É isso! A questão sobre o dialeto travesti era bem simples. Tão simples que o enunciado era só um exemplo e não precisava nem lê-lo para conseguir fazer a questão e muito menos ter conhecimento de linguística, bastava seguir o raciocínio lógico. Em outras palavras, por que isso te incomoda tanto, Lipe? Se a questão o forçasse a ter conhecimento de ativismo gay, concordaria com você, mas não era o caso. Era só um exemplo.
Bem diferente das questões que o Nerd Pegador citou. Ciências humanas não são exatas, como o próprio nome já diz. São subjetivas, moldáveis, se constroem e mudam ao longo do tempo. Geralmente, existem diversas respostas "corretas" em uma questão, bem como algumas absurdas e "erradas". Meu ponto é: em provas objetivas de humanas isso sempre vai acontecer. Se em uma prova argumentativa-discursiva isso já é complicado, imagina em uma prova objetiva. O que deveria ser medido é a capacidade de argumentação do aluno e o conhecimento de teóricos distintos, como uma prova seletiva de pós-graduação (supostamente) faz, e não a sua opinião. O que deveria ser avaliado é uma construção dialética de argumentos distintos e não uma unilateralidade subjetiva.
Mas aí a questão é mais com o modelo do ENEM do que qualquer outra coisa.
E sobre analfabetismo funcional:
30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, independente do lado do espectro político. Isso é gente PRA CARALHO. Claro que há uma concentração maior entre as classes mais baixas, o que é natural, mas não é nem de longe exclusivo. E não precisa ir muito longe pra perceber isso, eu tenho grandes amigos, formados em ótimas universidades, que tiveram todas as oportunidades do mundo para se desenvolver intelectualmente, mas que preferem ficar o dia inteiro na praia ou no Instagram e que acabaram sem a capacidade de interpretar um texto. As redes sociais refletem bem isso. Aliás, isso é bem perceptível no próprio fórum.