Ai, estou postando. Vou colocar também o quiz, pra vocês responderem e eu saber a opinião de vocês, que já deve estar mais formada:
(Respondam depois de ler a parte postada hoje!)
# O que vocês estão achando da história "Os Doze Guardiões" como um todo?
# Em que aspectos vocês acham que a narrativa evoluiu, e em que aspectos vocês acham que a narrativa involuiu?
# O que vocês acham que deva ser acrescentado à narrativa?
# Se fossem classificar "Os Doze Guardiões" por gênero, qual seria(m) ele(s)?
# Caso vocês tivessem que escrever uma resenha(um resumo do livro, que fica na contra capa geralmente) de "Os Doze Guardiões", como ela ficaria?
# O que vocês acham que vai acontecer?
# O que vocês tem a dizer em relação aos mistérios, como a misteriosa organização de Meta Humanos, entre outros...?
E na boa, se eu não receber uma quantidade boa de comentários decentes, eu vou parar de postar a história, sem críticas desanima muito de continuar. ><
Até mais,
~Heenett
Anteriormente...
Shalkan, agora apreensivo, acompanhava a progressão das sombras com os olhos: o frio avassalador delas impedia que ele se mexesse ou se concentrasse, e as sombras já ultrapassavam a sua cintura: uma vez completamente envolvido em sombras, ele entraria em coma profundo, podendo ser acordado somente pelo próprio Guardião das Sombras. E pior: uma vez completamente envolvido pelas sombras, ele podia ser transportado livremente através das mesmas, como o próprio Guardião faz, ou seja, poderia ser facilmente transportado para um lugar longínquo, onde provavelmente seria morto.
— Nos veremos depois, Shalkan. – disse Stryder, calmamente. – Você vai me entender. Agora durma. – E no momento que as sombras cobriram os cabelos de Shalkan, um emaranhado de vinhas e plantas brotou do chão e prendeu Stryder pelas mãos, pelos pés, pelas pernas e pelo pescoço. O mesmo fora feito com Dard.
— Eu não faço a mínima idéia do que esteja acontecendo. – disse uma voz feminina, que surgia por trás da muralha do santuário. - Mas essa loucura vai parar, aqui, e agora.
— Não se eu tiver algo a dizer – disse Stryder enquanto virava o rosto, com os olhos em profunda fúria.
E então, a esfera de escuridão novamente surgiu.
Capítulo 6(parte 6) - Além das Leis
Provação
Do lado de fora, a Guardiã das plantas olhava para a esfera que havia surgido, apoiada no topo da muralha do santuário.
— Stryder, pare com isso! – disse Nyla. – Você sabe que não vai adiantar nada.
Stryder não respondeu. Nyla, com seu corpo atlético, saltou para o lado a tempo de desviar de uma rocha lançada por Dard. Nyla era uma mulher que não aparentava ter mais de dezoito anos, e estava no auge da forma: o corpo era atlético, muito bonito, e longos cabelos castanhos desciam-lhe pelas costas, presos em um rabo de cavalo. Ela trajava o que parecia ser uma armadura de guerreira feita de madeira e folhas, e em seu pescoço estava preso um colar em chamas. Seus olhos exibiam uma firme determinação.
— Eu não vou te atacar, Stryder, então pare com isso e venha falar comigo.
Durante alguns instantes, nada aconteceu. Então, aos poucos a sombra da esfera foi diminuindo, até revelar Stryder e Dard, livres das vinhas, e Shalkan, caído no chão, envolto pelas sombras.
— Nyla, saia daqui. – disse Dard, entre os dentes.
— Você está brincando, né? – disse Nyla, irreverente. – Eu não vou a lugar algum sem vocês ou sem o Shalkan. Podem começar a se explicarem, que maluquice é essa?
— Você não iria entender – disse Stryder. Dard então arremessou outro bloco de terra em Nyla, que por sua vez bloqueou o ataque com seu bracelete.
— Isso vai demorar – disse ela, revirando os olhos.
E então, ela saltou.
Ele havia feito aquele teste há mais de dez anos, mas mesmo assim conseguia se lembrar dele como se o tivesse feito na semana anterior. Era o teste final, a prova que o elevaria definitivamente. Aquela lembrança jamais poderia ter se encaixado tão perfeitamente em uma situação.
Lá estava ele, aquele que um dia fora um garoto chamado Carl. Aquele garoto, que agora beirava os dezoito anos, havia mudado completamente: ele não carregava mais a dúvida em seus olhos, agora ele carregava coragem e determinação. Ele havia se tornado um homem forte, resistente, e extremamente ágil. E o cérebro desse garoto, a sua mente, já não era mais a mente de uma criança, e sim a mente de um combatente frio e estrategista. E naquele momento, tanto a mente quanto o corpo daquele garoto estavam sendo levados ao limite.
Ele estava amarrado em um poste de ferro, com as mãos nas costas e com os pés juntos, suspenso a pouca altura. As amarras eram correntes com cravos que se ficavam na pele, fazendo-o sangrar. Além disso, ele estava amordaçado, vendado, e estava submetido a um clima com a temperatura abaixo de zero, usando apenas um calção de pano, e um alto zumbido impedia que ele ouvisse qualquer outra coisa. A sua instrução para o teste havia sido apenas de uma palavra, dita a ele por seu mestre algum tempo antes: “escape.”.
Como? Como ele poderia escapar daquilo se além de preso, desconcentrado, e vendado, ele estava congelando pouco a pouco?Não havia como. E ele estava sangrando, dava para sentir os espinhos da corrente tocando e perfurando os seus pulsos e tornozelos. Mas se ele continuasse daquele jeito, em pouco tempo ele morreria de hemorragia, congelamento, ou falharia no teste, e nenhuma dessas possibilidades poderia ser concebível. Ele tentou gritar de dor, mas a mordaça impediu que qualquer som mais alto que um gemido abafado escapasse. Ele precisava arrumar um jeito de sair dali, precisava sair, precisava...
“Você ficará ai até aprender a ficar em silêncio.” Dissera seu mestre, naquela ocasião, alguns anos antes. “Mais meia hora, e não mais. Mas tente não chorar e fique em silêncio, medite.”. “Mas como eu posso meditar desse jeito??” respondera ele. “Sempre é possível meditar, Sigma, não interessa qual a situação.”, dissera o mestre, sabiamente. Era aquilo, o mestre dele tinha razão. Ele precisava meditar, ignorando as condições adversas para calmamente achar uma saída, usando o pouco que tem. Daquela vez ele fingira-se de morto para assustar o mestre, mas aquilo não o ajudaria dessa vez. Ele precisava meditar.
O rapaz então se concentrou, tentando ignorar o frio e a dor, e respirou profundamente. O ar gelado adentrou seus pulmões, e ele sentiu uma sensação horrível, que foi acompanhada de uma pontada forte de dor no pulso. Ele teve vontade de gritar, mas se conteve. Ele precisava se acalmar, precisava meditar, precisava esvaziar a mente...
A parte transparente deve ter sido limpa recentemente...
... para poder pensar numa estratégia. Após algum tempo, ele já havia conseguido se acostumar com o ar frio, e aos poucos as outras sensações foram sendo abafadas, a dor, a audição, o frio... E, em pouco tempo, as únicas coisas que o rapaz conseguia perceber eram os ecos da própria mente. “Certo”, pensou ele. “Eu preciso escapar. O que tenho à minha disposição?”. Aquilo era fácil. Ele não tinha quase nada a sua disposição, a não ser o próprio corpo, que estava preso. Afora isso, nada mais poderia ser útil. “A minha prioridade é libertar as mãos, de modo a poder tirar a venda, a mordaça, e as correntes dos tornozelos, para também parar o sangramento.”. Mas como ele libertaria as mãos? Quatro cravos da corrente tocavam cada um dos pulsos, sendo que pelo menos um deles estava perfurando-o. Apesar daquilo, se ele puxasse as mãos para fora da corrente, ou se tentasse se libertar das correntes usando a arte da fuga, os cravos fariam cortes enormes no pulso e nas mãos, fazendo-o sangrar até morrer.
... produtos de limpeza tem glicerina...
Então como ele poderia escapar? Ele tinha que escapar daquelas algemas, e estava tão frio que o sangue congelava poucos segundos depois de sair do corpo... “O frio! É isso!”, pensou o rapaz, triunfante. Uma estratégia começou a se formar em sua cabeça, mas junto com o entusiasmo, as sensações de dor, frio, e a audição começaram a voltar. Ele precisava ser rápido. Então, sem hesitar, ele forçou o tornozelo em um dos cravos que não o estavam perfurando, fazendo com que o sangue começasse a sair de lá também, banhando a corrente. Ele repetiu o processo com os dois tornozelos, e o fez com todos os cravos que prendiam seus pés. Após alguns preciosos minutos, a corrente que prendia os pés do rapaz estava banhada em sangue. “Agora, esperar”, disse Sigma, com os tornozelos perfurados e latejantes. Aquilo tinha que dar certo, senão seria o fim.
...eu estou respirando ar atmosférico, preciso tentar...
Segundos depois, o rapaz encostou o tornozelo em um dos cravos. Perfeito. Então, com um puxão, ele subiu com os pés, se livrando da corrente por completo, com apenas alguns cortes leves. Triunfante, ele colocou os pés junto ao poste de ferro, e foi puxando o corpo levemente pra baixo, até encostar-se ao chão, de modo a não furar os pulsos com os cravos da outra corrente. Ao encostar-se ao frio chão de metal, ele foi se abaixando até as mãos tocarem o chão. Ajoelhado, na posição que estava, com alguma dificuldade ele conseguiu colocar os calcanhares sobre a corrente que prendia as mãos. Após fazem alguns movimentos com os pulsos e com os pés, ele pisou com força, cravando os calcanhares fundo nos cravos da corrente que prendia as mãos, e então, ele começou a abaixar a corrente com os calcanhares, escorando as mãos na parte sem os espinhos, que estavam cravados nos calcanhares, e após alguns minutos, ele soltou as mãos. Quase sem pensar, ele levou-as até a boca, tirando a mordaça, e em seguida usou-a para estancar o ferimento de um dos pulsos. Aos poucos, mas sem abrir os olhos, ele tirou a venda, e usou-a para estancar o ferimento do outro pulso. Mas ele ainda precisava estancar o sangramento dos pés, por isso ele rasgou parte do calção para amarrar neles. Estão, após certificar-se que o vento não estava muito forte, ele abriu os olhos.
... está dando certo, está dando certo...
A visão que ele teve foi surpreendente. Ele estava sobre um chão de pedra, amarrado a um fino pilar. Ele havia sido vendado antes de ser levado ao lugar do teste, por isso não havia deduzido antes: ele estava no santuário dos guardiões. À sua frente estavam Shalkan, o Guardião do Gelo, Augustus Sigma, o Guardião do Ácido, Thresdárius, o Guardião da Tempestade, Wind, o Guardião da Luz, Heenett, o Guardião do Fogo, e Heenett, o garoto que já fora conhecido como Edward. O rapaz, que era o próprio Augustus Sigma, conhecido antigamente como Carl, olhou para os lados, e viu sangue sob o pilar ao seu lado: Edward também estivera fazendo o teste. Ele ostentava marcas de cortes profundos nos pés, e assim como ele, um único perfuramento em cada pulso. Apesar de tudo, ele sorria como nunca.
E assim foi. Ele nunca mais iria se esquecer do seu entusiasmo quando Thresdárius, seu mestre, disse: “parabéns, você passou.”. Ele nunca iria se esquecer da sua alegria, quando o Guardião do ácido disse que iria treiná-lo pessoalmente. Ele nunca iria se esquecer da euforia de saber que Heenett seria treinado pelo Guardião do Fogo. Ele também nunca iria se esquecer da, apesar de tudo, tristeza, de saber que se despediria de Thresdárius, e que o veria muito pouco dali em diante. Mas mesmo com essa tristeza ele estava alegre como nunca, pois após quinze longos anos de treinamento, havia sido confirmado: ele seria o Guardião do Ácido.
As fortes emoções daquela lembrança confundiram Sigma por um instante, mas logo depois ele manteve voltou a manter o foco. A concentração tinha que ser absoluta.
Gustaf estava trabalhando em seus computadores quando Irinosh entrou no laboratório. Sem se virar, Gustaf disse:
— O que você quer?
— Vim ver o prisioneiro. – disse Irinosh.
— Ele está bem – disse Gustaf, apontando o monitor com as informações de Sigma, que incluíam uma imagem em tempo real. – A região do cérebro dele que estava sob foco da mente era a das memórias, com levíssimas oscilações. Ele provavelmente está se lembrando do passado, ou do amigo morto, porque há pouco a região das emoções foi focada. Mas no mais, ele está bem. Satisfeito, Irinosh? Seu precioso espécime não está morto, muito menos morrendo.
— Mas então o que..? – disse Irinosh, sem tirar os olhos do monitor.
Gustaf virou-se para o monitor também, e a cena que ele viu nos instantes seguintes era uma cena que ele simplesmente não poderia ter previsto nunca.
Sigma estava com uma das mãos parcialmente fechada em frente o corpo, como se segurasse uma bola de tênis, e a outra mão estava no tubo de oxigênio. Então, súbita e inesperadamente, ele puxou o tubo de oxigênio para fora da roupa. O tubo foi imediatamente recolhido pelo equipamento de segurança, e o ar de dentro da roupa de Sigma começou a ser sugado para fora, por causa do vácuo da cela. Logo depois disso, Sigma levou a mão e encostou-a na parede transparente da cela, em seguida esfregando a palma na mesma, tentando resistir ao empuxo provocado pelo deslocamento de ar de dentro para fora da roupa.
— MAS O QUE..?! – berrou Gustaf, estupefato.
E então, a parede da cela explodiu.