Capítulo V
A revelação
Eu, Opall, vim aqui para terminar o que já foi iniciado sobre a minha visão. Como vocês sabem, Fa’Diel havia presenciado a morte de seu tutor, Hghaw, a quem muito admirava. Assim, resolveu se vingar de quem tinha planejado a morte de Mestre Hghaw: Lorde Jumbalous. O jovem então, seguiu seu caminho para a Torre dos Orcs, com a vontade de vingar seu tão amado tutor e conseguir alguma informação sobre seu destino e seu passado. Chegando lá, ele derrotou alguns orcs e viu que a sala de Jumbalous estava logo a sua frente. Que atitude Fa’Diel tomará agora?
Ele olhou aquele enorme portão e começou a empurrá-lo. Como era pesado! Vi que ele fazia um esforço tremendo para abrir a porta, que de jeito nenhum conseguia. Foi então que ele sentou no chão e fechou os olhos. Não sabia com certeza o que ele estava fazendo, parecia que estava meditando. Passou-se um tempo e ele levantou-se, colocando a sua mão direita à frente, apontando com o dedo a direção da porta. Foi então que aconteceu algo extraordinário. De seu dedo, saiu uma poderosa rajada de magia que arrebentou a porta como se fosse um mero rato sujo. Aquilo era muito estranho: Magias não podiam ser usadas em Rookgaard, principalmente magias tão poderosas como ele acabara de demonstrar agora. Se eu o ouvi direito, antes dele atirar a magia na porta, ele gritou as palavras mágicas “exevo gran vis lux”, comprovando que ele soltou no portão a magia “Grande Raio de Energia”. Incrível, pensei eu. Porém, estranho.
O jovem então adentrou na sala. Andou e viu um enorme tapete vermelho estendido no chão até um grande trono, onde terminava a sala. No trono, não havia ninguém. Foi então, num reflexo, que Fa’Diel desviou de um ataque vindo de cima, que foi atirado por um ser mascarado. Depois da esquiva, Fa’Diel tentou revidar, mas recebeu um forte contra-ataque, jogando-o longe. Assim, a criatura mascarada tirou de si o adorno que envolvia o seu rosto. Era Jumbalous, Lorde Jumbalous! Fa’Diel levantou-se rapidamente e gritou:
– Seu maldito! Por que me persegue, seu cretino? Nunca lhe fiz absolutamente nada, sempre o respeitando como líder supremo dos orcs de Rookgaard. Por quê? – Indagou-se Fa’Diel, em tom desafiador.
– Há, há, há! Mas você é mesmo muito ingênuo, não é jovem? Acha mesmo que vou explicar o por quê?
–... Tudo bem, não me deixa outra escolha! – E, ao dizer isso, partiu para cima de Jumbalous, sem dó nem piedade.
Desembainhando sua espada katana, ele tentou atingir o orc, que se defendeu com um escudo de cobre, muito poderoso por lá. Ataque defendido, o lorde utilizou um contra-golpe em Fa’Diel, e, com sua maça poderosa, atingiu-lhe a perna, quebrando-a. O jovem soltou um forte grito de dor, já que sua perna acabara de ser quebrada. Vendo que ele não podia mais se movimentar ou escapar de seus ataques, Jumbalous se aproximou, já calculando onde ia dar o golpe de misericórdia. Porém, quando ele estava no ataque, o improvável aconteceu: O jovem pupilo de Hghaw evadiu-se da maçada. Como? A sua perna se regenerou rapidamente.
– Incrível técnica de regeneração, Fa’Diel – Disse o orc – Estou realmente impressionado.
– Isso não foi nada, seu orc trouxa. Meu poder vai muito além do que isso, eu lhe mostrarei! – Assim dito, ele aplicou em Jumbalous uma espadada, que atingiu a armadura do seu inimigo. Em um outro movimento, Fa’Diel acertou, com a ponta da espada, um golpe moral em Jumbalous, bem no meio da barriga. O orc caiu.
– Huh... Maldito... Você vai me pagar...! – Disse o lorde, caído.
– Deixe de lamúria! Você já foi derrotado. Nada mais pode fazer nessas condições. Jumbalous, por que resolveu ir atrás de mim?
–... Hum... – o orc pensou um pouco se deveria falar ou não. Sabia que ia partir dessa pra melhor e, por isso, continuou –... Como você sabe, Fa’Diel, você foi encontrado por um orc da minha tribo há vinte anos atrás... Ele me ofereceu você para almoço... Mas...
– Mas o quê?
–... Uma aura esquisita o envolveu... Era a aura do demônio...!
Fa’Diel não podia estar mais surpreso. Eu via claramente no seu rosto que desprezava a mentira, pois apenas isso já esclarecia tudo sobre sua estranha vida. Jumbalous continuou:
–... Naquela aura, letras apareceram em sua testa... Estava escrito...”Fa’Diel, aquele que veio trazer a verdadeira justiça...”, mas a justiça de que falo é a má... – Ao ouvir isso, Fa’Diel provavelmente se lembrou do que o velho Mestre Hghaw havia dito antes de morrer –... Desde então, resolvi criá-lo aqui, pois se era mesmo filho de Zathroth, poderia me dar créditos. Porém, não tinha coragem de dizer o que tinha visto aos outros orcs, pois assim você seria mais venerado do eu mesmo... Isso eu não quero jamais... Huh...
–... – Ficou por um instante sem dizer nada, o jovem –... Continue, por favor.
– Passaram-se vários anos e você sempre foi tratado com indiferença pelos outros orcs... Eles só não o...Huh... E-Eles só não o matavam e não o comiam porque eu não permitia... Mas você cresceu e se tornou forte, muito forte... Como o tempo passou, fui perdendo...Ai!...Pe-perdendo o medo dos deuses e há alguns dias atrás venho tentando matá-lo para conseguir, assim, saciar minha inveja pelos seus poderes... Huh... Mas pelo jeito o tabuleiro virou... He, he, he...
Fa’Diel não tinha o que dizer. Jumbalous mostrou um sorriso na face e logo depois morreu. Por algum tempo o jovem guerreiro ficou lá, pensativo. Depois voltou a si e amarrou uma corda na janela e desceu a torre, seguindo para a floresta. Eu fiquei apenas observando-o... Seria mesmo ele quem ia trazer as trevas para o Tibia novamente? Sinceramente, não sabia no que pensar. Olhei a direção que Fa’Diel estava seguindo: Era a direção do vilarejo de Rookgaard.
