Jornal A Notícia
Policiais ocupam morros na Capital
Operação denominada Ferrolho, concentrada principalmente no Mocotó e Queimada, pretende inibir tráfico e tiroteios na região
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Florianópolis - Os tiroteios freqüentes na avenida Mauro Ramos, a exemplo do que houve na segunda-feira no Instituto Estadual de Educação (IEE), fizeram com que a Polícia Militar (PM) instalasse barreiras e bloqueasse as principais vias de entrada dos morros do Mocotó e da Queimada, que ficam nas proximidades da avenida, na região central da Capital, na tarde de ontem. A ocupação, chamada Operação Ferrolho, coordenada pelo comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Manoel Gomes Filho, tem como principal meta diminuir o número de ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas, portes de arma e roubos nas duas comunidades. Levantamentos apontam que 30% dos homicídios registrados no ano passado na Capital teriam ocorrido na região do maciço do Morro da Cruz.
São cerca de 60 policiais envolvidos na operação, que iniciou às 17 horas de ontem, com apoio aéreo com helicóptero, serviço de inteligência, tropa e apoio logístico. A operação, segundo Gomes Filho, "assim como as trancas de portas e janelas, quer fechar as principais entradas dos morros, por onde entram e saem drogas e armas, e coibir o tráfico". O trabalho intensivo deve durar 24 horas, mas ele explica que não há data para a dispersão total das tropas. "Pode levar um, dois, três, dez dias. Só sairemos daqui quando o número de ocorrências diminuir", ressalta.
Os traficantes reagiram à ocupação soltando fogos de artifício. Cerca de uma hora e meia depois de chegar ao local, o comandante afirmou que os pontos-de-venda de drogas já estavam tomados. O lugar onde os olheiros se instalam, no ponto mais alto dos morros, estavam sendo vistoriados por policiais a pé. Munidos de retrato falado, os policiais procuravam um homem chamado Jarrie Sestren, acusado de tráfico e de ter ligação com o tiroteio ocorrido no IEE.
Todas as pessoas que entrarem ou saírem dos morros, seja de carro, ônibus ou a pé, serão revistadas. Bares também passam por uma verificação. Os que estiverem sem alvará de funcionamento ou que funcionarem como ponto de drogas serão fechados. "Queremos diminuir o trânsito de armas e os tiroteios entre facções rivais", acredita Gomes. O comandante disse ainda que a comunidade já dava respostas em relação à operação, pois observou que o movimento de moradores diminuiu. (Ainá Vietro / Foto: Cristiane Serpa)
Diário Catarinense
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Em ação rápida , a Polícia Militar (PM) cercou o Morro do Mocotó, no Centro de Florianópolis, ontem à tarde. Barreiras já haviam sido montadas nos quatro acessos à comunidade quando os primeiros fogos de artifício anunciaram a chegada dos policiais. Além do cerco ao Mocotó, os policiais subiram também no Morro do Horácio, no Bairro Agrônomica, ambas comunidades do Maciço do Morro da Cruz. De acordo com o coronel Manuel Gomes Filho, comandante do 4º Batalhão da PM, a Operação Ferrolho, como foi chamada, é uma "resposta imediata ao clamor dos moradores do Maciço e da região da Avenida Mauro Ramos contra a insegurança". O estopim para sua deflagração seria um incidente ocorrido no Instituto Estadual de Educação, a maior escola pública do Estado, na segunda-feira - uma bala perdida atingiu a porta da frente do prédio, no horário de saída dos alunos do período matutino, durante tentativa de homicídio. Dando seguimento à operação, o policiamento no Morro do Mocotó será realizado 24 horas por um grupo de 70 policiais militares. Não há prazo para término da ação. - Depois vamos continuar com este plano, passando por todas as áreas de risco da cidade - afirmou o coronel.
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Não houve confrontos nas primeiras horas de cerco
O morro foi escolhido como o primeiro para o cerco por ser considerado área de risco com disputa entre facções, o que provoca tiroteios constantes. Enquanto os policiais revistavam pessoas que chegavam ou saíam da comunidade, integrantes da Patrulha Tático Móvel (Patamo) faziam incursões a pé. O objetivo era passar por áreas de observação de olheiros e de bocas de fumo. Do helicóptero da PM, a área foi fotografada e filmada. Até as 21h, nenhum confronto havia sido registrado. Para o coronel Gomes, um dos maiores desafios ao sucesso da operação é a própria localização geográfica do Mocotó. Ao contrário do Rio de Janeiro, onde a maioria das favelas é em planície, as áreas de risco da Capital ficam em encostas íngremes. - É uma dificuldade muito grande se locomover rapidamente. E o Mocotó é um dos morros mais acidentados - explicou ele. (Eduardo Kormives / Foto: Glaicon Covre)