Postado originalmente por Rodrigo da Silva, editor do Spotniks
Era um tempo em que a TV Brasil ainda não existia. Roberto Requião conta que foi até o Palácio encontrar o Zé Dirceu. Queria dizer o quanto a TV Educativa estava sendo importante para o governo. Mas foi interrompido pelo Zé.
- Requião, mas o governo também tem uma TV.
O governador do Paraná não entendeu.
- Qual, Zé?
Zé respondeu.
- A Globo, Requião.
Hoje um áudio é vazado. Nele, o presidente do Senado afirma que Dilma foi pedir à Globo que ela desse mais uma vez uma força. A Globo disse não. Não havia mais o que fazer. Dilma se irritou. Disse que aquilo era papo furado, que em outras situações ela já tinha "influído" - "o que é verdade", diz Renan. Tempo perdido. Dessa vez era diferente. O efeito manada no país era grande demais até pra ela.
Efeito manada. "Quer dizer, uma maneira sutil de dizer acabou, né", diz Renan.
Pois é. Acabou. Por mais de uma década, amor. Enquanto os defensores do governo protestavam contra ela, ela fazia o jogo do governo. E ganhava muita grana por isso. Agora, nem ela poderia fazer qualquer coisa. Veja só em que ponto as coisas chegaram. Acabou até pra Globo.
Como será a reação dos bonecos de ventríloquo do Lula? A mesma de sempre. Fingir que nada disso existe. Faz parte da mística atacar a emissora. O áudio mostra que a Globo é golpista, dirão. Mil vezes golpista. Era seu dever atender aos pedidos da presidente do país e manipular a opinião pública.
Já era tarde. Num país onde há um golpe que não é um golpe, contra uma presidente do povo que não é popular, que afastou um partido operário que não criava emprego, tudo que a turma com "senso crítico" tem a fazer é repetir sem questionamentos aquilo que o discurso coletivo tem a dizer.
"O povo não é bobo!"
Bobo é você que sempre acreditou que a Globo estava contra o PT.