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- É um estranho prazer tê-lo mais uma vez aqui, 4669... Confesso que temi que os esforços de Baa'Leal e Yaman não fossem dar resultados - Disse Malor enquanto flutuava casualmente em torno do homem, deixando um cheiro forte de enxofre por onde passava. - Já faz muito, muito tempo desde que comecei esta empreitada, e eu já estava ficando deveras impaciente. Mas agrada-me ver que, finalmente, as sementes que plantamos estão gerando frutos. Você está vivo novamente.
- O que você quer dizer com... Novamente...? - Batráquio sente uma forte dor de cabeça e uma ligeira tontura. Ainda é difícil para ele respirar, e as palavras de Malor fazem pouco sentido em sua mente confusa.
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Malor mostra-se visivelmente aborrecido.
- Morreu, 4669. Tudo que é vivo eventualmente morre, e você morreu. Sugiro que revire suas memórias e suas emoções, suponho que, em algum lugar, deverá encontrar a verdade das palavras que lhe digo. - Malor faz uma pausa, esperando uma reação.
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Malor sorri sombriamente, aparentemente satisfeito com o que acabe de presenciar.
- Fico grato que sua memória esteja voltando. Yaman foi deveras enfático ao alertar-me quanto às peculiaridades do feitiço que empregamos para trazê-lo de volta. Segundo o que ele me disse, pode ser que você experimente alguma dificuldade em recuperar todas as suas memórias com clareza, e é possível que você já não mais... Sinta como antes. Sua capacidade emocional pode ter sido perdida durante o processo de ressurreição.
Batráquio não parece registrar as palavras de Malor. Enquanto ele fala, o feiticeiro passa a admirar os membros do seu corpo, aparentemente fascinado pelo fato de, mais uma vez, ser capaz de ver.
- 4669? - Há um quê de impaciência na voz sobrenatural de Malor. - Você está prestando atenção no que lhe digo?
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Malor para de flutuar em torno de Batráquio para se postar novamente diante dele, com um olhar profundamente sombrio e severo em seu rosto.
- Eu o trouxe de volta, 4669. Enviei os mais valorosos e poderosos Efreet que tive à disposição para os mais longínquos cantos deste mundo em busca de uma forma de soprar-lhe a vida novamente e recuperá-lo da forma mais completa que fosse possível. Incumbi Yaman e Baa'Leal de desenvolverem um feitiço poderoso o suficiente para romper as limitações da existência e do tempo. Você esteve morto por tempo demais, 4669. Yaman estava certo de que não seria possível recuperá-lo... Mas nossos esforços foram recompensados. Nossos estudos mostraram-se eficientes. Mais uma vez, os Efreet obtiveram êxito nos campos mais obscuros da magia, naqueles em que nem mesmo nossos jurados inimigos ousaram se aventurar.
O Efreet faz uma longa pausa, como se esperasse que Batráquio absorvesse suas palavras antes de continuar.
- Entretanto... Mesmo nossa magia possui limitações. Como você mesmo já está percebendo, suas memórias e emoções foram afetadas negativamente pelo feitiço... E temo que parte dos seus poderes também. Temo que você já não mais seja capaz de reverter à sua forma original, 4669. Soa até de certa forma tolo chamá-lo assim... Veja bem, você morreu como um humano, e é como um humano que fomos capazes de trazê-lo de volta. Confesso que este resultado me incomoda profundamente, pois esperava reavê-lo com suas habilidades completas. Talvez ainda seja possível que, com algum tempo e esforço, você possa mais uma vez usar os poderes que possui em sua forma natural. Mas isso não pode ser garantido. Até onde sabemos, em sua segunda vida você é apenas... Um humano qualquer.
Malor faz uma nova pausa, esperando uma reação de Batráquio. O feiticeiro, por sua vez, permanece fitando suas mãos, sem esboçar qualquer reação, como se as palavras de Malor não fizessem qualquer sentido ou surtissem qualquer efeito sobre ele.
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- Pode ser que você não se recorde, 4669... - Malor fala cautelosamente, analisando Batráquio com cuidado enquanto fala. - Mas um dia, há muito tempo, quando você ainda era um tolo aprendiz, você precisou de mim. Há muito tempo, Gabel e os demais traidores de nossa raça o tinham em sua custódia e estavam prontos para aniquilá-lo... Mas eu o salvei. Da mesma forma como estou fazendo hoje, eu salvei sua vida no passado.
Batráquio observa Malor atentamente, tentando lembrar-se das coisas que o Efreet lhe diz.
- Mas o que eu fiz não veio sem um preço, oh não. Eu lhe permiti que continuasse vivo, 4669, mas de você eu exigi algo muito maior e mais significativo do que sua própria existência. Você se recorda o que eu lhe pedi naquela ocasião?
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- Precisamente. Agrade-me que você se recorde disso, 4669. - Malor parece muito satisfeito com o andar da carruagem. - Em troca da sua vida, você me deu sua palavra de que auxiliaria os Efreet em nossa guerra contra nossos antigos inimigos. Você jurou-me, aqui mesmo, nesta sala, de que ajudaria-me a pôr um fim em Gabel e em seu reino de mentiras. Você jurou-me que iria destruir Ashta'Daramai e reduzi-la a poeira. E Malor não se esquece dos juramentes que são feitos a ele. Se você pensou que a morte iria livrá-lo da sua dívida, então enganou-se, 4669.
- Então você me trouxe de volta como seu empregado? - Batráquio diz com a voz baixa, sua mente lentamente organizando a enxurrada de memórias que recebeu nos últimos minutos.
- Eu preferiria chamá-lo de um colaborador voluntário. - Malor sorri. - Veja bem, 4669, a natureza do feitiço que o trouxe de volta não o impede de sair pela porta de Mal'Ouquah e virar-me as costas. Você é livre para ir e vir da forma que preferir, livre para viver sua segunda vida como achar melhor. Mas enquanto você estiver vivendo neste mundo, enquanto for capaz de respirar... Você terá sempre uma dívida com Malor e com os Efreet. E pode demorar o tempo que for, mas escreva o que lhe digo neste momento, bonelord: eu terei o que eu quero. Eu o trouxe de volta para cumprir com sua palavra, 4669, e continuarei a fazê-lo quantas vezes for preciso até que você me dê aquilo que eu lhe pedi tantas e tantas décadas no passado.
- E se eu não der? - A voz de Batráquio está firme, mas soa, de uma forma estranha, muito vazia.
- Ah, mas você dará. Eu esperei séculos pela minha vingança, 4669. Posso esperar mais alguns anos.
Um silêncio pesaroso recai sobre o recinto enquanto Batráquio pensa nas palavras de Malor e tenta se acostumar com sua nova realidade.
Eu voltei... Eu estava em paz, finalmente em paz... Mas ele me trouxe de volta. E agora, devo servi-lo. Que bela bosta, hein.
- Como você quer que eu comece?
Malor sorri largamente.
- Não é preciso ter pressa, meu amigo. Você esteve morto por tempo demais, o mundo mudou desde então. Aproveite sua nova chance. Vá espichar suas pernas, vá explorar este mundo. É como eu lhe disse: você é livre para ir e vir como bem entender. Viva sua vida da forma que preferir...
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