Pelo que eu entendi o Oblivion esta enganando o encardido.
Ou será que o encardido está fingindo ser enganado pelo Oblivion?
Aguardando os próximos e a resposta.
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Pelo que eu entendi o Oblivion esta enganando o encardido.
Ou será que o encardido está fingindo ser enganado pelo Oblivion?
Aguardando os próximos e a resposta.
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CAPÍTULO 13 – O CASTELO DAS ILUSÕES
O navio atracou suavemente no cais de Senja, surpreendentemente no final da manhã. A viagem havia sido bastante adiantada, mas a tripulação estava muito cansada. Jason entregou algumas moedas ao funcionário do cais, orientando-o a manter o acesso ao navio bloqueado, e todos desceram, desejando uma cama de verdade, uma mesa de verdade, uma comida de verdade.
John, Jason e Leonard tomaram a dianteira do grupo. No final das contas, Senja era uma ilhota minúscula – ainda menor que Folda ou Vega –, recheada de casinhas de alvenaria e telhados recobertos de neve. No centro, uma pequena pracinha jorrava água congelada, que, há muito, já havia se paralisado no ar, no mesmo estado sólido de sempre. Aqui e ali, pessoas colocavam suas caras nas janelas, lutando contra o gelo que se acumulava, para entender como é que forasteiros haviam conseguido chegar tão longe, onde o mundo fazia sua dobra.
O incandescente levou todos até uma hospedaria local, cujo dono parecia positivamente surpreso por, enfim, se deparar com clientes. Alguns pedintes se acumulavam na porta do estabelecimento, e Jason notou, com sobressalto e certa preocupação, que estavam mortos de frio – literalmente.
Logo, todos entraram e acharam-se em um ambiente estranhamente aconchegante sob aquela capa intransponível de neve. A pousada do homem tinha uma feliz lareira acesa, uma mesa enorme com várias cadeiras, algumas crianças lendo e escrevendo a um canto, e uma mulher que Jason supôs ser a esposa do dono. Outras duas garotas auxiliavam-na na cozinha, com relativa dedicação.
— É um prazer recebê-los aqui, John e seus amigos – disse o homem. Sua voz era rascante e úmida, como se nunca fosse utilizada. – É tão incomum termos visitantes por aqui… não me lembro da última vez. Creio que tenha sido Oblivion.
— Obrigado, Donald – disse o incandescente, sorrindo. – Precisamos de camas aquecidas, um chuveiro quente e, talvez, um pouco de sopa.
— É para já.
Reynold, Joshua, Catarina, Melany, Cotton e Gibbs comeram depressa, subindo as escadarias de madeira quase que imediatamente para se lavar e se deitar. John, Jason e Leonard permaneceram lá embaixo, conversando com Donald em voz baixa, à mesa.
— Ele tem feito um grande trabalho, é de se dizer – ia dizendo o dono da hospedaria, parecendo feliz. – Nossa comida cresce no subsolo – ele apontou para um pequeno alçapão no chão, próximo do fogão a lenha – e não precisamos mais sair de navio até depois dos limites de Folda para pescarmos.
— É uma dádiva, sem dúvida – disse John.
Donald aquiesceu.
— Algumas noites atrás, contudo, Zathroth esteve aqui. Nós o vimos caminhando pelo vilarejo com Samuel, que apontava coisas aqui e ali, e, logo depois, os dois foram para o Castelo. As ilusões aumentaram desde então; alguns homens dizem que decididamente chegaram a ver a cara do diabo nos nódulos das madeiras, por exemplo.
Jason relanceou um olhar para John, que assentiu uma vez, muito quieto. Leonard, apoiado na mão espalmada e de cotovelo fincado na mesa, babava e dormia a sono solto.
— Zathroth comanda o Castelo das Ilusões?
— A lenda se confunde com o tempo da última visita dele a Senja – disse John, inquieto por um instante. — Samuel tem nos enviado relatórios diários das atividades dele no subterrâneo. Ele está trabalhando em algo decididamente grande, e, sem dúvida, está guardando a Arca do Destino.
Jason ponderou por um instante, assimilando a informação. Ele jamais compartilharia o que pensava com John ou com qualquer dos outros, porque, a bem da verdade, naquele momento, Jason sentia-se deveras preocupado, para não falar sobre o medo que sentia. Enfrentar e destruir Bellatrix e Sirius tinha sido uma tarefa árdua; ingressar no Castelo das Ilusões e enfrentar Zathroth em pessoa – ou demônio – era outra coisa totalmente diferente.
Naquele instante, o cavaleiro refletiu sobre se sua caminhada realmente tinha um propósito. Supostamente, a Arca do Destino continha uma arma fabricada pelos ciclopes em homenagem a Crunor. Zathroth não ousaria abrir a Arca, pois seria incapaz de domar o poder que ela encerrava. Luz e trevas não se misturam; era o que Jason havia aprendido em suas lições iniciais com Dalheim e na academia de Carlin.
Agora, ele precisaria se decidir: enfrentaria Zathroth e tentaria concluir a missão designada por John, ou retornaria com o rabo entre as pernas para Carlin, aguardando o juramento de Crunor pesar sobre ele. Em ambos os casos, a morte parecia um destino certo. A decisão que correspondia à fração ideal do seu pensamento estaria na forma em que morreria: pelas mãos de Zathroth ou pela fúria de Crunor.
John também esperava que Jason tomasse uma boa decisão, afinal, designara a ele a missão de abrir a Arca, ou de encontrá-la. Entre outras coisas que se passavam pela cabeça de Jason, a mais fulcral delas era imponente: se Oblivion recebera a missão e não a finalizara, seria possível que Crunor relativizasse os efeitos da falha?
— Precisamos descansar – disse John, arrancando Jason de seus devaneios. – Recomendo que você tome a mesma decisão, Jason.
O cavaleiro assentiu, sem bem saber o que dizer.
*
Jason entrou no quarto onde Melany e Catarina dormiam, pousando sua visão sobre a arqueira e druida. Nas últimas horas, tinha refletido de sobremaneira sobre a importância da qualidade da equipe que recrutara em sua missão suicida. Melany fazia parte dos aspectos positivos da viagem. Mas ela jamais saberia disso.
Ele fechou a porta atrás de si e foi até o quarto de Leonard. Ele dormia a sono solto – havia sido carregado da cozinha da estalagem até sua cama, porque dormira lá mesmo – e parecia estranhamente inocente naquele cenário de ilusões vivenciado pelo cavaleiro. Jason sorriu, lembrando-se das obtusidades do amigo. Sentiria falta daquilo.
Fechando também esta porta, ele desceu o lance único de escadas, juntando-se a John. Donald, o estalajadeiro, os esperava com pão fresco e algumas frutas. Jason agradeceu com a cabeça, e o homem pareceu compreender que ele era incapaz de falar.
— Existem algumas coisas importantes a respeito do momento derradeiro da missão, Jason – John engoliu seu pedaço de pão, agradecendo pelo café preto fumegante. – Zathroth não batalhará por si mesmo, exceto caso você vença seus outros desafios.
— Outros desafios – repetiu Jason, fora de órbita. – No plural.
John assentiu, compreendendo a preocupação.
— Os desafios de Zathroth exigem, na sequência, disciplina, lógica, inteligência, bravura e sacrifício. Se você vencer a etapa do sacrifício, certamente irá enfrentá-lo.
Jason fez que sim, assimilando pouco.
— A única forma de vencer Zathroth é conduzindo seus pensamentos para dentro de você mesmo – John continuou, perfeitamente ciente de que Jason não lhe dava ouvidos. – Se você estiver com o coração no lugar certo, ele não poderá te afetar.
— Podemos ir? – perguntou o cavaleiro, de repente. – Estou com pressa.
John largou seu pão imediatamente e se colocou de pé.
— Como quiser.
*
Tão logo Jason deixou o quarto, Leonard abriu um olho só e cessou seu teatro imediatamente. Tinha escutado o suficiente daquela conversa de maluco para saber que Jason e John tentariam enfrentar Zathroth sozinhos.
Ele saltou da cama e encontrou Melany no corredor; ela já tinha sido alertada e também aceitara se engajar no combate. O restante da tripulação ficaria onde estava.
Os arqueiros haviam discutido diversas formas de auxiliar o amigo na empreitada, mas sabiam que, se Jason tinha decidido lutar sozinho, não poderiam ingressar no combate com ele. Aliás, pelo que Leonard escutara John dizer, somente dois por vez poderiam ingressar no Castelo das Ilusões. O incandescente e seu designado fariam as vezes, mas Leonard conhecia uma magia que talvez eles desconhecessem.
Provavelmente, depois de Margareth, Leonard e Melany deveriam ser as pessoas no mundo com seus corações mais no lugar no que se referia a Jason. Há muito tempo, em um dos congressos de arquearia dos quais Leonard participara em Ab’Dendriel, antes de chegar a Carlin, onde não conheciam suas habilidades, seu nome ou do que era capaz, ele aprendera uma sucessão de magias de cunho extremamente expressivo.
Evidentemente, manter as aparências de cabeça-oca era conveniente. O arqueiro convivera com Heloise por tempo o suficiente para saber que a Rainha costumava recrutar quase que compulsoriamente todos aqueles que tivessem talentos destacáveis na comunidade, e fazer parte da família Bonecrusher não estava nos planos de Leonard. Além disso, o espírito de Lawton Walker dissera, naquela enfadonha visita à cabine de John, que os incandescentes não gostavam de papéis principais – contentavam-se em ser meros conselheiros do rei, e não o rei em si.
Aos poucos, Leonard tomara consciência de seu lugar e aceitara seu destino. Jason conhecia suas habilidades – uma parte delas – e, para o arqueiro, aquilo era o suficiente. Os dois moravam em um cortiço em Carlin por mera questão de conveniência: as caças retornavam tanto ouro que, muitas vezes, não sabiam em que gastar. Jason era um excelente bloqueador, e Leonard, um atirador por excelência. A expedição de ambos em dupla era rentável para os dois e, dentre essas voltas que a vida costumava dar, a amizade que nascera era inexplicável.
Agora, Leonard colocaria à prova a intensidade do vínculo que criara com Jason. Se a consideração do cavaleiro para com ele fosse recíproca, a mágica de Leonard poderia mostrar cada passo que Jason desse e, em condições ideais, o arqueiro talvez pudesse anular a magia de Zathroth e se comunicar diretamente com o amigo em situações de crise.
Melany conhecia algo da magia dos arqueiros – a Magia Santa, como chamavam em Ab’Dendriel os elfos –, e seus sentimentos pelo cavaleiro, até então ocultos, poderiam auxiliar na localização e talvez na quebra do feitiço do outro lado. Se a reciprocidade de Jason também se operasse quanto aos sentimentos de Melany, as chances de que eles pudessem acompanhar o amigo eram imensas.
Leonard e Melany aceitaram o café oferecido por Donald, mas o embalaram para a viagem em copos apropriados. Do lado de fora, eles caminharam pela cidade até encontrarem o templo local, àquela hora vazio – e potencialmente nas outras horas também. Entraram, e Leonard selou as portas enquanto Melany empurrava os bancos do aposento de qualquer jeito para as paredes.
Agora, o amplo salão da igreja de Senja serviria à Magia Santa dos arqueiros. Crunor, que havia, em vida, obtido excelência tanto na arte da magia, quanto na arte da arquearia, e, em igual medida, na arte do manuseio de armas de combate corpo-a-corpo, não se sentiria ofendido pelo uso que fariam da igreja.
Pelo menos era nisso que Leonard cria.
Sob as orientações dele, Melany utilizou seu cajado de druida para desenhar no chão, com uma potente magia de fogo, a imagem de uma estrela hexagonal perfeita. Leonard e ela logo tomaram posição no centro do desenho, onde deram as mãos, sentando-se um de frente para o outro de perna cruzada.
— Está certo disso? – Melany mordeu o lábio, tensa.
Leonard assentiu enfaticamente, sentindo-se muito acordado.
— Zathroth vai interpor desafios no caminho de Jason. Se estivermos com ele, suas chances podem aumentar exponencialmente.
Melany fez que sim, ainda tensa.
— Repita o encantamento comigo a partir da terceira vez – orientou ele, segurando firme nas mãos dela. – Não se deixe levar por visagens diversas; estamos procurando por Jason.
Ela assentiu, amedrontada, mas determinada.
— Ex iva… Jason Walker.
Nada aconteceu. Leonard parecia esperar por aquilo.
— Ex iva Jason Walker – repetiu ele, com mais firmeza.
Ele olhou nos olhos de Melany, concentrado, e repetiu o encantamento pela terceira vez. Nada acontecia, ainda assim. Ele assentiu uma vez para ela, que espelhou seu movimento, compenetrada.
— Ex iva Jason Walker – repetiram os dois, juntos.
Repentinamente, a visão dos dois arqueiros tremeu e as luzes tremeluziram, lançando achas bruxuleantes pelo ar. Toda a estrutura da igreja pareceu se sacudir, mas os dois mantiveram sua posição. E, então, tudo se escureceu.
Saudações!
Atrasei a leitura de novo... :(
Atualizarei esse post com feedback assim que possível!
Abraço,
Iridium.
Vei o importante é vc sentir prazer em escrever a plateia é voluvel e volatil ela vai e vem nao se preocupe
O Zathroth é para o Tibia o que o Morgoth é para o Senhor dos Aneis
Se o Jason vencer esse cara ele vira o novo Banor em suma vem treta cabeluda ai
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CAPÍTULO 14 – SABEDORIA E INTELIGÊNCIA
Jason e John chegaram ao castelo de Senja, sendo recebidos por Oblivion à porta. Sem dizer palavra, ele os conduziu para dentro da suntuosa construção, toda recoberta de gelo. Um carpete vermelho muito gasto revestia todo o chão. À frente, Oblivion não tomou a escadaria central que subia, mas os conduziu por um longo corredor à direita, que terminava em uma escadaria dupla de mármore que descia.
Ao fim, havia uma porta simples de madeira, sem maçaneta. Antes de permitir a passagem, Oblivion virou-se para Jason.
— Boa sorte, jovem Walker – disse, ligeiramente temeroso. – E John, devo advertir-lhe a respeito do poderio ofensivo do domínio das trevas. Zathroth não deixa pontas soltas; sofro para sobreviver lá embaixo, e espero que os milênios de treinamento o permitam ter um desempenho melhor do que o meu.
— Seremos bem-sucedidos, Samuel – John o tranquilizou. – Assumimos a partir daqui, caro amigo. Agradeço por todo o cuidado que tem tido com nosso povo.
Samuel assentiu uma vez e tocou a porta com o longo dedo indicador, dando as costas e subindo as escadas na sequência. Nada aconteceu. Jason deu de ombros e decidiu empurrar a porta.
Logo, o jovem cavaleiro sentiu algo sendo repuxado pelo seu umbigo e o guinando para a frente, com uma força irrefreável. Atrás de si, sentiu que John também passava pela mesma experiência. Jason tentou soltar um grito que não saiu, ficou estrangulado na garganta comprimida, e, mais cedo do que ele imaginava, estava de pé em uma antessala de terra com chão de linóleo e um grande trono de ouro vazio.
Um segundo depois, John aterrissou ao seu lado. Imediatamente, o incandescente puxou seu cajado; Jason entendeu a deixa e sacou a própria espada.
Das sombras, um homem de meia idade surgiu. Tinha cabelos e barba muito brancos, mas bem aparados, e utilizava um conjunto de armaduras vermelhas como o fogo do inferno. Jason reconheceu imediatamente as relíquias: as lendárias calças e armadura demoníacas. Ao seu lado, John respirava com certa dificuldade.
— Seja bem-vindo, Jason Walker, aos meus domínios – disse o homem, sorrindo contrafeito. – Devo admitir que é suficiente surpresa encontrá-lo aqui. Você destruiu dois dos meus melhores homens. Minhas sinceras congratulações.
— Guarde-as para você – disse Jason, tentando compreender por que John sofria para respirar. Sua frequência cardíaca estava normal.
O homem relanceou um olhar para o acompanhante do cavaleiro, franzindo os lábios e sacudindo a cabeça.
— Serei generoso, incandescente – disse ele, por fim. – Meu interesse está em nosso jovem empreendedor. Você pode se virar e sair, e pouparei sua vida para que viva a miserabilidade do restante da sua eternidade.
— Vim… com Jason – disse ele, com esforço. – Vou… até… o fim.
O homem sacudiu a cabeça novamente, parecendo desapontado.
— Sobreviver no submundo é uma tarefa árdua para os incandescentes, caro John. E nosso Jason tem se saído bem. Vá embora, antes que seja tarde. Não lhe darei outra chance.
John sacudiu a cabeça em sinal negativo, e Jason, repentinamente, chegou a uma conclusão. O incandescente havia lhe contado, poucos minutos antes, que os desafios de Zathroth exigiriam sabedoria, inteligência, lógica, bravura e sacrifício. Até onde sabiam, mandar John para fora poderia ser um ato de sabedoria, que resultaria na manutenção de sua vida.
Jason embainhou sua espada e olhou para ele.
— Vá embora, John – disse, com dureza. – A partir daqui, é comigo. Acorde Leonard, Melany e os outros, e os mantenha preparados para qualquer eventualidade.
— Jason…
— Vá – gritou, as mandíbulas cerradas. – Não vou pedir novamente.
Subitamente os olhos de John se iluminaram por um instante, mas a sensação de Jason se foi tão rápida quanto veio. Que fora aquilo que o jovem cavaleiro identificara? Orgulho? Satisfação? Alegria? Será que John conhecia o primeiro dos obstáculos?
Sem dizer mais nada, o incandescente mancou precariamente de volta à porta simples por onde passaram e relanceou um último olhar por sobre o ombro. Jason entendeu a mensagem. Volte vivo. Em seguida, ele tocou a porta e desapareceu. O cavaleiro se virou completamente, sem, contudo, sacar sua espada.
O homem de meia idade bateu várias palmas, o rosto expressando a mais profunda satisfação – sarcástica ou não.
— Você venceu o primeiro desafio. Jason – disse, por fim, confirmando as suspeitas do garoto a respeito do primeiro desafio. – Mas eu sou Zathroth, o senhor da vida e da morte. E só eu posso viver para sempre.¹
*
Imediatamente após retornar, John se sentiu melhor. Não foi nenhuma surpresa que Samuel estivesse ali, no topo da escada, aguardando, tampouco que tivesse respirado aliviado quando o incandescente ressurgiu.
— Desculpe – disse, e parecia sinceramente arrependido. – Não podia entregar o primeiro desafio. Zathroth saberia.
— Jason soube se virar muito bem. Agora… preciso de Leonard, Melany e os outros. Prepararemos uma contraofensiva caso Jason falhe, e vamos combater Zathroth em seu próprio reino.
Samuel sorriu por algum motivo.
— Você descobrirá que talvez Leonard e Melany estejam um pouco ocupados no momento.
John franziu o cenho, torcendo a cabeça de lado.
— Constatei uma perturbação no templo central de Crunor na praça da ilha – disse, e agora não continha a emoção. – Os arqueiros se uniram com suas magias sagradas. Estão olhando por Jason no submundo.
*
O cenário se dissolveu, e, agora, Jason estava diante de uma incomum combinação de coisas, que pareciam ter sido dispersadas livremente pelo amplo aposento iluminado pela luz da claraboia no teto. Zathroth havia desaparecido. Em seu lugar, uma pedra imensa havia surgido com uma espada simples de ferro cravada nela e quatro grandes altares, um em cada ponto cardeal, haviam sido montados com precisão.
Diante de si, Jason tinha um homem muito quieto, que carregava um arco e uma besta; uma mulher de idade avançada, que carregava uma varinha e um livro de magias; e uma garota muito jovem, que tinha consigo um cajado e uma maçã comida pela metade.
— Estamos à disposição, Jason – disse o homem, a voz etérea, como se estivesse sendo reproduzida através de um longo encanamento. – A inteligência será exigida de você neste desafio. Cumpra-o e passará ao próximo.
Totalmente perdido, Jason olhou nos arredores. Na parte que supôs ser a setentrional, o altar tinha sido gravado com uma vasta quantidade de símbolos antigos. Aqui e ali, Jason reconheceu o símbolo da magia máxima de Crunor, honraria que era concedida aos grandes guerreiros no passado. Uma alavanca havia sido posicionada exatamente em frente ao altar.
A oeste, algumas figuras estavam também entalhadas no altar de pedra. Imagens estranhas de necromantes conjurando criaturas do inferno, outras que demonstravam raios de energia atingindo homens e mulheres, e assim sucessivamente.
Na porção leste, o altar continha algumas inscrições ocultas, como runas antigas. Por algum motivo, uma árvore de oliveira e outra de macieira apareciam entrelaçadas bem no centro do altar.
Finalmente, na parte meridional, Jason identificou marcações que sem dúvida remetiam a guerras antigas, com espadas atravessando corpos, machados sendo cravados em cabeças e grandes maças de aço arrancando pescoços.
Jason sacudiu a cabeça por um instante, sentindo-a se desanuviar aos poucos. A mudança abrupta de cenário era, sem dúvida, uma das grandes estratégias de Zathroth. De espada embainhada, decidiu começar pelo simples e tentou remover a espada cravada na pedra. Surpreendentemente, ela se soltou sem esforço. Os outros três não esboçaram qualquer reação. Jason simplesmente não sabia o que fazer com aquilo.
Ao acaso, lembrou-se de uma história que ouvira em Rookgaard há alguns anos, contada pelo velho Cipfried. Na oportunidade, o monge havia sido resoluto ao explicar a Jason que o continente antigo tinha uma série de mistérios não resolvidos, e que, de todos eles, o que mais chamava sua atenção era o do Deserto de Jakundaf. No passado, expedicionários haviam aberto uma porção de túneis subterrâneos e encontrado uma forma simples de esconder suas conquistas, já que a pilhagem nas estradas era avassaladora e as casas em Thais ainda não tinham a segurança que tinham nos tempos modernos.
Cipfried não lhe falara muito sobre isso, porque ele mesmo parecia desconhecer boa parte dos antigos contos na sua integralidade, embora fosse um homem sábio, inegavelmente. Ele dissera que tudo que havia descoberto girava nos entornos da união das vocações mais poderosas do antigo continente e, caso o sacrifício correto fosse feito, o acesso à sala das recompensas seria imediatamente concedido a quem desvendasse os mistérios de Jakundaf.
Aquilo nada mais era do que uma simples repetição do que os bravos homens do passado haviam conquistado no deserto.
E, então, Jason entendeu.
— Arqueiro, posicione-se na porção norte e coloque sua besta no altar – disse, convicto. – Feiticeira, a senhora, na parte leste; preciso que ofereça seu livro de magias. A xamã – ele olhou para a garota, que lhe devolveu um olhar insolente –, ou seja lá o que você for, no ponto oeste, e oferte sua maçã.
Imediatamente, os três obedeceram. O arqueiro tomou seu lugar ao norte e colocou sua besta no altar; a feiticeira, se arrastando, dirigiu-se para o ponto a leste, e ofereceu seu precioso livro de magias; a druida, por sua vez, respirou fundo, contrariada, e ocupou sua posição a oeste, colocando sobre o altar sua maçã comida pela metade.
— Quanto a mim… vou ocupar a porção sul.
Jason posicionou-se em frente ao altar e ofertou a espada que havia arrancado da imensa pedra. Contudo, nada aconteceu. Os outros três permaneceram imóveis, devolvendo seu olhar com indolência.
Ele tinha certeza de que tinha chegado à conclusão correta, e de que alguma coisa muito simples havia sido deixada para trás.
Olhando através do arqueiro, ele a viu.
— Você – apontou para ele. – Puxe essa alavanca. Agora.
Sem questionar, o arqueiro obedeceu.
Repentinamente, o ambiente se dissolveu outra vez.
*
John e Samuel entraram pelas portas da igreja e tiveram a visão mais fabulosa de que se lembravam, desde quando viram a face de Crunor.
De mãos dadas e sentados sobre as pernas cruzadas, um de frente para o outro, Leonard e Melany flutuavam no ar. Literalmente. Os dois simplesmente se encontravam suspensos no ar, exatamente no centro da capela.
Os incandescentes aproximaram-se devagar, e Leonard olhou para John, parecendo curtir o momento.
— Cara, o Jason está arrebentando – disse ele, feliz. – Depois que ele te mandou sair, Zathroth o colocou para enfrentar o desafio da inteligência. E ele resolveu aquela porra em menos de cinco minutos! O cara é foda demais.
John piscou duas vezes, ainda embasbacado.
— Você sabe usar magia?
— Vamos deixar essas explicações esparsas para depois – disse Melany, cujo rosto estava radiante. Pelo visto, Jason vinha realmente se saindo bem. – Querem se juntar a nós? Talvez consigamos estender a extensão da magia para abarcá-los também.
Samuel e John não precisaram de um segundo convite. Aproximando-se reverenciados, eles se colocaram à disposição. Leonard e Melany sorriram e soltaram uma das mãos, espalmando-as na direção dos outros dois.
Logo, os incandescentes estavam sintonizados na rádio Jason Walker.
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¹ A fala é uma referência ao diálogo entre Lord Voldemort e Severo Snape no último livro da saga de Harry Potter.
Saudações!
Fack, esqueci de editar o post anterior... Enfim, farei um comentário mais geral sobre os últimos capítulos. Épico! Não tem como você errar a mão: estavam todos fantásticos, eu que, por conta de questões da Real Life e de força maior, não pude postar! Sério, que incrível! E que deixada épica para a Desert Quest, cara! É como já disse anteriormente: tuas descrições são tão boas, envolventes e épicas que fica muito difícil lembrar que o Jason é low lvl com pouquíssimos recursos à mão exceto sua convicção e sua grande esperteza.
As referências, a forma como Zathroth apareceu... Tudo se encaixando divinamente bem! Eu não tenho palavras para descrever o prazer que sinto em ler esses capítulos e a ansiedade em ter que aguardar os próximos! A história está maravilhosa, esse capítulos não deixaram a desejar de forma alguma, e sinto que tudo o que me resta é esperar os próximos!
Abraço,
Iridium.
A nota de rodapé confirmou o que eu achava um pouco desde o começo. A forte influência de Harry Potter ,mesclada claro com Piratas do Caribe.
Ficou uma boa mistura.
Uma luta que transcorre em paralelo ou seja ,Jason luta diretamente e o resto do grupo envia uma ajuda adicional. Não sei mas acho que Zarthroth em um dado momento vai fazer uma visitinha ao grupo de apoio. Ou mandar algum amiguinho fazer isso.
Desconfio que esse pessoal sentadinho lá numa boa dentro do templo não vai ter vida fácil o tempo todo não.
Vamos ver se o meu feeling está certo.
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CAPÍTULO 15 – LÓGICA, BRAVURA E SACRIFÍCIO
Jason abriu os olhos. O ambiente, agora, era totalmente diferente daquele que havia deixado para trás. Estava diante de uma sala muito iluminada, à luz do dia. Adiante, quatro altares de pedra igualmente espaçados estavam dispostos, e um quinto, exatamente ao centro, estava vazio. Todos os demais continham ossos e caveiras do que se parecia assustadoramente com o corpo humano.
Outros tantos ossos estavam espalhados pela sala, o que levava a crer que muitos guerreiros padeceram na tentativa de vencer os desafios de Zathroth antes. Uma pequena nota havia sido afixada à parede, exatamente sobre o altar do meio, escrita em letras decoradas.
Somos em cinco partes, falta a que comanda a todos nós. Com uma delas, tocamos; com a outra, nos distanciamos; com a outra, nos erigimos; com a outra, descansamos; e a quinta, a que nos comanda, está em falta.
Jason pensou por um instante, mas aquele desafio não tinha absolutamente nada de lógica. Era muito simples: um dos altares continha braços esqueléticos; o outro, pernas; o outro, o que inegavelmente era uma coluna vertebral; e o outro, os ossos da pélvis. Faltava tão somente um crânio, porque, obviamente, o cérebro é o que comanda o restante do corpo.
Ele se virou e começou a fuçar entre os ossos no chão, encontrando uma caveira rapidamente. Depositou-a no altar do centro, vazio, e aguardou.
A cena se dissolveu imediatamente, o que levou Jason a crer que estava correto em sua conclusão. Contudo, quando sua visão retornou, percebeu que o desafio da bravura estava intrinsecamente conectado com o desafio da lógica, e que, agora, seria rival das suas próprias convicções.
Estava em uma imensa claraboia de terra, desta vez, sob a luz das estrelas. Os esqueletos que forravam o chão na sala anterior agora estavam assustadoramente em pé, cada qual segurando uma espada, um machado ou uma clava. Alguns deles eram avermelhados; aparentavam ter sido objeto de magia das trevas.
Jason sacou sua espada e contou rapidamente. Tinha dez adversários pela frente, sendo quatro vermelhos e seis comuns. Os vermelhos carregavam espadas e machados; os comuns, clavas.
Tomara uma decisão: acabaria primeiro com o que supôs ser os mais fracos, os comuns. Depois, partiria para os demais.
Toda determinação seria pouca.
*
De mãos dadas, Leonard, Melany, Samuel e John mantinham os olhos fechados, assistindo o desempenho de Jason no Castelo das Ilusões. As imagens eram tão lúcidas que John ficou se perguntando por que Leonard se mantinha na moita; sabia que os habitantes de Carlin costumavam zombar dele por ser obtuso em alguns momentos, mas, agora, o incandescente concluía que o arqueiro escondia o jogo propositalmente. Afinal de contas, ser um elemento surpresa talvez não fosse uma dádiva para qualquer um.
Jason vencera facilmente o desafio da lógica, que não exigira dele mais do que dois minutos de reflexão. Agora, contudo, Zathroth o colocava defronte à sua própria criação: os esqueletos que ele deixara para trás na sala anterior se levantavam contra ele, e exigiriam muita bravura para que o cavaleiro saísse vivo daquela.
Por algum motivo, o cavaleiro decidira se manter acuado em um determinado ponto da sala, atraindo-os de dois em dois. Os esqueletos demoníacos moviam-se, sem favor algum, mais rapidamente que os demais, que praticamente se arrastavam com dificuldade pelo chão de terra, mas os golpes dos esqueletos comuns eram bastante mais rápidos, porque as clavas eram bem mais leves do que as espadas e os machados. Jason, no entanto, era um espadachim treinado por Dalheim e pela família Bonecrusher; nenhuma das maças o acertou e ele as desviava facilmente, chutando esqueletos aqui e ali e girando pela sala quando sentia que estava demasiadamente ameaçado no canto onde se encontrava.
Inicialmente, John considerou a estratégia do garoto arriscada, afinal de contas, nenhum deles conhecia o poderio dos esqueletos. Contudo, Jason dava a entender que alguma coisa interessante estava sendo planejada. Os bichos andavam a esmo pela sala, vez ou outra chocando-se contra as paredes e caindo pelo chão ao se enroscar em algum buraco na terra. Era perceptível que o garoto tentava mantê-los todos reunidos em um lugar só. Algo passara pela cabeça de Jason que lhe permitira criar uma estratégia inteligente para vencer as criaturas conjuradas.
Os esqueletos demoníacos davam a entender que estavam frustrados pelo giro constante de Jason pela sala. Em função da lentidão dos demais esqueletos, eles acabavam não conseguindo alcançar o garoto, e um dos esqueletos comuns já havia sido desmontado pelos demais, que não conseguiam aguardar pacientemente sua chegada até o garoto.
Quando um dos esqueletos vermelhos destruiu outro dos comuns, John finalmente entendeu: em maior número, não seria inteligente combater os comuns corpo-a-corpo. Em vez disso, girava a esmo pela sala, dando piques curtos aqui e ali, e os mais fortes dos adversários, incomodados e impacientes, acabavam destruindo os colegas mais frágeis. Jason estava fazendo com que os próprios esqueletos se destruíssem para reduzir seu contingente, aguardando com muita paciência pela oportunidade de enfrentar somente os mais fortes com outro tipo de estratégia.
Leonard e Melany estavam fascinados. Não paravam de sorrir. Samuel, no entanto, mantinha seu semblante fechado, absolutamente concentrado. Internamente, contudo, apreciava a inteligência de combate do jovem Walker. Pelo visto, ele havia sido treinado com muita propriedade e pelos melhores combatentes corpo-a-corpo que se podia imaginar.
Quando o último esqueleto comum cedeu, Jason mudou a estratégia imediatamente. Ele pegou uma das maças do chão e girou no ar, atirando contra um dos esqueletos demoníacos e acertando-o no plexo com muita força. Ele não desmontou, mas o braço que segurava um machado imenso cedeu, deixando-o desarmado. O cavaleiro aplicou dois pisões frontais na altura do joelho esquerdo do bicho, que também se partiu. Com um chute rodado, ele arrancou a cabeça do esqueleto, findando o combate com aquele.
Leonard e Melany vibraram, e John deixou escapar um “isso, garoto”, enquanto Samuel sorria.
Então, Jason sacou seu escudo. Ele o girou no ar e atirou contra um dos adversários, que soltou a espada para segurá-lo. Jason empurrou o escudo e atirou o esqueleto no chão. Tomando de volta para si, ele levantou o artefato defensivo no ar e o cravou exatamente na articulação que juntava o pescoço esquelético ao crânio bisonho, separando também a cabeça desse de seu corpo. Dois se foram, faltavam dois.
Ele correu pela sala, distanciando-se dos esqueletos remanescentes. Parecia apreciar o combate. Ele combateu a espada de um dos esqueletos, que, afinal de contas, era bem mais forte do que aparentava, e quase foi desarmado. Rolando pelo chão, ele abriu distância novamente, e quando o esqueleto se aproximou de novo, Jason deu-lhe uma estocada na altura do pescoço e aplicou a alavanca, arrancando sua cabeça também.
— Esse garoto é melhor do que eu – lamentou-se Samuel, mas em sentido positivo. John sorriu. – Demorei mais de uma hora para destruir essas coisas.
Surpreendentemente, o garoto embainhou sua espada. Diante do último esqueleto, que estava sem dúvidas furioso, ele decidira utilizar uma estratégia final. O bicho portava um machado imenso, que manuseava com certa dificuldade. Parado no mesmo local, ele aguardou. O monstro se arrastou em sua direção e preparou-se para atacar; com um movimento vertical que seria capaz de decepar um dragão, ele atacou, e Jason deu um passo curto e calculado para o lado no momento exato. O machado se cravou no chão e o esqueleto passou a engendrar seus esforços para arrancá-lo.
Em vão.
Jason deu a volta calmamente e subiu nas costas do bicho, segurando sua cabeça com as mãos abertas. Com muita força, o garoto arrancou-a de qualquer jeito, atirando-a pela sala quando o restante do corpo cedeu, inerte.
Ele levantou a cabeça devagar, inteiro, tendo vencido o combate sem sofrer um único arranhão.
A cena, então, se dissolveu.
O último desafio de Zathroth começaria.
*
Jason largou a cabeça do esqueleto e levantou a sua própria, aguardando. Como esperado, o ambiente onde estava se foi, e, agora, o cavaleiro encontrava-se em uma sala suntuosa, com mobília futurística, muito limpa. Seus olhos demoraram para se acostumar com a claridade que vinha de um candelabro fixado no teto, que mais parecia uma tocha.
O aposento era perfeitamente quadrado e continha uma cama enorme, a um canto, uma mesa central com seis cadeiras, tudo feito de mogno trabalhado, e um carpete verde que se estendia em todas as direções, findando nas paredes de pedra. Não tinha dúvidas de onde estava. Encontrava-se no quarto da Rainha Heloise, em Carlin.
A porta a oeste se abriu, e Jason colocou as mãos no cabo da espada embainhada. Contudo, foi surpreendido pela entrada de John, Catarina, Melany, Leonard, Samuel, Margareth e a própria Rainha, que sorriam para ele, orgulhosos.
A arqueira se adiantou e deu-lhe um abraço apertado, dando-lhe um beijo estalado na bochecha e voltando a se juntar aos demais. Todos sorriam para ele, satisfeitos.
— Parabéns, Jason – disse Leonard, levantando o polegar. – Você venceu todos os desafios até agora. Estamos aqui para acompanhá-lo no último.
— Vocês realmente estão aqui? – perguntou o garoto, os olhos marejados. – Ou são apenas obra da minha cabeça?
Samuel deu-lhe um sorriso.
— Só porque somos obra da sua cabeça, não significa que não estejamos aqui.¹
Jason assentiu uma vez, feliz.
Heloise aponto para o canto leste do quarto, onde havia um portal que Jason não havia percebido antes.
— Para enfrentar seu próximo desafio, querido, basta passar pelo portal. Porém, isso vai requerer de você um sacrifício, como você deve saber.
— O portal é selado pela magia de Zathroth, Jason – disse Margareth, a testa franzida como costumava ficar quando estava preocupada. – E Zathroth exige um sacrifício de sangue.
O garoto fez que sim, compreendendo.
— Vou me cortar, ofereço meu próprio sangue e passo – concluiu ele.
Margareth, contudo, sacudiu a cabeça.
— Você deve matar um de nós – disse ela, com tristeza, para o espanto total do garoto, que cria piamente que a presença dos amigos ali era uma boa notícia. – Mas não pode ser qualquer um. Tem de ser aquele que você mais ama.
Jason lembrou-se do momento em que enfrentou as serpentes de Zathroth, antes de chegarem a Folda, quando aquela incômoda pedra de gelo desceu pelo seu estômago, mas não sem antes se alojar em seu diafragma, restringindo sua respiração. O que quer que precisasse fazer para vencer o desafio de Zathroth, agora o demônio exigia que ele matasse um dos seus melhores amigos – e mais, que fosse o amigo mais amado dentre todos eles.
O garoto não ousou tocar a própria espada. Preferia desistir a ter que fazer aquilo. Contudo, os ensinamentos de John haviam sido bastante claros: concluir a missão ou a morte do incandescente e, talvez, a sua própria. De uma forma ou de outra, Jason não poderia deixar aquela sala sem que algum dos amados amigos morresse no empreendimento.
Pela primeira vez naquela missão enfadonha, o garoto não sabia o que fazer. Sentia-se de mãos completamente atadas, e não tinha qualquer intenção de cravar sua espada em nenhum dos amigos.
Quando estava prestes a desistir, contudo, uma voz doce lhe veio à cabeça. Era baixa e contida, mas decididamente conhecida. Inicialmente, pensou que fosse a voz da mãe. No entanto, percebeu, após alguns segundos, que se tratava da voz da arqueira Melany.
— Jason, é uma ilusão – dizia ela, e parecia muito distante dali. Não vinha da Melany presente naquela sala. – Vá adiante, ofereça o sacrifício. Estamos totalmente seguros.
Jason estava assustado. De onde fosse que viesse a voz da garota, era firme e decidida. Tinha segurança no que dizia. Ele sacou a espada, a cabeça de lado, reflexivo e assoberbado. Precisaria tomar uma decisão, e sabia que não seria a mais fácil das que já enfrentara. Contudo, se a garota lhe dizia que estava diante de uma ilusão… confiaria nela.
Ele atravessou a sala e, decidido, cravou sua espada no estômago de Melany.
O cramuião está armando
Esse negocio de ilusão sei não sei não
Tempos que eu não comento na sua história.
Enfim, eu acabava por ler e não fazia nenhum comentário, o que muitas vezes pode ser desmotivador para um escritor, não ter um feedback de uma galera. Mas, pelo visto, você não ligou muito para a ausência de comentários, e chegou o purrete, escrevendo do mesmo modo impecável nos capítulos seguintes, mantendo o alto nível da escrita. Não só da escrita, mas do enredo, com algumas surpresas aqui e acolá. (quem diria que o terceiro servo de Zathroth na verdade servia a Crunor? Quem esperava que Leonard se disfarçou todos esses anos pra evitar o serviço forçado à guarda de Carlin? E que ele e Melany seriam guerreiros sagrados?).
Só tenho uma pergunta, meramente especulativa, que pode ser simplesmente paranóia minha... Mas há, na história, uma dualidade entre bem e mal? Não que não seja difícil identificar o mal( capiroto, Zathroth), e o bem( Crunor), mas será que o Jason iria vir a combater o mal... Usando de métodos relacionados a Maldade( no sentido semântico da palavra)? No próprio desafio do sacrifício Jason se provou incapaz de realizar tal ato, mas sei lá.
Enfim, encerrar os delírios deste post por aqui huheuheueh. Saiba que há leitores, vivos, lhe acompanhando; e embora, as vezes, eles possam demorar a se manifestar, leitores como eu, secretamente, lhe admiram muito e estão sempre a ler e a acompanhar :)
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CAPÍTULO 16 – A ARCA DO DESTINO
Na igreja central de Senja, Melany sentia-se mais surpresa do que jamais se sentira na vida. Quando Zathroth colocou Jason diante da necessidade de sacrificar o mais amado dos amigos, a garota não tinha dúvida de que Leonard seria o escolhido. Em segundo lugar, talvez a Rainha Heloise disputasse a posição com Margareth. Achava que John poderia ser o terceiro escolhido, e talvez até que Samuel estivesse à sua frente.
Contudo, tão logo o garoto a atacara, a cena no Castelo das Ilusões de dissolveu. Zathroth parecia ter criado um sistema de segurança para obrigar o garoto a fazer um segundo sacrifício caso o primeiro não tivesse obedecido às regras do jogo. No entanto, Jason passara pelo desafio. Ele, de fato, escolhera o mais amado dos amigos para sacrificar.
Todos os olhares convergiram para ela, que não estava menos surpresa que os outros presentes. Contudo, Jason logo ressurgiu na visão de todos, e, agora, não havia qualquer ilusão diante dele.
Ele estava em uma ampla arena, como aquela em que enfrentara Sirius, um dia antes. No entanto, agora, um baú havia sido posicionado no canto oposto do aposento. Não havia mais ninguém.
Em silêncio, Melany fez uma prece a Crunor.
Senhor… tire Jason dessa.
*
Jason correu até o baú, mas foi atirado para trás com toda a força. Rolando pelo chão, ele se colocou de pé com esforço, o corpo finalmente sentindo o cansaço de muitos dias fora de casa.
Zathroth havia retornado, a cabeça pendendo de lado, parecendo mais curioso do que surpreso. Ele agora segurava uma espada muito longa, de ferro negro – uma lendária Espada Mágica. Seus olhos sondaram o rosto de Jason por um instante.
— Curioso – disse, por fim. – Os descendentes da linhagem de Crunor são, realmente, surpreendentes.
— Descendentes de quê?
Zathroth sorriu.
— Sabe, o fato de existirem deuses que coabitam com humanos não ficou restrito somente à Grécia Antiga. Crunor esteve na Terra mais vezes do que ele mesmo gostaria de admitir. A experiência deve ter sido boa. Você é um de seus descendentes.
— Se isso é verdade, então não existem chances de perder um duelo para você.
Jason atacou, brandindo sua espada. Zathroth, de pernas cruzadas e mão direita oculta atrás do corpo, combateu-o tranquilamente, desviando seus golpes com uma facilidade psicopática. Ele dançava no mesmo lugar e dava passos precisos. Sem dúvidas, era um espadachim de primeira categoria – e estava muitos graus adiante de Jason.
Mas o garoto não temeu, tampouco se entregou. Certo de que o resultado da missão era morte, independia se seria vencido pelas circunstâncias envolvendo a Arca do Destino ou pelas mãos do próprio Zathroth. Contudo, quando ameaçou atacar novamente, uma terceira figura se materializou na sala.
O terceiro homem levantou a mão direita e impediu o ataque de Jason, aparando-o com força psicossomática e afastando-o de Zathroth. Era consideravelmente mais jovem que o adversário de Jason, mas os cabelos e as barbas eram idênticos, somente ruivos, em vez de brancos. Seus olhos eram azuis, da cor do céu – da cor dos olhos de Samuel e John.
— O que faz aqui? – perguntou Zathroth, entre os dentes, segurando sua espada com muita firmeza. – Você conhece as regras.
— Regras que você mesmo quebrou, meu ardiloso irmão – disse o homem, a voz fluida e agradável, deliberadamente controlada. – Os desafios são apenas cinco. Vencidos, dão ao vencedor amplo acesso à Arca do Destino.
Zathroth sorriu, sem achar graça.
— Meus desafios, minhas regras, Crunor.
Jason relanceou um olha para Crunor, positivamente surpreso. Em tese, aquele era o Supremo Arquiteto do Universo – a entidade que criara tudo em que viviam e em que cresciam.
— Meu universo, regras naturais, Zathroth – disse Crunor, firme. Zathroth fez uma careta, incomodado. – Abra caminho para Jason Walker. Ele cumpriu as determinações e venceu os desafios.
O outro olhou para Jason por um instante, depois para Crunor novamente, finalmente embainhando a própria espada. Com um giro gracioso no ar, ele simplesmente desapareceu, sem deixar atrás de si qualquer indicação de que um dia estivera ali.
Crunor desviou seu olhar para Jason, e seus olhos brilhavam. Ele manteve a postura rígida e firme, os braços cruzados atrás do corpo. Olhando assim, para Jason, ele, de fato, se parecia com um rei, e era exponencialmente mais gracioso que o Rei Arthur, de Thais.
— Muito bem, filho – aprovou ele, sorrindo. – Obtenha sua recompensa e retorne para os seus amigos. Minha lâmina ficou guardada por muito tempo; ninguém conseguiu chegar onde você chegou.
— Tenho uma pergunta…
— Haverá tempo para responder perguntas no futuro – Crunor o interrompeu, mas não era rude. Parecia até gentil demais. – Sua Melany espera por você.
E, então, o próprio Crunor desapareceu.
Jason, agora, encontrava-se diante da Arca do Destino, pouca conta fazendo de quanta sorte tinha, e de quanta competência demonstrara. Zathroth, sem dúvida, tentara impedir seu acesso à Arca, e teria concretizado o próprio plano, se Crunor não tivesse aparecido e refreado o irmão mais velho.
Fato é que, agora, Jason não sabia bem como prosseguir. Crunor mencionara as palavras “minha lâmina”, de modo que o garoto não estava muito certo sobre o que poderia encontrar dentro do baú ancestral. Aquela porta de madeira simples, diabólica, sem maçaneta, o aguardava no sentido oposto.
Jason embainhou a própria espada e avançou para a Arca, ligeiramente trêmulo e só agora tomando consciência de que não iria morrer, de que a missão fora cumprida com sucesso, de que poderia retornar para os amigos e, simultaneamente, viver sua vida com tranquilidade novamente.
Ele tocou a Arca. E algo inesperado aconteceu.
*
— Não… é possível – murmurou John, de olhos fechados.
Melany, que chorava silenciosamente, assentiu uma vez, muito quieta. Leonard mal se movia, e Samuel mantinha os próprios olhos abertos, por demais embasbacado. O caso é que os incandescentes só podiam designar missões a descendentes diretos de Crunor, e, é claro, John e Samuel sabiam muito bem disso. Joseph Walker Prince fora o primeiro descendente vivo do Criador, e tentara expor a verdade ao mundo quando sentira que ninguém iria acreditar em suas palavras supostamente malditas.
Agora, muitas e muitas gerações depois, Jason Walker finalmente tocara a Arca. E, como que num gesto amplo de solidariedade, respeito e obediência, ela simplesmente se abriu ao seu toque. A recompensa, no entanto, fugia à compreensão de qualquer um dos que assistiam o desenlace final da trama.
A Arca do Destino continha uma espada. Mas não era uma espada qualquer, não era uma Espada Mágica e, certamente, não se tratava de uma lâmina feita pelas mãos dos homens. Era um trabalho dedicado de muitos ciclopes, e que, certamente, levara anos a fio para ser fabricada.
O cabo da espada era feito de titânio, enrolado em longos e caprichosos filamentos de ouro. A cruz que dividia o cabo da lâmina era feita do mesmo material, mas duplamente bifurcada nas extremidades, contendo estreitas, mas longas, faixas de prata. A lâmina, no entanto, era o que mais chamava a atenção.
O ferro era muito branco, branco demais para ser feito de ferro. Ela tinha estrias gravadas por toda sua extensão, certamente propositais, porque criavam um efeito agradável aos olhos. Seu cume era afiadíssimo. As inscrições “EXCALIBUG”, em uma das faces, e “CYCMANIA SWORD”, na outra, eram discerníveis, desenhadas em ouro, mesmo à distância.
A lendária Espada Mágica Longa, chamada pelos antigos empreendedores de Magic Longsword, ou Espada de Crunor. A lâmina fabricada pelos ciclopes para agraciar e agradecer a Crunor pela Criação. Nunca antes tocada, nunca antes possuída por ninguém. E, agora, de propriedade exclusiva de Jason Walker.
Um pergaminho antigo enrolado e lacrado com cera também estava presente no baú. Jason o tomou e o embolsou, sem abri-lo.
Dando as costas, ele se dirigiu para a porta de saída, e a ligação estabelecida entre os amigos e ele se quebrou. Todos se levantaram rapidamente e, ignorando o fato de que o sol já raiava, dispararam na direção do castelo de Senja.
*
O navio estava em festa. Cotton, Gibbs, Reynold e Joshua haviam acabado com o estoque de cerveja de Donald, deixando para ele uma generosa quantia em dinheiro. Aqui e ali, os pontos de neve iam derretendo e dando lugar a uma vegetação rasteira, que sorrateira e inexplicavelmente crescera sob o manto gelado por todos aqueles séculos. O nível dos oceanos automaticamente subiria, pelo que a população de Senja começara a construir barreiras e pequenos piquetes ao longo de toda a costa.
Dois dias já se haviam passado. Jason dormira por quase quarenta e oito horas consecutivas, e a Espada passara de mão em mão até desaparecer. Quando John começou a se preocupar, Jason desceu as escadas da hospedaria com ela nas mãos, embainhada. Aparentemente, alguma mágica ancestral antirroubo funcionava no sentido de devolver a Espada às mãos de seu real possuidor caso ele a perdesse.
A bordo do navio, o estalajadeiro Donald, que, souberam, era muito versado em magia, enfeitiçou o timão para que seguisse o trajeto mais curto e mais seguro de volta ao continente, sem que ninguém precisasse manuseá-lo. De posse de suas cervejas, a tripulação se reuniu no convés, onde Jason, em cujo braço direito Melany estava pendurada, preparava-se para romper o lacre do pergaminho e ter acesso ao seu conteúdo.
Ele pigarreou, e todos se silenciaram.
— “Caro Jason” – começou, surpreendendo-se com o fato de que seu nome estava previamente escrito ali. – “Escrevo esta missiva para que você entenda, ambos, o fardo e a dádiva que estão sobre seus ombros neste momento.
“Os ciclopes da antiga Thais fabricaram esta lâmina em segredo, porque as tropas de Zathroth avançavam impiedosamente por toda a Planície do Caos, devastando tudo que viam pela frente. Meus guerreiros sofriam baixas sucessivas e intermináveis, mas muitos deles conseguiram preparar uma contraofensiva e resistir na entrada de Venore. Seus espíritos foram elevados a mim, e todos foram condecorados com honra.
“A Espada possui regras muito específicas, porque os ciclopes a fabricaram para que pudesse somente ser empunhada por mim, fato que se alterou posteriormente, quando declinei a intenção de permanecer com ela. Eles pareceram compreender, e aplicaram normas sobre a manutenção da Espada, cujas quais é importante que você conheça.
“Caso você seja permanentemente desarmado em combate – abrindo-se um ferimento sobre o braço que empunha a Espada, fazendo com que você a perca durante uma luta –, o agressor tomará a propriedade da Espada para si, e ela passará a responder a ele. Esta lenda é desconhecida, nem mesmo Zathroth sabe sobre ela, portanto, guarde o segredo com afinco.
“A Espada não foi feita para matar, contudo, ela absorverá tudo que puder fortalecê-la. Assim, recomendo firmemente que você delibere com cautela antes de derramar sangue humano utilizando-a. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades¹, e seu fardo já é deveras intenso para que você carregue algo mais sobre seus ombros.
“Finalmente, parabenizo-o pela excelente performance no Castelo das Ilusões. Você é um fiel guerreiro, e suas honrarias ultrapassarão o imaginável. No mais, confie em seus amigos e cuide deles. Eles são a base do seu sucesso.
“Com amor, Crunor”.
Nenhuma palavra extra foi necessária. Leonard levantou-se devagar e ergueu sua cerveja, dizendo “A Jason”, ao que todos repetiram e tomaram um longo gole, satisfeitos.
Jason deu um beijo estalado na testa de Melany, que abraçou seu braço ainda mais firmemente. Ao largo de Vega, eles perceberam a neve que também derretia por ali, nos arredores do casebre destruído de Sirius.
Finalmente, tudo parecia estar em seu devido lugar.
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¹Ainda que seja dispensável explicar, a referência é para a fala de Tio Ben na série O Homem Aranha.
Ainda teremos o epílogo da série. Postarei em breve.
Chegamos aos finalmente?
Foi uma fic pequena mas muito interessante
Notei também uma leve influencia implicita de Percy Jackson e uma totalmente explicita do seu amigo de sempre o aranha
Saudações!
Estou embasbacada. Pasma. Embevecida.
Que história maravilhosa. Curta, porém épica e indescritível. Peço mil perdões por não ter comentado nesses últimos dias: não ando muito bem, não tenho descansado e o semestre está quase no fim, cada vez mais arrastado por conta do que vem acontecendo lá dentro. De qualquer maneira, você NUNCA errou a mão em nenhum dos seus capítulos: foi um melhor que o outro em uma progressão maravilhosa.
Acredito que essa foi uma das melhores histórias que li aqui até hoje. Aguardo ansiosamente pelo epílogo, já que são raras as histórias aqui finalizadas E que tem o final que merecem. Essa eu devo dizer que cumprirá de forma sublime esses dois pontos. E eu espero continuar vendo seu nome por essas redondezas.
Abraço,
Iridium.
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EPÍLOGO
Em uma ampla antessala no submundo, Zathroth, em pé, com as mãos entrelaçadas diante do corpo, observava um grupo extremamente seleto de sete pessoas. Todas usavam as mesmas armadura e calça demoníacas, e carregavam um escudo intransponível de ferro, onde se identificava uma estrela de cinco pontas entalhada. Todos presentes de Zathroth.
As paredes ao redor de si eram feitas de pedra e muitos archotes estavam acesos por toda sua extensão. Um tapete vermelho intocável levava ao trono de ouro que ele mantinha em Senja, de onde fora expulso. Voltara aos seus domínios.
E nunca se sentira mais irritado.
— Apresentem-se – ordenou, a voz ecoando sem o menor esforço.
O primeiro membro, uma mulher de cabelos louros curtos e espetados, deu um passo à frente. Ela jogou a franja curta para trás e fez uma ligeira reverência.
— Verminor, meu senhor – disse ela, a voz estridente. – Primeira comandante de Bellatrix e a Senhora das Pragas e das Pestes.
Ela retornou um passo. O segundo componente espelhou seu movimento; era um homem de estatura média e rosto coberto de cicatrizes.
— Tafariel, milorde – disse, a voz baixa. – O Senhor das Maldições. Ao seu dispor.
O terceiro componente também se adiantou. Também era uma mulher. Seus cabelos estavam presos em uma trança caprichada. O rosto era perfeito.
— Bazir – disse ela, com simplicidade. – A Senhora das Mentiras e das Enganações.
O quarto demônio tinha olhos castanhos e postura ligeiramente acanhada. Quando abriu a boca, contudo, revelou possuir uma voz poderosa.
— Pumin, milorde. O Senhor da Tortura e do Desespero. Treinei Sirius e Bellatrix pessoalmente.
O quinto demônio era também uma mulher, mais baixa e menos marcante que as outras duas – talvez não chegasse a um metro e meio de altura. Contudo, os demais pareceram reverenciá-la, como se não ousassem sequer olhar para ela.
— Infernatil – disse, a voz soprana e infantil, os olhos estreitados. – A Incendiária.
O sexto e penúltimo soldado era muito mais alto que os demais, e, curiosamente, faltavam-lhe pedaços de pele no rosto e nos braços. Um de seus olhos parecia cego; o outro, girava curioso por todas as direções da sala.
— Ashfalor, senhor – disse, a voz divertida, um pouco dispersa. – Sou o Primeiro General da Legião dos Mortos-Vivos, comandante máximo das comissões legionárias das Planícies do Caos e da Planície Fantasma.
O último componente, por fim, era também uma mulher. Esguia, muito bonita, seios muito fartos e bumbum arrebitado, seus cabelos na altura dos ombros eram vermelhos da cor do fogo – muito mais do que os de Melany. Os olhos eram muito negros, e as íris acompanhavam a coloração do cabelo. Quando ela se adiantou, todos os demais demônios se retesaram e deram um passo atrás, cautelosos. Inclusive o gigantesco Ashfalor.
Ela separou os lábios cheios e carnudos e revelou dentição perfeita ao sorrir.
— Já me conhece, pai – disse, a voz melodiosa. – Sou Apocalypse, a Senhora da Destruição, e asseguro-lhe que, cedo demais, o reino de Crunor transformar-se-á em uma imensa tumba no coração do universo.
Zathroth assentiu uma vez, ao que ela retornou ao seu lugar.
— A missão é simples – disse ele, finalmente, ainda tentando digerir a intervenção de Crunor em favor de Jason dias antes. – Quem desarmar Jason Walker deverá me trazer a Espada de Crunor. Quem matá-lo, receberá o posto máximo no inferno. Quem feri-lo gravemente, receberá honrarias e comandará os Campos de Punição. Quem o trouxer para mim, vivo, terá a recompensa que desejar. E quem for derrotado por ele, sofrerá uma morte lenta e dolorosa, da qual me incumbirei pessoalmente. Fui claro?
— Sim, senhor – disseram todos, em uníssono.
— Não falhem comigo, mas não subestimem o garoto – advertiu. – Dispensados. Orgulhem-me.
Os sete demônios fizeram uma reverência exagerada e se retiraram em ordem, do mais poderoso para o mais fraco. A porta dos aposentos de Zathroth se fechou na sequência.
Não posso feri-lo… mas posso mandar que o firam.
O senhor do inferno se sentou novamente em seu trono, finalmente confiante na vitória.
FIM
Saudações!
Woooow, Zathroth, ele não tá feliz não HAUEHAUEHUEHUEH
Só iria comentar que gostei da liberdade que teve com os Sete Implacáveis/ Ruthless Seven (apesar de que me incomoda um pouco a troca de gênero da Tafariel, que, canonicamente, é a única mulher dentre os Sete) e adorei a personalidade de cada um deles, explicitada de forma simples e sucinta. De fato, eles dispensam apresentações, rs.
Aguardo a parte final da história.
Abraço,
Iridium.
Agora ficou tenso
Agora o coisa ruim colocou dinheiro no clube contratou
Agora o bicho vai pegar mano
É o bonde do Zathroth
Como prometi dias atras apos finalizar a leitura de o incubo me vi empolgado a ler a arca do destino e que final heim rs the ruthless seven coitado de jason rs partiu proxima história ... Parabéns !