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Capítulo VII
A Benção
Eu sou Opall e vim aqui de modo ilustre para terminar o que já foi iniciado sobre as minhas visões. Para os que não se lembram da fisionomia física de Fa’Diel, a personagem que aparece com mais freqüência nessa visão, vou relembrá-los, descrevendo-o: Ele possuía um lindo cabelo castanho bem claro que podia ser facilmente confundido com um cabelo ruivo. Sua pele era alva, mas não tão branca a ponto de transparecer pureza. Seus olhos possuíam uma cor vermelho-escarlate realmente magnífica. Ele era calmo e ponderado, porém, quando estava no calor árduo de uma batalha, transformava-se completamente.
Bem, vamos ir até a parte da história que interessa a você, leitor. A batalha entre Cipma e Fa’Diel. Os dois ficaram se encarando por algum tempo, olhos nos olhos, cercados por uma multidão de pessoas curiosas que estavam assistindo a tudo. Assim, pararam de se afrontar e partiram para a ação. Quem começou foi Cipma, que deu uma seqüência de quatro poderosos socos e três chutes, alternados, no jovem de olhos vermelhos. Ele defendeu os socos com um reflexo bem ativo, porém deixou-se acertar pelos três chutes, que o fizeram perder um pouco a orientação. Tonto, ele novamente deixou uma brecha para Cipma acertar um soco, bem no meio de seu peito, que o jogou para cima, tão alto que Fa’Diel foi parar no telhado da Loja de Obi. Com um salto, o monge também subiu no telhado para lá lutar. A luta parecia continuar em cima da casa, o que deixou os aldeões que assistiam a luta, decepcionados.
Fa’Diel logo se levantou e se posicionou para o combate, que prometia. Eles se acaroaram por algum tempo até o jovem retirar de sua mochila uma espécie de pedra...Espere! Era uma Runa Branca! Achei aquilo muito estranho, já que esse tipo de item não existia em Rookgaard. Cipma também se mostrou surpreso. Fa’Diel segurou a runa com as duas mãos e disse em voz de invocação:
– Adori gran flam! – Assim dito, a runa começou a brilhar e adquirir uma forma diferente. Ela ficou maior e com um desenho no meio, que parecia um grande círculo. Depois disso, ele aumentou seus poderes, como se expandisse a sua aura, transformando a runa em uma pequena esfera de energia que flutuava na sua mão. Posicionou-se colocando a mão à frente do corpo e atirou. Uma grande bola de fogo foi lançada em Cipma e ao atingi-lo, explodiu como uma bomba. O monge estava ferido, mas se levantou rapidamente e disse:
– Isso... Isso é impossível! Essa runa de ataque é a “Grande Bola de Fogo!” Essa magia não está disponível em Rookgaard, aliás, nenhuma magia está disponível por aqui! É claro que você é o filho do demônio!
– Sim, é comum você pensar isso, porém eu adquiri esse dom dos poderes mágicos sendo treinado por Hghaw, o lendário Orc Cego, que os deuses o tenham! – Respondeu, com calma, Fa’Diel. Depois disso, tenho que admitir que eu fiquei mais sossegado, pois a explicação respondia essa cruel dúvida. Cipma continuou:
– Pacóvio! Não ouse mencionar os deuses na maldita fala que sai da sua estúpida boca, imbecil! – E, ao dizer isso, saltou em cima de Fa’Diel, que custou a revidar (sabe se lá o porquê). Cipma então, tocou acidentalmente na testa do jovem e uma grande mudança aconteceu.
Tudo na minha visão cessou quando o monge templário tocou a testa de Fa’Diel. Quando o clarão interrompeu-se, vi que Cipma estava totalmente desnorteado, sem noção e quase caindo nas telhas. Fa’Diel tentou ajudá-lo, segurando-o. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas logo deduzi: Como era monge, Cipma deve ter tido alguma visão sobre Fa’Diel quando ele tocou-lhe a cabeça.
– O que ouve? – Perguntou aflito o jovem, que segurava com firmeza o monge.
– Você... Eu vi você... – Disse o guardião do templo de Rookgaard olhando apenas para o jovem guerreiro com quem lutara.
– Sim... Você teve uma visão, mas o que viu? Pode me dizer?
– Eu vi... O fim...E o... Re-recomeço de tudo...
– Fim e Recomeço?
– Você, Fa’Diel, tem dois destinos: Em um deles, você encontrará o que espera... No outro, encontrará o que evita. Porém esses dois caminhos terão um acaso bem diferente... Os deuses traçaram destinos diferentes em um único corpo... Que infortúnio... He, he, he, he... – Cipma parou por um tempo, fechou os olhos e os abriu novamente. Continuou: –...Só cabe a você decidir em qual dos gumes da espada você apoiara a sua Justiça...
– Huh? Justiça?
– Sim...Chegue mais perto... Eu tenho que te... Abençoar...
Fa’Diel estranhou o ato, mas aproximou a sua testa perto da mão do monge. Cipma falou algumas palavras em alguma língua intrigante. Uma luz envolveu o jovem, uma luz alva. Logo depois, o monge olhou para o jovem, sorrindo e fechou os olhos. Ele fechou os olhos para sempre, todo o sempre, vá saber. Havia vários motivos para a morte do monge, pensei. Ele, provavelmente, não deve ter suportado a conseqüência da visão: o próprio fim. Fa’Diel colocou o corpo do monge em cima das telhas e deixou escapar uma lágrima. Vi que os dois, Fa’Diel e Cipma, poderiam ser bons amigos, quem sabe. E lá o jovem de olhos vermelho-escarlates ficou, orando por aquela pessoa. Porém, vi que havia um outro motivo para Fa’Diel chorar: O motivo dele mesmo, o motivo que ele tinha desprezado. O sol se punha no horizonte, encravado nas montanhas pela força do onipresente. Era um belo pôr-do-sol, ia ser uma bela noite.
