Bem, me desculpem pelo falatório desnecessário do último post. Eu poderia ter resumido tudo aquli que eu falei usando a metade do que escrevi.
Bem, aí está mais um textinho (que, tal qual o último, se enquadra mais entre os da primeira do que os da segunda fase do tópico)
(talvez o último texto desse tópico, por enquanto)
Vácuo
As pequenas coisas já não têm a capacidade de tirar o fôlego. Perdeu-se a sensibilidade essencial, trocou-se o pequeno notável pelo grande visível, óbvio.
Um ônibus coletivo, público, imaginem só - com duas televisões no teto.
Desligadas, sem programa sensacionalista que lhes conferisse alguma importância para os que transitam logo abaixo...
Sentado no banco da última fileira do carro, a mais alta, quem diria, acabei por notar
- Refletida
A minha própria imagem
Na tela vazia.
Por um breve e singular momento
Que não tornarei a viver nem em sonho
(e disso não tenho remorso)
Fui simplesmente, e nada mais...
O meu próprio telespectador
Minha própria audiência.
Os outros olham distraídos para a rua, para variar.
Vêem as mesmas lojas, casas e ruas que estão sempre ali, e parecem ter estado desde tempos imemoriáveis.
E este momento não me significou nada.
Resta apenas o suspiro roubado.

