The mist/ O Nevoeiro
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The mist/ O Nevoeiro
Eu achei o melhor filme até agora, dos que me recomendaram. Mas é um filme diferente e forte, por isso a minha "não recomendação", mas não quer dizer que o filme seja ruim, pelo contrário, é o melhor dos que eu assisti.
Fica a critério das pessoas quererem ou não assistir, manja?
@Memento e The Mist, dois filmes fodástico.
Os dois se destacam pelo seus finais PUNK.
E ai Bebel como estão as festas? Ainda vendo os filmes? Galera ta gostando das criticas.
Hoje a meia noite tem 'Predadores' no FX...
Vovô sem vergonha, jackass series.
Vi no cinema esse mês. Algumas partes são fodas, ri pra caralho desse filme (btw, não gostei nenhum dos filmes do jackass anteriores, mas esse foi foda)
saudações mancebos
como vai, rapaz?
como eu disse, é um filme que não aprecio, mas reconheço seu valor artístico. não aprecio porque infelizmente é um tema complexo, então às vezes a linha entre a beleza e o horror é muito tênue, de maneira que o grotesco se confune com o humano e vice-versa quase que espontaneamente e, por consequência, inevitavelmente.
a realidade é que é o tipo de filme que me atrai justamente pela beleza dos personagens, pela complexidade do enredo, pela ambição do roteiro e pelo primor artístico. esses seriam os alicerces da minha crítica.
"beleza dos personagens" é fácil de explicar, o personagem do Gordon é um dos mais belos que vi ultimamente (e o coloca na nata da safra jovem de atores, junto com Jack O' Connell, por exemplo), então acho que não preciso me demorar muito nesse ponto. todos os personagens são construídos harmonicamente (destaque para o treinador, para a mãe e para o cliente velho e gordo) e interagação entre eles de forma crível, palpável, interessante.
a complexidade do enredo também fica evidente ao final da peça. isso porque o diretor (que por sinal, se não me engano, é também o roteirista) sabiamente deixou as pontas abertas, de modo que você não é levado pelo filme a adotar uma visão específica. mas, ao mesmo tempo, a presença de alguns elementos singulares contribui para criar uma série de alternativas críveis para a interpretação desse filme.
já um ponto mais sutil é o caráter ambicioso desse roteiro. claramente ele não quer adotar um posicionamento, mas, ao contrário, dá os instrumentos e as circunstâncias para chocar várias das interpretações plausíveis da realidade efetiva das coisas. isso mostra que esse não é um filme findado em si mesmo, a menos que discutamos as teorias que cercam o enredo (e acho que esse era o ponto em que você queria chegar quando perguntou a minha opinião, então abro um parênteses aqui):
1. a minha interpretação seria a clássica: o filme elucida a verdade de que não temos uma medida certa daquilo que pode nos libertar ou nos matar. me parece que a realidade é complexa demais para que possamos criar padrões de análise quando tratamos de pessoas. todas as ciências que envolvem o ser humano pensando ou agindo (só para citar, temos a economia, o direito, a política, a antropologia, a psicologia, a psicanálise, a filosofia, a sociologia, as relações internacionais, a literatura, o cinema, a música, o teatro, entre prováveis muitas outras e suas derivadas) não podem ser sistematizadas com a mesma metodologia das ciências exatas. empiricamente, eu diria que a mente é muito inconstante e dependente de fatores dos mais diversos para ser analisada de maneira fragmentada. logo, algo que pretenda ser elucidativo para mim precisa necessariamente se propor a analisar um determinado tema sob uma ótica abrangente e o mais imparcial possível. nesse sentido, o filme atende a todos esses pontos, de maneira que admiro-o não só como uma obra do espírito, mas como uma obra do pensamento também.
2. uma síntese rápida e objetiva da minha interpretação (mas, obviamente, mantendo a subjetividade analítica) seria a de que neil encontrou naquele verão o grande amor da sua vida e aquele tipo a quem procuraria pelo resto dela. isso porque neil, seja pelo condicionamento genético ou influência materna (meu palpite seria o de que ele sempre foi atraído por homens por algo inerente a sua natureza), encontrou um homem que conquistou seu coração, seu corpo e sua mente.
2.1. conquistou seu coração pelos gestos afetivos, pelo carinho, pelos elogios a um bom jogador, pelo reconhecimento do valor dele enquanto ser humano. isso é amor.
2.2. conquistou seu corpo porque crianças dificilmente sentem prazer com a dor própria. os instintos ainda são muito primitivos (mas, também, muito aguçados e facilmente estimulados), de maneira que uma criança pode desenvolver uma doença como a obesidade ainda na infância com frequência, basta que se dê o estímulo correto (comida gostosa e viciante em abundância). assim, o treinador sempre fez coisas gostosas com neil (boquete e doces, por exemplo), então foi fácil satisfazê-lo fisicamente.
2.3. conquistou sua mente porque eles eram mais do que amantes, eram também amigos, se divertiam juntos, falavam sobre assuntos legais. essa atenção, esse cuidado, sempre ajuda a cultivar a cabeça de uma criança.
2.4. já brian, por conta das circunstâncias e das coisas, tomou o caminho completamente inverso: escondeu uma parte de si mesmo dentro desse abismo profundo que é a mente e, quando se deu conta, se encontrar novamente não seria tão fácil. será possível algum dia? talvez, eu acredito que sim. acredito que brian tenha compreendido um pouco mais sobre o mundo e a vida quando soube da verdade, e acho que ele tem o animus para levantar a cabeça e seguir em frente. não faz diferença se ele só reprimiu essa lembrança como uma reação à uma educação rígida e opressora, se a própria natureza dele reprimiu aquele ato como algo contrário ao seu ser, ou se a sua mente entendeu aquela situação como uma violência ao seu corpo/dignidade/honra e apagou aquela lembrança como uma proteção.
por fim, o primor artístico é a cereja no fim de bolo, que confere a essa peça a alcunha de "obra de arte". a preocupação com a fotografia, com os diálogos interessantes, com a trilha sonora (a última cena, ao som de sigur rós —samskeyti, se minha memória não me trai —, é simplesmente linda), com a construção da personalidade dos personagens (a de neil, por exemplo, é fantástica) sela o sucesso dessa peça.
e o que resta é isso: carregar as consequências de sua própria vida, independentemente de você as ter escolhido ou não.
saudações jovens
A prova disso é que ele virou Gigolô depois, mesmo quando não precisava mais já que arranjou um emprego, ele fazia isso pra tentar resgatar o que sentia com o treinador, já que no final do filme mostra que o ele recebia 5 dolares nas "brincadeiras" que eles faziam.
Predadores é fraquinho...
The King's Speech (O Discurso do Rei)
É um dos meus filmes preferidos, um drama muito bom, com um assunto que não é muito tratado, espero que assista e goste. =]
Caso já tenha assistido, recomendarei o musical "Pink Floyd: The Wall" (o filme, não o show).
Assisti aos já comentados aqui "Memento" e "Mistérios da Carne"
O primeiro me impressionou bastante, o modo diferente como a história foi contada e a conclusão do filme foram o destaque desse filme (sem desmerecer a história e a atuação, que foram ótimas coisas também).
Spoiler: Memento (não leia se não assistiu)
Mistérios da Carne me surpreendeu, eu não tinha a menor ideia do que a história se tratava, em certos momentos quase desisti de assistir, assim como o autor do tópico, pois é um filme muito forte mesmo. Diria que é até mais chocante que o bizarro "A Serbian Film", são dois filmes que eu não recomendaria, apesar de ter gostado de ambos.