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Havia duas semanas que um pequeno barco de pescadores, capitaneado pelo experiente Lug Mariel deixara o vilarejo de Othialla, em Fyrren Wálltza, em busca de arenques, abundantes em uma parte mais afastada do litoral. Como o mar ali era generoso, essas viagens de pesca não duravam muito tempo. No máximo, uns três, quatro dias. Lug saíra do cais em uma manhã calma, fria e cinzenta. As gaivotas gritavam, agitadas pelo vento. Despedira-se de sua belíssima esposa, que em breve completaria 27 anos e encontrara-se com o resto de sua equipe-como ele chamava aos fiéis marinheiros que sempre o acompanhavam. Eram cinco homens, com ele; velhos conhecedores das marés, respeitados por todos na cidade. Entraram na pequena embarcação de madeira e partiram em busca de peixe. E ainda não haviam retornado, tantos dias depois, deixando toda a cidade inquieta. O Chefe de Othialla estava prestes a mandar barcos em busca dos pescadores desaparecidos. Ordenou que embarcações de busca e resgate - barcos pequenos e ágeis - fossem preparados. Sairiam cedo na manhã seguinte.
À noite, a pequena Lome Mines Mariel, sobrinha de Lug, levantou-se de sua cama: não conseguia dormir. Eram as corujas ululando lá fora, no topo de um farol abandonado perto de onde morava. Os fyr gostavam de corujas e atribuíam a estas poderes sobrenaturais. Lome resolveu sair e caminhar na areia branca da praia, enquanto as corujas não se acalmavam. A cidade toda dormia e a noite estava agradável. A areia acariciava seus pequenos pés e cada vez mais ela se aproximava da praia. Foi quando avistou uma luz no meio do mar sereno. A chama trêmula da lanterna na proa de um barco se aproximava lentamente. Sob a generosa luz branca da lua, ela imediatamente reconheceu o barco. Seus olhos brilharam: Lug estava de volta.
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Nomes que aparecem nesse capítulo:
- Lug Mariel: pescador/capitão de um barco de pesca.
- Lome Mines Mariel: sobrinha de Lug