Ótimo, realmente ótimo! Se deus quiser você não para de escrever hoje!
;)
Versão Imprimível
Ótimo, realmente ótimo! Se deus quiser você não para de escrever hoje!
;)
Ótimo capítulo, você fez um diálogo onde não houve muita coisa nova mas mesmo assim prendeu o leitor. Não tenho nenhuma crítica a fazer, fora a que acabei de citar.
Bem não sei oque se passa na sua cabeça mas pelo que ando vendo você parou de escrever Saga?
Se sim poderia nos alegrar dizendo que dará continuidade a esta magnífica obra que infelizmente foi deixada em segundo plano?
Realmente espero que continue a postar com frequencia e que os capítulos continuem bons como sempre.
Meus cumprimentos,
Ayakumus
Tirando alguns erros de digitação os 2 capitulos estão magnificos tio ;) (e eu como sempre estou lendo de 2 em 2 xD)
Desculpe-me,mas eu não me lembro de você ter descrito a cidade antes desse rp,Argos só entrou nela uma vez,e a historia anda com ele.Citação:
Postado originalmente por Kaoh
O que mais faltou foi a descrição do cenario na qual falei,mas no capitulo total,faltou um pouco também...na verdade,eu acho que o que faltou nesse texto foi a emoção,porque você só finalizou uma historia,com o decorrer do rp,vai cada vez precisando de mais detalhes/descrição pela entrada de novas areas,personagens e objetos,o que acontece rapidamente
Argos entrou na cidadela pela lama, passou correndo por uma avenida ESCURA e no fim parou em uma Taverna, correto? O que faltou descrição? Eu descrevi o que Argos viu, amigo. E ele não viu toda a cidade, foi apenas uma avenida, que pra ele não passava de uma simples rua de cidadela que não tinha nada de deslumbrante (comparando com Thais). Eu não preciso descrever o que ele não vê, pois como você disse "Argos só entrou nela uma vez,e a historia anda com ele." A história anda com ele, eu descrevo o que ele viu. Argos é um personagem vigoroso, mas não se preocupa com detalhes desde a morte de pessoas importantes para ele. A vida é uma só, se apegar a detalhes é perder tempo, e para Argos tempo perdido é igual a carlinianos vivos.Citação:
Postado originalmente por Sir Curioso
E cara, vou ter que repetir que ele estava exausto? Detalhes? Ele queria enxer a cara e pegar uma garota, pronto, conseguiu. Para ele a cidade que fosse para o inferno, se quem estivesse narrando a história fosse Havoc Bohun você teria uma ótima descrição, porém não era.
Bom, isto não é uma historinha. Se pediram para que eu continuasse o projeto, eu vou continuar. E do meu jeito. Agora, depois que eu acabar todo o RP eu poderei juntar os capítulos e dividir de outro modo, com capítulos maiores. Não faço isso agora porque sei como muitos de vocês odeiam capítulos grandes e se eu diminuí-los perde a essência, o que eu acho importante.
Isto é um livro, não uma historinha em quadrinhos.
Não vou fazer apenas matança, porque o que parece é que isso que você quer.
Obrigado pela crítica, mas não vou mudar o estilo de escrita. Emoção à todo capítulo causa clichê, nem tudo é aventura amigo.
Capítulo não vem hoje porque não terminei de escrevê-lo. Estou em época de provas bimestrais, peço desculpa à todos os leitores.
E Sir, se faltei com respeito à você em algum momento desculpe, não foi a intenção.
Obrigado pela crítica.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
hehehe,eu só tentei ajudar do meu ponto de vista,mas você tinha razão,bem,na minha opinião,quanto maior capitulo melhor,e eu não sei o se você entendeu mas eu não queria dizer que faltou emoção,só disse que esse capitulo foi só a finalização de uma parte da historia,portanto sem emoção.
Se não ofendeu eu não,eu errei,você me corrigiu,só isso.
Se não é para hoje a previsão para o prximo capitulo estima ainda nesse fim de semana?
Tá desculpado ^^
Boa sorte tioww! \o/
Ahhh...
Demorei, mas postei =]
Depois de ontem a noite dar um CTRL+C e CTRL+V em todos os capítulos (todos mesmo, tinha esquecido já muita coisa... E deu 82 páginas de Word) e ficado lendo-os enquanto baixava um episódio atrás do outro de Cowboy Bebop (que aliás recomendo, é excelente!!), finalmente posto aqui depois de minha última passada, no longiquo capítulo cinco...
...
Tá muito bom, eu consigo enxergar cada canto das cidades e vilarejos que se passava cada ação, conseguia ver o que cada personagem fazia (principalmente os últimos capítulos, detalhismo ao extremo...), sinto ódio por Simon, pena por Jeanette, indiferença por Argos (não o achei lá tão essas coisas ;p ), e consegue acabar um capítulo deixando um suspense ao próximo, o que "chama" o leitor a vim aqui novamente, muito bom...
Só não posso ocultar o fato de os primeiros capítulos terem erros demais de grafia e digitação se comparados com o onze em diante...
Já falei demais... Volto auqi no próximo capítulo, ou se a preguiça impedir, daqui à uns 15, 16, 17 XD...
E já pra aproveitar o gancho, o chamo,o convido (apontando uma glock em sua direção) a passar em "Sem Destino", que tá com capítulo novo (e do qual quero algum comentário crítico, dizendo o que tem de errado ou fraco, mas até agora só teve comentários positivos... É bom, mas sei que algo falta no texto...)
Bem... Flw o/!!
Asha Th... O bagulho que tu fala ai no final...
Dard* :)
Noooça!
Kaoh, seus dons me impressionam a cada capítulo!
Esse passou mais que nunca os sentimentos normais da personagem. Argos é mais que um monte de "zeros e uns" atrás de uma tela; ele tem vida.
O desejo ardente pelas mulheres e pela bebida foi passado com genialidade. Esse lado real da moeda, nos mostra que estamos tratando com um ser de verdade, e eu tenho que tirar o chapéu para você.
Desculpe por falar tanto disso, mas eu realmente adorei essa fieldade a realidade.
Ia falar de algumas faltas na descrição, mas você já contra-argumentou, então ficaria sem nada para comentar, a não ser por um pequeno detalhe: o xingamento. "Filho da puta" ficou meio estranho, acho que alguns destratos medievais ficariam mais apropriados, porém isso não tem um elevado grau de relevância.
Para finalizar, lembre-se que sempre é possível melhorar, mas o trabalho que você apresentou até aqui está muito bom. Quando puder, dê uma passadinha em Ferumbras ;D
Ps: "Minha alma é solúvel em cerveja"! Essa vai pro MSN!
··Hail the prince of Saiyans··
Simples, você ganhou mais um leitor.
Kaoh, parabéns pela sua genealidade. Todos os aspectos do texto estão na dose certa, as descrições vêm gradualmente e perfeitamente dispostas. As ações repassama emoção do momento e chego a ficar com raiva de uns e mais raiva ainda de outros.
Não tenho o que criticar, ja estou a quatro dias lendo sua história e não me arrependo.
Parabéns.
Grato, Wk.
nossa kra historia mto show!!!!!
eu li todas as partes e espero q a historia prospere com sucesso!!
continue assim q eu irei sempre vir aki nesse topico para ler o seu RP!!
estou esperando por mais
Melhor RP que ja li até hoje.Sério ^^
Khao se ta de parabens, RP ta ótimo e não demore tanto para postar =').
Sua história é realmente boa, gosto do jeito como você tem feito os capítulos.
Só comentei agora porque agora que me cadastrei, comentarei os próximos capítulos.
Continue essa história sim, está ficando muito boa.
Nos próximos capítulos faço uma crítica decente.
Capítulo 18 – Os cavaleiros do diabo.
Argos foi acordado por um pontapé. Uma pausa, depois um segundo pontapé e uma xícara de água fria no rosto.
- Crunor!
- Sou eu – disse Vince Farz. – O padre Hobbe disse que você estaria aqui.
- Oh, Crunor – tornou a dizer Argos. A cabeça estava dolorida, a barriga azeda, e ele estava enjoado. Piscou levemente com a luz do dia, e depois olhou para Farz com o cenho franzido. – É você.
- Deve ser ótimo ser tão inteligente assim – disse Farz. Ele sorriu para Argos, que estava nu na palha dos estábulos da taberna que compartilhava com uma das filhas da viúva. – Você devia estar bêbado como um lorde para enfiar sua espada nisso – acrescentou Skeat, olhando para a garota que puxava um cobertor para se cobrir.
- Eu estava bêbado – gemeu Argos. – Ainda estou.
Levantou-se cambaleando e vestiu a camisa.
- Havoc quer falar com você – disse Farz, bem-humorado.
- Comigo? – Argos pareceu ter ficado alarmado. – Por quê?
- Talvez ele queira que você case com a filha dele – disse Farz. – Nossa, Argos, olhe só em que estado você está!
Argos calçou as botas e vestiu a cota de malha, e depois apanhou as calças na sacola e vestiu um blusão de tecido por cima da cota. O blusão levava o emblema do mago Havoc Bohun de Edron, de três estrelas verdes e vermelhas sendo pisoteadas por um trio de leões. Argos jogou água no rosto, e depois raspou a barba com uma faca afiada.
- Deixa crescer a barba, rapaz – disse Farz. – Isso poupa trabalho.
- Por que o mago quer falar comigo? – perguntou Argos.
- Depois do que aconteceu na cidade ontem? – sugeriu Farz, pensativo. – Ele acha que tem que enforcar alguém como exemplo, e por isso me perguntou se eu tinha alguns bastardos inúteis de quem eu quisesse me livrar, e eu pensei em você.
- A julgar pelo que eu estou sentindo – disse Argos -, ele bem que poderia me enforcar. – Ele teve uma ânsia seca de vômito e bebeu um pouco de água.
Ele e Vince Farz voltaram para a cidade e encontraram Havoc Bohun instalado com toda a pompa. O prédio no qual seu estandarte estava pendurado devia ser uma sala de reuniões de corporações, embora talvez fosse menor do que a sala da guarda no castelo do mago, mas Havoc estava sentado em uma das extremidades enquanto uma série de requerentes clamava por justiça. Eles estavam reclamando por terem sido roubados, o que de nada adiantava, levando-se em consideração que eles tinham se recusado a entregar a cidade, mas o mago ouvia, delicado. Então um advogado, um sujeito com nariz de doninha chamado Belas fez com que ele prestasse atenção.
- Se sua senhoria – disse Belas, sorrindo de modo malicioso para o mago – não interviesse, a condessa teria sido estuprada por Sir Simon Skeat.
Sim Simon afastou-se para um lago da sala.
- Isso é mentira! – protestou ele em carliniano.
O mago suspirou.
- Então, por que seu calão estava nos tornozelos quando eu entrei na casa?
Sir Simon ficou vermelho quando os homens que estavam na sala caíram na gargalhada. Argos teve que traduzir para Vince Farz, que fez um gesto afirmativo com a cabeça, porque já tinha ouvido a história.
- O bastardo estava para trepar numa viúva com título – explicou ele a Argos – quando o mago chegou. Ele a ouviu gritar, entende? E ele tinha visto um brasão na cada. Os aristocratas cuidam uns dos outros.
O advogado, agora, apresentava uma longa lista de acusações contra Sir Simon. Parecia que ele estava declarando a viúva e seu filho prisioneiros que tinham de ser detidos para que fosse cobrado um resgate. Ele também roubara os dois navios da viúva, a armadura do marido dela, a espada e todo o dinheiro da condessa. Belas fez as reclamações com indignação, e depois curvou-se para o homem de Edron, o imponente mago Havoc Bohun.
- O senhor tem uma reputação de homem justo – disse ele, obsequioso –, e eu coloco o destino da viúva em suas mãos.
O mago pareceu surpreso ao ser informado de sua reputação por fazer justiça.
- O que o senhor deseja? – perguntou ele.
Belas envaideceu-se.
- A devolução dos artigos roubados, senhor, e a proteção do rei de Thais para uma viúva e seu nobre filho.
O mago tamborilou os dedos no braço da cadeira, e depois olhou para Sir Simon de cenho franzido.
- Não se pode pedir resgate por uma criança de três anos de idade – disse ele.
- Ele é um conde! – protestou Sir Simon. – Um menino de classe!
O mago suspirou. Ele chegara à conclusão de que Sir Simon tinha uma mente tão simples quanto um touro castrado à procura de comida. Não conseguia entender ponto de vista algum que não o dele, e era determinado quando se tratava de procurar satisfazer seus apetites. Talvez fosse por isso que ele era um soldado tão respeitável, mas ainda era um tolo.
- Nós não mantemos crianças de três anos de idade para cobrar resgate – disse o mago com firmeza – e não mantemos mulheres prisioneira, a menos que haja uma vantagem que seja mais importante do que a cortesia, e eu não vejo vantagem alguma aqui. – Havoc voltou-se para os escrivães que estava atrás de sua cadeira: - A quem Sir Bardo Henri apoiava?
- Charles de Batalha, senhor Bohun – respondeu um dos escrivães, um clérigo de Batalha alto.
- Propriedades ricas?
- Poucas, senhor – disse o escrivão, cujo nariz escorria, falando de memória. – Há uma propriedade em Venore que já está em nosso poder, algumas casas perto de Ab’Dendriel, creio eu, mas nada mais.
- Aí está – disse o mago, tornando a se voltar para Sir Simon. – Que vantagens iremos obter de um menino de três anos que não tem um tostão?
- Sem um tostão, não – protestou Sir Simon. – Eu peguei, lá, uma rica armadura.
- Que sem dúvida o pai do menino apanhou em combate!
- E a casa é rica. – Sir Simon estava ficando zangado. – Há navios, armazéns, estábulos.
- A casa – o escrivão parecia enfarado – pertencia ao sogro do conde. Creio que era um vendedor de vinhos.
De cenho franzido, com ar zombeteiro, o mago olhou para Sir Simon que abanava a cabeça diante da obstinação do escrivão.
- O menino, senhor – respondeu Sir Simon com uma caprichada mesura muito próxima a um ato de insolência –, é parente de Charles de Batalha.
- Mas por não ter dinheiro algum – disse o mago – eu duvido que desperte carinho. Seria um fardo, não acha o senhor? Além do mais, o que é que o senhor ia querer que eu fizesse? Obrigasse o menino a jurar obediência ao verdadeiro duque de Batalha? O verdadeiro duque, Sir Simon, é uma criança de cinco anos que está em Thais. Seria uma farsa num berçário! Um menino de três anos curvando-se para um outro de cinco! As amas de leite deles estarão presentes? Depois do ato, será que iremos nos banquetear com leite e bolinhos? Ou quem sabe poderemos desfrutar de uma brincadeira de caça ao chinelo quando a cerimônia acabar?
- A condessa lutou contra nós, posicionada sobre os muros! – Sir Simon tentou um último protesto.
- Não me conteste! – gritou o mago, esmurrando o braço da cadeira. Neste exato momento as chamas de seu Cajado Infernal pareciam mais ameaçadoras do que o normal. – O senhor se esquece de que eu sou o representante do rei e tenho os poderes dele.
Havoc Bohun recostou-se na cadeira, tenso de raiva, e Sir Simon engoliu a sua raiva, mas não resistiu a resmungar que a condessa tinha usado uma besta contra os homens de Thais.
- Ela é Blackarch? – perguntou Argos à Farz.
- A condessa? É o que dizem.
- Ela é muito bonita.
- Depois do que eu vi o senhor atacando hoje de manhã – disse Farz –, como é que consegue distinguir?
O mago lançou um olhar irritado para Farz e Argos, e voltou a olhar para Sir Simon.
- Se a condessa lutou contra nós no alto dos muros – disse ele –, admire seu espírito. Quanto aos outros assuntos... – Ele fez uma pausa e suspirou. Belas parecia estar na expectativa e Sir Simon, desconfiado. – Os dois navios – decretou o mago – são presas e serão vendidos em Thais, ou colocados a serviço real e o senhor, Sir Simon, receberá como valor um terço do valor deles.
Aquela decisão estava de acordo com a lei. O rei receberia um terço, o mago outro terço, e a última parte caberia ao homem que tivesse capturado a presa.
- Quanto à espada e à armadura... – O mago fez outra pausa. Ele havia salvo Jeanette de um estupro e gostara dela, e tinha visto a angústia em sua expressão e dado ouvidos a sua apaixonada alegação de que não possuía nada que tivesse pertencido ao marido, exceto a preciosa armadura e a bela espada, mas coisas daquele tipo, pela sua própria natureza, constituíam o legítimo saque de guerra.
- A armadura, as armas e os cavalos são seus, Sir Simon – disse o mago, lamentando a decisão, mas reconhecendo que era justa. – Quanto ao garoto, eu determino que ele pode decidir para quem irá a sua obediência – Ele olhou para os escrivães, para certificar-se de que eles estavam anotando suas decisões – O senhor me disse que quer instalar-se na casa da viúva? – perguntou ele à Sir Simon.
- Eu a ocupei – disse Sir Simon, brusco.
- E a depenou, pelo que ouvi dizer – observou friamente o mago. – A condessa alega que o senhor roubou dinheiro dela.
- Ela está mentindo. – Sir Simon parecia indignado. – Mentindo, senhor, mentindo!
O mago duvidou, mas dificilmente poderia acusar um cavalheiro de perjúrio sem provocar um duelo e, embora Havoc Bohun não temesse homem algum em todo o continente, exceto seu rei, não queria brigar por um motivo tão insignificante. Ele deixou passar.
- No entanto – prosseguiu ele – eu prometi à senhora uma proteção contra o assédio. – Ele encarava Sir Simon enquanto falava, e depois olhou para Vince Fazer e mudou para a língua de Thais. – Você gostaria de manter seus homens juntos, Vince?
- Gostaria, senhor.
- Neste caso, vai ficar com a casa da viúva. E ela deverá ser tratada com respeito, está me ouvindo? Com respeito! Diga isso aos seus homens, Vince!
Farz balançou a cabeça.
- Eu corto as orelhas deles se tocarem nela, senhor.
- As orelhas, não, Vince. Corte algo mais adequado. Sir Simon irá lhe mostrar a casa, e o senhor, Sir Simon – o mago voltou a falar carliniano –, vá procurar o leito em outro lugar qualquer.
Sir Simon abriu a boca para protestar, mas um olhar do mago o fez ficar quieto. Outro suplicante se adiantou, querendo indenização por um porão cheio de vinho que tinha sido roubado, mas o mago transferiu-o para um escrivão que iria registrar as reclamações do homem num pergaminho que o mago duvidava que algum dia acharia tempo de ler.
Depois, fez um gesto para Argos.
- Eu tenho que lhe agradecer, Argos Fall.
- Agradecer, senhor?
O mago sorriu.
- Você encontrou um caminho para entrar na cidade quando todas as outras tentativas que fizemos tinham falhado.
Argos enrubesceu.
- Foi um prazer, senhor.
- Você pode me pedir uma recompensa – disse o mago. – É o costume.
Argos deu de ombros.
- Eu estou satisfeito, senhor.
- Então, você é um homem de sorte, Argos. Mas eu me lembrarei da dívida. E muito obrigado, Vince.
Vince Farz sorriu.
- Se esse sujeito tolo não quer recompensa, senhor, eu a aceito.
O mago gostou daquilo.
- Minha recompensa para você, Vince, é deixá-lo aqui. Estou lhe dando toda uma nova área de interior para devastar. Pelos dentes de Banor, em breve você vai estar mais rico do que eu. – Ele se levantou. – Sir Simon irá guiá-lo até seus aposentos.
Sir Simon poderia ter reagido contra a ordem ríspida para ser um mero guia, mas surpreendentemente obedeceu sem demonstrar qualquer ressentimento, talvez porque desejasse outra oportunidade de encontrar-se com Jeanette. E assim, ao meio-dia, ele levou Vince Farz e seus homens pelas ruas até a grande casa à margem do rio. Sir Simon tinha vestido a nova armadura e usava-a sem qualquer sobretudo, de modo que a couraça polida e os ornamentos de ouro brilhavam com intensidade ao fraco sol de inverno. Ele encolheu a cabeça coberta pelo elmo ao passar por baixo do arco da entrada para o pátio e no mesmo instante Jeanette saiu correndo da porta da cozinha, que ficava logo à esquerda da porta.
- Saiam daqui! – gritou ela em carliniano. – Saiam daqui!
Argos, cavalgando logo atrás de Sir Simon, olhou fixo para ela. Ela era realmente Blackarch, e tão bonita de perto quanto parecera quando ele a vira de relance no alto dos muros.
- Saiam daqui, vocês todos! – Ela ficou parada, as mãos nas cadeiras, cabeça descoberta, gritando.
Sir Simon ergueu o visor do elmo.
- Esta casa está requisitada para fins militares, minha senhora – disse ele, contente. – Ordens do senhor Bohun.
- Havoc prometeu que iam me deixar em paz! – protestou, inflamada, Jeanette.
- Pois então sua senhoria mudou de idéia – disse Sir Simon.
Ela cuspiu na direção dele.
- Você já roubou tudo o que era meu, e agora quer me tirar a casa também?
- Sim, madame – disse Sir Simon, e esporeou o cavalo para avançar de modo que o animal a empurrou. – Sim, madame – repetiu ele, e então deu um puxão nas rédeas a ponto de fazer com que o cavalo girasse e avançasse contra Jeanette, jogando-a ao chão. – E vou tirar sua casa – disse Sir Simon – e tudo o mais que eu quiser, madame.
- Os arqueiros, que assistiam, ovacionaram a visão das longas pernas desnudas de Jeanette. Ela puxou as saias para baixo e tentou se levantar, mas, Sir Simon fez o cavalo avançar, para obrigá-la a atravessar o pátio cambaleando, numa corrida que nada tinha de digna.
- Deixe a moça se levantar! – gritou Vince Farz, irritado.
- Ela e eu somos velhos amigos, mestre Farz – respondeu Sir Simon, ainda ameaçando Jeanette com as pesadas patas do cavalo.
- Eu disse para deixar que ela se levante e para deixá-la em paz! – vociferou Farz.
Sir Simon, ofendido por receber ordens de um homem do povo e diante dos arqueiros, voltou-se irritado e pos sua mão sobre o cabo da sua novíssima e majestosa, mas havia em Vince Farz um ar de competência que fez com que o cavaleiro se detivesse. Competência, um belo arco, e runas de morte súbita. Junto a isso, Farz tinha o dobro da idade de Sir Simon, e todos aqueles anos tinham sido passados lutando, e Sir Simon tinha bom senso suficiente para não provocar um confronto.
- A casa é sua, mestre Farz – disse ele, condescendente –, mas tome conta de sua dona. Eu tenho planos para ela.
Ele fez o cavalo recuar, afastando-se de Jeanette, que estava em lágrimas de vergonha, e depois esporeou o animal, saindo do pátio.
Jeanette não entendia thaisense, mas reconheceu que Vince Farz havia intercedido em seu favor e por isso pôs-se de pé e fez um apelo a ele.
- Ele roubou tudo o que era meu! – disse ela, apontando para o cavaleiro que se retirava. – Tudo!
- Você sabe o que a moça esta dizendo, Argos? – perguntou Farz.
- Ela não gosta de Sir Simon – disse Argos, lacônico. Ele estava inclinado sobre a sela, olhando para Jeanette.
- Acalme a garota, pelo amor de Deus – pediu Farz, e depois girou o corpo na sela. – Daniel? Providencie para que haja água e feno para os cavalos. Peter, mate duas daquelas novilhas, para que possamos jantar antes que a luz acabe. Os outros? Parem de olhar para a garota de boca aberta e vão se instalar!
- Ladrão! – gritou Jeanette para Sir Simon que se afastava, e depois voltou-se para Argos.
- Quem é você
- Meu nome é Argos, madame. – Ele deixou o corpo escorregar para o chão e atirou as rédeas para o Sam. – O mago mandou que viéssemos morar aqui – prosseguiu Argos – e proteger a senhora.
- Me proteger! – disse Jeanette, indignada. – Vocês são todos uns ladrões! Como poderão me proteger? Há um lugar no inferno para ladrões como vocês, e ele é igualzinho à Thais. Vocês são ladrões, todos vocês! Agora, vão embora! Vão!
- Nós não vamos – disse Argos, decidido.
- Como poder ficar aqui? – perguntou Jeanette. – Eu sou viúva! Não fica bem ter vocês aqui.
- Nós estamos aqui, madame – disse Argos –, e a senhora e nós teremos que aproveitar ao máximo essa situação. Nós não vamos nos intrometer. É só me mostrar onde ficam seus aposentos privados, e eu vou providenciar para que nenhum homem os invada.
- Você? Impedir? Há! – Jeanette voltou-se para se afastar e imediatamente tornou a girar. – Você quer que eu lhe mostre meus aposentos, não é? Para que fique sabendo onde estão meus bens de valor? É isso? Quer que eu lhe mostre onde pode me roubar? Por que eu não lhe dou logo tudo?
Argos sorriu.
- Eu pensei que a senhora tivesse dito que Sir Simon já tinha roubado tudo.
- Ele tirou tudo, tudo! Ele não é cavalheiro coisa nenhuma. Ele é um porco. Ele é – Jeanette fez uma pausa, querendo pensar num insulto esmagador – ele é de Thais! – Jeanette cuspiu nos pés de Argos e empurrou a porta da cozinha, abrindo-a. – Está vendo esta porta, thaisense? Tudo além desta porta é privado. Tudo! – Ela entrou, bateu com a porta e imediatamente tornou a abri-la. – E o duque está vindo. O duque certo, não o seu hipócrita menino fantoche, então vocês todos vão morrer. Ótimo! – A porta tornou a bater.
Vince Faz fez um muxoxo.
- Ela também não gosta de você, Argos. O que é que a moça estava dizendo?
- Que nós todos vamos morrer.
- Ah, mas isso é verdade. Mas na nossa cama, com a graça de Fardos.
- E ela disse que nós não devemos passar daquela porta.
- Tem muito espaço aqui fora – disse Farz placidamente, observando um de seus homens brandir um machado para matar uma novilha. O sangue escorreu pelo pátio, atraindo um grupo de cachorros para lambê-lo enquanto dois arqueiros começavam a abater o animal que ainda estrebuchava.
- Escutem! – Farz havia subido num bloco que servia para ajudar a montar num cavalo ao lado dos estábulos e agora gritava para todos os seus comandados. – O MAGO DEU ORDENS PARA QUE A MOÇA QUE ESTAVA CUSPINDO NO ARGOS NÃO SEJA MOLESTADA. ESTÃO ENTENDENDO, SEUS BASTARDOS? MANTENHAM SEUS CALÇÕES AMARRADOS QUANDO ELA ESTIVER POR PERTO, E SE NÃO FIZEREM ISSO, EU CASTRO VOCÊS! TRATEM-NA COM EDUCAÇÃO, E NÃO PASSEM DAQUELA PORTA. VOCÊS JÁ SE DIVERTIRAM, E POR ISSO AGORA PODEM VOLTAR A AGIR REALMENTE COMO SOLDADOS.
O mago de Edron partiu uma semana depois, levando a maior parte de seu exército de volta para as fortalezas em uma cidadela próxima à Batalha, que era o coração dos adeptos do duque Jean Monteforte. Ele deixou Richard Totesham como comandante da nova guarnição, mas também deixou Sir Simon Skeat como substituto de Totesham.
- O duque não quer o bastardo – disse Vince Farz à Argos – e por isso empurrou-o para cima de nós.
Como Farz e Totesham eram capitães independentes, poderia ter havido ciúmes entre eles, mas os dois se respeitavam e, enquanto Totesham e seus homens ficaram em La Roche-Ogre e fortaleciam as defesas da cidade, Farz seguiu para o interior a fim de punir as pessoas que pagavam as rendas e deviam obediência ao “falso” duque Charles. Os cavaleiros do demônio ficaram, assim, liberados para se constituírem numa maldição no norte de Carlin.
Era uma tarefa simples, arruinar uma região. As casas e os celeiros podiam ser feitos de pedra, mas os telhados pegavam fogo. O gado era capturado e, se houvesse cabeças demais para levar para casa, os animais eram abatidos e as carcaças atiradas em poços, para envenenar a água. Os homens de Farz incendiavam o que pegasse fogo, quebravam o que era quebrável e roubavam o que podia ser vendido. Matavam, estupravam e saqueavam. O medo levava os homens a abandonar suas fazendas, deixando a terra devastada. Eles eram os cavaleiros do diabo, e faziam o que estavam com vontade em relação à rainha Eloise, arrasando a terra do inimigo.
Destruíram uma aldeia atrás da outra – Kervec e Lanvelle, um acampamento de amazonas e uma aldeia de refugiados de Carlin próximo ao barco para as ilhas geladas, e outros cinco lugares cujos nomes nunca aprenderam. Era a época em que comemorariam o surgimento de Thais e os descobrimentos, e se estivessem em Thais gigantescas fogueiras estariam sendo arrastadas por campos endurecidos pela geada até salões de pé-direito alto, nos quais trovadores e bardos cantavam sobre as histórias dos Deuses e batalhas de Banor, lendas da época de Ferumbras quando apenas Thais triunfava. Porém, nos arredores de Carlin os cavaleiros do diabo lutavam a guerra verdadeira. Soldados não eram modelos de virtude; eram homens com cicatrizes, maus, que sentiam prazer na destruição. Atiravam tochas acesas no sapé e derrubavam o que gerações tinham levado para construir. Lugares pequenos demais para terem nomes morriam, e só as fazendas na larga península entre os as florestas ao leste de La Roche-Ogre foram poupadas, porque eram necessárias para alimentar a guarnição. Alguns dos servos das aldeias que eram arrancados de suas terras foram obrigados a trabalhar para aumentar a altura dos muros de La Roche-Ogre, ampliar o campo de combate diante das defesas e construir novas barreiras à margem do mar. Nos arredores de Carlin, foi um inverno de extrema miséria. Chuvas frias, vindas do mar norte, açoitavam, e os thaisenses devastavam as terras agrícolas.
De vez em quando, havia alguma resistência. Um bravo disparava uma besta da beira de uma floresta, mas os homens de Farz eram peritos em encurralar e matar inimigos assim. Doze arqueiros desmontavam e se aproximavam silenciosamente do inimigo pela frente, enquanto vinte outros galopavam pela retaguarda dele, e em pouco tempo ouvia-se um grito e mais uma besta era acrescentada ao espólio. O dono da besta era despido, mutilado e enforcado numa árvore como aviso a outros homens para que deixassem os cavaleiros do diabo em paz, e as lições davam resultado, porque aquele tipo de emboscada foi diminuindo. Era a fase de destruição, e os homens de Farz ficaram ricos. Havia dias de sofrimento, dias de caminhadas com dificuldade sob chuva fria, com as mãos rachadas e a roupa encharcada, e Argos sempre tinha horror quando seus homens recebiam a incumbência de guiar os cavalos de reserva e depois conduzir de volta o gado capturado. Os gansos eram fáceis – os pescoços eram torcidos e os pássaros mortos pendiam das selas – mas as vacas eram lentas, os cabritos indóceis, os carneiros eram burros e os porcos teimosos. Mas havia nas fileiras um número suficiente de rapazes criados em fazendas para garantir que os animais chegassem a La Roche-Ogre em segurança. Uma vez lá, eles eram levados para uma pequena praça que se tornara um campo de abate e fedia a sangue. Vince Farz também mandava carroças cheias de produtos de saque de volta para a cidade, e a maior parte era despachada para Thais. Em geral, tratava-se de artigos baratos: vasos, facas, lâminas de arado, baldes, qualquer coisa que pudesse ser vendida, até que se disse que não havia uma só casa no sul de Thais que não possuísse pelo menos um objeto saqueado dos arredores de Carlin.
Em Thais, cantava-se sobre Arieswar e Pepelu, Eternal Oblivion e Taifun Devilry, mas nos Campos de Glória os cavaleiros do diabo estavam à solta.
E Argos era um homem feliz.
Sinceras desculpas. Provas e trabalhos no colégio, problemas pessoais.
E agora que esta um pouco melhor eu virei CEGUETA!
Sim, fiz exame de vista. Quem já fez sabe que estou sofrendo de "hipermetropia passageira" e não estou conseguindo ver o PC direito.
Me esforcei e escrevi, espero que gostem porque eu escrevo pra vocês! :)
Obrigado por todos os comentários, mas acho que este próximo capítulo talvez demore um pouco... também.
Provas Bimestrais começam na quarta. :triste:
Bom bom, então desculpem novamente.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
Muito bom, como sempre.
Apesar de estar cego você ainda não assassina o português como outros neste mesmo forum que tem a visão perfeita.
Vou viajar no sábado (minha última prova é amanha quarta feira) e quando voltar na quarta realmente espero que você já tenha escrito um novo capítulo ou serei forçado a não votar em você para melhor história por causa da demora.
Esperando mais...
Muito bom capítulo, so 1 erro de concordancia que ja foi arrumado...boa sorte na vida e nos problemas tambem, to aí pra dar força como sempre ;)
Tentarei trazer um capítulo novo neste final de semana.Citação:
Postado originalmente por Ayakumus
Tentarei.
Ah, para aqueles que forem comentar gostaria que comentassem sobre um personagem da história que mais te atrai e citasse porque. É bom para eu ter uma idéia de personalidade e características.
Obrigado.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
Quanto ao comentário sobre o personagem ai vai o meu:
Vince Farz
Aparenta ser um capitão que não se interessa com nada mas respeita a opinião de seus subordinados, o que o faz ser um grande líder e obter o respeito de seus comandados evitando brigas internas e 'rebeliões'.
Tem afinidade com Argos e certo interesse pela sua história pessoal talvez por ele ser o homem mais instruido de seu bando.
Acho que ele ainda será importante para o enredo em algum momento.
Espero que ajude em alguma coisa...
Excelente, como sempre.
Mais uma vez devo elogiá-lo pela realidade na qual você traz os personagens à tona. Não consigo ler sem acreditar que Argos e Farz não realmente existiram, e que você não estava lá para ver.
O personagem que mais admiro é, indubtavelmente, Argos.
Um herói que não é (com palavras do seu último capítulo) um modelo de virtude, mas que nos surpreende e fascina cada vez mais. Argos é bem como uma pessoa real, que de acordo com as situações e contextos, apresenta diferentes comportamentos. Isso é algo muito importante, e que eu também tento levar para Ferumbras. Creio que suas atitudes estão bastante coerentes com o seu modo de pensar, e que está numa fase de contínuo aprendizado, o que enriqueçe o texto.
Você sabe que tiro meu chapéu para você, Kaoh.
··Hail the prince of Saiyans··
Ótimo como sempre. Realmente ótimo.
O personagem que mais me identifico é o Sam, mas pra eu me identificar meeesmo com ele só falta por mais um pouco de insanidade na cabeça do Sam.
PS: Também estou em provas =|
Avante ao título de melhor roleplay!
Gostei muito, iria falar mal dos erros de grafia mas você já explicou.
A história é muito bem escrita, você conseguiu dar vida aos personagens, deixando cada momento interessante, por menos ação que ele tenha.
O fato dos personagens não serem símbolos de boa conduta também me agrada, torna a história melhor.
Espero ansiosamente o próximo capítulo.
Ae cara , parabens pelo seu RP, ta muito bom mesmo.
Tô muito curioso pra saber oq vai acontecer agora com o bando do Vince, que por a caso eh meu personagem favorito ,pela liderança que ele exerce.
Eh isso ai, estou à espera.
Sem mais,
Bastos
Que vida de mau o Argos tá tendo,hein? Hahaha
Achei esse apenas um resuminho.
Sexta de manhã vou viajar para Goiania para fazer a segunda etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), minha última prova do colégio é amanhã e acredito que não vou pegar recuperação! :)
Prometo que o próximo capítulo terá uma diversão maior, este só mostrou a personalidade de importantes personagens da história. E, fatos importantes que serão relembrados mais pra frente.
Achei esquisito o Roleplay ir quase para a segunda página.
É uma pena não estar mais agradando, mas ando muito ocupado e este capítulo foi escrito meio às pressas.
Sinto muito, mas estou fazendo o máximo que posso.
Capítulo 19 – A pata de Argos Fall.
Jeanette relutava em admitir, mas a presença dos homens de Vince Farz era uma vantagem para ela. Enquanto eles estivessem no pátio, ela se sentia segura na casa e começou a temer os longos períodos que eles passavam fora da cidade, porque era quando Sir Simon Skeat a perseguia. Ela começara a pensar que ele fosse o diabo, um diabo idiota, é claro, mas ainda assim um homem grosseiro, sem remorsos e sem sentimentos que convencera a si mesmo que não havia nada que Jeanette não quisesse tanto quanto ser sua esposa. Às vezes, ele se esforçava para fazer uma mesura desajeitada, embora de forma geral fosse arrogante e rude e sempre olhasse para ela como um cachorro olha para uma anca de carne. Ia à missa para que pudesse cortejá-la, e a Jeanette parecia que não podia andar pela cidade sem se encontrar com ele. Certa vez, encontrando-se com Jeanette no beco ao lado de uma grande construção, ele a imprensara contra a parede e correra os fortes dedos pelos seios dela.
- Eu acho, madame, que a senhora e eu fomos feitos um para o outro – disse ele, com todo o seu entusiasmo.
- O senhor precisa de uma mulher com dinheiro – disse ela, porque soubera por terceiros, na cidade, da situação das finanças de Sir Simon.
- Eu tenho o seu dinheiro – salientou ele – e isso liquidou metade de minhas dívidas, e o dinheiro pela captura dos navios irá pagar a maior parte do restante. Mas não é o seu dinheiro que eu quero, minha doçura, mas você. – Jeanette tentou livrar-se, mas ele a tinha presa contra a parede. – Você precisa de um protetor, minha cara – disse ele, e beijou-a ternamente na testa. Ele tinha uma boca curiosamente polpuda, lábios grossos e sempre molhados, como se a língua fosse grande demais, e o beijo úmido e fedia a vinho azedo. Ele forçou uma das mãos ventre abaixo e ela lutou com mais força, mas ele se limitou a apertar o corpo contra o dela e agarrou-lhe os cabelos sob a touca. – Você iria gostar de Fibula, minha cara.
- Prefiro viver no inferno.
Ele se atrapalhou com os laços do corpete dela e Jeanette tentou, em vão, empurra-lo para longe, mas só foi salva quando uma tropa de homens entrou no beco e o chefe fez uma saudação à Sir Simon, que teve que se virar, afastando-se, para responder, e isso permitiu que Jeanette se livrasse. Ela deixou a touca nas mãos dele ao correr para casa, onde trancou as portas e depois sentou-se soluçando, irritada e impotente. Sentia ódio dele.
Odiava todos de Thais, e no entanto, à medida que as semanas passavam, foi vendo os habitantes da cidade aprovando os ocupantes, que gastavam um bom dinheiro em La Roche-Ogre. A platina thaisense era de confiança, ao contrário da platina de Carlin, enfraquecida com chumbo ou estanho. A presença dos thaisenses isolara a cidade de seu comércio costumeiro com as Ilhas Geladas, Ab’Dendriel e a própria Carlin, mas os armadores tinham, agora, liberdade de negociar com Edron, a Baía da Liberdade e até mesmo com Thais, e por isso os lucros aumentaram. Navios locais eram fretados para importar flechas para as tropas de Thais, e alguns dos capitães dos navios traziam na volta fardos de lã thaisense que revendiam em outros portos de Batalha que ainda eram leais ao duque Charles. Poucas pessoas sentiam-se dispostas a viajar por terra para longe de La Roche-Ogre, porque tinham de obter um passe de Richard Totesham, o comandante da guarnição, e embora o pedaço de pergaminho os protegesse dos cavaleiros do diabo, não era defesa contra os bandidos que viviam nas fazendas esvaziadas pelos homens de Farz. Mas navios procedentes de La Roche-Ogre ainda podiam navegar para o leste, até Ab’Dendriel, ou para o oeste, até o porto para as Ilhas Geladas e, com isso, negociar com inimigos de Thais. Era assim quem se enviavam cartas para fora de La Roche-Ogre, e Jeanette escrevia quase toda semana para o duque Charles com notícias das mudanças que os thaisenses estavam fazendo nas defesas da cidade. Ela nunca recebeu resposta, mas se convenceu de que suas cartas eram úteis.
La Roche-Ogre prosperava, mas Jeanette sofria. A empresa de seu pai ainda existia, mas os lucros desapareciam de forma misteriosa. Os navios maiores sempre tinham partido de Northport, e embora Jeanette os mandasse para Edron a fim de levar vinho para o mercado de Thais, eles nunca voltavam. Ou eram capturados por navios de Carlin ou, o mais provável, seus capitães passavam a trabalhar por conta própria. As fazendas da família ficavam ao sul de La Roche-Ogre, no interior arrasado pelos homens de Vince Farz, e com isso aquelas rendas desapareceram. Jeanette não recebia nada das terras de seu falecido marido em três anos, de modo que sentia-se desesperada e por isso mandou chamar o advogado Belas para que fosse à sua casa.
Belas sentiu um prazer perverso ao dizer-lhe que ela ignorara seus conselhos, e que nunca deveria ter equipado os dois navios para a guerra. Jeanette suportou a pomposidade dele e depois pediu-lhe que redigisse uma petição de indenização que ela pudesse enviar à corte thaisense. A petição pedia as rendas das terras de seu falecido marido, que os invasores vinham recolhendo em benefício próprio. Jeanette sentia-se aborrecida com o fato de ter que pedir dinheiro ao rei Tibianus de Thais, mas que opção tinha? Sir Simon Skeat a deixara pobre.
Belas sentou-se à mesa e tomou notas num pedaço de pergaminho.
- Quantos moinhos em Batalha? – perguntou ele.
- Havia dois.
- Dois – disse ele, anotando o número. – A senhora sabe – acrescentou ele, cauteloso – que o duque requereu o direito a essas rendas?
- O duque? – perguntou Jeanette, perplexa. – Charles de Batalha?
- O duque Charles alega que as terras de seu marido, próximo à Batalha, são dele – disse Belas.
- Pode ser, mas o meu filho é o conde.
- O duque se considera o guardião do menino – observou Belas.
- Como é que o senhor sabe dessas coisas? – perguntou Jeanette.
Belas deu de ombros.
- Eu tenho me correspondido com empresários do duque que perambulam por Carlin.
- Sobre que assunto?
- Sobre outro assunto – disse Belas, para desviar a conversa –, um assunto totalmente diferente. Eu imagino que as rendas da fazenda eram arrecadas em parcelas trimestrais?
Jeanette olhou para Belas com desconfiança.
- Por que os empresários do duque iriam falar de Batalha com o senhor?
- Eles me perguntaram se eu conhecia a família. É claro que eu não revelei nada.
Ele estava mentindo, pensou Jeanette. Ela devia dinheiro a Belas. Na verdade, estava devendo a metade dos comerciantes de La Roche-Ogre. Sem dúvida, Belas achava que a conta dele não deveria ser paga por ela e, por isso, estava contatando o duque Charles para uma eventual liquidação.
- Senhor Belas – disse ela, com frieza –, o senhor vai me contar exatamente o que tem contado ao duque, e por quê.
Belas deu de ombros.
- Eu não tenho nada a dizer!
- Como vai a sua mulher? – perguntou Jeanette, delicada.
- As dores estão passando à medida que o inverno termina, graças a Uman. Ela está bem, madame.
- Neste caso, ela não ficará bem – disse Jeanette, mordaz – quando souber o que o senhor faz com a filha do seu escriturário? Que idade ela tem, Belas? Doze?
- Madame!
- Não venha com “madame”! – Jeanette deu um murro na mesa, quase derrubando o tinteiro. – Então, o que tem se passado entre você e os empresários do duque?
Belas suspirou. Colocou a tampa no frasco de tinta, largou a pena e esfregou as magras faces.
- Eu sempre cuidei dos assuntos legais desta família. É meu dever, madame, e às vezes eu tenho que fazer coisas que preferia não fazer, mas essas coisas também fazem parte do meu dever. – Ele deu um leve sorriso. – A senhora está devendo, madame. Poderia sanar suas finanças com facilidade, casando-se com um homem de substância, mas parece relutante em seguir esse caminho e, por isso, eu não vejo outra coisa que não a ruína em seu futuro. Ruína. Quer algum conselho? Venda esta casa e terá dinheiro suficiente para viver dois ou três anos, e nesse prazo não há dúvida de que o duque irá expulsar os thaisenses de Carlin e Batalha e a senhora e seu filho terão suas terras de volta.
Jeanette retraiu-se.
- O senhor acha que os demônios serão derrotados com tanta facilidade assim?
Ela ouviu o tropel de patas na rua e viu que os homens de Farz estavam de volta ao seu pátio. Enquanto cavalgavam, eles riam. Não pareciam homens que seriam derrotados dentro em breve; na verdade, ela achava que eles eram imbatíveis, porque tinham uma confiança jovial que a irritava.
- Eu acho, madame – disse Belas –, que a senhora tem que decidir quem a senhora é. A senhora é filha de Luis Halevy? Ou a viúva de Bardo Henri? É uma comerciante, ou uma aristocrata? Se for uma comerciante, madame, case-se aqui e dê-se por satisfeita. Se for uma aristocrata, levante o dinheiro que puder e procure o duque e arranje um novo marido com um título.
Jeanette considerou o conselho impertinente, mas não demonstrou. Em vez disso, perguntou:
- Quanto conseguiríamos com esta casa?
- Vou pesquisar, madame – disse Belas.
Ele já sabia resposta, e sabia que Jeanette iria detestá-la, porque uma casa numa cidade ocupada pelo inimigo conseguiria apenas uma fração do seu valor normal. Por isso, aquele não era o momento de dar aquela notícia a Jeanette. O advogado achou que era melhor esperar até que ela ficasse desesperada de verdade, e então ele poderia comprar a casa e suas fazendas arruinadas por uma ninharia.
- Nas tuas terras existe uma ponte sobre o rio? – perguntou ele, puxando o pergaminho para perto dele.
- Esqueça a petição – disse Jeanette.
- Eu vou pensar no seu conselho, Belas.
- A senhora não irá se arrepender – disse ele, animado.
Ela estava perdida, pensou ele, perdida e derrotada. Ele iria tomar a casa e as fazendas dela, o duque reivindicaria o direito sobre as terras do marido dela, e ela ficaria sem coisa alguma. O que era o que ela merecia, por ser uma criatura teimosa e orgulhosa que subira muito acima de seu nível adequado.
- Eu estou sempre ao seu serviço – disse Belas, com humildade. Da adversidade, pensou ele, sempre era possível tirar proveito, e Jeanette estava madura, no ponto de ser arrancada. Coloque um gato para vigiar as ovelhas, e os lobos comerão à vontade.
Jeanette não sabia o que fazer. Era contrária à venda da casa, porque temia que o imóvel conseguisse um preço baixo, mas também não sabia de que outra maneira poderia levantar dinheiro. Será que o duque Charles iria recebê-la? Ele nunca mostrara sinal algum de que o faria, desde que se opusera ao seu casamento com o sobrinho dele, mas talvez tivesse ficado mais tolerante de lá para cá? Talvez ela a protegesse? Ela decidiu que iria rezar pedindo uma orientação para a deusa Bastesh; por isso, enrolou um xale nos ombros, atravessou o pátio, ignorando os soldados que tinham acabado de voltar, e entrou na igreja da Deusa. Lá, havia uma imagem de uma bela mulher, lamentavelmente sem seu colar dourado, que fora arrancado pelos thaisenses, e Jeanette rezava com freqüência para a imagem da deusa, que ela acreditava ter um cuidado especial para com todas as mulheres em dificuldades.
A princípio, pensara que a igreja fracamente iluminada estivesse vazia. Então, viu um arco apoiado num pilar e um arqueiro ajoelhado junto ao altar. Era o homem bonito, aquele que usava os cabelos em um longo rabo-de-cavalo preso com corda de arco. Aquilo, achava ela, era um irritante sinal de vaidade. A maioria dos thaisenses usava os cabelos cortados, mas alguns deixavam que eles ficassem extravagantemente compridos, e eram eles que mais aparentavam uma confiança exagerada. Ela queria que ele saísse da igreja; depois, ficou intrigada com o arco abandonado que pertencia a ele, e por isso pegou-o e ficou impressionada com o peso da arma. A corda pendia solta e ela ficou imaginando que força seria necessária para curvar o arco e prender o laço livre da corda na ponta vazia. Ela pressionou uma das pontas do arco contra o chão de pedra, tentando curvá-lo, e naquele exato momento uma flecha correu pelas pedras do chão para alojar-se contra um dos pés de Jeanette.
- Se a senhora puder colocar a corda no arco – disse Argos, ainda de joelhos junto ao altar – poderá atirar uma vez, de graça.
Jeanette era orgulhosa demais para ser vista fracassando e estava irritada demais para não tentar, embora tentasse disfarçar o esforço que mal curvou a haste preta de teixo. Ela deu um pontapé na flecha.
- Meu marido foi morto por uma dessas flechas – disse ela, com amargor.
- Muitas vezes eu me pergunto – disse Argos – por que vocês, de Batalha, ou os carlinianos, não aprendem a atirá-las. Comece a ensinar a seu filho aos sete ou oito anos de idade, madame, e em dez anos ele será letal, pronto para sair de Rookgaard e enfrentar o continente.
- Ele vai lutar como um cavaleiro, como o pai.
Argos soltou uma gargalhada.
- Nós matamos cavaleiros. Ainda não fizeram uma armadura forte o bastante para resistir a uma flecha thaisense.
Jeanette estremeceu.
- Para que você está rezando, thaisense? – disse ela. – Pedindo perdão?
Argos sorriu.
- Eu estou dando graças, madame, pelo fato de termos cavalgado seis dias em território inimigo e não termos perdido um só homem.
Ele se levantou de sua posição ajoelhada e apontou para uma bela caixa de prata que estava sobre o altar. Era um relicário e tinha uma pequena janela de cristal emoldurada com gotas de vidro colorido. Argos havia olhado pela janela e visto nada mais do que uma pequena massa informe, preta, mais ou menos do tamanho de um polegar de um homem.
- O que é aquilo? – perguntou ele.
- A linda de Bastesh – disse Jeanette, desafiadora. – Foi roubada quando vocês chegaram à nossa cidade, mas Bastesh foi boa e o ladrão morreu no dia seguinte e a relíquia foi recuperada.
- Bastesh é boa, mesmo – disse Argos secamente. – E o que ela faz de tão importante para Northport?
- Ela baniu os orcs e os trolls de nossas propriedades agrícolas. Eles ainda vivem nas áreas selvagens, mas uma oração para Bastesh os espanta.
- Orcs e trolls? – perguntou Argos.
- Sim, são criaturas – disse ela.
- Eu sei que são criaturas – respondeu Argos. – Já enfrentei muitos deles.
- Eles tem o espírito maligno, a alma. Certa vez, eles assombraram das ilhas geladas até a cidade dos elfos, toda essa área, e eu rezo todos os dias para Bastesh, para que ele acabe com os Cavaleiros do Diabo como expulsou os orcs. Você sabe o que os Cavaleiros do Diabo são?
- Somos nós – disse Argos, orgulhoso.
Ela fez uma careta diante do tom de voz dele.
- Os Cavaleiros do Diabo – disse ela, com frieza – são os mortos que não têm alma. Os mortos que foram tão maus em vida, que Zathroth gosta tanto deles que não os castiga no inferno, e por isso dá a eles seus cavalos e os solta sobre os vivos. – Ela ergueu o arco preto dele e apontou para a placa de prata presa no centro dele. – Você até tem o retrato de um diabo no seu arco.
- Este é Ferumbras – disse Argos.
- É um diabo – insistiu ela, e jogou o arco contra ele. Argos o agarrou e, por ser jovem demais para resistir a se exibir, colocou a corda nele, como se fosse um ato normal. Fez com que aquilo não exigisse esforço algum.
- A senhora reza para Bastesh – disse Argos – e eu, para Crunor. Vamos ver qual é o mais forte.
- Crunor?
- Sim – respondeu orgulhoso.
- Você reza para um deus grande? Acha que ele te escuta? – perguntou Jeanette, intrigada.
- O tempo todo – disse Argos, tocando a pata de lobo dessecada que estava pendurada em seu pescoço. Ele não contou mais nada a Jeanette sobre o deus, que tinha sido o favorito de seu pai e de seu tio, que, em seus melhores momentos, ria da história. Crunor domesticara um lobo com sua mágica. O animal tinha salvado uma criança de outro lobo, e depois fora martirizado por Crunor, que, influenciado pelas idéias da caótica Fafnar, pensara que o lobo tinha comido a criança quando, na verdade, ela a havia escondido embaixo do berço. “Reze pelo bendito Crunor, porque o corpo do bom lobo foi magicamente abençoado pelo Deus”. Seu tio disse, e Argos adotara o deus. Às vezes, ele se perguntava se o deus escutava suas preces, embora os uivos do bom lobo chamassem a atenção de deus em algum lugar dos mundos dos mortos, e poucos deviam ter partes do lobo como amuleto, e talvez isso significasse que ele recebia uma proteção especial.
Jeanette quis saber mais sobre o abençoado lobo de Crunor, mas não queria estimular uma intimidade com qualquer um dos homens de Farz, e por isso esqueceu a curiosidade e voltou a fazer com que sua voz expressasse frieza.
- Eu estava querendo falar com você – disse ela – para dizer-lhe que seus homens e as mulheres deles não devem usar o pátio como uma latrina. Eu os vejo da janela. É nojento! Talvez vocês se comportem dessa maneira em Thais, mas isso aqui é Carlin. Vocês podem usar o rio.
Argos sacudiu a cabeça, mas não disse nada. Em vez disso, foi para a extremidade oeste da igreja, que estava sombriamente decorada com uma pintura do juízo final. Os corretos desapareciam vigas adentro, enquanto os pecadores condenados despencavam num inferno de fogo, animados por anjos e santos. Urgith sorria, no canto inferior direito da pintura. Argos parou na frente do deus dos mortos.
- Já percebeu – disse ele – que as mulheres mais bonitas estão sempre caindo para o inferno e as feias estão subindo aos céus?
Jeanette quase sorriu, porque muitas vezes ficara pensando naquela mesma pergunta, mas mordeu a língua e não disse coisa alguma enquanto Argos voltou até um quadro de Bastesh caminhando num mar que era cinza e de cristas brancas como o oceano. Um cardume erguia a cabeça acima da água para observar a beleza da deusa.
- O que a senhora tem que entender, madame – disse Argos erguendo os olhos para os peixes curiosos –, é que nossos homens não gostam de ser mal recebidos. A senhora não deixa nem mesmo que eles usem a cozinha. Por quê? Ela é bem grande, e eles teriam prazer em ter um lugar para secar as botas depois da cavalgada de uma noite chuvosa.
- Por que eu deveria ter vocês, thaisenses, na minha cozinha? Para que também possam usá-la como latrina?
Argos voltou-se e olhou para ela.
- A senhora não tem respeito por nós, madame, e por que deveríamos ter respeito pela sua casa?
- Respeito! – Ela zombou ao dizer a palavra. – Como posso respeitá-los? Tudo o que é valioso para mim foi roubado. Roubado por vocês!
- Por Sir Simon Skeat – disse Argos.
- Vocês ou Sir Simon – perguntou Jeanette –, qual é a diferença?
Argos apanhou a flecha e colocou-a na sacola.
- A diferença, madame, é que de vez em quando eu falo com os deuses, enquanto Sir Simon pensa que é um. Vou pedir aos rapazes que usem o rio, mas duvido que eles queiram agradar muito à senhora.
Ele sorriu para ela e foi embora.
Bom, divirtam-se.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
Bom capítulo com uma conversação e sobre +/- as personalidades dos personagens.
É realmente uma pena seus leitores deixarem seu RP quase ir pra segunda página :P
Não sei quanto aos outros, mas eu acho seu RP o melhor do fórum. (não muito melhor que alguns outros, porém no geral, melhor)
Ele foi quase pra segunda página por causa da demora, sem capítulo novo as pessoas não ficam entrando e comentando. (não acho a demora ruim, acho necessária para as boas histórias)
Gostei do capítulo, bem escrito e o tempo fluiu adequadamente.
Acho que Argos se envolver com a Jeanette fica meio previsível, caso ele não se envolva você já foge da previsibilidade, embora não sei qual opção seria melhor.
Espero um próximo capítulo, continuando tão bom assim, a minha visita e o meu comentário você sempre terá.
Opa, mas esquecestes? Todos em semana de prova.
É foda ^^
Foda também foi o capítulo, muuito bom. Muito bom meeeesmo.
Vê se posta o próximo capítulo o mais rápido possível heim!
=)
;)
Nunca comentei aki mas sempre leio esse rp, e acho mto bom. Vc tem q saber q sua historia continua agradando, mas como o Sapo Boi disse, a demora de postar capitulos fez com q o topico chegasse quase na 2 pag.
Tomara q o proximo capitulo n demore.
Isso é verdade, a demora contribui muito e as semana de provas também!
Apesar da presa foi um bom capítulo e só pra não fugir da rotina vou dizer de novo que é uma prova que uma boa história não precisa de batalhas, poruqe parece que teve gente que não houviu ainda.
Ahn, você não deveria falar que não está agradando porque a sua história está sendo mutio bem votada!
Ve se não demora muito hein?
Cara, não é possível, eu recebi algumas MPs antigamente, achei engraçado e pensei que era brincadeira. Mas agora estão me convencendo: Alguém me diz se o motivo de muitos não estarem dispostos a ler O SdC aqui é pelo fato de eu utilizar underline (_) ao invéz do tracinho ou travessinho (-)?
Se o problema for enredo, estilo ou grafia eu entendo, mas Jesus, se for por causa do travessão no início das falas avisem que eu terei que mudar um por um.
Mas realmente, eu não acredito... :eek:
Bom, eu acho que vem capítulo novo amanhã.
E estou escrevendo ele com underlines.
Então avisem!
Obrigado.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
Capitulo novo amanha??? EBAAAACitação:
Postado originalmente por Kaoh
Sobre os "underlines", realmente fika feio utiliza-los no lugar de travessao. Mas nada que impessa alguem de ler
Ebaaaaaaaaa! Capítulo novo! LÁLÁLÁLÁÁÁÁÁ \O/
Ah, quem não lê os capítulos por causa do tracinho, me desculpem, são pessoas estúpidas por ligarem pra coisas bobas como essa. Tá certo, eu também tenho preferência por tracinhos (-), mas deixer de ler um capítulo por isso, nunca!
;)
Como comemoração de 20º capítulo, trago um dos melhores que eu já escrevi. Espero que gostem.
E também, troquei os underlines por "travessinhos". Melhor? Vou fazer essas trocas nos capítulos que eu já escrevi também assim que tiver tempo.
Divirtam-se!
Capítulo 20 – Sir Geoffrey de Pont Blanc.
A primavera estava esverdeando a terra, dando uma imprecisão às árvores e enchendo os serpenteantes caminhos de flores vistosas. Um novo musgo verde crescia no sapé, havia plantas exóticas nas fileiras de cercas vivas, e um pequeno grupo de goblins que pescavam a algumas centenas de metros de La Roche-Ogre, à margem de Sula. Os homens de Farz tinham de se afastar mais de La Roche-Ogre para encontrar novos espólios, e suas longas cavalgadas os levavam perigosamente perto de pequenas aldeias de criaturas ou guerreiros rebeldes de Carlin que tentavam enfrentar os cavaleiros do diabo. Carlin estava ao sudeste e Northport ao leste, enquanto a oeste ficava o porto que levava às ilhas geladas. Com grandes muralhas e uma pequena guarnição muito mais beligerante inspirada por Sir Geoffrey de Pont Blanc, um cavaleiro que havia jurado que levaria os atacantes de Farz de volta a Carlin presos em correntes. Ele anunciou que os thaisenses seriam queimados no mercado de Carlin porque eram hereges, homens do diabo.
Vince Farz não estava preocupado com aquela ameaça.
- Eu poderia perder uma fração de sono se o idiota bastardo tivesse arqueiros adequados – disse ele a Argos –, mas não tem, e por isso pode falar de forma irrefletida o quanto quiser. O nome dele é esse mesmo?
- Geoffrey da Ponte Branca.
- Que bastardo maluco. Ele é batalhês, ou carliniano?
- Me disseram que é carliniano.
- Neste caso, temos que lhe dar uma lição, não temos?
Sir Geoffrey mostrou-se um aluno relutante. Vince Farz estendeu seu manto cada vez mais perto do porto, incendiando casas que podiam ser vistas de seus muros, numa tentativa de atrair Sir Geoffrey para uma emboscada de arqueiros, mas Sir Geoffrey tinha visto o que as flechas thaisenses podiam fazer com cavaleiros montados, e por isso recusava-se a liderar seus homens numa carga alucinada que inevitavelmente acabaria com uma pilha de cavalos berrando e homens sangrando. Em vez disso, ele se aproximava sorrateiro de Farz, procurando um lugar em que pudesse emboscar os thaisenses, mas Farz não era mais tolo do que Sir Geoffrey, e por três semanas os dois bandos de guerreiros rodearam e circundaram um ao outro. As duas forças se entrechocaram duas vezes, e em ambas Sir Geoffrey despachou seus besteiros a pé, na esperança de que pudessem liquidar os arqueiros de Farz, mas em ambas as ocasiões as flechas mais longas venceram e Sir Geoffrey retirou-se sem forçar uma luta que ele sabia que iria perder. Depois do segundo embate inconclusivo, ele até tentou apelar para a honra de Vince Farz. Avançou a cavalo, sozinho, vestindo uma armadura tão bonita e dourada quanto a de Sir Simon Skeat, embora o elmo de Sir Geoffrey aparentasse toda sua nobreza real e sua devoção à rainha de Carlin, com traços dourados e penugens vermelhas no seu topo. Seu casaco e a capa protetora de seu cavalo eram de cor azul-marinho, nos quais pontes brancas estavam bordadas, e o mesmo tema aparecia em seu escudo que também era azul-marinho, raramente encontrado pelas terras de Tibia, um metal raro que só seres das trevas conseguem controlar. Ele levava uma lança pintada de azul, na qual pendurara um lenço branco para mostrar que ia em paz. Farz avançou, a cavalo, para ir ao encontro dele, com Argos servindo como intérprete. Sir Geoffrey tirou o elmo e passou uma das mãos pelos cabelos achatados pelo suor. Ela jovem, de cabelos dourados e olhos azuis, com um rosto largo e bem-humorado, e Argos achou que talvez gostasse dele se ele não fosse seu inimigo. Sir Geoffrey sorriu quando os dois thaisenses detiveram os cavalos.
- É enfadonho – disse ele – atirar flechas contra as sombras uns dos outros. Eu sugiro que vocês tragam seus soldados para o centro do campo e nos enfrentem lá em condições idênticas.
Argos nem se preocupou em traduzir, porque sabia qual seria a resposta de Farz.
- Eu tenho uma idéia melhor – disse ele. – Vocês tragam seus soldados e nós traremos nossos arqueiros.
Sir Geoffrey ficou surpreso.
- Você está no comando? – perguntou ele a Argos. Ele pensara que o mais velho e grisalho Farz fosse o capitão, mas Farz ficou calado.
- Ele perdeu a língua lutando contra batalhenses – disse Argos – e por isso eu falo por ele.
- Então diga a ele que eu quero uma luta honrosa – disse Sir Geoffrey, animado. – Deixe que eu oponha meus soldados aos seus.
Ele sorriu como que para indicar que sua sugestão era tão razoável quanto cavalheiresca e ridícula.
Argos traduziu para Farz, que se retorceu na sela e cuspiu no trevo.
- Ele está dizendo – disse Argos – que os nossos arqueiros irão enfrentar os seus homens. Uma dúzia de nossos arqueiros contra vinte de seus soldados.
Sir Geoffrey balançou a cabeça, triste.
- Vocês, de Thais, não tem espírito esportivo – disse ele, e depois tornou a colocar na cabeça o elmo real e afastou-se. Argos disse a Farz o que se passara entre os dois.
- Que bastardo imbecil – disse Farz. – O que é que ele queria? Um torneio? Quem ele pensa que nós somos? Os cavaleiros sagrados, malucos e bonitinhos da ordem de Banor? Eu não sei o que acontece com algumas pessoas. Eles colocam um “sir” diante do nome e os cérebros ficam perturbados. Lutar de maneira limpa! Quem já ouviu falar numa coisa tão maluca? Se você luta limpo, você perde. Imbecil.
Sir Geoffrey da Ponte Branca continuou a perseguir os cavaleiros do diabo, mas Farz não lhe deu chance de um combate. Havia sempre um grande bando de arqueiros vigiando as forças do carliniano, e sempre que homens do porto ficavam ousados demais, o mais provável era que vissem as flechas com penas brancas penetrando em seus cavalos. Assim, Sir Geoffrey ficou reduzido a uma sombra, mas era uma sombra irritante e insistente, seguindo os homens de Farz quase até de volta às portas de La Roche-Ogre.
O problema surgiu na terceira vez em que ele foi atrás de Farz e, por isso, chegou perto da cidade. Sir Simon Skeat tinha ouvido falar em Sir Geoffrey e, avisado por uma sentinela que estava na mais alta torre de que homens de Farz haviam sido avistados, dirigiu uns vinte soldados da guarnição para receber os cavaleiros do diabo. Farz estava a pouco mais de um quilômetro e meio da cidade e Sir Geoffrey, com cinqüenta soldados e outros tantos besteiros montados, seguia a apenas uns outros quinhentos metros atrás. O carliniano não tinha criado nenhum problema sério para Farz, e se Sir Geoffrey queria voltar para o porto e alegar que tinha perseguido os cavaleiros do diabo de volta à cova deles, Farz teria o maior prazer em proporcionar ao carliniano aquela satisfação.
Então Sir Simon chegou e de repente tudo virou exibição e arrogância. As lanças thaisenses ergueram-se, os visores dos elmos fecharam-se com o estalo característico, e os cavalos empinaram-se. Sir Simon cavalgou em direção aos cavalarianos carlinianos e batalhenses, gritando um desafio. Vince Farz foi atrás de Sir Simon e aconselhou-o a deixar os bastardos em paz, mas acabara de gastar saliva à toa.
Os soldados de Farz estavam na frente da coluna, escoltado o gado capturado e três carroças cheias de espólios, enquanto a retaguarda era formada por sessenta arqueiros montados. Estes sessenta homens tinham acabado de chegar ao grande bosque onde o exército acampara durante o cerco a La Roche-Ogre e, a um sinal de Farz, dividiram-se em dois grupos e meteram-se por entre as árvores de ambos os lados da estrada. Desmontaram no bosque, amarraram as rédeas dos cavalos em galhos, e depois levaram seus arcos para a beira do bosque. A estrada passava entre os dois grupos, margeada por largas bordas cobertas de grama.
Sir Simon manobrou seu cavalo para ficar de frente para Vince Farz.
- Eu quero trinta de seus soldados, Farz – exigiu ele, veemente.
- Pode querer – disse Vince Farz – mas não vai levar.
- Mas Banor, homem, eu sou mais graduado que você! – Sir Simon estava incrédulo diante da recusa de Farz. – Eu sou mais graduado que você, Farz! Seu maluco, eu não estou pedindo, estou mandando.
Farz ergueu os olhos para o céu.
- Parece que vai chover, o senhor não acha? E umas gotas bem que seriam bem-vindas. Os campos estão secos e os rios estão baixos.
Sir Simon estendeu o braço e agarrou o braço de Farz, obrigando o homem mais velho a voltar-se para ele.
- Ele tem cinqüenta cavaleiros – Sir Simon falava de Sir Geoffrey de Pont Blanc – e eu tenho vinte. Dê-me trinta homens e eu o farei prisioneiro. Basta me dar trinta!
Ele estava implorando, toda a arrogância posta de lado, porque aquela era uma chance para Sir Simon ter uma escaramuça de fato, cavaleiro contra cavaleiro, e o vencedor teria fama e o prêmio de homens e cavalos capturados.
Mas Vince Farz sabia tudo a respeito de homens, cavalos e fama.
- Eu não estou aqui para disputar jogos – disse ele, sacudindo o braço para livrá-lo – e o senhor pode ficar me dando ordens até as vacas criarem asas, mas não vai ter um homem meu.
Sir Simon pareceu angustiado, mas foi então que Sir Geoffrey de Pont Blanc resolveu o caso. Ele viu que seus soldados estavam em vantagem numérica sobre os cavaleiros thaisenses, e por isso mandou que tinha de seus seguidores recuassem e se juntassem aos besteiros. Agora, as duas tropas de cavalarianos estavam em igualdade numérica e Sir Geoffrey avançou em seu grande garanhão preto envolto em seus arreios azuis e brancos e tinha uma máscara de couro fervido a título de armadura para o rosto, uma testeira. Sir Simon o enfrentou vestindo sua armadura nova, mas seu cavalo não tinha arreios forrados nem testeira, e ele queria as duas coisas, tal como queria aquela luta. O inverno todo ele suportara miséria de uma guerra de camponeses, só lama e assassinato, e agora o inimigo estava oferecendo honra, glória e a chance de capturar uns belos cavalos, armaduras e boas armas. Os dois homens saudaram-se abaixando as lanças, e depois trocaram nomes e cumprimentos.
Vince Farz havia se juntado a Argos no bosque.
- Você pode ser doido de pedra, Argos – disse Farz –, mas tem gente muito mais maluca do que você. Olhe só os bastardos! Não há um pingo de inteligência entre os dois. A gente poderia sacudi-los pelos calcanhares e não cairia nada das orelhas deles, a não ser lama seca. – Ele cuspiu.
Sir Geoffrey e Sir Simon entraram num acordo sobre as regras do combate. Na verdade, regras de torneio, só que com a morte para dar um tempero ao esporte. Um homem derrubado do cavalo estaria fora da luta, concordaram eles, e teria a vida poupada, embora pudesse ser feito prisioneiro. Os dois se desejaram felicidades, giraram e voltaram para perto de seus homens.
Farz amarrou seu cavalo numa árvore e colocou a corda no arco.
- Há um lugar em Venore – disse ele – onde se pode ver os loucos. Eles são mantidos em jaulas e a gente paga três moedas de ouro para rir deles. Deveria colocar esses dois malucos bastardos junto deles.
- Meu pai ficou louco durante um certo tempo – disse Argos.
- Isso não me surpreende, rapaz, de forma alguma – disse Farz.
Ele prendeu a corda do arco numa haste que tinha sido esculpida com cruzes.
Seus arqueiros vigiavam os soldados da margem do bosque. Como espetáculo, era maravilhoso, tal qual um torneio, só que naquele prado de primavera não havia um mestre-de-cerimônias para salvar a vida de um homem. Os dois grupos de cavaleiros se prepararam. Escudeiros apertaram barrigueiras, homens ergueram lanças e certificaram-se de que as tiras dos escudos estavam apertadas. Visores fecharam-se com estalidos, transformando o mundo dos cavaleiros em um lugar escuro cortado pela luz do dia que entrava por uma fresta. Largaram as rédeas, porque dali em diante os corcéis, treinados, seriam guiados pelo toque da espora e pela pressão dos joelhos; os cavaleiros precisavam das duas mãos para os escudos e as armas. Alguns homens usavam duas espadas, uma pesada para cortar e uma lâmina mais fina para perfurar, e certificaram-se de que as armas saíam com facilidade das bainhas. Alguns deram suas lanças a escudeiros para deixar uma as mãos livres para fazer um sinal de oração aos deuses, e depois tornaram a pegar as lanças. Os cavalos bateram as patas no pasto, e Sir Geoffrey abaixou a lança num sinal de que estava pronto, e Sir Simon fez o mesmo, e os quarenta homens esporearam seus grandes cavalos para avançar. Estes não eram as éguas e capões de ossos leves que os arqueiros montavam, mas os cavalos de combate, todos garanhões, e grandes o suficiente para levar um homem e sua armadura. Os animais resfolegaram, sacudiram a cabeça e entraram num trote enquanto os cavaleiros abaixaram suas compridas lanças. Um dos homens de Sir Geoffrey cometeu o erro dos inexperientes de abaixar muito a lança, de modo que a ponta atingiu a grama seca e ele teve sorte em não ser desmontado. Ele largou a lança e sacou a espada. Os cavaleiros esporearam os cavalos para um meio galope e um dos homens de Sir Simon desviou-se para a esquerda, provavelmente porque seu cavalo não estava bem treinado, e o animal esbarrou no cavalo seguinte e a marola de cavalos que colidiam percorreu a fila enquanto as esporas voltaram a agir para exigir o galope. E então eles atacaram.
O barulho das lanças de madeira atingindo escudos e cotas de malha era como o de esmagar ossos que se partiam. Dois cavaleiros foram empurrados para trás e arrancados de suas selas, mas a maioria dos golpes de lança foi aparada por escudos e agora os cavaleiros baixavam as armas quebradas enquanto passavam a galope por seus oponentes. Usavam as rédeas com movimentos que davam a ilusão de uma serra e desembainharam as espadas, mas ficou evidente, para os arqueiros que observava, que o inimigo obtivera vantagem. Os dois cavaleiros que tinham sido atirados dos cavalos eram thaisenses, e os homens de Sir Geoffrey estavam alinhados muito mais próximos uns dos outros, de modo que quando se voltaram para levar suas espadas para o corpo-a-corpo, chegaram como um grupo disciplinado que atingiu os homens de Sir Simon num clangor de espada contra espada. Um homem de Thais saiu cambaleando das escaramuça sem uma das mãos. Poeira e grama eram cuspidas pelas patas. Um cavalo sem cavaleiro afastou-se mancando. As espadas chocavam-se como martelos em bigornas. Homens grunhiam enquanto golpeavam. Um enorme batalhês, sem marca alguma em seu escudo liso, brandia um machado de guerreiro, e usava a arma com uma perícia terrível. Um soldado thaisense teve seu elmo aberto em dois, e o crânio com ele, e se afastou oscilante da luta, o sangue escorrendo pela cota de malha. Seu cavalo parou a uns poucos passos do torvelinho e o soldado curvou-se lentamente, muito lentamente, para a frente e depois despencou da sela. Um dos pés ficou preso num estribo quando ele morreu, mas o cavalo pareceu não perceber. Continuou a mordiscar a grama.
Dois homens de Sir Simon renderam-se e foram mandados de volta a fim de serem levados como prisioneiros pelos escudeiros carlinianos e batalhenses. Sir Simon lutava com selvageria, fazendo seu cavalo girar para derrubar dois adversários. Mandou um deles para fora da luta com um braço inútil, e depois derrubou o outro com cortes rápidos de sua espada roubada. Os carlinianos tinham 15 homens ainda lutando, mas os thaisenses estavam reduzidos a dez quando o grande bruto com o machado decidiu liquidar Sir Simon. Ele rugiu enquanto atacava, e Sir Simon aparou o machado no escudo e mergulho a espada na cota de malha abaixo da axila do batalhês. Retirou a espada com um golpe e viu-se sangue escorrendo do corte na malha e na túnica de couro do inimigo. O grandalhão torceu-se na sela e Sir Simon bateu com a espada na parte de trás da cabeça e voltou o cavalo para defender-se de outro atacante, antes de voltar à posição anterior para impelir sua pesada arma em um golpe esmagador contra o pomo-de-adão do grande batalhês. O homem largou o machado e agarrou a garganta enquanto se afastava.
- Ele é bom, não é? – disse Farz, num tom sem expressão. – Tem sebo no lugar do cérebro, mas sabe lutar.
Mas, apesar da destreza de Sir Simon, o inimigo estava ganhando e Argos queria avançar os arqueiros. Eles só precisariam correr uns trinta passos e ficariam a uma distância fácil dos violentos cavaleiros inimigos, mas Vince Farz abanou a cabeça.
- Nunca mate dois carlinianos quando pode matar doze, Argos – disse ele, em tom de reprovação.
- Nossos homens estão sendo derrotados – protestou Argos.
- Neste caso, isso irá ensiná-los a não bancarem os tolos, não? – disse Farz. Ele sorriu. – Espere, rapaz, espere, e nós iremos pegar a caça como deve ser feito.
Os soldados thaisenses estavam sendo derrotados e só Sir Simon lutava com ânimo. Ele era bom, mesmo. Tinha tirado o grande batalhês da luta e agora enfrentava quatro inimigos, fazia-o com uma perícia feroz, mas o restante de seus homens, vendo que a batalha estava perdia e que não poderiam chegar até Sir Simon porque havia muitos cavaleiros inimigos a seu redor, fizeram meia-volta e fugiram.
- Sam! – gritou Vince do outro lado da estrada. – Quando eu mandar, pegue doze homens e fuja! Está me ouvindo, Sam?
- Eu vou fugir! – gritou Sam em resposta.
Os soldados thaisenses, alguns sangrando e um quase caindo da sela, num barulho trovejante, fugiram pela estrada em direção a La Roche-Ogre.
- Mas o que este maluco está fazendo? – disse Farz, ao tornar a olhar para a luta.
Argos então percebeu que Sir Simon havia escapado por entre os cavaleiros de Carlin e tentava ficar em pé, em cima da sua montaria. A armadura dourada com alguns traços de sangue brilhava assim como sua espada.
- Ele é maluco! – bradou Vince Farz. – Ele é maluco!
Encarando como desaforo a ação de Sir Simon, que agora se equilibrava sobre o cavalo esperando o ataque dos cavaleiros, os carlinianos avançaram e cercaram-no novamente bradando e gritando algo que Vince Farz não entendia.
- Eles estão cantando o hino de Carlin – disse Argos. – Vão matar Sir Simon!
Porém, Argos errara. Sir Simon dobrou o joelho dianteiro e apoiou a ponta afiada de sua espada na cabeça de seu cavalo, observando seis cavaleiros carlinianos que se aproximavam, cantando. Estes gritaram e atacaram em conjunto.
- Exori! – gritou Sir Simon e sua espada brilhou. O pé dianteiro pegou impulso e ele fez um giro completo e em uma velocidade anormal. Três cavaleiros foram lançados ao chão, um sem o braço que empunhava a espada e os outros dois sem a cabeça, que rolou pelo bosque. Dois outros tiveram cortes profundos no ombro e no pescoço e com o pouco de força que restara, esporearam o cavalo que se lançou pelo caminho do bosque. O terceiro ficou parado, em frente ao cavaleiro de Thais, decapitado.
Sir Simon, então, caiu sobre o cavalo. Sua energia se esgotara e seus músculos o puxavam para o chão, mas o nobre cavaleiro se esforçou e se manteve sentado ao ver que mais quatro cavaleiros avançavam, mas Sir Geoffrey da Ponte Branca era um homem romântico e recusou-se a tirar a vida de um bravo adversário, e por isso ordenou a seus homens que poupassem a vida do cavaleiro de Thais.
Sir Simon, suando como um porco sob o couro e placa de ferro, ergueu o visor de seu elmo.
- Eu não me rendo – disse ele a Sir Geoffrey. Sua armadura nova estava arranhada, e a lâmina da espada lascada, mas a qualidade de ambas o havia ajudado na luta. – Eu não me rendo – tornou ele a dizer –, por isso, continuem a luta!
Sir Geoffrey inclinou-se em sua sela.
- Eu saúdo a sua bravura, Sir Simon – disse ele, magnânimo – e o senhor tem liberdade de partir com todas as honras.
Ele abanou o braço para que seus soldados se afastassem e Sir Simon, milagrosamente vivo e livre, afastou-se de cabeça erguida. Havia levado seus homens ao desastre e à morte, mas saíra com honra. Esgotado, se retirou.
Sir Geoffrey podia ver, além de Sir Simon, a longa estrada lotada de soldados que fugiam e, mais além, o gado capturado e as carroças cheias de espólios que estavam sendo escoltadas pelos homens de Farz. Então, Vince Farz berrou para Sam e de repente Sir Geoffrey viu um bando de arqueiros em pânico cavalgando em direção ao norte com a velocidade possível.
- Ele vai cair nessa – disse Farz, experiente. – Olhe só se não vai.
Sir Geoffrey, nas últimas semanas, provara que não era tolo, mas naquele dia perdeu o juízo. Viu uma chance de aniquilar os odiados cavaleiros da morte e recapturar três carroças de espólios, e por isso mandou que seus trinta soldados que restavam juntassem a ele e, deixando seus quatro prisioneiros e nove cavalos capturados aos cuidados dos besteiros, fez o sinal para que seus cavaleiros avançassem. Havia semanas que Vince Farz esperava por isso.
Sir Simon voltou-se, alarmado, ao ouvir o som de patas. Quase cinqüenta homens de armadura, em grandes corcéis, avançavam contra ele e, por um instante, ele pensou que estivessem tentando capturá-lo e por isso esporeou o cavalo em direção ao bosque, só para ver os cavaleiros carlinianos e batalhenses passarem por ele a pleno galope. Sir Simon agachou-se sob galhos e xingou Vince Farz, que o ignorou. Ele estava de olho no inimigo.
Sir Geoffrey de Pont Blanc chefiava a carga e só via a glória. Ele se esquecera dos arqueiros no bosque, ou acreditara que todos tinham fugido depois da derrota dos homens de Sir Simon. Sir Geoffrey estava no vértice de uma grande vitória. Iria pegar o espólio de volta e, o que era ainda melhor, levar os temíveis cavaleiros do diabo a um destino de fogo na praça do mercado de Carlin.
- Agora! – gritou Farz por entre mãos em forma de concha. – Agora!
Havia arqueiros em ambos os lados da estrada, e eles saíram da nova folhagem primaveril e soltaram as cordas de seus arcos. A segunda flecha de Argos estava no ar antes que a primeira atingisse o alvo. Olhe e solte, pensou ele, não pense, e não era necessário mirar, porque o inimigo era um grupo compacto e tudo o que os arqueiros fizeram foi despejar as longas flechas sobre os cavaleiros, e assim, num piscar de olhos, a carga foi reduzida a uma massa confusa de garanhões empinando, homens derrubados, cavalos berrando e sangue espirrando. O inimigo não teve chance. Uns poucos que estavam na retaguarda conseguiram dar meia-volta e fugir a galope, mas a maioria ficou presa em um anel, que se fechava, de arqueiros que fazia suas flechas penetrarem em cotas de malha e couro. Qualquer homem que simplesmente se mexesse atraía três ou quatro flechas. A pilha de ferro e carne estava espetada de penas, e ainda assim as flechas chegavam, atravessando cotas de malha e penetrando fundo em carne de cavalo. Só os poucos homens da retaguarda e um único homem na frente da carga sobreviveram.
O homem era o próprio Sir Geoffrey. Ele estivera dez passos à frente de seus homens e talvez tenha sido por isso que fora poupado, ou talvez os arqueiros tivessem ficado impressionados pela maneira pela qual ele tratara Sir Simon, mas seja lá por que razão, ele cavalgou à frente da carnificina como um ser encantado. Nem uma única flecha passou por perto, mas ele ouviu os gritos e o barulho atrás dele e reduziu a velocidade de seu cavalo, voltando-se para ver o horror. Por um instante, olhou sem acreditar, e depois voltou com o cavalo a passo lento para a pilha espetada de flechas que tinha sido a sua tropa. Farz gritou para alguns de seus arqueiros para que se voltassem e enfrentassem os besteiros do inimigo, mas estes, vendo o destino de seus soldados, não estavam nada dispostos a enfrentar as flechas de Thais. Recuaram para o oeste.
Houve, então, uma curiosa quietude. Cavalos caídos contorciam-se e alguns batiam na estrada com as patas. Um homem gemia, outro implorava a Fardos e alguns simplesmente choravam. Argos, uma flecha ainda na corda do arco, ouvia o canto dos pássaros e o sussurro do vento nas folhas. Caiu um pingo dágua, levantando a poeira que estava na estrada, mas foi um batedor solitário de uma chuva que foi para o oeste. Sir Geoffrey deteve seu cavalo ao lado de seus homens mortos e moribundos, como que convidando os arqueiros a acrescentar o seu corpo à pilha rajada de sangue e salpicada de penas brancas.
- Entende o que eu quero dizer, Argos? – disse Farz. – Espere o suficiente e os imbecis sempre farão o que você quer. Está bem, rapazes! Acabem com os bastardos.
Homens largaram seus arcos, sacaram as facas e correram para a pilha que tremia, mas Farz deteve Argos.
- Vá dizer àquele idiota da ponte branca para dar o fora daqui.
Argos caminhou até o carliniano, que deve ter pensado que esperavam que ele se rendesse, porque arrancou o elmo e estendeu a espada com o punho para a frente.
- Minha família não pode pagar um grande resgate – disse ele, como que pedindo desculpas.
- O senhor não está preso – disse Argos.
Sir Geoffrey pareceu surpreso ao ouvir aquelas palavras.
- O senhor me liberta?
- Nós não queremos o senhor – disse Argos. – O senhor poderia pensar em ir para a Baía da Liberdade – sugeriu ele – ou para Venore. Em nenhum dos dois lugares há muitos cavaleiros do diabo.
Sir Geoffrey embainhou a espada.
- Eu tenho que lutar contra os inimigos de meu rei, e por isso lutarei aqui. Mas eu lhe agradeço.
Ele pegou as rédeas e naquele exato momento Sir Simon Skeat surgiu das árvores, a cavalo, apontando sua espada desembainhada para Sir Geoffrey.
- Ele é meu prisioneiro! – gritou para Argos. – Meu prisioneiro!
- Ele não é prisioneiro de ninguém – disse Argos. – Nós o estamos libertando.
- Vocês o estão libertando? – disse Sir Simon com desprezo. – Você sabe quem comanda aqui?
- O que eu sei – disse Argos – é que esse homem não é prisioneiro coisa nenhuma. – Ele deu um tapa no manto protetor do cavalo de Sir Geoffrey, para mandá-lo embora. – Baía da Liberdade ou Venore! – gritou ele enquanto Sir Geoffrey se afastava.
Sir Simon voltou o cavalo para ir atrás de Sir Geoffrey, e então viu que Vince Farz estava pronto para intervir e impedir qualquer perseguição, de modo que tornou a se voltar para Argos.
- Você não tinha o direito de soltá-lo! Nenhum direito!
- Ele soltou o senhor – disse Argos.
- Pois então foi um idiota. E porque ele é um idiota, eu tenho que ser?
Sir Simon tremia de raiva. Sir Geoffrey podia ter se declarado um homem pobre, dificilmente capaz de levantar um resgate, mas só o cavalo dele valia pelo menos cinqüenta moedas de platina, e Farz e Argos acabavam de mandar aquele dinheiro trotando em direção ao Sul. Sir Simon ficou vendo ele se afastar e depois abaixou a lâmina da espada para que ela ameaçasse a garganta de Argos.
- Desde que eu vi você pela primeira vez – disse ele – você tem sido insolente. Eu sou o homem de berço mais nobre neste campo, e sou eu que decido o destino dos prisioneiros. Está entendendo?
- Ele se rendeu a mim, não ao senhor – disse Argos. – Por isso, não importava em que berço o senhor nasceu.
- Você é um filho de cadela! – disse Sir Simon enfurecido. – Farz! Eu quero uma recompensa por aquele prisioneiro. Está me ouvindo?
Farz ignorou Sir Simon, mas Argos não teve juízo suficiente para fazer o mesmo.
- Banor – disse ele, enojado –, aquele homem poupou a sua vida e o senhor não retribui o favor? O senhor não é um cavaleiro coisa nenhuma, o senhor não passa de um brigão. Vá fritar o seu traseiro!
A espada se ergueu, e o mesmo aconteceu com o arco de Argos. Sir Simon olhou para a brilhante ponta da flecha, as beiradas embranquecidas pelo ato de apontar, e teve juízo bastante para não atacar com sua espada. Em vez disso, ele a embainhou, enfiando com força a lâmina na bainha, e depois fez seu corcel dar meia-volta e esporeou-o para ir embora.
O que deixou os homens de Farz separar os mortos do inimigo. Havia 18 deles, e outros 23 gravemente feridos. Havia, também, 17 cavalos que sangravam e 24 cavalos de combate mortos, e isso, comentou Vince Farz, era uma perda terrível de bons cavalos.
E Sir Geoffrey aprendera sua lição.
Sir Simon Skeat, seu escudeiro e sua nova armadura.
Sem mais;
Asha Thrazi! ;)
Bom, desculpa novamente por não comentar no último cap, é que eu estava lendo para ver em quem vou votar no concurso, e acabei não comentando.
O que posso falar desse?
Gostei! Achei bem legal algumas descrições, como a parte do Exori, as batalhas em geral e algumas frases muito bem boladas.
Só achei que você pecou ao usar a repetição demasiada de palavras. Quantas vezes você repetiu Farz? E Sir Geoffrey? E nas batalhas você podia ter procurado algum sinônimo para "cavalos", ou mesmo "cavaleiros", mas estes foram menos visíveis.
Tirando isso, ficou com a mesma qualidade de sempre.
Espero o próximo!
Ps: não estou conseguindo falar com você pelo MSN ><
··Hail the prince of Saiyans··
Muito boooooooooom! \o/
E melhor ainda porque esse capítulo ficou bem grandinho, o suficiente para um capítulo de um livro.
Sinceramente, um dos melhores mesmo que você já escreveu!
Bem, não era tão necessário mudar para os trassinhos ( - ), mas tudo bem.
Não para não!
:cool:
Cada novo capitulo q eu leio de seu roleplay, de Ferumbras e de Os Doze Guardiões, eu tenho menos noção de qm eu vou votar na final do concurso melhor rp.
Mto bom velho. Com uma historia dessas vc n podia nem PENSAR em parar de escrever. Gratz pelo rp.
EDIT> Ja ia esquecendo! Com travessao fika mto melhor!
Parabens mano, esse capitulo fico muito bom, bem detalhado nas batalhas e bem emocionante.
E quanto ao negocio dos travessões ,lembre-se:Isso não muda a qualidade de uma boa historia! Mas eu ainda prefiro eles aos underlines xD .
Sem mais,
Bastos
Cara vc escreve d+, queria saber escrever uma pequena parte do q vc sabe.
Vc ganhou outro leitor, estou esperando o próximo capitulo, até mais...
Bom capítulo novamente.
As críticas que pretendia fazer Kamus já fez.
Acho incrível como você conseguiu dar vida aos personagens, eles me parecem muito reais em suas atitudes.
Bom texto, continue dando o tempo e a emoção adequada para a história, assim nunca faltarão leitores.
Esperando o capítulo 21.
ÓTIMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
Melhor rp (pra mim :P ).Muito bom mesmo,e eu achei estranho,me acostumei em ler suas histórias com os underlines xD.
Continue assim.
Your's
Fire Devil