Meus parabéns pelo Bobinho. Felicidades à família.
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Mas aí é que está, você está superestimando o apoio dele em relação à execução de um golpe. Tu acha que ele tem todo esse apoio para virar ditador no meio empresarial? Nas Forças Armadas? Na população em geral?
Isso aí é ilusão. Os 58 milhões de votos representam algo totalmente diferente do que apoiar um golpista/ditador.
Quando eu digo que tem meia dúzia de malucos, eu me refiro a pessoas em cargos chaves, empresas importantes, influências importantes. São poucos que REALMENTE PODEM AJUDAR/EXECUTAR um golpe que apoiariam isso.
Veja, eu não sou ingênuo de achar que esse assunto nunca foi discutido ou que essa não era uma das opções postas à mesa nas discussões do núcleo duro do bolsonaro. O que estou ressaltando é a falta de adesão à realidade da suposta execução de um golpe desses e falta de adesão até mesmo de apoio popular e de quem manda no país.
Eu acho que daí é um diferença de percepções e pespectivas. Na minha percepção, eu acho que ele tem bastante apoio ideológico nos segmentos que falei sim. Quando vazaram aquelas conversas de empresários bolsonaristas, você consegue ver claramente que, para eles, era uma opção plausível, inclusive sendo discutido se haveria realmente alguma reação internacional que prejudicasse os interesses econômico dos envolvidos. Nas Forças Armadas, tem três comandantes que entraram exatamente por serem alinhados a ele. Nas polícias estaduais, tem total apoio de quase toda a cadeia hierárquica.
E, veja só, "golpe" é um nome dado por quem se opõe. Assim como "ditador". No caso da Hungria, que cito de exemplo como um modelo que o bolsonarismo pretendia seguir, o Órban não é chamado ou considerado ditador por quem o elegeu para mais um mandato, conseguido alterando a constituição do país depois de dissolver um Congresso pouco popular entre o povo húngaro e aumentando o número de juízes na suprema corte para colocar aliados dele (qualquer semelhança não é coincidência).
Aqui no Brasil, a gente teve um ensaio:
https://i.ibb.co/C5kJVyH/Sem-t-tulo.png
Será que nessa situação, a parte satisfeita da população consideraria um "golpe"? E o que a outra parte faria? Luta armada ou continuar a vida normal como se nada tivesse acontecendo?
P.S.: em 64, não era golpe o nome. Era apenas um governo provisório para livrar o país da ameaça comunista e restabelecer a democracia.
Joe ainda não percebeu que a massa que está comemorando são os jovens até 25 anos que cresceram na lavagem cerebral ideológica e que o movimento separatista do sul, apesar de pequeno, foi um dos que fez a movimentação política em 2018 para eleição de Bolsonaro.
Intervenção militar está na mesa sim, a questão é como será a movimentação dos próximos dias para ganhar força ou não. Hoje, a chance é baixa, entretanto basta um estopim factual para virar o tabuleiro a favor.
Se tirarmos um recorte dos últimos dois anos, a sensação era de que a classe militar havia se afastado do presidente, só que as eleições provaram o contrário, basta ver a distribuição daqueles que se pareciam tentar desvincular do presidente eleitos em estados estratégicos como o Morão e o Marcos Pontes e o próprio evento de fiscalização ontem realizado principalmente pela PRF, mas também com auxílio do exército.
Em eventual segundo mandato, haveria um reajuste na ordem de 38% para carreiras policiais e a manutenção do teto dúplex para militares, benéfico as classes altas das forças armadas e que será atacado por petistas.
Vamos lá:
1) apoio de empresários: o próprio exemplo que você deu, era literalmente 1 ou 2 caras num grupo de 200+ empresários, o que mais uma vez reforça a tese que é meia dúzia de maluco e não um apoio geral
2) Forças Armadas: você está supondo que o fato de 3 caras supostamente alinhados, topariam executar um golpe ou sustentar o golpe, o que por si só é apenas um exercício do imaginário. Quanto aos praças, das polícias estaduais, eu acho até que tem um apoio grande dentro das forças, porém, esse apoio não é massivo para um golpe, são coisas diferentes. Eu mesmo, por ser servidor público, conheço gente de tudo quanto é órgão público aqui no DF. Posso te garantir que tem muito policial puto com bolsonaro porque na verdade o que importa para esses caras é ganhar salários melhores, o que não aconteceu no Governo Bolsonaro. Então tem boa parte muito decepcionada com o "mito". Você acha que eles são muito ideologizados, mas o que conta é o que cai na conta no fim do mês.
3) Dissolver o congresso? Essa, por conhecer bem a política brasileira, é chance ZERO, NENHUMA. Não tem aderência QUALQUER na realidade. Não tem apoio nenhum nas pessoas que mandam no país, elite financeira e intelectual. É só sonho distante de golpistas.
4) Aumentar o número de juízes? Teria que passar pelo Congresso por emenda constitucional, coisa que o Governo tem pouca força para fazer.
Pra mim, é tudo apenas "i want to believe", mas na prática não tem nada muito factual para se embasar.
A maioria do pessoal que integra o sistema é pragmático e menos ideológico do que você imagina. Vide Gilmares mendes da vida e afins...
1) Não, aqueles são os que foram burros o suficiente para trocar mensagens desse tipo em um meio rastreável. E o grupo era grande, se você pesquisar tem ali uma boa fatia do PIB. Mas o Bolsonaro foi o candidato que mais recebeu doações particulares, quase 100 milhões, a maior parte de empresários do agro. Obviamente que não garante que o apoio é para um golpe, mas a questão é o apoio político-ideológico sabendo da vontade do Bolsonaro.
2) Poxa, não são só 3 caras, são os chefes de cada Força. E, de forma historicamente inédita, os ex-comandantes pediram exoneração ao mesmo tempo, dando indicativos de que o motivo era não estarem alinhados ideologicamente com o governo em um momento onde muitos comentam que pode ter acontecido uma tentativa de quebra. Sobre o apoio nos militares, eu tenho familiares dentro do meio e o que escuto é que o apoio ao bolsonarismo é amplo. Militar não questiona ordem hierárquica, o que importa é o oficialato confirmar as ordens. E o Bolsonaro encheu o Estado de oficiais, que passaram a ganhar inclusive acima do teto constitucional. Manter a mamata é um motivo mais que suficiente para seguir ordens golpistas. Quanto ao Estado-Maior, eu realmente não sei o que se passa lá.
3) Esse foi só um exemplo do caso húngaro. Muitos regimes mantém um Congresso.
4) O governo agora teria 1/3 do Congresso na próxima legislatura, o outro 1/3 poderiam conquistar facilmente usando recursos e a capilaridade política que conseguiram nessas eleições. Como eu disse, esse seria um plano de longo prazo, para o próximo governo que, felizmente, não vai acontecer.
Enfim, eu não sou vidente, não tenho a capacidade de dizer como seria um golpe do Bolsonaro. Eu apenas coloquei as questões materiais que, casando com a vontade apresentada pelo mesmo e pelos seus apoiadores, constituem risco democrático. Eu não teria nenhum medo se o Bolsonaro fosse amado por toda essa galera mas fosse inegavelmente um democrata, não é o caso. Mas é de boa discordar da minha percepção também, eu entendo perfeitamente.
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Parem de fazer eu ficar falando do Bolsonaro em um tópico para xingar o lula. :lol:
Só espero que daqui 4 anos o Zema ganhe força nacionalmente, pois acredito que seria um ótimo presidente.
Quanto ao governo Lula, acredito que não terá vida fácil igual nos outros governos. Torço para que não tenha corrupção, o pior dos nossos problemas.
Olha o joede duvidando das coisas no Brasil. Não duvido nada o presidente 2006 ser o Luva de pedreiro e o Joede duvidando de um golpe.