, reconstruindo e embelezando a ilha e o castelo, um pouco de cada vez, algo maligno ainda repousava nas entranhas profundas daquela montanha.