Citação:
Meu nome é Manoel, sou evangélico e agora militante. Tudo começou no colégio onde estudo, Lyceu. Lá tem um grupinho de católicos e espíritas que adoram ‘tirar onda’ com os evangélicos. Pura inveja, pois a galera crente sempre tinha as melhores notas e no final das aulas sempre rolava aquele fight, na maioria das vezes ganhávamos, com a ajuda do Senhor.
Minha irmã, que também estudava no Lyceu, na época fazia oitava série. Durante uma aula ela passou mal, vomitou, levaram ela pro hospital e descobriram que estava grávida. Meu pai ficou possesso, mas ela garantiu que era virgem e que havia engravidado por ter sentado num vaso sanitário contaminado. Minha família ficou muito contente porque Jesus Cristo também foi gerado de forma similar.
Como ela continuava pura fiquei felicíssimo, pois ela ia ter um sobrinho e podia arrumar um bom marido evangélico. Contudo quando ela começou a ficar barriguda, lá pelos 6 meses de gestação, a galera do colégio começou a fazer escárnio contra ela e comigo. Falvam que ela esperava o filho do ‘Tiquinho’ (tiquinho de um, tiquinho de outro).
Meu ódio por católicos crescia a cada dia, chegou um ponto que eu tinha que parar de sentir raiva e agir.
Após o culto das 18 o pessoal jovem se reunia e ficava conversando, falei com meus truta do preconceito que eu estava sofrendo no colégio e das maldades que os católicos praticavam por lá contra minha irmã. Disse que eu ia aprontar uma com eles; Saulo, que era muito apegado, deu a idéia de soltar uma bomba na Igreja da Matriz, que ficava lá pertinho.
Domingos preparamos tudo, compramos um rojão e um cigarro Derby Azul, tiramos o filtro do cigarro e o colocamos no pavio do foguete, tapamos a boca do foguete com durepox e silvertape pra explodir tudo lá dentro. Entramos sorrateiramente na Igreja na hora da missa, imitando católicos, com roupas fora de moda e botina. Saulo, que era mais malandro, sorrateiramente colocou estrategicamente o aparato bélico atrás do santo , acendeu o cigarro e sentou ao meu lado. Ficamos lá esperando. Estimei aproximadamente 5 minutos pra explosão.
Igreja lotado, cheia daqueles católicos, o velho de saia lá na frente começou a tal missa, falando um monte de bobagem de santo e tal. Quando o cigarro queimou e acionou o foguete deu pra escutar um rastilho de pólvora fazendo “Tssssss”, todos lá olharam pra Santa, alguns segundos de silêncio e após isso um tremendo”BUUUUUM!”, o santo vôou alto, as pessoas correram assustadas, foi um verdadeiro samba-do-crioulo-doido.
Saímos correndo daquele antro de perdição e fomos pra casa, rimos muito. Segunda-feira na hora do culto contamos do feito do pastor, ele disse que tinha ouvido falar do ocorrido e nos parabenizou pela coragem, disse que Cristo nos reservava lugar especial em seu coração.