Capítulo VII - Demônios na Minha Cabeça
Aos fracos e oprimidos
Deixo-vos meu bom grado
Aquele que lutar pela vitória
Para sempre será lembrado
Mesmo que este venha a perecer
Sua insistência para sempre o elevou
Deixaremos transparecer
O quão inesquecível ele se tornou
Se o medo lhe impedir
Não deixe se iludir
Venha a progredir
Prepara-se para o que vir.
Oração do Legado Thais-Fíbula II ante batalhas.
Uma voz ecoava na sua cabeça - ele deve vencer -. Confuso e transtornado, Teshial logo entendeu que Apocalypse selou parte de sua mente no cérebro do elfo. Acredita-se que desde o primeiro contato. Dominando o corpo do jovem, daria início a um plano praticamente infalível e já concretizado: eliminar os Cavaleiros do Pesadelo.
Acordando depois de longas horas dominado pelo demônio, Teshial viu-se em terras desconhecidas. Ao fundo, um monastério com uma decoração pouco comum - pilhas de ossos faziam dois montantes próximos do que parecia ser uma entrada. Obviamente confuso, entrou no local, atento. Ninguém estava lá. Tentou resgatar memórias sobre como teria chegado até ali, mas essas lembranças eram de uma parte do seu cérebro que não lhe pertencia mais. Longas dúvidas surgiram então em sua cabeça. O total extermínio de sua casta partiu de Apocalypse que, dentro da mente de Teshial, determinou o fim de todos os seus familiares. Tudo tornou-se tão claro de repente. Fraco e perdido, o jovem partia rumo as terras das aranhas gigantes. Sem armas para se defender, esse seria seu provável fim.
Atormentado novamente por estranhas vozes, foi induzido à seguir para leste. Reconhecia a voz que ecoava - era Lardor. Mentalmente contactado, seguiu na direção dita, logo chegando na Knightwatch Tower. Lá, fora informado por Lardor que, durante seu domínio pelo Apocalypse, acabou assassinando Taciror.
- Precisamos dar um rumo diferente a isso, Teshial. - Disse Lardor.
Exilando-se eternamente em um mundo dos sonhos trazido à vida real, Lardor jamais voltaria a ver o sol. A última invenção de Falnus concedeu aos Cavaleiros uma moradia dos sonhos em vida. Os propósitos eram os mais ambiciosos possíveis - e os limites, inexistentes. Assustado e isolado, Lardor somente contactava Teshial através da telepatia. Fadado a ter um fim assustador, o jovem perambulava as regiões dia após dia, alojando-se na destruída base dos Cavaleiros. Alimentando-se do que sobrara, pouco tempo teria para descobrir alguma coisa e, em uma vã tentativa, levar este conhecimento para o passado.
Ninguém jamais entraria no Dreamwalk, e Lardor estaria confinado a viver lá para proteger a criação de seu tutor. O futuro pertencia aos deuses e, é claro, a Teshial.
O Legado Thais-Fíbula II continuava suas investigações. Investidas rotineiras próximas do monastério da Irmandade dos Ossos irritaram os mesmos, que posteriormente travariam a primeira batalha desde a ascensão de Goshnar. O resultado, catastrófico. Poucos do Legado sobreviveram, e um deles incluiu Obrandek, pois seu futuro ainda resguardava "O dia da revolta" que, sob sua liderança, iria revolucionar a maneira como os reis governavam.
"Vou torcer para que tudo seja uma ilusão". Aos poucos, Teshial definhava. Sozinho, sua vida perdera o propósito. Cansado de sofrer e de viver, um dia, no dormitório dos Cavaleiros do Pesadelo, cortou seus pulsos para dormir eternamente. As últimas palavras que ecoavam na sua cabeça eram: ele deve vencer.