Citação:
Oi, oi, galerinha! :P
Bem, fui desclassificada do concurso, então, teoricamente, teria que voltar a escrever minha história... Mas não. UHAIUAHIAU Tô cheia de coisas para fazer e bem concentrada no meu Life Thread roleplay, envolvida com várias coisas, por isso meio que abandonei aqui. No entaaaanto, o Lobo Cinza (obrigada!), me lembrou de minha responsabilidade e, hoje mesmo, decidi escrever o próximo capítulo da novela.
Lá vai! Espero que curtam!
Capítulo VI: Revivendo momentos esquecidos
— Quem é?! — Gritou a paladina com força e quase raiva, enquanto apontava seu arco dourado para a porta.
Ninguém respondeu. Ficamos em silêncio, esperando os socos novamente. Nada. Decidimos, então, avançar; Kea foi em minha frente com seu arco mirado para o meio da porta e eu, logo atrás dela, estava na defensiva, segurando, um pouco nervosa, meu bastão de gelo firmemente. A paladina abriu a porta: não havia ninguém. Nos olhamos, ainda desconfiadas... Quem quer que tenha batido à porta, não sumiria assim, do nada. Kea ainda deu uma boa analisada nas redondezas de seu casebre, procurando ver alguém pelos arredores. Ninguém. Suspiramos, aliviadas e mais calmas.
Foi então que vi algo, algo que me deixou ainda mais intrigada com tudo que estava acontecendo:
— Kea! Veja! Aquilo... É um papel! — Falei um pouco incrédula enquanto apontava para o papel.
A paladina, com a flecha, puxou o papel para dentro de casa, ao mesmo tempo em que fechava a porta, devagar, ainda desconfiada. Ela abriu o papel em minha frente e meu coração palpitou. Milhões de pensamentos se passaram em minha cabeça. Seria uma carta de Derrick? Outro aviso? Ameaças? Tudo girava naquele momento, até que Kea me acordou do transe o qual eu me encontrava:
— Swettie! Swettie! Você está bem? — Perguntou com uma expressão preocupada, quase maternal.
— N-Não... O que há na carta, Kea? — Inqueri-lhe tentando parecer impassível.
Kea franziu o cenho, estranhando minha súbita mudança de tom de voz. Ela aproximou-se de mim, ofereceu-me uma cadeira, olhou-me nos olhos e respondeu:
— Nada demais... Acho que erraram de casa. — No entanto, seus olhos eram questionadores, como se fosse, finalmente, descobrir o porquê eu estava ali.
— Diz... “Encontrei-me em Carlin... O Reino das Amazonas. Assinado: Alguém que se preocupa com você.”
Antes mesmo de Kea terminar de pronunciar aquelas palavras, meu coração palpitou tão fortemente que parecia retumbar em meus tímpanos. Eu tremia, tremia descontroladamente com as idéias que se passavam em minha cabeça. Sim! Era Derrick! Ele queria encontrar-me! Ele iria se desculpar e... Lágrimas escorreram de meus olhos. Vi Kea se levantar da minha frente, puxar seu banco e se sentar-se bem mais perto de mim. Ela começou a alisar meus cabelos, tentando me acalmar. Depois de algum tempo, levantou meu rosto e me fitou com seus olhos castanhos claros e, como uma mãe diz uma filha, falou:
— Conte-me tudo. Você não tem escolhas agora.
Suspirei resignada. Eu sabia que precisava contar-lhe tudo. A paladina havia me dado abrigo, comida, carinho e estava me ajudando muito mais do que qualquer um. Exceto Derrick e... Bem, eu devia esquecê-lo. De qualquer forma, fechei meus olhos procurando pensar em como lhe contar tudo. Como lhe contar sobre os maus tratos que sofri em minha infância em
Thais, quando aqueles orcs cruéis a invadiram e levaram consigo os poucos thaianos que restaram: eu estava entre eles, é claro. Como contar-lhe sobre as desavenças, sobre os inúmeros humanos que precisei matar para poder fugir daquela fortaleza orc... Onde residiam os mais diversos tipos de orcs e onde conheci Derrick.
Abri meus olhos e vi uma Kea paciente, esperando pela minha resposta. Suspirei de novo, não havia, realmente, escapatória.
— Bem... — Comecei devagar. — Minha infância foi sofrida... Eu... Eu morava em Thais. — Olhei para o teto rústico do pequeno casebre da paladina. — Na verdade, eu morava nas ruas de Thais. Eu vivia com Aruda e normalmente dormia em um canto da taverna de Frodo, que tinha certo interesse em Aruda e, por isso, me dava abrigo.
Exalei fortemente o ar. Era difícil relembrar de tudo aquilo que eu queria esquecer. Olhei para Kea com o olhar súplice, esperando piedade de sua parte e que ela não me permitisse falar mais. Não ocorreu. Ela continuou a me olhar, porém com os olhos castanhos perdidos, como se estivessem a imaginar minha história. Não tive oportunidade se não contar-lhe tudo unicamente.
— Eu não sabia — e não sei até hoje — como fui parar em Thais. Ninguém me contou. Eu... — Fiz uma pequena pausa. — Eu tentei descobrir, mas até mesmo Frodo ou Aruda, os quais eu possuía mais intimidade, não me falavam nada a respeito. Eu cresci assim, sem saber nada a respeito do meu nascimento.
— Desde pequena, sempre gostei da Natureza. Fui para a ilha dos novatos, Rookgaard, e de lá sai com um propósito firmado: eu iria ser druida, eu iria curar a todos os necessitados. Muitas coisas ocorreram desde então, eu aprendi muitas coisas com o velho Marvik, sábio druida de Thais. Ele ensinou a arte da cura, das runas, das magias. Eu, encantada e com facilidade de aprender tudo aquilo, fui sendo reconhecida em Thais, passando a compor uma das alas de druidas do exército de Tibianus III. Eu era ainda jovem quando fui a primeira reunião real, tinha cerca de 17 anos de idade. Tibianus III dava inúmeras ordens a seus cavaleiros, discutindo com eles táticas de batalha. Aquele senhor, velho e barbudo, dava-me orgulho de ser uma thaiana. Sempre nutri por ele um sentimento bom, de orgulho. Um sentimento quase paternal.
Fiz uma pequena pausa e olhei para o relógio de Kea. As horas passavam rápidas demais, pensei querendo terminar logo aquele assunto. Ela dirigiu seu olhar para o mesmo lugar o qual eu olhava: o relógio em um canto esquerdo. Passou as mãos pelos cabelos loiros, suspirou e me respondeu relutante:
— Tudo bem. Vamos fazer uma pausa e comer algo. Depois você continua. — E sorriu.
Spoiler: Resposta ao Sombra

