Capítulo I
Parte 2: Esperança e conflito
Algumas horas depois, Elane se aproximou de Muriel:
- Onde esta meu pai?
- Hum? Ele foi ao templo que fica a leste daqui.
- Como assim? Para que?
- Disse que iria falar com Fardos.
- Meu pai não costuma falar com nosso Deus sem um grande motivo. Algo problemático aconteceu não é?
- Esperta como sempre Elane, mas não podemos falar disso aqui, entre na tenda.
Dentro da tenda, Muriel explicou o que aconteceu. Elane soltou um grande suspiro:
- Quem diria que estas criaturas seriam tão espertas!
- É isso que tem a dizer? Não te preocupa o fato de sermos os únicos alvos nesta guerra?
- Não.
- Por que esta confiança?
- Por que não adianta ficar de cabeça pra baixo, que venham! Venceremos todos um por um!
- E acha que todos pensarão assim ao ouvirem a noticia?
- Acho! Temos meu pai, Fardos e Uman ao nosso lado! Não há o que temer.
- O exercito precisa de pessoas como você Elane. Não esperava menos da Mestra Paladina filha de Banor.
- Quanta gentileza. – disse ela corando.
Enquanto isso, Banor havia chegado ao templo.
- Obrigado amigão! Até a próxima.
O lobo soltou um uivo e correu para a floresta.
Banor entrou no templo. Era uma construção rochosa e gigantesca. Em seu interior havia um enorme salão com algo que pareciam ser duas enormes bandejas côncavas nas quais caberiam em média cinqüenta homens em pé em cada uma. Ao se aproximar, uma chama azul e gigantesca invadiu uma das “bandejas”:
- Meu filho... como tens passado? – disse uma voz que ecoou pelo salão.
- Pai... Alegro-me em ouvir sua voz! A situação esta ficando cada vez pior...
- Sim... tenho acompanhado o desempenho de tudo. A trégua recém feita entre os monstros foi, é claro, artifício de uma existência determinada a atrapalhar o progresso da paz...
- Zathroth...
- Sim, Zathroth como você sabe, é a metade de Uman, e tem se aproveitado de vários erros cometidos por nós. A morte de Tibiasula, a união com Fafnar, a criação dos mortos vivos, entre outros acontecimentos foram obra de sua inveja e ódio.
Neste momento, uma segunda chama, desta vez verde, apareceu ao lado da primeira. Outra voz ecoou pelo salão:
- Saudações grande Cavaleiro Banor. Tenho acompanhado seu desempenho liderando os humanos contra os produtos da repugnância do meu outro eu.
- Uman, é bom ouvir sua voz!
- Venho junto a Fardos, porque temos um plano em mente.
- Que tipo de plano? – indagou Banor.
- Devemos ser breves, antes que Zathroth descubra o que estamos fazendo. – disse Fardos.
- Como você deve saber Banor, sendo filho direto de uma divindade, você possui atributos que são escassos na maioria dos humanos... – começou Uman.
- Recentemente descobrimos uma serie de mundos paralelos para onde as almas de criaturas mortas na guerra vão. Aproveitando-nos dessa descoberta, eu e Uman construímos o Portal das Almas, de onde virão humanos com espíritos de criaturas encarnados nos mesmos.
- Os verdadeiros titãs que a raça humana precisa. Eles serão os líderes em outros exércitos dispersos, e é claro, não se lembrarão jamais de que um dia foram criaturas mortas. Este é um tabu que estamos estabelecendo a partir do momento em que lhe falamos. – disse Uman.
Banor arregalou os olhos:
- Criaturas encarnadas? Isso realmente é possível?
- Tudo é possível meu filho, se você souber o caminho. Abra o seu com sua espada e dê a Zathroth a amargura da derrota e a nós o orgulho da vitoria.
- Por último, um atributo que o faz ainda superior mesmo a essas criaturas encarnadas em humanos, é sua Excalibug. A espada forjada pelo Rei dos Anões com um metal encontrado dentro de uma estrela cadente por um ciclope. O metal em questão foi feito por minha vontade e atirado ao mundo. Porém está difícil reproduzir o mesmo tipo de metal, dado que a um tempo Zathroth está tentando limitar meus poderes. Porém eu consegui outros tipos de metais que farão uma diferença nas batalhas, os guerreiros mais dignos saberão seguir nossos sinais e encontrá-los. – concluiu Uman.
- Confiança meu filho! Guie o mundo para a paz!
E então as duas chamas desapareceram, deixando para traz um Banor completamente confiante.
No acampamento, Elane estava em sua tenda contando lanças.
- Senhorita Elane! – alguém gritou do lado de fora.
Uma moça jovem e bonita entrou desesperada antes mesmo de receber convite:
- Senhorita Elane! Estão vindo! Temos que sair daqui!
- Acalme-se Leyla! Quem esta vindo?
- Os orcs! Estão a cerca de um quilômetro marchando em nossa direção!
Elane levantou-se rapidamente e foi ao centro do acampamento. Parecia que ninguém ainda estava ciente da situação:
- ATENÇÃO! – gritou Elane.
Os homens calaram-se e olharam para ver do que se tratava:
- OS ORCS ESTÃO A UM QUILÔMETRO MARCHANDO EM NOSSA DIREÇÃO! ENQUANTO MEU PAI NÃO VOLTA ESTOU ASSUMINDO A LIDERANÇA, ENTÃO TODOS A POSTOS! CARLINUS CONDUZA OS MAIS FERIDOS POR TRAS! MURIEL ORGANIZE OS MÁGICOS EM POSIÇÕES ESTRATÉGICAS! ADENEUS TOME A DIANTEIRA COM OS CAVALEIROS CASO ELES CHEGUEM MAIS RÁPIDO QUE O ESPERADO! PALADINOS DIVIDAM-SE! METADE COM ARCOS E MUNIÇÕES NAS ÁRVORES E A OUTRA METADE COMIGO ARMADOS COM LANÇAS E FACAS! ANDEM! O QUE ESTÃO ESPERANDO?!
Houve uma movimentação rápida da parte de todos. Encorajados pela iniciativa de Elane, não tardou a todos se prepararem bem seguindo suas instruções:
- Leyla! Qual a quantidade estimada de orcs? – perguntou Elane.
- Não sei dizer senhorita. Mas creio que seja algo em torno de quinhentas unidades!
Quinhentas unidades era pouco para o que Elane esperava, se sabiam da existência do acampamento deveria ser um ataque massivo, então o que estava acontecendo?
- MURIEL! FAÇA COM QUE OS MAGOS ABRAM O CAMPO DE AÇÃO EM CEM METROS QUADRADOS!
- VOCÊS OUVIRAM! – gritou Muriel – MAGOS DO ELEMENTO FOGO FAÇAM UM CÍRCULO EM VOLTA DO ACAMPAMENTO DE COSTAS PARA O CENTRO!
Os magos obedeceram e se prepararam.
- TODOS PRONTOS?! AO MEU SINAL... JÁ!
- EXEVO FLAM HUR!
O grito dos magos ecoou pelo acampamento ao mesmo tempo que uma enorme rajada de fogo disparou da mao de cada um atingindo as árvores próximas e desintegrando-as.
- DRUIDAS DO ELEMENTO GELO! ESTÃO ENCARREGADOS DE APAGAR O FOGO QUE SE ALASTRAR! – ordenou Elane.
Em pouco tempo os mágicos extenderam o espaço em forma circular a cem metros quadrados e voltaram a suas posições de batalha.