Sei nem oque dizer que machado overpower seria esse ? E o seu criador? Superaria a lâmina de Crunor? Logo mais no próximo capítulo! Rs parabéns neal.
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Sei nem oque dizer que machado overpower seria esse ? E o seu criador? Superaria a lâmina de Crunor? Logo mais no próximo capítulo! Rs parabéns neal.
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Preparem-se para a guinada que a história vai receber a partir de agora. Vamos explorar outros campos de muitas culturas.
CAPÍTULO 11 – FÉRIAS FORÇADAS
Jason abriu os olhos e viu-se prontamente diante de uma imensa antessala organizada, no centro da qual havia uma escrivaninha atulhada de pergaminhos. Um carpete vermelho gasto cobria todos os cantos do piso, e algumas janelas cheias de adorno estavam inexplicavelmente quebradas.
Do outro lado da escrivaninha, Crunor sorria para ele com bondade. Uma cadeira de madeira simples se materializou diante dele. Jason entendeu a deixa e se sentou.
Durante um longo momento, ele e Crunor mantiveram somente os olhos fixos nos do outro, reflexivos. O deus, com sua personalidade sempre assente e muito controlada, parecia ler cada linha da alma de seu último descendente vivo. Seus olhos azuis ardiam, embora os ombros estivessem muito relaxados sob a camisa regata branca impecável. Os feixes dos músculos dos braços se destacavam, e a barba tremia um pouco, como se Crunor achasse graça de alguma coisa.
— Que grande trabalho você fez.
Jason arqueou as sobrancelhas, inerte ao elogio. A verdade é que John havia sido muito claro quanto à atuação de Crunor diante da maior crise que o antigo continente já havia enfrentado e, sinceramente, tinha pouca ou nenhuma confiança nele naquele momento. Decidiu nada responder.
— Estou saindo de férias – disse, surpreendentemente. – Sinceramente, os problemas recentes me deixaram um pouco catatônico.
— Te deixaram?
Jason sorriu amarelo, descrente sobre quão cínico alguém poderia ser a respeito de determinados temas. A verdade é que Crunor atuara de forma totalmente neutra no combate, e pouco se ouvira falar ao seu respeito e, quando se ouvira, não eram boas notícias. Agora, ele simplesmente avisava Jason que estava deixando o universo à sua própria sorte por tempo indeterminado, alheio à batalha recente.
— Garoto, não seja como o incandescente desertor. Existe um sem número de situações que derivam das outras e, enquanto vocês lutavam, outros problemas burocráticos também estavam sendo resolvidos aqui em cima. Estive… estou com uma crise nas mãos entre meus próprios comandados, algo que vez sim, outra também, preciso resolver. Não é fácil estar na minha posição. Quer meu cargo por um único dia?
O cavaleiro refletiu alguns segundos a respeito. A abordagem de Crunor, é claro, considerava dados e critérios que ele mesmo afastava quando objetivava fazer sua análise sobre a participação dele no combate. Obviamente, não era necessário que ele lutasse ostensivamente, dentro do campo de batalha: suas atividades extraordinárias também podem ter tido um papel determinante no próprio deslinde do feito.
Agora, Jason achava-se verdadeiramente confuso. Tinha escutado tudo que John e Heloise haviam dito a respeito de Crunor, e criara sua própria opinião baseada nas deles. Não era fácil conflitá-las neste momento.
— Vocês têm outro problema em mãos – disse Crunor, trazendo Jason de volta ao presente. – Deve ter percebido que Leonard Saint matou Cain.
— Eu o teria feito, se tivesse chegado a tempo.
Crunor riu; não parecia reprovar.
— Sei que sim. Mas o fato é que as escrituras trazem consigo uma maldição operante sobre quem tirasse a vida de Cain. Ele seria vingado sete vezes, é meu acerto com ele, depois que o expulsei da minha presença.
Jason arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Sete vezes?
— É o combinado.
O cavaleiro respirou fundo.
— E você vai vingá-lo?
Crunor arregalou os olhos.
— Por mim, Jason, é claro que não – ele se remexeu na cadeira, enquanto Jason ainda tentava entender a expressão “por mim”. – Não, Leonard Saint é um homem segundo o meu coração. Jamais tocaria em um fio de cabelo dele.
Quando Jason compreendeu que “por mim” poderia significar “por Deus”, fez uma careta à la Leonard.
— Pois é – continuou Crunor, fazendo uma péssima avaliação da expressão de surpresa do outro. – Não, não. As escrituras são muito mais parabólicas do que literais. Compreenda-as como doutrina religiosa, mas nunca como um livro de história. Sabe qual é a diferença, Jason?
Ele sacudiu a cabeça, sincero.
— A história é interpretada com a subsunção do fato ao tempo. A doutrina religiosa se perpetua ao longo das gerações, e não está sujeita às más interpretações. Pelo menos não as criei para que estivessem.
Crunor pensou por dois segundos, reflexivo.
— Preparem-se, porque vem pela frente algo que deixará o Anjo Caído parecendo um gatinho em fuga. Será necessário…
— E você decide tirar férias?
A pergunta de Jason era mais inquisitiva do que restritiva. Ele queria entender sobre como Crunor poderia pensar em se ausentar logo depois de dar-lhe aquelas informações, tão contundentes como eram.
— Esse é um combate que independe de mim – ele sorriu, triste. – Porém, vou deixá-los em contato com um conjunto de homens e mulheres que gozam da minha inteira confiança. Não será fácil de encontrá-los… ao menos alguns deles – a barba dele tremeu ligeiramente –, mas, uma vez que os encontrem, mencionem o meu nome de passagem. Eles podem estar me devendo um favor ou dois.
— Mas…
— Está na hora de voltar.
Crunor enfiou um pergaminho lacrado nas mãos de Jason e tocou sua testa.
*
— De férias?
John andava de um lado para o outro no jardim suspenso da casa de Jason e Leonard, justamente na companhia dos dois amigos. Os funerais estender-se-iam por mais algumas horas antes que todos os heróis de guerra fossem sepultados no cemitério a leste, com as honras que efetivamente mereciam.
Agora, no entanto, Jason achava que a maior crise de todas seria a de se administrar os sentimentos conflitantes de John. O incandescente parecia enfurecido por algum motivo específico, e os acontecimentos recentes somente serviram para extenuar suas forças, quase que definitivamente. Seus sentimentos já estavam bastante aflorados e por pouco o cachimbo d’água não pagou por sua fúria.
— O que você acha disso?
John questionou Jason diretamente, enquanto o cavaleiro, de sobrancelhas arqueadas, atirava fumaça cheirosa pelo ar.
— Sinceramente, não acho nada.
— Como…
— John, sente-se.
Surpreendentemente, o pedido vinha de Leonard, que acompanhava a discussão com somente meia atenção. John olhou para ele como se o visse pela primeira vez na vida e obedeceu quase que instantaneamente.
O arqueiro pendeu o corpo para a frente, parecendo cansado.
— Crunor nunca nos ajudou em absolutamente nada. É possível que sua voz tenha me orientado a apunhalar Cain na altura da nuca, mas essa era uma ideia que já me havia perpassado a cabeça. Ele nos enviou Hansel e Gretel, que morreram. Svan se foi. Melany está prestes a se retirar novamente com o grupo de amazonas e retornar para seu acampamento. Zathroth tem um acordo de paz conosco. Sinceramente, onde é que você vê vantagem?
“O fato de que ele se ausentará, particularmente, em nada me incomoda. Nunca precisamos dele para nada. A maioria dos nossos problemas foram resolvidos por ninguém menos do que nós mesmos. Se Crunor está aqui ou não, pouca diferença faz. Que tire suas férias, em outro planeta, de preferência, e que não mais interfira nas nossas decisões. Estaremos melhores assim.”
John arregalou os olhos, descrente. Nunca havia pensado em fazer análise do gênero e, para ele, incomodante era em suficiente medida o fato de que Crunor parecia sempre estar neutro. Porém, na visão de Leonard – e de Jason, porque agora o cavaleiro assentia com a cabeça em sinal de concordância –, Crunor não somente os atrapalhava, como era dispensável.
Talvez, em sua longa saga como incandescente, ele tivesse sido doutrinado para pensar diferente, e não ignorava aquela possibilidade. Contudo, achava que aquilo era avançar limites, até mesmo para ele, que era um expert na arte.
— Entendi – limitou-se a dizer, com sinceridade.
— Temos de nos concentrar no próximo passo – disse Jason, passando a mangueira do cachimbo para Leonard. – Se algo poderá caçar Leonard, então precisaremos estar preparados. Temos duas relíquias, a Espada de Crunor e o Livro das Ciências Ocultas. Acredito que possa lê-lo. Talvez seja interessante buscar um arco, ou mesmo um cajado. Conhece algo?
John fez que sim uma vez, imerso em pensamentos.
Repentinamente, Jason lembrou-se do pergaminho que lhe fora entregue por Crunor. Ele rompeu sua cera e o abriu, identificando prontamente a caprichosa caligrafia do Criador. Ali, nada mais existiam do que 11 nomes – os nomes mais estranhos que Jason já havia visto –, um em cima do outro.
O cavaleiro franziu o cenho.
— Do que se trata? – perguntou John, disperso.
— “Theoí tou Olýmpou” – Jason recitou a primeira linha do pergaminho.
O incandescente levantou a cabeça de uma só vez, estalando o pescoço.
— Como é?
— Não me faça repetir – ele passou o papel para John, exasperado.
Por um instante, John acreditou que estivesse diante de uma situação que fosse sistematicamente embaraçosa. Inobstante, agora, entendia o que Crunor quisera dizer quando mandou que Jason procurasse por um grupo de homens e mulheres. Aqueles 11 nomes eram muito famosos no paraíso, em qualquer dos tempos.
— É tão… improvável.
— O que é?
John franziu os lábios, tenso.
— No início da Criação, Crunor trouxe à existência boa parte dos seus querubins. Se não me engano, Gadreel foi o primeiro.
“Nos anos subsequentes, ele estava encontrando algumas dificuldades para administrar tudo. Aliás, não dificuldades… mas a estafa era grande. Nessa oportunidade, Crunor, reunido com os arcanjos, decidiu criar determinados seres que se assemelhassem a ele quanto aos poderes que detivessem, mas que cada qual tivesse somente um deles. E, então, com a ideia pronta e o projeto aprovado pela alta cúpula do céu, ele os criou.
“A Zeus foi atribuído o domínio dos céus. Poseidon ficou encarregado pelos mares e Hades, pelo submundo. Esses são os chamados Três Grandes. Hera, a esposa de Zeus, passou a cuidar do matrimônio. Afrodite é a deusa do amor. Hefesto, seu primeiro esposo, é o senhor das forjas vulcânicas. Ares, aquele com quem Afrodite mais de uma vez traiu Hefesto, é o senhor da guerra. Apolo é o deus do sol, e Ártemis, a deusa das caçadoras. Creio que Melany já tenha ouvido falar sobre ela. Hermes é um mensageiro, e zela pelos mercadores e, creia se quiser, pelos gatunos. E Atena é a senhora da sabedoria. Juntos, são chamados de ‘Deuses do Olimpo’.”
— Mas…
— Jason, o fato de que Crunor nos pediu para que procurássemos os deuses do Olimpo não é uma boa notícia – ele coçou a cabeça, guardando consigo o pergaminho. – Vem chumbo grosso por aí.
Jason olhou John nos olhos, e já tinha com ele conexão o suficiente para compreender seus sinais. Ele estava apavorado. Fossem quem fossem os Deuses do Olimpo, precisavam encontrá-los depressa.
Que loucura, agora até os deuses gregos farão participação na história. O mais interessante é Crunor depender deles. Ou seria ele tirar férias? Será que ele vai fazer igual aquele filme "Deus É Brasileiro" e pular o Carnaval por aqui ou algo assim? :lol:
Novamente, mais um excelente capítulo, Neal. Eu gostei dessa transição que a história tomou, e a forma de como você tratou os Olimpianos como seres com parte de seu poder é bem criativa. Olhando dessa forma, o politeísmo não é lá a melhor forma de encontrar deuses poderosos, afinal, o que são vários deles pra apenas um, cujo é absoluto e dono de tudo?
Eu não consigo me lembrar dessa menção ao Inominado, mas seguindo a linha que a história está tomando, poderia ser Cronos? Talvez até mesmo Gaia, muito puta com seus filhos, que nem em God of War? Bem, eu acredito que você certamente me surpreenderá com a sua resposta. Já estou surpreendido com a inserção da mitologia grega na história, me lembra até da intenção de adicionar coisas semelhantes nos meus trabalhos, mas ainda não consigo achar um espaço pra fazer isso. Maldita seja a Irmandade.
No mais...
Mano :biggrin: Crunor é um cara excêntrico e tanto, hein? Me senti igual ao Jason nessa parte.Citação:
— Por mim, Jason, é claro que não – ele se remexeu na cadeira, enquanto Jason ainda tentava entender a expressão “por mim”. – Não, Leonard Saint é um homem segundo o meu coração. Jamais tocaria em um fio de cabelo dele.
Quando Jason compreendeu que “por mim” poderia significar “por Deus”, fez uma careta à la Leonard.
No aguardo do próximo, parceiro. Conte sempre comigo.
Kkk mano eu ja comecei imaginar kratos atras do Leonard que viagem a minha kk boa transição neal mitologia grega sem duvida minha favorita nao sei se conhece O rpg age of mithology onde o protagonista arkantos passa por poucas e boas ate alcança a divindade um tanto quanto parecido com nosso querido jason. Esperando um bom desenvolvimento dessa parte e que Leonard se cuide rs! Parabéns.
Saudações!
Neal, me perdoa a ausência de novo; o ano começou estressante e, agora que algumas pendências foram resolvidas, estou INFINITAMENTE mais leve e continuo encantada com a sua história, estupefata com os ocorridos. A forma como você trata religião e os teísmos variados é bem interessante, apesar de eu tender a discordar do Carlos, por uma questão de preferências: monoteísmo nunca me foi atraente, por conta de diferentes alinhamentos e princípios que as pessoas podem assumir conforme o deus ou deusa que veneram. Se eu fosse escolher alguma religião para mim, certamente seria alguma politeísta, de cunho pagão ou até mesmo o próprio xamanismo. Acho que já comentei isso em um dos volumes anteriores de sua história como curiosidade mesmo =D
Voltando ao tópico, aguardo ansiosamente os próximos capítulos, onde tecerei comentários mais detalhados, como a sua história merece <3
Um forte abraço e sempre conte comigo,
Iridium.
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CAPÍTULO 12 – BUSCA IMPLACÁVEL
— Os reflexos disso podem ser somente um — ia dizendo Crunor, segurando uma pitoresca maleta de pano e olhando para seus três arcanjos. — Cain não podia ser morto. Desabará fúria sobre Leonard Saint.
O machado apreendido na residência de Jason Walker flutuava magicamente entre os arcanjos e Crunor, lançando uma luz aterradora por toda a antessala. Rafael, que mantivera seus olhos fixos na arma até aquele momento, pela primeira vez voltava seus olhos para o Criador.
— Senhor, não é uma… má ideia… não me interprete mal — ele acrescentou depressa, engolindo em seco. — Mas… quero dizer…
— Raios, desembuche, homem — Crunor arqueou as sobrancelhas.
Rafael pigarreou, desconfortável.
— Não acha que é uma má ideia… sair agora? Quero dizer… se o Inominado está prestes a retornar, não seria melhor que o senhor estivesse aqui?
Crunor olhou para Rafael como um pai que olhasse para um filho querido. Ele lhe deu um meio sorriso, conformado.
— Vocês são as mais belas das criaturas que decidi trazer ao mundo — ele umedeceu o lábio inferior. — Os arcanjos são meus olhos, ouvidos e, às vezes… não raras vezes… músculos. Ninguém combate melhor do que vocês.
Rafael, Gabriel e Miguel entreolharam-se, sem bem saber o que responder.
Por um longo momento, um silêncio incomodante pairou sobre a sala.
— Não é um mau momento — concluiu Crunor, finalmente. — Dei a Jason Walker os 12 combatentes do Olimpo. Se ele conseguir reunir a todos, então haverá força-motriz o suficiente para frear a ofensiva de Ferumbras.
Os arcanjos se retesaram involuntariamente, arrepiando-se. Crunor, evidentemente, percebeu a circunstância, mas decidiu deixar aquela passar.
— Preciso de vocês. Resolvam isso para mim, tá legal?
Ele desapareceu no segundo seguinte.
Rafael, de olhos fixos no machado demoníaco, permaneceu inerte.
A realidade é que nenhum deles estava tão otimista assim.
*
— Acha que é uma boa hora?
Heloise marchava quase correndo atrás de Jason, que carregava uma mochila nas costas. Eles deixaram o castelo de Carlin e logo estavam avançando entre a população da cidade na primeira rua que cortava a avenida principal, no sentido sul. Aqui e ali, homens trabalhavam febrilmente na reconstrução da cidade e na alocação dos feridos e na concessão de suporte às famílias que haviam perdido entes queridos.
— Não podemos perder tempo — justificou Jason, falando por sobre o ombro. — O fato de termos criado nossa ofensiva em tempo foi o que determinou nossa vitória contra Lúcifer. Se aquele é um modelo que funciona, então não posso simplesmente abandoná-lo. Preciso replicá-lo agora.
— Esse tal de…
— É melhor não dizer o nome dele.
Heloise trombou com um dos soldados do exército, que pediu milhões de desculpas enquanto a rainha já o ultrapassava e deixava para trás, ainda tentando acompanhar Jason.
— Jason, espere.
Ela o pegou pelo braço e ele se virou totalmente, de olhos arregalados.
— Entendo a natureza da ameaça, tudo bem? Mas não leve todos. Deixe ao menos um para mim.
Jason deliberou por um instante.
— Não posso deixar Leonard ou John, mas Randal vai ficar. É o suficiente?
A rainha fechou os olhos, nervosa.
— Não é o suficiente. Preciso de John.
— Este é o único que não podemos negociar — sentenciou. — John conhece os deuses do Olimpo e não posso partir sem ele. E, sem Leonard, sinto-me como se estivesse nu. Sei que não posso sobrecarregá-la agora, Heloise, mas não é o momento para reforçarmos Carlin. Esta missão é mais importante do que isso, e não existem ameaças além dessa que precisem ser repelidas neste momento.
Heloise baixou a cabeça, dando-se por vencida. Finalmente, Jason chegou à conclusão de quão vulnerável ela se sentia naquele momento. Acabara de perder Svan. Não tinha mais seu mais fiel e importante capitão, aquele que lhe dava segurança nos momentos de crise.
Por um longo momento, Jason encarou o rosto torturado da rainha antes de tomar uma importante decisão.
— Volte ao castelo — sugeriu. — Em breve, alguém vai encontrá-la lá. Se é de segurança que você precisa, é segurança que terá.
Ela assentiu, sem dizer palavra. Jason deu-lhe um beijo no topo da cabeça.
— Resista — pediu.
*
— Você é uma criatura peculiar, Jason Walker.
Zathroth olhava para ele com um misto de espanto e admiração. O requerimento era um tanto quanto estranho mas, dadas as circunstâncias, achava até que poderia significar algo.
— Este casamento já vem dando o que falar — brincou. — Precisa de quem?
— De você — Jason mordeu a língua, segurando as palavras. — Creio que esteja familiarizado com o nome de Ferumbras.
Como os arcanjos, Zathroth se retesou, fazendo uma careta cômica.
— Não diga esse nome.
— Vou atrás de quem pode vencê-lo. Enquanto isso, Carlin ficará desguarnecida. Com a morte de Svan, Heloise se acha mais vulnerável do que nunca. Já que temos um acordo vitalício de paz, não me parece estranho pedir para que você seja o guardião do pedaço enquanto não retorno.
— Verei o que posso fazer.
— Meus termos são claros, como os seus — Jason endureceu o olhar. — Você estará aqui para garantir a segurança da cidade. Não dará ordens, não tomará decisões e não se infiltrará na política. Somente comandará o exército em momentos de crise. Não atentará contra a nossa segurança e não criará embaraços à defesa da cidade e, sobretudo, não comprometerá o reino e os cidadãos. Temos um acordo?
Zathroth ergueu as mãos em sinal de paz.
Jason puxou a Espada de Crunor e fez um corte na palma da mão direita, ignorando o fato de que Zathroth deu um passo atrás, ligeiramente desconfiado.
O outro revirou os olhos mas, com sua espada, repetiu o movimento. Em seguida, ambos apertaram as mãos, selando o pacto.
— Confio em você — disse Jason, os olhos se suavizando. — Não me traia.
— Não o farei — prometeu Zathroth, com sinceridade.
Em seguida, Jason deixou o saguão do castelo.
*
A desengonçada Margareth, mais uma vez, estava no cais de Carlin, olhando para Jason Walker como quem olhava para um filho. Aquela tripulação já havia tido suficientes momentos juntos, mas, agora, vê-los de novo reunidos lhe causava certa satisfação.
Cotton, Gibbs, Joshua e Catarina sorriam, felizes, em uma roda de conversa com ela. Leonard, Jason, Randal e John também conversavam em voz baixa a um canto. Faltava somente um tripulante.
Finalmente, ele chegou. O homem negro de traços marcantes e terno completo, inclusive colete, marchou pela escada do cais carregando sua famosa lança prateada. Seus olhos demoraram a se acostumar com a cena mas, acostumado que estava a seguir ordens em vez de questioná-las, nada disse.
— Temos… ic… o que precisamos — disse o Capitão Max, seus olhos um pouco fora de foco. — Podemos… ic… partir?
— Espero que não tenha que socorrer nenhum ferido desta vez — Jason sorriu, em tom de desculpas.
— O que acontece no mar… ic… fica no mar — ele deu-lhe uma piscadela, conspirando. — Qual é… ic… o destino?
— Conversamos sobre isso a bordo — disse Rafael, finalmente ingressando na conversa.
Margareth, Cotton, Gibbs, Joshua e Catarina deram uma espécie de abraço coletivo, a mulher se adiantando para Jason novamente e dando-lhe uma queixada carinhosa – e dolorida – no rosto. Secretamente, nutria seus sentimentos paternais e de orgulho com relação àquele menino, mas aprendera desde cedo que reconhecimento não era exatamente o que ele buscava.
Agora, chegava à conclusão de que Jason Walker, de fato, se tornara um homem. Não era mais um garoto que partia com o obtuso Leonard Saint em busca de ouro. Era um homem completo, que, sempre que deixava a cidade, buscava proteger todo o continente.
Embora seus objetivos fossem mais nobres do que pareciam, ele estava mais soturno do que nunca. Achava que as aventuras mais recentes dele o tornaram mais velho, mais sério e mais triste, mas também cria que, talvez, aquela fosse a missão finalíssima e que, enfim, Jason poderia descansar depois dela. Se voltasse vivo.
— Tenha cuidado — pediu ela, olhando para a linha do horizonte.
— Jason Cuidado Walker é o meu nome — ele sorriu.
Ela fez que sim, empurrando-o às pressas para a prancha do navio.
— Partindo — gritou Capitão Max.
Quando a âncora foi levantada por Gibbs e Cotton e os olhos de Jason vislumbraram os contornos do imponente castelo de Carlin pela última vez, o garoto pediu a Crunor, em silêncio, para que, de fato, aquela não fosse a última vez.
Finalmente, quando o navio iniciou sua transição, Zathroth surgiu no cais, a postura ereta e imponente como sempre. Olhando nos olhos do menino, ele acenou brevemente com a cabeça e Jason repetiu seu gesto, sentindo, repentinamente, um assomo indizível de gratidão por aquele homem.
O gesto dele tinha um significado.
Deixe comigo.
E o de Jason também.
Confio em você.
*
John, Leonard, Jason e Randal estavam sentados novamente à mesma mesa na sala do capitão, no convés. Nenhum deles havia dito nada até aquele momento, mas cada um tinha seus afazeres. Como de praxe, John analisava os mapas; Jason cobria seu trabalho; Leonard afiava as facas; Randal calibrava os canhões.
— Sabe — de repente John levantou a cabeça, olhando para Randal. — Enfim, talvez tenhamos alguma coisa boa para se extrair de toda essa confusão.
Ele tirou de dentro da mochila o Livro das Ciências Ocultas. Randal arqueou as sobrancelhas, inquisitivo, enquanto ele encontrava determinada página.
— Como curar um demônio, em três etapas — ele deu-lhe um meio sorriso. — Sua natureza não é essa, Randal. Ao fim, se quiser, pode acabar sendo um de nós.
— Já me sinto um de vocês — ele fez que sim com a cabeça, reforçando as palavras. — Mas seria surreal voltar a ser humano.
Jason sorriu para John, feliz.
— Faremos, assim que terminarmos.
— Estarei à disposição.
Zathroth jurando proteger uma cidade humana é realmente insano :lol: olha onde as coisas chegaram, bicho.
Excelente capítulo Neal. Aparentemente, Ferumbras é o tal Inominado, e confesso que não pensei nisso por um instante, pois não imagino que ele seja tão poderoso quanto um deus ou sequer um arcanjo, mas você deve ter dado um buff massa pra ele, certeza. Pra exigir os olimpianos, o buff foi forte. (A Lore tibiana também deu um buff pra ele, tem uma quest onde ele fica com o poder semelhante ao de um deus, lançada recentemente, então é justo)
No momento, estou curioso em como você abordará a personalidade deles. Zeus vai ser um cara metido a cafetão? Poseidon vai ser um maluco de boa na lagoa? Talvez Hades seja alguém com depressão profunda e muito rancor, mas com alguma bondade no fundo? Estou curioso mesmo, e acredito que não irei me decepcionar. Essa história nunca me decepcionou.
Aguardando o próximo.
Hum... Como posso dizer primeiramente nostalgia de ver eles abordo do navio mas uma vez me trouxe o sentimento bom do comeco de jason... Ja a novidade de furumbras devo ser sincero creio que devido minha experiência ja nerfada com bom velinho no tibia n tive aquela sensação de "vixe fodeu agora" logo me lembrei de se trata de uma história sua neal e como nesse tempo todo numca me decpcionei com sua escreta sei q teremos um grande e "over power problem" para jason rs desde aqui meus parabens rs ferumbras do 7x kk coitado do leonard vlw neal!
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CAPÍTULO 13 – BONANÇA
Jason levantou-se, espreguiçando-se devagar. Leonard não estava em local algum visível então, com certo sentimento de nostalgia, ele pôs sua roupa de linho branca e abriu as portas para o ar da manhã.
Rafael e Randal patrulhavam o convés, da proa à popa. O arcanjo dirigiu-lhe um curto cumprimento antes de reiniciar a volta. Os demais não estavam em local algum do convés.
O sol brilhava firme sobre eles e o oceano, embora sustentasse o peso de um imenso navio carregado sobre si, era bastante calmo. Ele desceu as escadas ao nível subterrâneo bem em tempo de ver Catarina colocar seus maravilhosos dotes sobre a mesa.
Ovos mexidos, bacon frito, salsichas, pães caseiros cobertos de farinha de trigo e, por algum motivo, gengibre. Ele se sentou à mesa no extremo, do lado esquerdo de Leonard, primeiro à sua direita.
— Bom dia.
Cotton e Gibbs acharam graça de alguma coisa.
— “Bom dia”? — Leonard soltou uma risada anasalada. — São quatro da tarde.
Jason arqueou as sobrancelhas, verdadeiramente indiferente ao horário.
— Acho que ele levou tanta pancada nos córneos que nem se preocupa mais com a posição do sol — Leonard continuou rindo. — Aliás, você me deve uma. John queria entrar na cabine e enfiar algo pelo seu rabo até você levantar.
— Somente uma vez teria sido necessária — apressou-se em dizer.
Leonard levantou a cabeça de uma só vez, semicerrando os olhos.
— O mundo hoje é plural, cara. Não tem problema se você gostar de receber alguma coisa no seu rabo com certa frequência.
— Pare de falar abobrinha.
Cotton levantou a cabeça.
— Abobrinha? — resmungou, em meio a uma mastigada. — Gosto de comer isso.
— Céus — Jason sorriu, finalmente. — Somos tão obtusos que parece que temos seis vezes um Leonard nesta sala.
Leonard começou a rir, mas logo sua expressão transitou para a compreensão. Ele fez uma careta engraçada e voltou a dedicar seus esforços ao bacon.
— Já temos nosso destino?
John atirou o mapa defronte dele, apontando para uma ilha ao extremo leste de Edron. Jason levou somente meio segundo para compreender.
— Fala sério — ele riu. — O Olimpo tem sede em Krailos?
O outro nada respondeu, comendo suas salsichas ferozmente.
Outra vez, foi necessário meio segundo para que Jason se atentasse a certos detalhes. Entre eles, havia o fato de que John nunca comia, mesmo porque não era necessário. Era um incandescente.
— Você se desfiliou — o cavaleiro estava positivamente surpreso. — Que momento das nossas vidas.
— Não foi fácil — disse, entre o esforço de se lembrar como mastigar. — O cacique quis me cercar de todos os lados. Mas sou mais liso do que isso.
Outra vez, Jason arqueou as sobrancelhas e começou a comer os fabulosos bacon e ovos feitos pelas mãos preciosas de Catarina. Pouco tempo depois, Randal desceu as escadas e foi rendido por Gibbs, que tomou-lhe a besta das mãos e foi fazer a ronda no seu lugar, dando-lhe um sorriso.
Ele se sentou à mesa com uma expressão intrigada no rosto, os olhos fixos nos pães.
— Coma — sugeriu Jason.
— Para quê? — Randal riu. — Queria muito, mas não preciso. E não vou sentir o gosto de nada, então…
— Por pouco tempo — Catarina deu-lhe um sorriso bondoso, colocando diante deles uma jarra de suco de laranja.
Depois, o silêncio pairou. O único som que preenchia o ar era o de algumas bocas mastigando incessantemente. Aliás, agora Jason se dava conta do fato de que tinha muita fome. Os últimos dias passaram diante dele como um borrão, e ele quase deixara escapar o fato de que ainda tinha que satisfazer suas necessidades fisiológicas.
Seu estômago deu um solavanco quando se lembrou de Melany. John levantou a cabeça por um segundo, olhando para ele, mas logo voltou aos pães.
Rapidamente, o antigo incandescente informou que existia certa atividade nos arredores de Krailos que vinha tornando a vida no local praticamente impossível. A cartada de John residia na possibilidade de que o Olimpo já sentia a presença do Inominado e começara a construir diques e barragens nos entornos do próprio castelo de ilusões.
Agora, Jason imaginava que talvez aquela missão não fosse assim tão simples. John repassou depressa o fato de que Poseidon, o mestre dos mares, possivelmente seria o primeiro dos grandes empecilhos, já que não havia forma de chegar à ilha senão através dos domínios dele. Em Krailos, Hefesto, o deus das forjas, eclodia vulcões sem parar, trabalhando febrilmente com as forjas. E as tempestades de raios nos arredores do arquipélago levava a crer que Zeus, o senhor dos céus, não parecia também de todo feliz.
Rafael concordou com a opinião de John quando foi rendido por Cotton nas rondas no convés.
— Cotton e Gibbs fazendo rondas sem qualquer adulto por perto — lamentou-se Jason. — Estamos num mato sem cachorro.
Rafael riu, achando graça da expressão.
— Cotton engordou — comentou Leonard, ao acaso. — Deve ser muito pandeló.
— Pão de ló — corrigiu Rafael, automaticamente.
Leonard assentiu algumas vezes, o olhar desfocado, como se finalmente compreendesse alguma coisa.
Ao ver todos os seus amigos mais queridos reunidos na mesa pela primeira vez em muito tempo, ninguém preocupado com a morte iminente de um colega próximo, Jason sentiu-se abençoado. Sentiu que, talvez, a bonança poderia estar chegando. Ao que tudo indicava, o Inominado poderia ser o último dos grandes desafios. Se saíssem deste vivo, poderiam ter algum motivo por que comemorar.
Rafael limpou a boca cortesmente com um guardanapo e começou a falar, como se lesse os pensamentos do espadachim.
— Ele recrutou muita gente no passado — disse, soturno. — Não havia quem sobrevivesse se ele decidisse matar. Tempos sombrios.
John assentiu, concordando e ainda mastigando. Parecia quase nostálgico.
— Da primeira vez, atacou Carlin — continuou o arcanjo, perdido em pensamentos como sempre. — Destruiu tudo. Depois, marchou contra Thais, e tomou o trono. Seus correligionários eram um grupo conhecido como “Arrebatadores”, ou “Arautos da Arrebatação”. Feitos lendários. Horríveis, mas lendários.
“Os Arautos eram o grupo armado mais poderoso de que se tinha notícia naquela época, e o Inominado avançava muito depressa. Em menos de 10 anos, tinha mais de 75% do continente. E os Arrebatadores eram muitos, mas somente cinco deles compunham o seu círculo mais íntimo.
“Cerberus era um seguidor fiel, o maior dentre todos os torturadores do pequeno círculo. Tinha a curiosa habilidade de se transformar em um cachorro de três cabeças. Nem preciso falar do que ele era capaz de fazer com três bocarras. Chimera era uma espécie de mantícore, uma mulher com grandes dotes de sedução e que se transmutava em um animal pitoresco com cabeça e corpo de leão e rabo de cobra. Queimava tudo que via. Destruidora por excelência.
“Procusto, o Esticador, era muito perverso e enganador. Matava a esmo, mas não sem antes amputar braços e pernas de suas vítimas. Górgon era uma das mulheres que compunham seu esquadrão de elite, também. Transformava as pessoas em pedra e sal, membro a membro, quebrando-os devagar. A esposa de Ló sofreu com as suas habilidades.
“Finalmente, Morfeu, o senhor dos sonhos e dos pesadelos. Jason pode ter enfrentado algo semelhante quando combateu Sirius, nas ilhas geladas, e aquilo é o que Morfeu fazia com as pessoas. Ingressava em seus sonhos, em seu estado de sono profundo, e torturava-as de dentro para fora. Algumas das vítimas de Morfeu morreram, outras enlouqueceram, outras nunca mais acordaram.
“Cerberus, Chimera, Procusto, Górgon e Morfeu são o esquadrão de elite do Inominado, e desconheço sobre a extensão do seu retorno para saber se há a possibilidade de que eles retornem com ele. Fato é que, quando o Inominado conquistou mais de 80% das nossas terras, Crunor engajou-se imediatamente em combate e, enfim, a luta se desbalanceou. Infelizmente, o Inominado e Lúcifer vagaram pelo mundo simultaneamente. Enquanto Crunor dava cabo daquele, este surgiu diante de Abel, identificando-se como Deus e agindo como se o fosse.
“Crunor se enfureceu ao retornar e perceber que Cain havia matado seu irmão. Porém, Cain foi poupado, porque sua justificativa foi plausível. Ele trocou sua alma pela do irmão, e salvou-o, mas o trato demandava que fosse ele a tirar a vida de Abel. Crunor o perdoou, e deu a ele a Marca de Deus, como salvo-conduto. Cain não poderia morrer, exceto caso a Marca fosse destruída. E, convenientemente, a Marca era a chave da prisão do Inominado. Quando a Marca se rompeu e a maldição foi libertada, com ela, ele também deixou sua cela de lástima e sofrimento. Sua vingança deve ser mais amarga do que nunca. Desta vez, precisamos matá-lo, e não o trancar. Sua jaula será insuficiente para contê-lo depois do que acontecer aqui.”
Jason e Leonard estavam boquiabertos diante do tanto de informações que Rafael decidira compartilhar com eles. Como alguém de mente aguçada e praticamente irrepreensível, Jason, evidentemente, guardou todos os nomes dos generais do Inominado e o que faziam, mas não podia crer que Crunor tivesse deixado passar algo tão importante quanto a Marca de Deus, gravada em Cain.
A única justificativa possível deveria ser de que Crunor desejava que Jason corrigisse todas as suas falhas, e todas de uma vez só. Não existia outra razão para tamanha relapsa.
— O Inominável e os Arautos — Leonard fez pouco caso. — Esse povo não tem nome?
Rafael abriu e fechou a boca duas vezes, suando frio.
— É claro que o Inominado não se chama “Inominado”. Ele tem um nome. Seu nome é F… — ele pigarreou, incomodado. — Fer…
— Quer escrever? — sugeriu Leonard, inocente e gentilmente.
Rafael soltou um assobio baixinho e secou uma gota de suor na testa.
— Por Deus, não.
— Ferumbras — disse John, despropositadamente, ainda mastigando.
— Ferumbras — repetiu Leonard em alto e bom som.
O arcanjo quase caiu da cadeira, tapando a boca do arqueiro de qualquer jeito.
— Grande bosta — Leonard deu de ombros, falando entre os dedos de Rafael. — Vai virar peru de natal mesmo assim. Quer se chame Inominado, quer se chame Ferumburras.
Jason revirou os olhos, acostumado demais com o amigo para contestá-lo. A verdade era que provavelmente Leonard estava tratando aquele como somente mais um obstáculo. Mas, sinceramente, se havia um inimigo cujo nome sequer poderia ser pronunciado, e se os próprios arcanjos tinham esse receio, então havia muito pelo que trabalhar. Era importante que todos mantivessem o foco.
Em paralelo a isso, agora Jason finalmente se dava conta de quão abençoado era por ter aqueles amigos junto dele. Não houve um único problema que tivesse enfrentado sem que eles estivessem consigo. Leonard, é claro, sempre estivera ali, mas John, Rafael e Randal eram amigos queridos, que tinham se tornado peças fundamentais em sua caminhada. Um deles, obviamente, era seu antepassado, mas quando apareceu não sabiam disso.
Era a hora de raciocinar com clareza. O problema que enfrentariam no Olimpo talvez fosse mais imediato do que o próprio combate contra Ferumbras. Era um feiticeiro poderoso e destruidor, era certo; porém, antes disso, 12 deuses amedrontados os aguardavam, e convencê-los a ajudar não seria a mais simples das tarefas.
Jason olhou em volta, imaginando, contudo, que, com aqueles junto de si, nada poderia dar errado.
Muito top os arautos me parecem que não sera nada simples e conseguir persuadir os olimpianos entao ? Rum vai da treta tio neal kkk parabéns !
Saudações!
Caramba, bicho... Quanto mais eu leio, mais panteões se metem nessa zorra e eu concordo com o Jason: nada pode dar errado... Até que se prove o contrário né HSUAHSAUHAUSHAUSHAUAHSUASHAUHSA
Fantásticos os capítulos, Neal! Estou relendo alguns anteriores para não me perder na narrativa (que às vezes acontece quando fico mto tempo enfurnada na tumba até sair de lá, rs), que continua cativante como sempre. Para mim, existe algo muito forte com o número 13, especialmente na sua narrativa: para mim, quando chegou a ler o décimo terceiro capítulo de seus arcos do Jason Walker, é como se a história toda ficasse amarrada, fazendo tudo ter sentido. Ao menos é a impressão que eu tenho, não sei se você sente o mesmo, rs.
De toda forma, estou sempre acompanhando --- seja fazendo o ritual dos likes, seja complementando esse mesmo rito com comentários. Continue em frente, Neal, que essa história é pleno sucesso!
Abraço,
Iridium.
Realmente, pra tibianos velhos, Ferumbras é Ferumbras, não tem quem o supere. Seja Gaz'Haragoth, seja Apocalypse, Prince Drazzrak, a porra que for, Ferumbras continuará o melhor de todos.
...mesmo que atualmente não demore mais de 1 minuto pra ele morrer quando ele aparece. :shrug:
Excelente capítulo como de costume Neal, Leonard mostra-se um despreocupado do caralho como sempre (Ferumburras foi demais :biggrin: ) e a situação como sempre parece muito tensa para Jason e companhia lidar. Devo dizer que com a inserção de novos personagens, acabei me esquecendo de como eram esses antigos amigos da dupla implacável, e é interessante saber que eles não são tão diferentes do Leonard. Se um já é bom, imagina seis?
Eu imagino que o primeiro desafio seja Poseidon e provavelmente alguma de suas criaturas marinhas (Põe a Scylla pls) e em seguida, não sei dizer. Apesar de conhecer os olimpianos, é até estranho que eles estejam em Krailos, e que eles estejam reforçando essa ilha. E levando em conta que Jason vai dar um jeito de chegar lá, me pergunto quem vai recebê-lo quando por os pés na ilha. Chuto que possa ser Ares junto dos ogros que habitam a ilha.
E tô achando demais essa mistureba que você tá fazendo, esses cruzamentos que a mitologia cristã faz com a grega e a tibiana tornam a história ainda mais rica. Está fazendo um ótimo trabalho, cara.
No aguardo do próximo.
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CAPÍTULO 14 – A PRIMEIRA MARCA DO TRIDENTE
Jason subiu as escadas correndo, a Espada desembainhada nas mãos, Cotton e Gibbs apontando suas bestas em direção a um homem misterioso que acabara de surgir no convés. Sobre o cesto do mastro, Joshua estava desacordado. Ou dormia, ou fora nocauteado.
O espadachim avançou devagar pelo convés, a Espada firme nas mãos e o rosto apreensivo, mas calculando. Imediatamente, registrou a aparência excêntrica do homem: cabelos penteados para trás, até a altura dos ombros, que eram largos e torneados; barba cheia, tudo muito negro; torso exposto e queimado pelo sol; bermuda jeans rasgada na altura dos joelhos, sustentados pelos pés descalços.
Por algum motivo, trazia um imenso tridente dourado nas mãos.
— Quem é o responsável por esta operação?
Sua voz era muito baixa, mas mordaz. Não era necessário alteá-la para fazer-se ouvir. Jason semicerrou os olhos, especulativo, mas nada respondeu. Rafael, desarmado, guardava sua posição ao seu lado direito, os braços cruzados atrás das costas.
— Se precisar perguntar novamente, vou afundar este navio.
Jason, Rafael e John entreolharam-se, Leonard segurando seu arco nas costas deles. O espadachim decidiu falar.
— Sou o responsável.
O homem atravessou o convés, alheio ao fato de que as armas eram sacadas à exaustão e as bestas e os arcos, engatilhados com seus projéteis. Sua barba sequer tremeu quando ele parou a dois passos de distância de Jason.
— Aborte.
Jason ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Como é?
— Aborte — repetiu, no mesmo tom firme.
O menino olhou em volta e de volta para o homem.
— Quem é você e o que quer?
— Não estamos dispostos a ajudá-los — sentenciou, de uma vez só, ignorando sistematicamente a primeira pergunta. — Criamos nosso dique nos entornos do Olimpo e não sairemos até que o Inominado tenha sido derrotado, ou tenha se cansado de fazer o que faz. Sua missão é em vão. Aborte, dê meia volta e morra com o restante do mundo.
Repentinamente, Jason concluiu que aquele só poderia ser Poseidon. Que outro ser, com outras habilidades, seria capaz de subir no convés do seu navio em movimento e ameaçá-lo, senão aquele que é o responsável por comandar os mares?
Inobstante, não deixava de ser um pouco frustrante o fato de que ele já lhes negava ajuda sem nem mesmo conhecê-los. Algo teria de ser feito, mas nada ocorrera a Jason até aquele momento.
— Acha que Ferumbras vai poupar o Olimpo depois que destruir todo o resto?
— Não diga o seu nome — por um momento, seus olhos arderam. — Temos suficiente poder de fogo e uma fortaleza intransponível pelo tempo necessário para retardar o seu avanço. Não sabe o que Cerberus e Górgon fizeram com Hefesto, ou com Ares. Não faz ideia do tamanho do buraco onde está se enfiando.
Jason ergueu uma sobrancelha.
— Recolha-se no seu palácio de merda e observe o que podemos fazer, então. Nada nos impedirá de chegar até vocês e fazer com que ouçam nosso propósito. Crunor foi quem nos enviou.
Foi a vez de Poseidon erguer uma sobrancelha. Por um segundo, seu tridente brilhou.
— Cuide da sua língua — ele limpou a areia sobre o ombro esquerdo. — E não devemos nada a Crunor, ele é quem nos deve. Essa situação caótica foi criada pela inércia dele em engajar-se em seus combates. Demônios cristãos, aberrações tibianas, não nos interessamos por nenhum deles. Que entrem uns no rabo dos outros. Somente deem meia volta e vão embora.
Jason deu-lhe um sorriso amarelo.
— Gostaria de ver um grande imbecil como você nos obrigar.
Poseidon deu-lhe as costas, olhando-o por cima do ombro.
— É a sua vez de observar o que podemos fazer, mortal insolente.
*
A cauda do imenso monstro marinho surgiu primeiro, cortando a superfície do oceano como faca quente sobre a manteiga. Após, seu imenso corpo esverdeado foi sendo alçado também para fora e, embora todos os tripulantes já tivessem visto o suficiente, ninguém estava preparado.
Do pescoço, da grossura de uma estrada, surgiram três enormes cabeças. Os olhos amarelos não deixavam dúvidas a respeito da descendência do imenso monstro marinho, que provavelmente era aparentado com as grandes serpentes marinhas, mas muito mais ameaçador.
Dois segundos depois, Poseidon surgiu novamente, sentado despreocupado sobre a cabeça do meio do imenso monstro, que devia ter mais de vinte metros de altura. Instantaneamente, o oceano, que vinha sendo calmo até então, se revoltou e começou a sacudir o navio para lá e para cá.
— É uma hidra — gritou Jason, segurando-se desesperado na amurada, a Espada embainhada novamente. — Achei que estivessem extintas!
— Com todo o respeito — Leonard respondeu, o arco já caído lá embaixo no convés —, não me interessa qual é o nome. Como derrotamos?
— Não ousem cortar as cabeças — Jason orientou, rezando para ser ouvido por todos os demais. — A cada uma cortada, duas surgirão no lugar. Precisamos perfurá-las ou furar seu coração, e temos que ter muita disposição. Se acham que a carapaça de um dragão é intransponível, precisam ver a das hidras.
Cotton, que aparentemente achava-se alheio às orientações de Jason, cometeu o primeiro grande deslize. Ao puxar o canhão ao convés aos trancos e barrancos, sustentando-se de pé a duras penas, ele disparou de qualquer jeito e a bala explodiu o pescoço da esquerda, atirando a cabeça pelos ares, que caiu no mar instantes depois. Quase que no mesmo segundo, duas imensas bocarras brotaram no lugar da primeira cabeça decepada, parecendo mais furiosas do que nunca.
— Por Crunor — Leonard praguejou, segurando-se na amurada. — Estamos cercados de imbecis.
Poseidon apontou seu tridente para o convés e disparou um raio azulado, arrancando tábuas do navio de qualquer jeito. Elas voaram pelo ar, abrindo um imenso buraco no centro da popa.
Pela primeira vez, Jason sentiu-se absolutamente incapaz. O imenso corpo da hidra empurrava o navio pelo oceano, desviando-o de sua rota. Se continuassem assim, em menos de cinco minutos estariam no fundo do mar.
— Covarde — Jason gritou, alucinado. — Desça e me enfrente em um combate justo.
— Idiota — Poseidon respondeu, sem esforço. — Um combate entre mim e você nunca poderia ser justo.
Ele fez um gesto vago no ar e, imediatamente, a cabeça do centro se curvou na direção de Jason, abocanhando-o e atirando-o pelo ar. Um segundo depois, o espadachim vislumbrou a morte: a imensa boca sob si, aproximando-se depressa enquanto ele caía em queda livre, e algo lhe dizia que ele não seria capaz de abrir a cabeça de fora a fora como fizera com aquela serpente marinha.
No instante seguinte, Jason deslizava livremente pela garganta do monstro, onde jazeria em sua sepultura infinita.
*
Jason abriu os olhos após acordar e, imediatamente, lembrou-se que fora comido vivo. Provavelmente, estava no inferno ou no paraíso.
Ele levantou a mão espalmada e murmurou um feitiço simples, e uma esfera de energia pairou diante dele, leniente. Por algum motivo, aquilo não se parecia nem com o inferno onde estivera, nem com o paraíso que visitara.
Achava-se num aposento amplamente circular, com cerca de 10 metros de diâmetro. Nos arredores, escamas pegajosas recobriam todas as paredes, e ele estava de pé sobre algo que se sustentava muito mal, muito parecido com um pedaço de mastro quebrado. O líquido onde boiava era pútreo e fétido, e borbulhava incessantemente. Parte do mastro onde estava sentado já ia se desfazendo.
Ele atirou a esfera para cima e ela pairou preguiçosa, terminando no que lhe parecia ser um longo cano de escamas, que seguia no sentido ascendente. Uma réstia mínima de luz se infiltrava no topo, o que levava a crer que se tratava de um cano circular.
Por um instante, Jason imaginou que talvez, e só talvez, estivesse dentro do estômago da hidra. O seu próprio se revirou ao imaginar a cena, e o tamanho da sorte que tivera em não ser atirado diretamente dentro do suco gástrico. Se aquela teoria estava correta, era a hora de trabalhar para sair dali. Não fazia ideia de o que estava acontecendo do lado de fora.
Com cuidado, ele puxou uma grande lasca do mastro de madeira, utilizando-a como remo de forma a tomar conhecimento da amplitude do estômago do monstro. A porção noroeste vibrava a um ritmo constante, indo e voltando, às vezes de forma mais acelerada, às vezes de forma mais controlada. Deduziu que, caso conseguisse se içar para cima, poderia perfurar o coração do bicho.
Existia, contudo, um segundo problema. Depois de matá-lo, se conseguisse, como seria possível sair dali, sem afundar com a hidra no oceano? Seria necessário abri-la de fora a fora, como fizera com a cabeça da serpente, mas suas escamas eram duras como pedra, e não estava certo sobre se a Espada de Crunor teria resistência o suficiente para fazê-lo.
O garoto renovou a magia de luz, ampliando sua abrangência. O corpo do monstro se sacudiu e ele fez o possível para manter-se em pé, alcançando, finalmente, a parede do lado oposto. Havia, no fim das contas, uma vantagem dissidente do fato de que as escamas eram tão resistentes: poderia içar-se através delas sem grandes riscos. Se não morresse hoje, estava certo de que nunca mais morreria.
Rapidamente, Jason repassou mentalmente os feitiços próprios de cavaleiro que havia aprendido na academia de Carlin. Atirar a espada como um bumerangue; girar com ela no mesmo local de forma a atingir diversos inimigos nos arredores; fazer a terra tremer. Nenhuma daquelas magias o ajudaria. Precisaria de algo mais incisivo.
Ele puxou a primeira escama para perto e saltou devagar do mastro, escorregando e quase caindo. Seu coração se descompassou. Vagarosamente ele se recompôs, os membros lutando para obedecer seus comandos diante da dificuldade em se segurar na parede curva do estômago da hidra. Pacientemente, ele começou a subir.
Finalmente, depois de outros três escorregões quase letais, Jason alcançou a altura do coração do monstro. Segurando-se pesadamente pela mão direita, sacou a Espada com a esquerda, cutucando as escamas e concluindo que a tarefa seria mais difícil do que poderia parecer.
Com um quê de nostalgia, lembrou-se de quando apunhalou os dragões verdes no olho em Carlin, sendo praticamente esmagado pouco tempo depois de levar aquela flechada de Lancaster Wilshere. Ao menos, naquele momento havia um ponto fraco no qual se fiar. Agora, Jason tinha absolutamente nada em mãos.
A lembrança também lhe trouxe à memória um último feitiço. Jason, que estivera de olhos fechados até então, os músculos queimando pelo esforço de manter-se ancorado às escamas, abriu os olhos de uma só vez. Pode funcionar.
Outro problema, contudo. O feitiço exigia a utilização de ambas as mãos; não seria forte o suficiente se somente a mão esquerda empunhasse a Espada. Jason relanceou um olhar para baixo, notando que o mastro finalmente fora dissolvido pelo suco gástrico do estômago da hidra. Sequer sabia se a magia funcionaria.
Era, contudo, a hora de correr certos riscos.
Rezando muitas vezes antes de se decidir, Jason começou a se soltar devagar. Finalmente, impulsionou os pés contra a parede e saltou para trás, tomando a Espada também com a mão direita e apontando-a na direção do coração.
— Ex ori gran ico — murmurou, pronto para morrer.
Saudações!
Primeiramente, Leonard sobre Cotton:
https://media.giphy.com/media/to3I2nkywr2PS/giphy.gif
(EU VI ESSA REFERÊNCIA HEIM hsuashaushaushaushas)
Segundo, sobre Poseidon: lembrou-me muito as retratações mais "raiz" dele, especialmente na Odisseia, onde ele faz de tudo pra ferrar bonita e deliciosamente com a vida do Odisseu. Se Jason o encontrasse, certamente rolaria aquela conversa na naipe "I know that feel bro". Por um instante eu achei que Poseidon peitaria o Jason no mano-a-mano, mas certamente não é a vibe desse deus tão exibicionista: um showzinho primeiro faz bem para o ego, rs.
Terceiro: Porra, Jason! SHAUSHASUAHSAUHUS O cara se ferra todo, entra em coma, sai de coma, volta pra batalha, é comido por serpente, arrebenta ela fora e lá vai ele pro bucho de outro bicho SHAUSHAUSHUAHS Daqui a pouco vai poder pedir música nessa categoria de infortúnios. Entretanto, o que é a jornada do heroi épico senão experiências de quase-morte com muitos esteroides? Seu trabalho é impecável como sempre, Neal, e ler os seus capítulos sempre eleva meu espírito e melhora meu dia. Não, não digo isso pra puxar sardinha: é a verdade. Hoje, em particular (e ontem tmb, a bem da verdade), eu me senti como o Leonard e precisava de algo para me dar novo ânimo.
Aguardo o próximo capítulo!
Sobre o Capítulo anterior: Ferumbrão RAIZ, é assim que eu gosto de ver! A cip tinha era que reformular o Ferumbrão da raid na torre, deixar ele com mais life e dano. É pra ele ser difícil mesmo, oras xD
Abraço,
Iridium.
Rs #ferumbrao_raiz, momento da leitura fui em GOW1 e voltei a alegria do primeiro contato com kratos, o senhor dos mares me pareceu ser do tipo que bota ordem na casa nao esperava menos doque isso de dos tres mais relevantes filhos de cronos rs um grande capítulo parece q hefesto e ares receberam uma corsa rs oq vem por ai ? Uma união de ferumbrao_raiz com titans para igualar forcas? Humnnnn. Rs um abraço!
Poseidon badass e cuzão. Curti.
Excelente capítulo mais uma vez, Neal. Não esperava essa personalidade de Poseidon, mas era esperado que os olimpianos não estivessem nem aí pra ajudar os tibianos e nem ligasse para eles, como foi o caso de Poseidon. A propósito, você incluiu a Hidra, e isso foi realmente show de bola. Me lembrou Age of Mythology por um momento, lá Poseidon praticamente não dá as caras, mas suas ações vão fodendo com os personagens da campanha de várias maneiras. Ele não é de x1, e acho que isso combina mais com ele. Não tem porque ele precisar lutar tendo um corpo gigantesco recheado de criaturas mortais prontas para responder aos seus comandos.
Aliás, muito arriscado o que Jason fez no final, mas conhecendo ele, provavelmente ele vai sair daí e enfiar o tridente de Poseidon no cu do próprio. Ah, isso é coisa do Leonard, o Jason só sai com as glórias da batalha. Aliás, Leonard enriquece demais essa história, eu ri da reação dele ao ver o Cotton disparar contra um dos pescoços da Hidra. Tava até esperando algo assim.
No aguardo do próximo.
seu cap me lembra que nem comecei a escrever o meu ainda... ta complicado ultimamente, mas ainda bem que bloodtrip ja ta no final heheh
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CAPÍTULO 15 – O PACATO POVO DE CORMAYA
Randal rolou pelo convés e foi aparado pela amurada, esperando sentir uma dor excruciante na altura da lombar, mas não sentiu absolutamente nada, como era de praxe. A vida como demônio já o estava cansando. No entanto, tinha mais com o que se preocupar. Jason Walker estava morto, e a missão, fadada ao insucesso.
No segundo seguinte, algo formidável aconteceu.
A cabeça do meio da hidra, que se preparava para o derradeiro ataque, que destruiria todo o pouco que restara do navio, parou a meio bote. Um milésimo de segundo depois, o peito do bicho simplesmente explodiu, e Jason, segurando a Espada de Crunor com ambas as mãos como uma flecha sobre a cabeça, foi atirado para fora da hidra através do seu peito, descrevendo um arco bizarro pelo ar, por toda a extensão do convés, caindo dolorosamente no oceano do outro lado.
Rafael, boquiaberto, acompanhou toda a trajetória de Jason enquanto ele voava, achando que morreria, mas não veria de tudo. Aos poucos, a hidra, totalmente dilacerada, ia ficando para trás, preparando-se para sua cova no fundo do mar.
Poseidon saltou de uma só vez da cabeça do monstro, pousando no convés destruído. O navio estava quase afundando, mas o oceano se acalmou instantaneamente. Ele também estava bastante surpreso, e sua reação não melhorou quando Jason escalou a amurada destruída do navio e surgiu no convés arrebentado, cansado, esfolado, esgotado, mas vivo.
— Precisa… — ele respirou profundamente algumas vezes, curvado, segurando nos joelhos. — de algo mais?
— Gostei do que vi — Poseidon aprovou, reflexivo. — Darei a vocês o benefício da dúvida. Se conseguirem chegar a Krailos, concederemos a todos uma audiência rápida no Olimpo e ouviremos suas razões.
Ele desapareceu imediatamente, e, no mesmo momento, John, Catarina e Randal, que eram grandes feiticeiros, começaram a trabalhar no navio. Jason largou-se no convés e rolou até a amurada, deixando a Espada de Crunor cair no mar. Tanto fazia. Um instante depois, ela retornou à sua bainha, como sempre.
Deitado de bruços, Jason respirou depressa, sentindo novamente aquele estranho formigamento nas pontas dos dedos e no rosto, nos arredores dos lábios, com aquela mesma sensação de catástrofe iminente, de morte. Quando percebeu, Randal já estava o colocando sentado e puxando seu queixo para cima, analisando-o com cuidado.
— Não perceberam que ele sofre de síndrome do pânico?
John aproximou-se devagar, a testa franzida mas o cajado em punho, realizando suas magias.
— Síndrome do pânico? Desde quando?
Randal se abaixou e tomou o pulso de Jason, que já ia se acalmando.
— Desde que Apocalypse matou você — respondeu, franzindo o cenho. — Já teve três crises sem saber do que se tratava. Jason, você esteve no futuro?
Jason fez que sim uma vez, cansado demais para explicar, os olhos muito pesados. John acompanhava a conversa de perto, um pouco apreensivo.
— Isso depende de tratamento — disse Randal, finalmente, ignorando os outros fatos. — Precisa de cuidados.
— Se John pode curar um demônio, pode me restaurar oportunamente.
Finalmente, Catarina subiu as escadas para o convés, parecendo aflita.
— É irreparável — disse, e Jason levantou-se de um salto, dando uma bela testada no mastro parcialmente destruído. — Aguentará mais algumas milhas e é só isso.
O cavaleiro olhou para John, que relanceou um olhar para o oceano.
— Quantas milhas?
— Dou-lhe 10, no máximo.
— Vamos atracar em Cormaya.
*
O homem de cabelos e barbas brancos e vestido com uma túnica púrpura bizarra puxou a bolsa do olho esquerdo de Jason para baixo, tomando notas rapidamente num pergaminho. O cavaleiro já tinha visto magias bem executadas antes, mas as daquele homem excediam todas as expectativas. Estava praticamente curado.
— Precisa cuidar dessa situação psicológica — disse ele, ainda lançando suas anotações. Sua voz era grave e reconfortante. — Afora isso, está em perfeito estado.
— Obrigado pelo auxílio, senhor…
— Eremo, é como me chamam. Não é o meu nome completo, mas há muito já deixei de corrigi-los.
A morada de Eremo ficava a alguns metros ao norte de Cormaya, onde todos haviam atracado. Um cidadão muito simpático, chamado Pemaret, os havia levado até lá com uma pequena jangada, e analisava os cuidados de perto com um quê de preocupação. Ficara bastante aflito ao vê-los todos nadando com dificuldades até a ilha, o que restou do seu navio afundando lentamente a alguns metros dali.
A ilha de Eremo, no final das contas, não tinha mais de 30 metros quadrados. Conservava um jardim muito bem cuidado, com diversas espécies de flores, e uma construção simples, porém confortável, na porção leste. Por dentro, é óbvio, a casa era muito maior do que se vista por fora, e havia suficiente espaço para todos.
— Sintam-se em casa — disse Eremo, retirando as luvas de borracha.
— Agradecemos a hospitalidade, Eremo, mas precisamos partir — Jason já ia se levantando, sentindo-se novo. — Temos que chegar em Krailos antes da noite de amanhã.
Eremo deu-lhe um sorriso bondoso, compreendendo.
— Já é noite e o oceano não é exatamente um amigo. Se prometerem passar a madrugada aqui, garanto-lhes que estarão em Krailos antes do almoço de amanhã.
— Não vejo como isso seja possível — John argumentou, incerto.
Eremo sorriu para ele outra vez.
— Ora, também não cria ser possível que alguns combatentes de uma cidade como Carlin pudessem trancafiar Lúcifer novamente. Sim — ele assentiu diante do olhar de espanto dos demais —, as notícias correm bastante depressa. Dizem que Jason Walker, com a Espada de Crunor, e John Walker, com o Livro das Ciências Ocultas, auxiliados muito de perto por Leonard Saint, Heloise Pennyworth, pelos irmãos Grimm e por um demônio cristão, foram os responsáveis. Farei de conta que a descrição não coincide com a daqueles que estão diante de mim hoje.
Jason engoliu em seco, olhando para John.
— Insisto para que reponham suas energias aqui — ele pegou Pemaret pelo ombro e caminhou na direção da saída da casa. — Minha morada tem certo misticismo que vocês não encontrarão em qualquer lugar. Talvez seja a hora de estudar aquele feitiço sobre o qual você e o senhor Randal vinham falando, antigo incandescente. Não é nada simples.
E saiu.
Pemaret os conduziu por um corredor comprido, que terminava em uma porta simples de madeira. Lá dentro, camas quentes e confortáveis na exata quantidade que necessitavam. Os amigos começaram a acomodar os poucos pertences que lhes haviam sobrado, surpresos.
Jason ocupou a cama no canto noroeste, sendo que Leonard tomou a diante dele e John, a da esquerda. Depois de se lavarem no banheiro de Eremo, que tinha água quente e xampus e sabonetes, todos retornaram ao quarto, sentindo-se demasiado sonolentos e repentinamente cansados.
O cavaleiro sentou-se na cama, encostando-se no canto da parede, olhando para John e Leonard, que espelhavam seus movimentos. Pouco tempo depois, Eremo retornou, trazendo consigo um comprimido muito branco e pequenino. Rafael permanecia de pé, aparentemente em estado de alerta.
— Vou-lhe dizer uma coisa — disse Eremo, passando o comprimido pequeno, mas comprido, para Jason e oferecendo-lhe um copo d’água. O cavaleiro esperou, sem nada fazer. — Quando toquei em você, percebi alguns padrões que são comuns a quem sofre da sua doença, se quer saber. Compreendo que dormir talvez nunca tenha sido uma tarefa fácil, mas as palpitações do seu coração e que incomodam você podem lhe causar um certo desconforto maior do que o normal. Foi para isso que desenvolvi esse medicamento.
“Trata-se de um hipnótico. Tome-o e, em 30 minutos, estará nocauteado. Antes que me conteste, é natural. Agirá no seu cérebro como a massagem das mãos mais competentes de todo o continente. Confie em mim.”
— Obrigado — disse Jason, simplesmente, tomando o remédio. Não tinha gosto algum.
— Eu é quem agradeço, Eremo.
Rafael semicerrou os olhos quando o homem se materializou na sala. O arcanjo umedeceu os lábios e relanceou um olhar para John, que franzia o rosto como se tivesse lambido limão. O tempo que passara desfiliado não parecia ter surtido qualquer efeito quanto aos seus sentimentos por Crunor.
— Milorde — disse Eremo, com simplicidade.
— Gostaria de ficar a sós com estes filhos que tenho.
Eremo fez uma reverência antes de sair do quarto. Por algum motivo, não parecia sequer minimamente surpreso pela presença de Crunor ali. Das duas, uma: ou o convocara, ou estava acostumado com as vindas dele à sua ilha. John achou a situação demasiadamente incomodante para se ater a uma a outra possibilidade, por isso, simplesmente aguardou, enquanto Rafael tentava achar a posição mais confortável em pé, resistindo ao impulso de curvar-se.
O antigo incandescente fez questão de revirar os olhos assim que o arcanjo olhou para ele novamente, dando de ombros.
— Poseidon pode ser um pouco volátil.
— Que bom que a informação chegou em tempo — Jason respondeu, sarcasticamente. — Poderia ter acontecido uma catástrofe caso não soubéssemos disso neste momento tão importante.
Crunor olhou para ele, achando o comportamento do cavaleiro curioso, mas nada respondeu.
— Não estava de férias? — continuou Jason, irritado. — Retorne à praia onde estava. Olhe em volta. Nada mudou na sua ausência. Tanto faz. Leonard estava certo. Você é muito pouco útil.
O arqueiro engoliu em seco quando Crunor olhou para ele.
— Me inclua fora dessa — pediu, nervoso.
Foi a vez de Jason de revirar os olhos.
— Sabe, Jason… nunca tive a oportunidade de ser totalmente honesto com vocês, para ser sincero. Com todos vocês reunidos, Cotton, Joshua, Gibbs, Leonard, John, Rafael, Catarina e você, parece ser a minha deixa. Então, lá vamos nós.
“O desempenho de vocês até o momento excede qualquer expectativa que eu tinha, e digo isso individual e coletivamente, sem exceção. Meus incandescentes sempre foram das minhas maiores criações, embora, evidentemente, os arcanjos tenham vindo antes. Mas, sinceramente, nunca imaginei que a minha mais erodida arquitetura, logo os homens, fosse capaz de me orgulhar.
“O aspecto mais interessante de tudo que temos é que você, Jason, jamais questionou minhas ordens. Sempre assumiu minhas missões e desempenhou seu papel além do que era necessário, estimativamente falando. É importante que vocês entendam alguns pontos específicos de tudo que estamos vivendo. Ora, vocês não foram criados num estalar de dedos. Isso teria sido muito fácil. Orientei algumas reações químicas aqui, algumas explosões ali, a colisão de uma coisa ou outra acolá, e cá estamos. Por serem obra do acaso, e coloque o acaso entre muitas aspas, esta é a melhor das suas gerações. Sejam felizes com o que têm. Não sabem quantas pessoas morreram até que vocês pudessem chegar até aqui.”
Jason não soube o que responder, embasbacado com aquele excesso de informações, após tanta escassez. John parecia ainda mais estarrecido.
— Então, ainda que todos vocês me odeiem ou queiram me matar, talvez ambos, peço, encarecidamente, que cumpram esta última missão e que devolvam Ferumbras à sua jaula. Após, conversaremos ainda mais francamente do que isso.
E desapareceu, sem deixar vestígios.
Capítulo show de bola, com direito a guerreiro voando de dentro de Hidras criadas por deuses arrogantes e cuzões. :lol:
Crunor é, sem sombra de dúvidas, um personagem bem interessante. Eu gosto de como ele mostra indiferença pro tanto de pessoas que o odeiam ou que o adoram, e como ele sempre age de forma calma e direta quando aparece pro pessoal. Ele é o aspecto mais próximo de um Deus absoluto que eu poderia imaginar ou escrever, então certamente é um personagem muito bem feito.
Essas síndromes de pânico que Jason sofre mostram como nem sempre heróis estão sempre saudáveis e fortes, sem problema algum rolando em suas mentes ou no seu corpo. É um aspecto que dá realismo pra história e pro personagem e algo que gostei de ver sendo aplicado nele, embora seja essas situações onde ele sofre com isso sejam tensas.
Ah, também gostei do Eremo, um personagem bem interessante também. Tem exatamente o jeito de alguém que vive sozinho numa ilhota.
Aguardando o próximo, Neal. Aparentemente os momentos calmos serão escassos nos próximos capítulos. Menos mal, tem que botar os heróis pra trabalhar.
Grande neal crunor me deixou perplexo kkk não esperava por uma visita assim, no aguardo de mais e mais capítulos parabéns!
Saudações!
Daqui da praia venho dizer: somos dois apaixonados pelo oceano, então xD
Sustento a tese de que Poseidon já me tem como parte do reino dele. Posso passar o perrengue que for nos mares que nunca sinto medo das águas, da espuma ou das ondas. Paixão à primeira vista pelo mar, vai entender. Kkkkkkk
De toda a forma, adorei o capítulo eacho que o Carlos já pintou muitas das coisas que eu tinha para dizer. Uma pena ser essa obra a penúltima, pois sei que certamente sentirei muita falta de abrir essa Seção e ver a atualização de algum tópico iniciado com "Jason Walker". Entretanto, espero que não pare de produzir, da mesma forma que estou tentando pegar no pesado com Behogar Bradana.
Até o próximo capítulo!
Abraço,
Iridium.
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CAPÍTULO 16 – QUEM DE NÓS?
Zathroth e Heloise conversavam a um canto do restaurante do depósito de Carlin, ele surpreendentemente desarmado. O exército vinha realizando rondas regulares e, na sua visão, era desnecessário caminhar de forma hostil dentro de um território que, sinceramente, tinha o recebido tão bem.
A rainha Heloise era, no fim das contas, a monarca que menos se assemelhava a um monarca no antigo continente, Zathroth constatou cedo demais. Misturava-se ao povo e fazia parte dele constantemente, abandonando suas vestes reais com uma frequência maior do que se podia imaginar.
Agora, exatamente dentro das expectativas de Zathroth, às sete da manhã, ela comia bacon frito e ovos cozidos com ele, com uma boa caneca de café com leite, sentada no restaurante popular da cidade em meio à multidão. Bambi Bonecrusher, que fora promovida e assumira a vaga deixada pelo finado Svan, andava para lá e para cá, fechando detalhes importantes referentes à segurança da cidade.
— Ela é competente — disse ele, puxando conversa.
Heloise fez que sim, mastigando devagar.
— Minha melhor combatente.
— Depois de Jason Walker.
— Jason Walker sequer pode ser incluído na lista — ela sorriu, lembrando-se do jeito adolescente e atrapalhado do garoto que carregava nas costas os maiores fardos da humanidade. — Ele e Leonard Saint estão em outra posição. São incomparáveis.
— De acordo.
Por um certo tempo, Zathroth remoeu diversas coisas na cabeça. O respeito que Heloise tinha pelos dois meninos confirmava certas suspeitas a respeito de outras relíquias que ele estava rastreando, já tendo encontrado duas delas, estando de posse de uma.
Finalmente, quando não pode mais se aguentar, Zathroth tirou de dentro das vestes uma caixinha de joias pequena, abrindo sua tampa e mostrando o conteúdo para a rainha. Ela tomou um gole rápido do café com leite, detendo-se longamente na grande esfera brilhante lá dentro. Abaixo dela, e nela amalgamado, havia um arco tosco e rude feito, aparentemente, de níquel. Era um anel.
— O Anel Finalíssimo — identificou Zathroth, ao que os olhos dela brilharam. Ela conhecia o potencial do anel. — Trata-se de uma das 12 relíquias. Sabe o que ele faz?
— Mostra o futuro — ela respondeu prontamente, franzindo o cenho. — Ou pelo menos uma projeção dele.
— Precisamente.
Heloise aguardou, mas Zathroth e ela só se encararam nos olhos por um longo tempo. A rainha não precisava perguntar para saber que ele havia tirado aquilo de Lancaster Wilshere, na campina, durante o combate contra Lúcifer. Não sabia exatamente como se sentia a respeito de Zathroth acumulando relíquias, mas, a julgar pelo fato de que John tinha o Livro e Jason, a Espada, ao menos poderiam assegurar que ele não podia ter todas elas.
— Qual a relevância do tema para nós?
Zathroth respirou fundo, fechando a caixa e guardando-a em segurança novamente.
— Não resisti ao impulso e usei-o após a partida dos nossos destemidos heróis, seja lá para onde tenham ido. E os resultados foram catastróficos.
— Em que sentido?
Novamente, ele respirou fundo.
— Tudo é bastante… fosco, anuviado, para ser mais preciso. Um deles morrerá, Heloise, e não sei precisar quem será. Não sei dizer se o Inominado o matará, ou a matará, ou mesmo se isso acontecerá antes dele chegar. Na visão, Jason, John, Randal, Rafael e Leonard estão ajoelhados diante de um inimigo incompreensível, e incompreensivo. Ele lhes faz algumas perguntas. Nenhum deles responde qualquer delas. E, logo, uma cabeça rola. Não sei dizer a de quem.
“O anel possui um certo lastro, que registra as suas atividades. Lancaster o usou na noite anterior à sua morte. Ele viu um machado sendo disparado na sua direção, e viu uma cabeça rolar no chão. Mas sua ânsia por ter a Espada de Crunor o cegou. Ele achou que nada poderia afetá-lo.”
— Viu a cena de cima? — perguntou Heloise, transtornada. — Ou como espectador?
Zathroth sorriu com tristeza sincera.
— Você não entendeu, rainha. Eu estava na visão de quem cortou aquela cabeça.
*
Jason acordou de repente, o sol invadindo o quarto através da janela no topo. Estava vazio. Somente ele ainda estava dormindo.
Ele levantou devagar, sentindo uma estranha sensação de confusão. Lembrava-se de John quebrando algo num canto do quarto, muito irritado, e, depois, acordou. O que quer que fosse aquilo que Eremo lhe dera, era realmente bom. Não se lembrava de ter dormido tão bem em sua curta jornada de vida.
Ele saiu para o corredor, permitindo que os pés descalços assimilassem o chão frio. Finalmente, chegou ao jardim.
Eremo havia conjurado mesas e cadeiras e servia o almoço. O almoço. Por algum motivo, Jason pulara o café da manhã.
— Horas? — perguntou, sentando-se, desorientado e cheio de ressaca. A sensação da grama macia e fofa sob os seus pés nus lhe agradava.
Eremo olhou para o céu por um instante.
— Onze.
— Deveríamos estar em Krailos.
— Estarão antes do meio-dia.
De repente, as mesas quase se dobraram com o peso da comida que surgiu sobre ela. Galinha assada, algo que parecia a metade de uma vaca fatiada, arroz branco cozido, batatas, algumas folhas muito verdes e cebola picada. Leonard não esperou uma segunda oportunidade e logo começou a encher o prato, beliscando as travessas aqui e ali.
John, sentado à direita de Jason, nada disse. Eremo ocupou a cadeira à sua frente e começou a encher o próprio prato também.
— É um dos efeitos colaterais — disse, em tom de desculpas. — Essa ressaca quase insuportável. Mas passa em alguns minutos.
Jason assentiu uma vez, exausto demais para responder. Logo, Eremo começou a servi-lo também.
Por um instante, todos somente fizeram comer, sem dizer qualquer palavra. Finalmente, com todos satisfeitos, exceto Leonard, que ainda comia, Eremo agitou as mãos com displicência e as travessas desapareceram. Leonard terminou de devorar sua coxa de frango, limpando as mãos num guardanapo puído e gasto.
Alguns minutos depois, Eremo, que havia se dirigido para o interior da residência, retornou, trazendo consigo um tapete carcomido, de mais ou menos cinco metros quadrados. Ele o estendeu na grama e olhou para Jason, aguardando.
— O que é isso?
Ele sorriu, feliz.
— Estava esperando pela pergunta. É um tapete mágico, pura e simplesmente.
— Já ouvi falar deles — John se levantou, interessado. — Mas nenhum de nós sabe operá-lo.
— Seria muito fácil se soubessem.
Um homem de cabelos ruivos, camisa branca e calça jeans saiu da casa naquele exato instante. Tinha a pele queimada de sol e olhos bondosos. Também estava descalço, por alguma razão, mas foi o primeiro a subir no tapete.
— Este é Pino. Serve a cidade de Edron. Curiosamente, ele sabe operar um tapete mágico. Então, se estiverem todos prontos…
Gibbs e Cotton vinham de dentro da casa, carregando as mochilas nas costas musculosas. Logo, todos se espremeram sobre o tapete, sem bem saber o que fazer. Somente Rafael permaneceu destacado por um instante; Eremo cochichava algo em seu ouvido, e sua expressão não era das melhores.
Enfim, quando a conversa terminou, o arcanjo também embarcou, apertando-se ao lado de Jason, à frente de John.
— O que foi isso? — o cavaleiro perguntou, desconfiado.
— Não gosto desta coisa — ele bateu os pés no chão, incomodado. — Questionei Eremo sobre se não havia outra alternativa.
Jason semicerrou os olhos, aceitando parcialmente aquela resposta. Se houvesse algo que comprometesse a missão, Rafael deveria ser o primeiro a se manifestar, mas ele nada disse.
— Diga a Zeus que não esqueci do débito que ele tem comigo — disse Eremo, quando o tapete, magicamente, começou a planar e o vento sul levantava os cabelos de todos. — Se não saldá-lo antes de morrermos, bem, conversaremos nos Campos Elísios, se ele tiver essa sorte. E se Poseidon não acalmar essa maldita maré, terei que enfiar aquele tridente em um determinado local que vai desagradá-lo.
— Que débito é esse? — gritou Jason para se fazer ouvir, já a 20 metros de altura.
— Salvei uma de suas missões certa vez — Eremo respondeu, também aos gritos, mas também evasivamente. — E trazer energia elétrica à minha ilha não fará mal, no final das contas. E o estoque do remédio que fabriquei está no bolso da frente da sua mochila!
Jason estava prestes a perguntar o que era “energia elétrica” quando o tapete disparou no sentido leste, deixando a ilha para trás muito rapidamente. A última visão que todos tiveram foi a de Eremo acenando e retornando devagar para dentro da sua casa, antes que a ilha se tornasse um minúsculo ponto no horizonte.
*
— Conhece as regras, Poseidon.
Zeus, um homem alto, de cabelos e barbas muito brancos, olhos azuis da cor do céu e usando uma túnica azul-marinho muito comprida, segurava nas mãos algo que surpreendentemente se parecia com um raio vivo. Ao seu lado, um homem muito musculoso segurava uma espécie de maça presa numa corrente comprida.
Diante deles, Poseidon, segurando seu tridente, tentava convencê-los. Não seria tarefa fácil.
— Jason Walker simplesmente explodiu a hidra, de dentro para fora — ele argumentou, soturno. — Saiu voando, é verdade, mas vivo. Não podemos ignorar o potencial desse garoto.
O homem com a maça grunhiu, cuspindo no chão.
— Acalme-se, Hades — advertiu Zeus, conjecturando. — Não estou negando a eles uma audiência, mas o Olimpo tem um código de conduta que não pode ser afastado, nem mesmo em situações excepcionalíssimas. Você há de convir comigo.
— Não discordo — limitou-se a responder.
Zeus coçou o queixo.
— Nosso código determina a morte de ao menos um dos nossos visitantes, e ele servirá ao sacrifício. Porém, não pode ser qualquer um deles. Deve ser um dos líderes. Preferencialmente, aquele que detiver uma relíquia.
— Jason Walker tem a Espada de Crunor e John Walker traz consigo o Livro das Ciências Ocultas — argumentou Poseidon, verdadeiramente indiferente sobre qual deles iria morrer, mas desejando, secretamente, que a vida do espadachim fosse poupada, no final das contas. — Escolha um deles, qualquer um deles, mas os ouça.
Hades adiantou-se meio passo, irritado.
— Você amoleceu, Poseidon — disse, com sua voz grossa e profunda. — É uma pena que tenhamos chegado a este ponto. O Olimpo, submetendo-se aos desejos dos mortais. Realmente, estamos chegando no fim do mundo.
Poseidon virou seus olhos para ele, de má vontade.
— O Olimpo já serviu aos mortais antes. Esqueceu-se do que Ares fez? De quem ele recrutou?
Hades grunhiu mais uma vez, incomodado.
Ares um menino sempre levado rs grande capítulo neal e se tivese que escolher entre jhon e jason gosto mais do jhon ja e uma mania minha sismar com protagonistas rs abraços
Excelente capitulo, Neal. Agora as coisas ficaram incrivelmente tensas, pois um dos protagonistas está jurado de morte. Imaginei que um deles acabaria morrendo no final da história, mas acredito que eu não estava preparado.
E ainda não me desce esse Zathroth bonzinho... O outro lado de Uman está muito suspeito, sinceramente. Ainda acho que ele fará alguma merda.
No aguardo do próximo, parceiro. E eu tenho certeza que quem vai rodar vai ser o John. De novo. :shrug:
HADES MELHOR DEUS FLW VLW
Ah, mas onde estão meus modos? Saudações!
Excelente capítulo, Neal! Se o John rodar, já vai poder pedir música heim HSAUSHAUSAUHSAUSHAUSHUASH
Brincadeiras à parte (e o fato de que o Pino estaciona que nem um babaca kkkk), estou ansiosa para ver o desenrolar das coisas. Queria era que sacrificassem o Cotton pra ver se ele para de fazer besteira, masssss n será o caso x.x
Aguardo o próximo!
Abraço,
Iridium.
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CAPÍTULO 17 – OS TRÊS MAIORES
O tapete aterrissou suavemente no chão lodoso, ao que Pino fez um sinal breve, orientando todos a desembarcar. Assim que o último deles desceu, ele simplesmente deu meia volta e partiu para Edron, deixando-os à própria sorte.
Jason ainda estava embasbacado quando percebeu que um inseto gigante – grande demais para ser de verdade – ia rastejando a distância, entrando na terra segundos depois.
— Que diabo era aquilo?
Rafael suava frio.
— Bichos de estimação.
Adiante, um mastro ornamentado de aproximadamente dez metros de diâmetro erguia-se do chão como um leviatã, disparando no sentido do céu, indiferente ao fim do mundo. Jason e John trocaram um olhar cheio de significado, e Leonard sacou seu arco, equipando uma flecha afiada nele.
Os amigos avançaram devagar, rumo ao mastro. Não faziam ideia de como subiriam, mas tinham a promessa de Poseidon.
Jason respirou fundo, pondo-se a andar.
A hora chegou.
*
Zathroth fechou a porta atrás de si, no alto da torre leste do castelo de Carlin. O relógio de parede lhe dizia que era meio-dia. Talvez fosse o mais adequado dos momentos.
Ele se sentou na cama simples, reflexivo, tirando a caixa de música de dentro das vestes e analisando-a longamente antes de abri-la. Obviamente, não tiraria a vida de nenhum daqueles homens, mesmo se quisesse – tinha um acordo para não o fazer. Inobstante, não deixava de se sentir ansioso pelo fato de ter visto a cena a partir dos olhos do assassino, e sabia que não era o Inominado.
A rainha, contudo, não precisava ter todas as peças encaixadas.
Ele passou o longo dedo nodoso sobre a superfície da pérola incrustada no anel toscamente talhado, deliberando. Sabia quem morreria, e, sinceramente, sua cabeça não sugeria qualquer saída prática para aquilo. Simplesmente aconteceria, e não havia nada que ele pudesse fazer.
Contudo, a experiência lhe dizia que, ainda que não houvessem saídas à vista, conhecer as pessoas com quem você estava negociando era importantíssimo para que a relação perdurasse, se ela estava para se iniciar. Conhecia aqueles 12 nomes há muitos anos e, secretamente, desejava que nunca pudesse lidar com qualquer um deles.
Pestilentos, traidores, nefastos e dissimulados, é o que eles são, pensou, sentindo um aperto terrível no coração. Carlin estava prestes a perder um dos homens mais importantes de sua história, simplesmente porque, desde Ulisses e desde Creta, havia um código de conduta que assim determinava.
Jason Walker não fazia a menor ideia do tamanho da armadilha para dentro da qual estava se esgueirando.
Contudo, Zathroth sabia que não podia interceder ao seu favor. Todavia, conhecer seus novos amigos poderia conceder a Carlin certas vantagens num futuro próximo.
Assim, sem pestanejar, ele enfiou aquele anel demoníaco de qualquer jeito no dedo médio da mão direita, preparando-se para a carnificina.
*
Eremo bebericou seu chá calmamente e sequer piscou quando um imenso dragão, negro como a noite, pousou em sua ilha sacudindo as estruturas da sua morada. O homem desceu do seu torso e o bicho permaneceu parado no mesmo lugar, aparentemente inerte a todo o restante.
Criaturas fabulosas os dragões, pensou Eremo, tomando outro bom gole do seu chá. O bicho bufou e se enroscou, deitando-se no chão e sacudindo a ilha pela segunda vez.
O homem diante dele tinha cabelos e barbas muito longos e desgrenhados, parecendo quase selvagem. Seu porte físico, escondido sob os feixes das malhas da sua armadura grega completa, se destacavam, e a espada de ferro estígio – como a de Lúcifer, pensou Eremo, que conhecia aquela bestialidade cristã mais do que desejava – era ameaçadora, mas permanecia embainhada calmamente em sua cintura.
Os olhos azuis do homem não deixavam dúvidas a respeito de sua descendência. Eremo sorriu ao vê-lo se sentar diante de si, tamborilando os dedos na mesa de plástico.
— Ares — cumprimentou, erguendo uma sobrancelha.
— Auxiliou os humanos no caminho até Krailos — não era uma pergunta. Sua voz era controlada, mas continha um quê de ameaça. — Não consigo deixar de me perguntar por quê.
Eremo bebeu seu chá novamente, erguendo os olhos devagar. Não pretendia respondê-lo com maldições, como seu instinto mandava que fizesse, mas não faria mal não lhe fornecer a história completa.
— Sabe quem é Jason Walker?
Ares deu de ombros, mas assentiu uma vez.
Por dentro, Eremo se sentiu bastante satisfeito. A fama do garoto sobe o palácio do Olimpo, pensou, orgulhando-se dele.
Conhecia Jason Walker desde que nascera, é verdade. Sabia quais eram seus laços com ele, e por que decidira isolar-se numa ilha num local insignificante do planeta em vez de acompanhar seu desenvolvimento, mesmo depois de Lawton Walker e Clarice Walker morrerem. Tinha lá suas responsabilidades, mas o garoto cresceria melhor se não fosse… se não estivesse com ele.
— Como deus da guerra, achei que o conheceria. Jason Walker causou confusões o suficiente no nosso continente. E venceu todas. Não é incrível?
— Graças à ajuda de amigos mais talentosos do que ele — Ares fez uma careta, desdenhando. — Com a Espada de Crunor ou com o Machado Infernal, ele nunca seria capaz de me vencer.
Eremo sorriu, pensando. Jason Walker pode vencê-lo sem arma alguma, paspalho, refletiu, divertindo-se.
— Zeus irá ajudá-lo?
Ares fez um biquinho.
— Zeus ajudará a humanidade, porque esse é o desejo de Crunor, e nós somos leais a Crunor, por mais imbecil que ele seja. Não estou exatamente certo sobre se Zeus ajudará Jason Walker, especificamente. Conhece o código de conduta do Olimpo. Um deles morrerá hoje. Aposto no garoto.
Eremo ergueu as sobrancelhas, certo de que a visita de Ares não era exatamente dissidente de uma coincidência qualquer. Ele queria informações. O druida sabia muito bem sobre como Zeus tratava seus visitantes, e sabia que o deus dos raios e dos trovões era presunçoso, exatamente como Gaia, sua avó, e Urano, seu avô.
— Qual a razão da aposta?
— Zeus quererá canalizar energia. Matar o detentor de uma relíquia histórica parece ser uma excelente forma de fazê-lo.
— John Walker tem o Livro.
— O Livro não pertence a John Walker como a Espada de Crunor pertence a Jason Walker — Ares bocejou, entediado. — Conheço meu pai, e sei o que fará. Ele preferirá matar aquele que for o mais capaz de conceder-lhe algo de que precise. Jason Walker está na vez.
Eremo franziu o cenho, pensativo novamente. Conhecia o ego de Zeus e sabia que ele comandava o Olimpo com mão de ferro, mas matar o único homem cujos poderes seriam capazes de rivalizar com os do Inominado parecia um tanto quanto estúpido.
Por maiores que fossem os desejos do deus dos raios, sabia que ele não era burro. Já negociara diretamente com ele em diversas ocasiões e tinha certeza de que, para ele, o melhor acordo era aquele em que sua barganha fosse a melhor quanto fosse possível.
A Espada de Crunor não lhe serviria de nada, disso Eremo estava certo. Era correto também dizer que Zeus era um ser um tanto quanto volátil, e que não hesitaria em matar Jason Walker se isso fosse o que estivesse em sua cabeça. Mas, mesmo para Zeus, aquilo era um tanto quanto ininteligente, quase um retrocesso. E o comandante do Olimpo não tolerava retrocessos.
— Presumo que não tenha vindo até aqui somente para tomar chá comigo.
Ares fez que não, erguendo uma sobrancelha.
— Me diga o que é necessário para que eu possa evitar a morte de Jason Walker hoje.
Foi a vez de Eremo de levantar as sobrancelhas, surpreso.
— Realmente quer isso?
— Tive um filho que me decepcionou. Você conhece sua história. Hefesto forjou para ele a melhor das armas, e ela passou a fazer parte integrante do seu sistema nervoso. Não era necessário que ele movimentasse as mãos para manusear seu armamento pesado. Bastava que pensasse. É óbvio que você o conhece.
Eremo fez que sim. Todos os grandes historiadores sabiam o seu nome.
— Infelizmente — continuou Ares, soturno —, a ambição de Kratos foi a sua ruína. Tentar matar Zeus… quão longe ele foi.
— Qual sua relação com Jason Walker?
Ares fez que sim uma vez, como se quisesse dizer que ainda não finalizou seu raciocínio.
— Jason Walker é um grande guerreiro, e sabe como gosto de grandes guerreiros. Entendo que, no longo prazo, ele poderá desempenhar um trabalho formidável em favor do Olimpo e, por via reflexa, em favor de toda a humanidade. Se fizermos os ajustes corretos, ele e a jovem Melany poderão viver conosco. Ártemis adoraria ter essa amazona, especificamente, mais próxima dela. É a melhor de todas.
Eremo curvou o corpo para frente, aproximando seu rosto do outro. Ele deliberou.
— Entende que salvar Jason Walker significa desperdiçar outra vida?
Ares assentiu enfaticamente.
— Estou disposto a garantir esse sacrifício.
— Então, escute-me com atenção.
*
O palácio do Olimpo era o mais próximo do paraíso que Jason havia imaginado. Todos os deuses eram simplesmente grandes demais para serem de verdade, e seus tronos, dispostos de forma semicircular na parte meridional da sala, que era inteira vazada e sustentada por colunas altas e muito brancas e com um pé direito também muito alto, eram intimidadores.
Poseidon piscou para ele uma vez, dando-lhe um meio sorriso. Ele retribuiu, contrafeito. Um dos tronos estava vazio.
— Ajoelhem-se — ordenou Zeus, e sua voz ressoou como um trovão.
Os amigos entreolharam-se, ao que Zeus se levantou. Não foi necessário um segundo aviso. Todos puseram-se de joelhos.
— O Olimpo tem um código de conduta bastante específico — disse ele, e Poseidon, que já tinha ouvido aquela história, exatamente com as mesmas palavras, um milhão de vezes, pôs-se a lixar as unhas com o tridente. — Chegaram até aqui, e serão congratulados por isso. Daremos a todos uma audiência. Contudo… as regras existem para serem seguidas.
Ele se adiantou e, magicamente, reduziu ao tamanho de um homem normal, sacando sua afiada espada e apontando-a para a cabeça de Jason Walker.
— Sacrifício é necessário.
Jason arregalou os olhos, descrente.
— Eu escolho você, espadachim.
Fudeu.
Sony vai botar sua história abaixo por usar um personagem deles sem autorização.
Brinks, tô ligado no verdadeiro Kratos e sua vingança que não deu tão certo quanto o de GoW (Na verdade eu não lembro agora se ele chegou a enfrentar os olimpianos ou não), é impressionante que ele seja comparado ao Jason.
Quanto ao Jason... Ares, o último deus que eu pensaria que faria algo, está fazendo, e talvez Jason possa ser salvo do ato estúpido de Zeus. Aliás, me diga uma vez que Zeus não foi estúpido desde que derrotou Cronos. E bom, espero que o Jason não rode ainda. Pois se acontecer, RIP Tibia. Até Zathroth preocupa-se, então não é pouca coisa.
Excelente capítulo mais uma vez meu amigo, e aguardo pelo próximo ansiosamente. Não faço ideia do que vai acontecer agora.
e é bom que essa fama de matador de protagonistas se espalhe, assim todo mundo que começar a ler uma historia minha ja vai entrar com o cu na mão, e isso é bom
Agora sim kkk agora arrepiei aqui kratos meu ícone favorito so a citação dele me empolga creio que ares será um "advogado" de Jason kk coitado pego de suprise seu melhor capítulo que já tive o prazer de ler neal meus parabéns yours ringo on old elera since 2005
Bom vamos lá, mas devagar, prólogo, achei interessante, quem matasse Cain teria 7 x de castigo, leva a um homem normal pensar 7 vezes antes de atacar ele.
Esse pós guerra do primeiro capÃ*tulo achei interessante, a parte da tortura me lembrou a temporada de sobrenatural que o Sam ficou com Miguel e Lúcifer. bateu tipo um flash back Daora
A parte da luva de látex, que fora as similaridades da bÃ*blia que puxou a realidade, que com machucados, druidas e magias, pra que luva de látex? Só curiosidade mesmo.
Agora a parte final, fazer um acordo com o coisa ruim, ou é o coisa meio ruim, medidas desesperadas, parece o fim mesmo kkk
Essa conversa entre o John e o Crunor foi bem interessante, pode se dizer que parece um plano já arquitetado para um fim, pelo visto do fim da conversa. Agora deve ser engraçado ver o Randal sem entender um feitiço do capiroto kkkkkk , por fim o feitiço finalmente deu certo.
Fazer menção ao casal Warren foi engraçado, os contos deles invadiram até os espaços tibiano, muito boa sacada. Mas tenho que falar que são um casal de Delelele kkkk
Bom parabéns e sucesso, irei acompanhar a medida do possÃ*vel.
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CAPÍTULO 18 – SACRIFÍCIO NECESSÁRIO
Ares irrompeu pelas portas do Olimpo, sacando sua imensa espada de ferro estígio e saltando entre Zeus e Jason Walker. O deus dos raios arqueou suas sobrancelhas, descrente, mas sua surpresa durou apenas meio segundo.
No instante seguinte, pai e filho duelavam, espada a espada, no centro do palácio. Jason e os outros rastejaram para trás devagar, assustados, tentando fugir daquele duelo de titãs.
Zeus, que era muito mais experiente, combatia Ares com facilidade e encontrava brechas para disparar raios na direção de Jason, que dançava para lá e para cá, escapando como podia. Um dos ataques acertou seu braço esquerdo, abrindo um ferimento que quase arrancou seu membro do corpo.
Imediatamente, John o puxou para si, procurando pela página certa no Livro das Ciências Ocultas e recitando um encantamento em voz baixa.
No centro, Ares começou a ganhar certa vantagem no combate, obrigando Zeus a concentrar nele todas as suas atenções. Os outros deuses, retesados, permaneciam parados em seus lugares, assistindo à cena como se nunca tivessem visto semelhante barbárie em sua história.
Aqui e ali, Ares ia abrindo talhos nos braços de Zeus, minando suas forças. Quando, finalmente, o deus dos trovões percebeu que aquele era o terreno do deus da guerra, ele simplesmente abandonou sua espada e um imenso raio corpóreo materializou-se em sua mão direita, e ele o atirou na direção do outro, perfurando-o de fora a fora.
O corpo inerte de Ares rolou pela antessala e, justamente quando a perplexidade de Jason, agora totalmente curado, começava a crescer, o deus da guerra simplesmente pôs-se de pé, o buraco imenso em seu peito fechando-se devagar.
— Tentou me matar? — perguntou, abismado.
— Sabia que não mataria — Zeus desviou o olhar, constrangido.
— Meu saco que sabia — ele bufou.
Zeus apontou seu raio na direção de Jason.
— Ajoelhem-se — ordenou outra vez.
— Espere um segundo — pediu Ares.
Um homem magro, de armadura de ouro e que utilizava botas com asas — por alguma razão — levantou-se, vencendo a distância até o centro da sala com muita velocidade. Seus olhos, negros como duas opalas opacas, eram frios como a noite. Ele fez um sinal breve, ao que Zeus assentiu uma vez. Aparentemente, era um pedido de permissão.
— Esclareçam-me uma dúvida, por favor — sua voz era muito fina. Quase feminina. — Ele quer matá-lo — ele apontou primeiro para Zeus e, depois, para Jason. — Ele quer viver — ele repetiu o gesto, mas na ordem inversa. — Você, que não tem nada a ver com o assunto, quer matá-lo e salvá-lo — novamente, ele apontou para Zeus e, depois, para Jason. — Parece-me um pouco estúpido que você aceite morrer por isso, não acha, Ares?
Ares bufou, irritado.
— Você é um palhaço, Hermes. Ninguém vai matar Jason Walker hoje.
Ao olhar para eles, percebeu que estavam ajoelhados novamente. Sinceramente, nenhum deles ousaria colocar-se de pé novamente.
— Depois dessa demonstração pública de afeto, estou razoavelmente incerto — Hermes deu de ombros. — Espero que esse combate franco não tenha servido para que um mostre ao outro que seu pênis é maior.
— O meu é maior — comentou um homem de capacete e segurando uma maça mortal, arrancando risinhos daquela que, sem favor algum, era a mulher mais bonita do local.
Ares revirou os olhos, mas Zeus analisava-o, achando seu comportamento curioso.
— Quer matar Jason Walker por causa da afinidade dele com sua relíquia, certo? Acha que a energia liberada será maior, e que poderá vencer o Inominado sozinho. Correto?
Zeus fez que sim duas vezes, concordando com ambos os questionamentos do outro. Internamente, Jason achava que era presunçoso demais que alguém se portasse daquele jeito mas, sinceramente, considerando que, cinco minutos atrás, seu pescoço quase pagou pela presunção de Zeus, não era exatamente o momento apropriado para conjecturar.
Ao seu lado esquerdo, Rafael continuava suando frio por baixo daquele terno e daquela gravata pretos. Jason franziu o cenho para ele, cobrando explicações, mas o arcanjo não fez conta de ter notado.
— Vamos analisar isto criticamente — Ares começou a andar pela sala, e Poseidon revirou os olhos. Sabia que o sobrinho era um excelente combatente mas, ainda mais do que isso, era um embromador de primeira classe. — Se eu lhe disser que outros deles possuem relíquias históricas, talvez tão poderosas quanto a Espada de Crunor, aceitaria minhas palavras?
— Seria necessário vê-las.
Ares adiantou-se para o grupo e, bruscamente, retirou das mãos de Leonard seu arco e, das de Rafael, sua lança prateada, atirando as armas aos pés de Zeus.
O maior dos deuses do Olimpo assobiou baixinho, confirmando as suspeitas de Ares. Este, por sua vez, voltou ao grupo e puxou Randal pelo colarinho, jogando-o defronte às armas.
— Nossa — Zeus arqueou as sobrancelhas, positivamente surpreso. — A Lança do Destino, o Arco dos Elfos e o Colar de Contas. A Espada de Crunor e o Livro das Ciências Ocultas. Todos diante de mim. Quem diria.
O deus da guerra aguardou, ansioso. Leonard, contudo, colocou-se de pé.
— Arco dos Elfos é o meu ovo direito — Jason olhou para ele, subitamente dividido entre a vontade de rir e a vontade de chorar. — Paguei 10 mil moedas de ouro por ele. Se fosse uma relíquia, custaria muito mais caro do que isso.
De repente, Ares puxou sua espada imensa e partiu o arco ao meio. Leonard soltou um grito estrangulado e ameaçou adiantar-se para pegar de volta as duas metades do arco quebrado, mas não havia mais duas metades. Magicamente, o arco se recompusera sozinho, brilhando, e retornara ao seu estado original.
O arqueiro estacou por um instante, descrente. Os elfos, é claro, eram criaturas muito inteligentes e versadas em diversas artes mas, ainda mais claro do que isso, não sabiam cobrar pelos serviços que prestavam.
— Você, arcanjo — Zeus apontou para ele com o raio, e ele se retesou, nervoso. — O que tem a dizer ao seu favor?
Rafael olhou para Jason, quase suplicando por ajuda.
— Está… está comigo desde que fui criado — uma gota de suor escorreu pela sua testa. — Nunca… nunca me foi dito que… se tratava de uma relíquia.
Zeus deu-lhe um meio sorriso.
— Deve ter feito coisas formidáveis com essa lança. E você, demônio?
Randal fez uma careta e cuspiu no chão.
— Chupe meu pau. Não lhe devo nada e, ainda que devesse, preferia ver esse raio entrando pelo meu rabo do que o ajudar com qualquer coisa que seja. Quero mais é que você se foda.
Agora, Zeus ria abertamente. Jason, do contrário, se sentia muito tenso.
— Céus, Jason Walker. Você tem um grupo e tanto aqui. O arqueiro é meio obtuso, é verdade, mas o demônio, que não quer mais ser um demônio, é bastante engraçado, apesar de ser meio boca-suja. Ares, querido, por favor, devolva o arco ao arqueiro e a lança ao arcanjo. Já tomei minha decisão.
Ares enfiou o arco nas mãos de Leonard e a lança, nas de Rafael, de qualquer jeito, retornando à sua posição. No seu íntimo, respirava aliviado. As informações de Eremo tinham sido muito úteis, afinal.
Zeus apontou o raio para Randal.
— Últimas palavras?
*
Pelos olhos de Zeus, Zathroth observava embasbacado a tranquilidade no rosto de Randal. O demônio, que detinha uma das 12 relíquias, simplesmente não ligava para o fato de que morreria. Que criatura peculiar.
Agora, ele sabia onde estavam as últimas relíquias que vinha mapeando. O Arco dos Elfos pertencia a Leonard Saint; a Lança do Destino sempre estivera com o arcanjo Rafael; o Colar de Contas, talvez por decisão de Crunor, estava no purgatório, com Randal, desde sempre. Amaldiçoou-se por um instante por não ter sido mais rápido quando ainda não tinha criado afeição por aquele estranho grupo de homens. Poderia ter tido mais de três quartos das relíquias sem precisar fazer muito esforço.
Durante muito tempo, permanecera focado no fato de que Jason Walker tinha a Espada de Crunor. Era, de fato, o artefato mais cobiçado no antigo continente, mesmo porque a maioria dos cidadãos decidira enveredar pela classe da cavalaria, que era a mais simples, no final do dia. Ali, diante dos deuses do Olimpo, cinco relíquias refugiam, ansiosas por serem usadas. Ele, Zathroth, tinha a sexta. Faltariam outras seis para se tornar o ser mais poderoso do antigo continente.
Agora, contudo, seus objetivos eram outros. Firmara um acordo inteligente e seria ainda mais inteligente se o honrasse, o que pretendia fazer, verdadeiramente. Ver tantas relíquias reunidas, contudo, lhe causava uma sensação de prazer indizível. Ainda que ele não fosse o dono de todas elas, lutar ao lado de quem as detivesse fazia com que se sentisse ainda mais poderoso e, sobretudo, protegido.
Vai servir se for desse jeito, pensou, o coração descompassando quando Zeus levantou seu raio.
*
Um clarão imenso preencheu todo o domo quando Zeus disparou seu raio, cegando a todos momentaneamente. Jason escutou algo tombando dolorosamente por ali, e todos os outros mantiveram um silêncio sepulcral.
Finalmente, após alguns segundos, a claridade começou a ceder. A distância, Jason percebeu que Zeus já estava sentado, em tamanho real, novamente em seu trono. Ares também ocupara de volta o seu lugar, exatamente o trono que estava vazio quando chegaram.
Randal, contudo, permanecia ajoelhado. Mexeu-se, incomodado. Estava vivo.
Ao seu lado direito, Leonard piscou duas vezes, confuso. O coração de Jason se descompassou, momentaneamente aliviado pelo fato de que o amigo continuava vivo e aparentemente inteiro, mas um objeto atirado a poucos centímetros diante de si chamou sua atenção quase que instantaneamente.
A cabeça de Rafael, separada do corpo, encarava-o calmamente, quase dando a impressão de que ele dormia de olhos abertos. Ao lado esquerdo de Jason, seu corpo, sem vida, estava tombado de lado, e a lança pendia molemente de sua mão direita.
Novamente, aquela sensação bizarra o inundou como a maré avançada de uma enchente incontrolável. Seu rosto e as pontas de seus dedos formigaram e ele sentiu que desmaiaria. Ele tombou a cabeça para a frente e respirou em profundos arquejos, atraindo a atenção de Ares, que havia se levantado, mas não se aproximara.
John rastejou-se até ele, lágrimas peroladas escorrendo-lhe pelos olhos. Ele abraçou o espadachim, que sentiu seus braços em volta de si, mas não reuniu forças o suficiente para retribuir o gesto.
Leonard, mais consciente do que nunca, puxou a Lança do Destino para si, atirando fora seu punhal gasto e embainhando-a em seu lugar. Tardiamente, contudo, percebeu que Catarina, Gibbs e Cotton também já não tinham mais cabeça.
Jason olhou para eles, finalmente sucumbindo. Em prantos, ele dobrou-se para a frente, agarrando os cabelos, enlouquecido. Seus gritos preencheram o salão.
— Céus — praguejou Zeus, parecendo sinceramente arrependido. — Algo me diz que me excedi. Matar o arcanjo exigiu muito de mim.
Levantando-se devagar, John puxou Jason para si, levando-o devagar para fora. Leonard, contudo, ficou. Era necessário levar os corpos dos amigos.
EPÍLOGO
De olhos vermelhos, Jason avaliava o trabalho que fizera com John. Os corpos dos amigos, cujas cabeças forma recompostas através de uma competente magia de John, estavam agora envoltos em lençóis brancos e amarrados com cordas firmes, cada qual no centro de uma grande armação de madeira, no jardim na parte externa do Olimpo. Lá embaixo, até onde os olhos podiam ver, pulsava vida, e o mundo, que já parecia mais triste, dava a impressão de pulsar, de soluçar, pela morte de Catarina, Gibbs, Cotton e Rafael, amigos queridos.
Jason aceitou o cajado de John, esforçando-se para conjurar aquela magia que, verdadeiramente, como um cavaleiro, não tinha qualquer afinidade para produzir. Logo, contudo, as três armações ardiam com fogo santo, que ia consumindo pouco a pouco os corpos daqueles que morreram, levando aos Campos Elísios suas almas, que haviam tão bravamente batalhado em favor dos propósitos de Crunor.
Ares aproximou-se devagar, timidamente, as mãos cruzadas nas costas, e posicionou-se ao lado de Jason.
— Sinto muito.
— Devo compreender o que fez como um ato de clemência?
— Sim — sua resposta parecia sincera. — Se Zeus tivesse tentado matá-lo, teria de matar a todos os demais. Não seria suficiente levar outros três mortais consigo. Todos os seus amigos estariam sendo queimados agora, e você também.
Repentinamente, Crunor apareceu, do outro lado das fogueiras. Seus olhos, vermelhos como os de Jason, pareciam cansados.
— Tem cinco segundos para sumir daqui, antes de ser morto com a arma que os ciclopes forjaram para você.
— Não estou aqui para lhe pedir desculpas, Jason — seu tom, porém, era de desculpas de qualquer forma, e continha algo mais. Seria arrependimento? — E não pense, por um único segundo, que foi o único a sacrificar algo pelo bem maior hoje. Perdi meu melhor e mais amado arcanjo.
Ele desapareceu. Jason mordeu a língua duas vezes, incapaz de praguejar contra ele, mesmo sabendo que tinha razão.
Ares aproximou-se do cavaleiro novamente, sussurrando em seu ouvido:
— Sua missão agora é muito maior do que essa.
Zeus surgiu um segundo depois, muito sério.
— Demos a vocês a audiência que prometemos e, mais do que isso, estamos dispostos a ajuda-los. Escute meus termos, Jason Walker, porque somente serão ditos uma vez.
Jason ergueu os olhos de má vontade.
— Não sobreviveremos, nenhum de nós, nenhum de vocês — sentenciou. — Contudo, ainda que seja seu último ato, prometa-me que será o responsável por dar fim à vida do Inominado.
O cavaleiro respirou fundo, finalmente compreendendo o quão poderosa era a missão que lhe fora confiada.
— Prometo.
FIM
Viiiiiiiish. :smile:
Que reviravolta. Imaginei que o Randal fosse realmente morrer, e pra mim parecia razoável o bastante, mas no fim foi o arcanjo que curte gim e os amigos do Jason (Que já nem me lembrava direito de quem eram, mas imaginei que não fossem sobreviver). Pobre do Jason, tá fudido agora. Mas ao menos tá vivo e com as relíquias, que por sinal, cresceram em quantidade, já que eles nem sabiam que suas armas tratavam-se de relíquias. Tanto que o Leonard nem perdeu tempo em pegar a lança do Rafael, que fudido :lol:
Ares foi bem importante, impediu que coisa pior acontecesse. Ele é um deus da guerra, mas também parece manjar de diplomacia. Embora ainda tenha acontecido sacrifícios (Que eu imaginei que trataria-se apenas do Randal por ele ter agido daquela maneira, que não é do feitio dele), acho que as coisas não acabaram tão ruins. Ainda há como derrotar o Inominado, pelo menos.
Excelente capitulo final Neal. Esse último conto vai ser do caralho, muito sangue jorrando e cabeças rolando estão por vir. Já tivemos algumas rolando agora, mas vai acabar vindo mais. Jason acabará bem, será?
Continue com o ótimo trabalho e conte sempre com a minha presença.
Mais uma parte concluída neal meus parabéns não esperava por tais acontecimento mais creio eu que teremos jason mais friu e objetivo agora perdê tantos assim foi um baque ... Parabéns ! Felling sad rs.
MEU IRMÃO QUE PLOT TWIST FOI ESSE!!!!????
Saudações!
Nossa, li os dois capítulos em sequência e eu to muito triste. RIP Rafael. RIP TODO MUNDO. Poxinha. Eu teria ficado tão bolada quanto se fosse o Randal também SHAUSHAUSAUSHSUAHUAH
Neal, que capítulos FANTÁSTICOS! Mal posso esperar o próximo livro, e me entristece que será o último. Mas, como você é um puta de um escritor de mão cheia, sei que será um final épico para uma história épica, a qual poderei ler e reler sempre que der saudade e vontade!
Forte abraço, e estou sempre por aqui!
Iridium.
Grande Carlos, um dos melhores amigos (virtuais) que fiz neste curto 2018. Fico muito feliz pela sua presença.
Você vai notar que o fato de Leonard ter tomado pra si a Lança do Destino é importante pro deslinde derradeiro da nossa história. É importante que isso não tenha passado batido e que você, com os seus eagle eyes, tenha conseguido pescar isso no meio do capítulo. Fico feliz.
No mais, seus elogios sempre me enchem de energia. Ter um escritor como você acompanhando minhas histórias com tanta regularidade é um fato que me instiga a prosseguir. Tenho sorte de ter você por aqui.
Um abraço, irmão.
Salve, Ringo! Dentre os que acompanham minhas histórias, você é o mais fiel, que está aqui sempre. Acompanhe a próxima de Jason Walker. Espero não o decepcionar.
Salve, Iridium! Seus comentários são sempre um show à parte.
Fico feliz pelo efeito que resultou do manuseio do capítulo, porque, até os 45 do segundo tempo, minha intenção era mesmo a de fazer crer que Randal seria o escolhido. Talvez o resultado da ação de Zeus explique por que Rafael encontrava-se tão preocupado com as últimas linhas de conversa que tivera com Eremo, que é um mago extraordinário e tem a vantagem de saber antecipar movimentos com muita precisão.
Obrigado, desde sempre, pelos seus elogios. Prometi ao Carlos e prometo a você, agora: quando a história de Jason Walker terminar, continuarei por aqui, tentando trazer sempre algo de novo à seção. Com um pouco de sorte e tempo, creio que podemos consolidar tudo que temos aqui e perpetrar por muitas gerações.
Um abraço!