Cara...
Não vou ler agora, mas te prometo que ainda esta semana eu posto aqui. Estava sem computador e nem pude entrar aqui no fórum e nem em nada. E quando postar os capítulos, ficaria grato com uma mensagem offline no msn.
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Cara...
Não vou ler agora, mas te prometo que ainda esta semana eu posto aqui. Estava sem computador e nem pude entrar aqui no fórum e nem em nada. E quando postar os capítulos, ficaria grato com uma mensagem offline no msn.
Vamos ver se sigo adiante! 8D
Mais um capítulo apresentativo. O último.
Capítulo VII
Diferente de Nós
Caminhando a passos largos pelos corredores de passagem única da Pedra de Ulderek, Klaar admirava a enorme construção de pedras, que para ser desenhada pelos campos ao nordeste do continente contara com a indireta ajuda de rios e montanhas, paisagens naturais que entregaram seus serviços aos orcs. Havia sido erguida sobre uma antiga fortaleza destruída pelos humanos. Fora um dia terrível repetia o atual comandante de guerra da raça, Grimgor Grutater.
O grande herói dos orcs, exemplo de coragem e asco aos humanos, um deus para eles, Ulderek, havia lutado por dias para defender sua fortaleza com a própria vida. Por uma infelicidade do destino, sua alma se perdeu junto com a construção, tirando os dois braços de cada orc que ainda lutava pelo seu espaço no mundo. Fora erguida outra sobre aquela, mas nunca se recuperariam as vidas perdidas e os esforços de centenas de bons orcs para erguer ela. Klaar sentiu um aperto no peito, aperto que nunca sentira e nem deveria sentir. Só conhecia a fortaleza por histórias, não estivera vivo quando a Grande Guerra estourara.
Andou mais lentamente, chocando-se com as paredes, com o pensamento vago, perdido em memórias que não eram suas nem de ninguém. Perdido em um misto de ódio por aqueles seres que destruíram o maior símbolo do poder orc de todos os tempos e uma tremenda piedade por aqueles que deram suas vidas pela raça. E se Grimgor quisesse, morreria por ele. Era fiel aos ideais e era capaz de tudo para ver os humanos erradicados. Por isso apoiava incondicionalmente o plano de seu supremo general. Só não gostava da idéia de Orcus assumir aquela missão da qual dependia toda uma raça. Ele que devia estar no lugar dele na missão, ele que deveria receber as honras por encontrar o que era procurado, ele e não Orcus!
Ele merecia mais do que tinha, mas ninguém reconhecia isso. Esperava que as notícias que ia levar com tanta satisfação para Grimgor ajudassem a mostrar para o soberano seu valor e como ele poderia ser um soldado fiel à causa. Enfim Orcus serviria para algo. Recuperou-se do choque das lembranças tristes de um passado de glórias e acelerou o passo, pisando fundo e com a mente clara. Não podia se descontrolar por medos, precisava ser forte. Saiu do corredor e cruzou os jardins centrais, olhando torto para um grupo de orcs que treinavam golpes com os pés. Sentiu-se bem ao ver a cena, e se não fosse tão rabugento, sorriria. Jovens forças de guerra treinando tarde da noite para morrerem para que os humanos fossem exterminados.
Entrou no prédio central, que crescia preso a uma montanha. Fez menção de subir as escadas quando viu, longe no horizonte, um estranho pescando. Não era costume dos orcs a pesca muitos menos fazer qualquer outra atividade em tempos de guerra que não fosse treinar. Saiu do prédio e esgueirou-se pelas sombras projetadas na grama seca pela luz da lua. Encarou o vulto com certo desdém. Uma pequena apreensão cresceu dentro dele. Estava de costas, mas mesmo assim podia se ver que não era verde e que não usava as armaduras de couro dos novatos e muito menos as armaduras pesadas das tropas mais avançadas.
Avançou alguns passos na direção dele, mas foi parado por uma mão em seu obro. Virou-se, pegando uma faca que jazia presa em sua calça negra e se preparando para um ataque.
- Chega Klaar - Disse a voz brava e ao mesmo tempo cortês do grande Linak. Era um orc conhecido por suas feitiçarias, um dos favoritos de Grimgor e mais habilidosos em guerra. Tinha incontáveis honrarias e era muito querido pela população da Pedra. Um exemplo a ser seguido.
- Desculpe senhor - Respondeu prontamente Klaar guardando a faca e olhando fundo nos olhos de Linak para demonstrar sua lealdade - Vi um soldado afastado e vim checar e...
- Deixe-o comigo - Disse o feiticeiro olhando o rio por cima do ombro de Klaar - Agora vá ver Grimgor, está a sua espera.
- Sim meu mestre.
Klaar saiu e avançou na direção do prédio, com a mente desnorteada. Quem era aquele misterioso orc? E o que Linak fazia naquele lugar àquela hora? Geralmente se trancava em alguma torre com suas feitiçarias pela noite... Algo muito estranho estava acontecendo ali, e ele tinha certeza que Linak sabia perfeitamente o que era. Olhou para o rio pelo canto do olho enquanto entrava no prédio e surpreendeu-se ao ver que o vulto e Linak já haviam sumido
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Manteiga.
Opa. Achei legal pacas. O único problema, que tu já tinha alertado, foi do número de personagens.
Chega, Klaar e Desculpe, senhor, acho eu.Citação:
- Chega Klaar - Disse a voz brava e ao mesmo tempo cortês do grande Linak. Era um orc conhecido por suas feitiçarias, um dos favoritos de Grimgor e mais habilidosos em guerra. Tinha incontáveis honrarias e era muito querido pela população da Pedra. Um exemplo a ser seguido.
- Desculpe senhor - Respondeu prontamente Klaar guardando a faca e olhando fundo nos olhos de Linak para demonstrar sua lealdade - Vi um soldado afastado e vim checar e...
Sim, meu mestre, novamente achoCitação:
- Sim meu mestre.
Só achei o último parágrafo fraco. ''Quem era aquele misterioso orc? ''. Tá claro que ele não é um orc, já que nem verde a criatura é. A não ser que seja uma mutação :wscared:
Só respondo agora porque como previ, se eu postasse pra responder teria que double-postar pro capítulo.
Bem, eu disse do inicio que seriam muitos personagens. Mas as apresentações acabaram, agora todos os novos que aparecerem só ficam uns poucos capítulos, ai nem precisa de concentrar muito neles. Apesar de que todos são importantes.
E sobre o final, Klaar é burro. Não deixem bem claro no capítulo, mas ele é burrinho. Mesmo vendo que não era verde, podia achar que era um orc amaldiçoado ou sei lá. E também se não era um orc o que estaria fazendo ali? Logo ele imaginava ser orc... Mas não, não é uma mutação. Você vão descobrir que(m) é ainda ;D
Capítulo VIII
Filho do Fogo, Filha da Terra
Quem poderia imaginar tanta história um andar abaixo do glorioso templo de Kazordoon? Nem mesmo o culto Avalanche poderia. Jamais tivera a ousadia de atravessar a tal porta no fundo do templo que pouco conhecia. Tudo que sabia dali ouvira de amigos ou histórias que contavam em mesas de bares ocultas em Thais. Agora se dava conta que estava cometendo uma infração atrás da outra, coisas que ninguém em sã consciência faria. Primeiro atacara guardas da cidade e tentara libertar uma prisioneira e agora invadia uma propriedade privada.
Nem em seus sonhos mais loucos pensara que faria uma coisa daquelas. Sentia algo estranho, algo que jamais sentira antes. Um misto de arrependimento pela justiça que obstruíra e prazer por violar as regras. Surgia um novo Avalanche, que há muito jazia adormecido em seu peito. A noção pelo perigo e o medo não existiam mais. O que existia era a excitação pela aventura e a idéia fixa de salvar Chronus, não importava como. Todos seus valores morais e ética estavam mortos e o que havia sobrado era sua nova essência: um ser inconseqüente, sem medo de quebrar as regras. Ele havia se tornado tudo que era contra.
- O que fazemos agora? - Perguntou o ofegante Henry, deitado com o braço largado sobre a barriga ao lado do corpo. Encarava Ava com certa apreensão, como se não reconhecesse aquele que estava à sua frente. Sentiu um clima tenso e só de olhar para o amigo percebeu que a única coisa que lhe importava era salvar Chronus. Para ele era o mesmo, mas com mais urgência. Por tantas viagens nutrira um sentimento maior que a amizade pela amiga e nunca tivera coragem de contar. Era irônico, o mais corajoso dos cavaleiros tremendo de medo em revelar seus sentimentos. Já não se reconhecia mais. Sentou-se e quebrou pela segunda vez aquele silêncio tão desconfortável - Olha, também quero salva-la...
Lembrou-se de suas mais loucas fantasias. Lagos refletindo a luz do luar, a grama verdejante molhada com o orvalho das manhãs, a noite gélida com os ventos uivantes e as estrelas prateadas a brilhar, as cascatas espatifando-se nas pedras musgosas... Cada paisagem bela lhe lembrava Chronus. A mais bela das borboletas, a mais exuberante das flores, a mais dourada das manhãs de sol... Tudo era ela. Não importava como, ele iria salva-la. Em nome de seu sentimento, em nome de tudo que viveram e daquilo que viveriam. Era em nome do amor que sujaria o próprio nome e cometeria os mais hediondos e imperdoáveis crimes. Ergueu-se e desceu a escada, carregando o corpo nos ombros. Ava nada disse, apenas baixou a cabeça e desceu atrás dele, pensando no que faria em seguida.
A sala abaixo do templo era diferente de tudo que ele já imaginara. Estátuas de pedra empoeiradas e decoradas com teias de aranha que desenhavam no ar as mais belas formas jaziam entre pilares de mármore reluzentes que se erguiam imponentes sustentando o templo acima. Cada estátua havia sido habilmente esculpida por um grande mestre, cada detalhe e cada forma transformavam aqueles blocos de pedra em figuras vivas de seres mortos. Aqueles guardas os fuzilavam com seus olhos penetrantes e ameaçavam com suas armas: machados, clavas e lanças. A dança de arquitetura encheu os olhos dos dois, que por breves segundos se esqueceram de tudo enquanto olhavam os fantasmas sólidos de um passado. Em frente às estátuas, blocos de mármore mostravam belas peças de ouros, que juntas formavam nomes e títulos.
Henry soltou uma exclamação de admiração, mas logo disse algo referente à parede mágica. Ava não deu importância, pois olhava fascinado para os nomes nas placas. Grande heróis, personalidades que quando partiram levaram lágrimas consigo. Filhos do fogo e filhas da terra agora jaziam ali, junto à lava e a terra fofa que irrompia de rachaduras nas paredes de tijolos quebrados e perfurados com nichos profundos. Uma sala em ruínas, mas forte como o valor histórico e sentimental que transmitia. A plenitude de espírito de andar por aquelas pedras cuidadosamente alinhadas naquele chão sujo era tanta que os problemas se esvaíam.
Mesmo assim, pisava cautelosamente pelo chão. Não queria sujar-se nas impurezas de um lugar que não era limpo há muito tempo, mas sua face erguida que admirava as estátuas não lhe permitia desviar-se. Henry, que já havia saído do transe, encarava o amigo com certo pavor nos olhos.
- Podemos sair daqui logo? - Questionou, arrumando o corpo nos braços. Ouviu um estrondo e escondeu-se atrás de uma estátua. A parede havia sumido e os guardas estavam descendo. Todo seu mundo veio abaixo e a magia da sala acabou revelando um lugar apropriado para morrer. Todo o esforço deles seria em vão se Ava não se desce conta que meia dúzia de anões fortemente armados estavam com a expressão mais sanguinária possível parados na escada, prontos para matar.
Sentiu-se pronto para explodir, queria pegar a espada e lutar, mas temia que não fosse capaz de vencer tantos guardas. Mas não era hora para aquilo, precisava defender seu amigo que naquele momento estava totalmente hipnotizado pelas figuras. Abandonou o corpo ao lado de um dos pilares e empunhou a espada, saltando no meio da sala.
- Querem uma lasquinha de mim? VENHAM PEGAR!
O berro fez Ava despertar e virar-se para ver a cena. Só ai percebeu onde realmente estava: numa câmara funerária. Parecia que tudo ia os empurrando para a morte. Sentiu o novo Ava murchar perante o medo da morte e tremeu, pensando em se encolher em um canto e esperar ser decapitado. Mas resistiu. Resistiu por Chronus. Fulminou os guardas com seus olhos com o medo disfarçado e apontou a mão na direção deles.
- Libertem Chronus ou sofram.
Eles riram.
- A essa altura ela já está em Dwacatra - Disse o mais alto deles.
Tudo acabou. Dwacatra! A ilha em meio a lava mortal no subsolo extremo daquele maldito vulcão. Um lugar de onde ninguém fugia, um lugar onde não há retorno. Sentiu-se morrendo lentamente, caindo eternamente por um poço sem fundo, no qual faces chorosas brotavam entre os tijolos sujos. Caiu de joelhos, olhando fracamente para o que dissera aquilo. Se Chronus realmente estivesse em Dwacatra, não haveria chance. Era hora de se entregar e arcar com as conseqüências.
- Ei Ava - Disse Henry firmemente, encarando os guardas - Não podemos desistir dela. Quem te salvou do dragão aquela vez? Quem é a única pessoa capaz de fazer aquele peixinho? Quem é a pessoa mais corajosa e maluca, mas ao mesmo tempo meiga e doce que já conhecemos? A quem devemos nossa razão de existir?
O medo, a depressão e tudo que o jogava para o fundo do poço sumiram com aquelas palavras. Não podia desistir, nem que precisasse invadir Dwacatra, matar o imperador, mover céus e terra. Ele livraria Chronus. Se era culpada ou inocente não importava. Estaria do lado dela para todo o sempre, lutando ao lado dela. Por ela iria ao infinito. Por ela mataria aqueles guardas.
- Chronus - Voltou a estender a mão. Falou sério e calmo, sem gaguejar ou ao menos se dar conta do que saía de sua boca - Vão se foder. Exevo Tera Hur.
Milhões de raízes venenosas e podres arrebentaram o chão e as paredes, avançando com os guardas com suas folhas cortantes. Entraram em suas bocas, olhos e ouvidos, explodindo suas cabeças e perfurando suas armaduras. Conheceriam a morte de uma maneira vil e sem coração, morreriam ali, perante seus exemplos. Sangue jorrou pelas estátuas e pelo chão, pedaços de seres que só estavam cumprindo seus deveres explodiram pelas paredes. Armaduras e armas caíram em poças de restos e raízes apareciam e sumiam do nada. A terra traía seus mestres.
- Achei que fosse mestre no gelo - Disse Henry abismado com a cena. Nunca antes vira aquele Ava matando algum ser, muito menos de forma tão cruel. Era impressionante como o ódio e a determinação transformavam as pessoas. Só ai se deu conta da bomba relógio que tinha ao seu lado.
- Pegue o corpo, vamos embora.
Henry obedeceu e fez menção de sair por uma pequena escada de madeira postada ao final da sala.
- Não - Disse Ava pisando sobre o sangue derramado, ainda sério - Vamos sair pela porta da frente, como heróis.
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Bem, depois de ver a história do Aguini, resolvi editar aqui ocm uma breve descrição da magia Exevo Tera Hur usada no capítulo, pra quem não joga entender.
Ela é uma magia básica de ataque do elemento terra aprendida por druidas. Seu nome é "Terra Wave". Onda de Terra. Ela é teoricamente uma espécie de onda de raízes e coisas orgânicas disparadas da mão do druida contra o inimigo. Pra entender melhor,imaginem um dragão cuspindo fogo. Troquem o fogo por raízes e o dragão por um druida e façam as ráízes saírem da mão dele. Feito, Exevo Tera Hur.
Nesse capítulo seu estilo váriou muito! Começou muito extremista (lembrando descrições psicológicas muito semelhantes as minhas), depois foi mais detalhista (que diga-se de passagem, você foi preciso em descrições de cenários, pra ninguém botar defeito), teve partes em que você foi moderno demais (as partes que mais desgostei) e terminou sendo meritocracista e novamente extremista, que pra mim, foi um desfecho genial!
Você ainda precisa criar um estilo totalmente seu, ainda é cedo para isso, eu sei, você precisa experimentar de tudo como vem fazendo, entretanto isso dá uma sensação ruim em quem lê. Tiveram partes que eu fiquei boquiaberto com o qual bom você estava e depois partes (poucas tenho que dizer) que foram ruins.
Enfim, gostei do capítulo, foi bem impactante. E Chronus pelo jeito é uma mulher e tanto, musa inspiradora de suas personagens. Vamos ver se suas descrições e desfechos condizem com que se espera dela.
Continue, abraços!
Ganhei o dia XD
Bom, sério agora, o estilo variou sim e é fato incontestável. É que eu escrevo muito de acordo com o meu humor. Quando não tou muito bem o resultado é mais corrido, de pouca qualidade. Quando tou concentrado, em sintonia com a história, eu costumo me apegar MUITO² a detalhes geralmente triviais e os epxlicar, o que quase sempre lota minha linhas e me obriga a encurtar capítulos. O que eu tento fazer é escrever tudo de uma vez, quando tou concentrado, mas ai acaba sendo corrida. O resultado é a concha de retalhos. Muito a ser corrigido, mas espero que o tempo se ocupe de ir mudando isso. Se não, mudo na marra. Até acho desagradável essas ossilações :s
Bom, e sobre Chronus, eu posso dizer uma coisa: O ser humano é um ser ingênuo. Pensem nisso.
Manteiga.
Demorei pacas.
Li alguns capítulos que tinha no computador, pra não deixar acumular.:o
Aqui no capítulo V, não ficou exatamente claro quem Ava atacou. Apesar de eu ter sub-entendido que foi o guarda, não está claro.Citação:
Jogou Isimov na direção do guarda que acabara de soltar Chronus e atacou-o com sua varinha, atingindo-o na face.
Sobre esse capítulo V...Só tenho a dizer que eu pessoalmente, odeio o surrealismo do Tibia. Só que não posso fazer muito por isso.:P
Sobre o último capítulo que li, o VI, achei bom. Eu só acho ainda, um sério problema, os personagens. A personalidade deles parece ser comum. E isso, estou a generalizar todos os seus personagens. Não há nada que não faça deles um estereótipo de personagem...
E como sempre, a cada capítulo tu me aparece com mais um personagem...
Assim que arranjar tempo, eu leio mais.
Hovelst
@Hove
Nada vou argumentar, já te respondi via MSN.
:)Citação:
Capítulo IX
O Que Acontece em Darashia, Fica em Darashia
Andou pelas areias frias do deserto naquela noite gelada e com pouco vento. Não havia estrelas no céu, apenas nuvens negras que ocultavam a beleza da iluminada rainha do céu. Os passos arrastados pela areia não eram ouvidos, algo perfeito para um serviço bem feito. Oculta pelo turbante e pelos grossos casacos que usava para resistir ao frio, arrastou-se por entre as tendas fechadas do Mercado Negro. Localizou sem demora a tenda que estivera a pouco. Sem cerimônia, sacou uma faca e furou-a, invadindo o lar daquele pobre comerciante. Este estava deitado sobre um tapete, e, ao ver a mulher entrar, saltou para trás e praguejou em um idioma há muito perdido.
- Não vou aceitar aquele preço ridículo - Dizendo isso, cortou-lhe a garganta, espirrando sangue pela sala. Abandonou o corpo ali, ensangüentado, em meio ao dinheiro, para que o primeiro comprador do dia seguinte o encontrasse morto. Morto pela avareza, morto por querer lucrar mais. Era deprimente ter que chegar a aquele ponto, mas as circunstâncias a obrigavam. Sem olhar para o morto, saiu pelo deserto para Darashia, de onde seguiria o rumo para seu próximo alvo. Eremo.
Manteiga.
Achei legal o capítulo VIII, só acho que foi um pouco de exagero um cara só matar vários e ambos sentirem tanto amor por Chronus a ponto de ficarem super-fortes e tão motivados...
Destaque para:
Lindo *-*Citação:
Cada paisagem bela lhe lembrava Chronus. A mais bela das borboletas, a mais exuberante das flores, a mais dourada das manhãs de sol...
O IX foi curto e foda.
Gostei.
Abraços.
Podem ir guardando as bandeirinhas, os cartazes e os apitos. Eu não fiu sequestrado pela Al-Qaeda. Há. Só minha internet - que pra variar - escafedeu-se. Mas depois de uma exata semana ela voltou ^^
Manteiga.Citação:
Capítulo X
Dwacatra
Os risos e acusações de indigentes que estavam a ponto de se matarem não doíam. O que doía era ser presa injustamente. Não podia ter cometido todos aqueles crimes, era impossível! Não tinha distúrbios mentais nem dupla personalidade, não podia ter matado aquelas pessoas, roubado aqueles lugares... Não podia ter feito tudo o que os guardas disseram que fez. Tinha de ser um engano, era a única explicação aceitável! Mas seria difícil provar aquilo.
Engoliu as lágrimas, e, sem protestar, foi jogada na terra quente e seca da ilha de Dwacatra. Ali, chegara ao inferno. Chegara ao fundo do poço, chegara aonde jamais queria ter chegado. Chegara ao extremo que um ser vivo poderia chegar. Dali, nunca sairia. E se um dia, por acaso, saísse, seria morta. Mesmo com tal perspectiva, não perdeu as esperanças. Ava e Henry iriam salva-la, ela precisava acreditar naquilo! Sabia que era impossível, mas precisava acreditar.
Olhou para a porta que fora fechada na torre de pedra que marcava a entrada da prisão. Do lado de fora havia certamente dezenas de guardas fortemente armados. Na torre havia atiradores e soldados empunhando bestas e arbaletas. Seria loucura acreditar que uma fuga poderia ser possível. O sonho de liberdade apodreceu, murchou, morreu. Ficou ali, encolhida, olhando a lava. Queria chorar, mas o calor era tanto que as lágrimas sumiam antes de caírem. Queria gritar, mas a voz morrera com a esperança. Chegara ao inferno, chegara ao local de onde ninguém regressa. Iria morrer ali, seca, queimada, mutilada. Não importava como, mas iria morrer.
Sentou-se e olhou ao redor. Gêiseres de lava explodiam do chão, pedaços inteiros de terra e pedras se desprendiam e afundavam na lava. A ilha desapareceria um dia, e certamente que estava preso afundaria com ela. Havia buracos no solo acidentado, por onde a lava nascia. Torres de madeira em combustão, fortes de pedra mal empilhados e buracos por todos os cantos marcavam os territórios das tribos. De um lado orcs, presos provavelmente desde o último grande confronto com os anões. Minotauros também estavam ali, junto com ciclopes e anões traidores. De humana ali, só ela.
Sentiu-se só, perdida entre estranhos ameaçadores. Queria pular na lava mas as imagens de Ava e Henry impediam o suicídio. Tremeu e sentiu-se desmoronar ao ver os olhos acusadores dos demais presos, empunhando as armas e marchando lentamente em sua direção. Andou para trás, sem nem olhar. Para onde ia não importava. Importava que ia a algum lugar: a lava incandescente. Era seu destino morrer como culpada para libertar os inocentes. Que perspectiva mais nobre, seria admirável se não fosse a parte em que ela morria.
- Saiam todos! - Urrou uma voz forte e explosiva das costas dela. Virou-se assustada e viu, sobre uma pedra gigantesca, um anão em pé, empunhando um enorme martelo de madeira. Tinha uma longa barba ruiva como seus cabelos igualmente enormes. Usava trapos podres e queimados, de cor marrom. Seus sapatos eram botas de ferro sujas de fuligem e seus olhos negros transmitiam ódio e vingança. Os demais obedeceram, voltando aos seus afazeres. Parecia ser uma figura de tremendo respeito ali, alguém de quem se deveria ter medo. Ele a encarou - Você quem é?
- Chronus Tamos - Disse com a voz firme e a cabeça erguida, enfrentando-o com os olhos. Não deixaria de ser a mulher forte e decidida que sempre fora por causa do medo e da injustiça. Passaram-se minutos incontáveis até ele responder.
- Tamos, por que está aqui?
- Fui condenada injustamente. Sou inocente.
Todos - menos o anão - riram. Alguns até caíram no chão de tanto gargalhar. Mas ao verem a expressão assassina na face do anão, calaram-se e voltaram a fazer aquilo que ele mandou que fizessem.
- Claro. - Ele se virou - Não tema. São sempre assim com novatos.
- E você quem é?
Ele desceu da pedra e parou. Uma pergunta que há muito não ouvia, nem sabia se tinha a resposta para ela. Seu eu se perdera quando fora jogado cruelmente para apodrecer ali, no lugar que mais admirava. Cansara de mandar criminosos bastardos para Dwacatra, mas jamais pensara que seria um deles. Mastigou bem sua resposta, perdido em identidades que tivera ou nunca teria.
- Um homem de quem toda Kazordoon teve orgulho uma vez. Um homem que foi desgraçado por mentiras daquele que mais odiou.
Chronus arregalou os olhos e sentiu seus miolos queimarem. Do que raios ele estava falando? Não seria tão mais simples dizer seu nome?
- Mas qual seu nome? Quem é você de verdade? - Ela se viu dizendo.
- Não tenho nome. Ninguém sou. Minto, sou alguém. Sou a sombra de um alguém glorioso, preso por um engano.
- Quem fez isso com você? - Disse ela o encarando fortemente, com a curiosidade aumentando cada vez mais. Sem notar tinha quebrado a barreira do respeito ao passado e estava agora num fogo cruzado.
Ele levou um tempo pensando. Quando disse, pareceu morrer pela boca pronunciando aquela simples palavra, mas que em seus lábios era uma faca rasgando sua carne e fazendo-o sangrar.
- Basilisco.
:rolleyes:
Manteiga.
Muito foda, cara. To acompanhando a história silenciosamente (eu sei que a falta de comentários é desanimadora, mas nunca tenho muito o que falar :o).
Quem será esse anão misterioso? E como o Basilisco fez com que ele fosse parar na prisão? :?
Espero que você não pare com essa magnífica história, espero que sempre tenha mais e mais gente comentando e te dando forças pra ir até o final. Ou talvez você nem precise. :~ Mas você sempre terá leitores, mesmo que às vezes eles não se revelem. ;)
Não vou analizar o capítulo parte por parte, sou incapaz de fazer isso, mas esse foi na minha opinião o melhor capítulo até agora. Que hajam ainda muitos como este. :cool:
ainda não li toda a historia, mas já vi que a narrativa, o cunteudo e a vida dos personagens foram muito bem postas na historia!!! vou continuar lendo!!!
Não pretendo me arrastar por ai pela falta de comments. Só acho que postar dois capítulos seguidos sem comentários é deprimente :x Btw, pra compensar a espera, eu ia postar o 12 junto, mas pelo fato de ele ser um pouquinho grande [+ 10 páginas no word] vou deixar pra depois. Enjoy :xCitação:
Capítulo XI
Aquilo que Tezila Sabia
Passos ecoaram pelos estreitos corredores do segundo andar de Kazordoon. As curvas e becos estreitos daqueles corredores de pedras e jóias preciosas faziam qualquer som, por mais baixo que fosse, perambular por cada metro do local, assombrando os ouvidos de quem passava por aqueles lugar. Não havia uma iluminação decente a não ser por duas solitárias tochas que crepitavam próximas a uma entrada em um dos mais movimentados corredores.
Ao norte, o portal escuro e sem vida que dava para a loja de armas e de armaduras, palco de um assassinato a sangue frio pouco tempo antes. Os guardas já haviam prendido a culpada, que devia estar definhando em Dwacatra. Mal eles sabiam que o verdadeiro assassino ainda vagava, sedento por sangue, com sua capa negra a esvoaçar pelos estreitos corredores. Uma lâmina em mãos, uma lista no bolso, palavras bem mastigadas na boca. Um jovem sedutor, capaz de arrancar informações e em seguidas as cabeças de quem as passara.
Ele entrou sem cerimônias no banco, o único local daquele andar presenteado com uma satisfatória luminosidade. Diziam que era porque a dona do estabelecimento, Tezila, usava o dinheiro depositado para pagar a mais suas taxas, recebendo alguns agradinhos do Imperador. Outros maliciavam que ela se envolvia com um guarda, do alto escalão com certeza, e assim conseguia o que queria.
Debruçou-se sobre o balcão de madeira perfeitamente polido, encarando a porta diretamente à sua frente. Porta mágica dos ladrões, levaria ao estoque de jóias e às caixas onde estava todo o dinheiro dos habitantes daquele lixo subterrâneo que ousavam chamar de cidade. Nem apreciou as belas jóias e medalhões que jaziam em pilares esculpidos ao lado da porta. Belas amostras intocáveis daquilo que representava uma das grandes riquezas de Kazordoon.
Bateu com sua mão cerrada no balcão, sem pronunciar uma palavra, mantendo o anonimato. A porta abriu-se, e dela saiu uma velha mulher loira, com os cabelos curtos enrolados em uma transa que caía por suas costas mínimas. Usava um roupão - minúsculo, diga-se de passagem - rosado com detalhes bordados em fúcsia. Arrastou-se até o balcão onde subiu sobre um caixote, fitando os olhos daquele homem, ocultos pelas sombras criadas pelo capuz que usava. Seus olhos verdes recuaram de medo com o jeito sombrio daquele homem, e sentiu seu corpo tremer quando desviou os olhos pára a lâmina que este segurava. Engoliu em seco e pensou que logo estaria com o dinheiro daquele otário em mãos, e então poderia voltar a dormir.
- Quer depositar seu dinheiro? - Disse com a voz seca e sem emoção, disfarçando ao máximo seu temor.
- Não - A voz ecoou longa e dolorosamente pelos corredores, cortando a alma de Tezila em mil pedaços e matando-a do coração.
O silêncio predominou por eras.
- Já ouviu falar de Petra? - Disse o homem sem mudar a direção de seu olhar maquiavélico. Sorriu em pensamento ao ver Tezila tremer perante a palavra, recuando alguns passos e caindo do caixote. Subiu sobre o balcão e puxou a lâmina gargalhando.
- Não devia procurar essas coisas meu jovem! - Ela disse aterrorizada, sem clamar pela vida que perdeu em seguida, com a lâmina cravada em seu peito.
Manteiga.
;)Pow kra...
Eu ainda tbm não li tudo. (não por falta de tempo, pois sou quase um vagabundo:P), mas os 3 capítulos que eu já li (:eek: 3 Capítulos) estão muito bons.
Abraços do
Lord of Fowls
P.S.:Dá uma olhada na minha tbm. O nome é "O Martelo dos Dwarf". O link está na minha assinatura.;)
Finalmente, pus minha leitura de seus capítulos em dia. Fui do capítulo VII ao X, e não desgostei e nem gostei dos dois primeiros.
O Capítulo VII, me chamou a atenção quanto ao vulto e quanto a Linak.
O VII, me chamou a atenção pelas descrições de ambiente, e também, só que por um lado negativo, o sentimentalismo barato e a determinação deles por uma garota, determinação capaz de matar facilmente.
Já o IX e o X, achei ambos fodas.
Já o IX, me deixou bem curioso quanto à mulher. Fiquei me perguntando se era Sofia? De qualquer forma, foi um capítulo curto, mas bem dinâmico.
E o X, foi o que eu mais gostei. Simplesmente fodástico.
Essa parte, me lembrou hienas em associação com o clássico o Rei Leão.Citação:
Todos - menos o anão - riram. Alguns até caíram no chão de tanto gargalhar.
Eu achei o anão simplesmente uma personagem brilhante. Principalmente pelo lado sombrio dele. O único fator que não gostei no capítulo, foi que o anão acaba sendo o manda-chuva da área.
Sobre o capítulo XI, o assassino matou novamente. Primeiro Kroox, no prólogo - só sei isso porque alguém que não vou falar quem, me falou - e agora Teliza.
Só me perguntou quem é o Sr. Petra?
Go ahead!
Hovelst
Hovelst trocou de avatar!
Tio Sam na parada:P
CARDÍACOS, CUIDADO!
Este capítulo rendeu 10 páginas no word. NÃO! Pode continuar sentado. É de uma importância putômica pra história, é onde a trama começa a se fechar. Logo, peço paciência! O próximo capítulo sai provavelmente no fim de novembro, antes de eu sair de viagem. Vou dar um bom tempo pra vocês lerem tudo.
Capítulo XII
Momentos Diferentes, Memórias Desgraçadas
Andaram por entre os corpos, resvalando no sangue e apoiando-se nas estátuas. Ava seguia em frente, com o olhar a fulminar a porta. Segurava sua mochila nas mãos, deixando que ela se arrastasse. Seus passos eram lentos e decididos, criando rastros de sangue que ele mesmo tirara dos guardas, indicando seu caminho. Estava decidido a salvar Chronus, não importava como. Não havia mais ética perto daqueles que prendiam inocentes. Era tudo justiça, mas pelas próprias mãos.
Henry vinha logo atrás, os olhos arregalados e a mente tentando acompanhar todo aquele tormento. Um momento Avalanche estava temeroso, no outro era um assassino cruel e calculista. O que estava ocorrendo ali? Seria um sentimento supremo despertando outros ideais no amigo? Tornar-se-ia Avalanche seu mais novo inimigo na disputa pelo coração de Chronus? Não era hora para pensar naquilo. Precisava deixar os sentimentos de lado e lutar pela justiça, embora fossem tão fortes que não queriam escapar.
Vacilava enquanto tentava acompanhar o amigo, enquanto equilibrava o corpo em seus braços. Uma entidade enigmática, um estranho. Por que raios estavam o levando, sendo que Isimov podia cuidar dele? Os instintos humanistas do velho Avalanche permaneciam intactos no olhos do vendaval de emoções que era aquele druida naquele instante. Uma confusão de idéias e sentimentos causada pelo medo. Ambos pareciam marionetes, marionetes de medos e de sentimentos de recusa. Não pensavam mais neles mesmos, suas mentes apontavam para Dwacatra e eclodiam em idéias para tirar Chronus de lá. Henry não soube dizer por que, mas teve a leve sensação de que aquele homem poderia lhes ser útil. Vivo ou morto.
***
Andava pelas ruas daquela que chamavam de “baixa Thais”. Não era um lugar seguro para se andar, mas sendo quem era, podia ser. Não ousariam o matar ou o roubar ou algo do gênero, visando que era temido. Logicamente, para os padrões mundiais, era um ladrãozinho de feira. Mas para os patéticos gatunos de Thais, era um lorde do crime.
Ali ficavam as casas da alta sociedade. Em um passado nem tão distante era um lugar sinônimo de poder aquisitivo e status social. Belas casas de dois andares, estranhamente iguais umas as outras, todas com um jardim com direito a macieira. Cerca de quatro camas por casa, uns três cômodos em cada andar, fogão, alguns móveis embutidos... Nada mais poderiam querer os ricos. Sua mania de superioridade parecia os obrigar a deixar pilares com belas riquezas expostos dentro das casas com as janelas abertas. Um ato provocante para quem andava por ali.
Se perguntados se não temiam roubos, respondiam não. A TBI - a polícia de Thais, exemplo para o mundo - lhes garantia total proteção. Não tinham com que se preocupar, até porque seu dinheiro podia comprar uns guardas a mais para aquela rua. E além disso, seres fúteis como aqueles nada melhor tinham do que ficar sentados em seus jardins comendo suas maçãs e vendo suas preciosidades.
Mas de uns tempos pra cá a ameaça orc foi crescendo na cidade, obrigando os guardas a renegarem seu dinheiro e treinar para um iminente ataque. Os ricos não se preocuparam com isso e deixaram as riquezas lá. Seres infames... Logo, o esperado: invasões, roubos, mortes. É o preço que se paga por viver uma vida de futilidades sem cultura. Freqüentavam teatros e óperas para nada, eram ignorantes, burros, inconseqüentes. Herdavam seu dinheiro de gerações culturalmente mais favorecidas, por estarem no lugar certo e na hora certa, golpes, casamentos, óbitos... Nunca por seus méritos.
Virou em uma esquina e desceu em uma rua próxima ao rio que desenhava o sul da cidade. Havia algumas outras casas como as demais - três, quem sabe quatro - perfeitamente alinhadas, lado a lado. Deus alguns passos entre duas casas e pulou o cercadinho de madeira - a mais refinada possível, claro - e entrou no jardim. Roubou uma maçã verde do pé e a mordeu, fazendo uma careta pelo gosto e jogando-a no rio, vendo-a ser mordiscada pelos débeis seres aquáticos. Deu alguns passos e entrou pela porta aberta, analisando a casa destruída pelas invasões. Devia estar abandonada já há uns três meses. E tinha cara de casa de pobre.
Puxou uma cadeira perto de uma grande mesa de carvalho localizada perto da janela e sentou-se, apoiando os pés em outra. Olhou pelo térreo, vendo duas camas em outro cômodo, alinhadas; um fogão mal ajeitado em um canto e alguns móveis destroçados pelo caminho. Ouviu passos pela escada e sentou-se formalmente.
- Pensei que não viria mais - Disse, disfarçando a voz e escondendo a face com a gola do belo casaco roubado que usava. O homem que desceu não fazia questão de disfarce.
- Na verdade estou aqui há mais tempo que tu - Era o óbvio, mas questão de esfregar na cara do larápio sua pontualidade.
- Quero deixar claro...
- Que não vai fazer isso por pura vontade - O homem sorriu - Sei disso. É meu prisioneiro, ou faz ou o prendo por mil e uma razões.
- Que hei de ganhar com esse serviço?
- Não finja ter a cultura que sabes melhor que eu não ter - Respondeu rispidamente, sentando-se em frente ao bandido, encarando-o nos olhos e com a mão em sua espada - Adoraria morrer por ela, certo?
- E quem não amaria morrer pelas mãos de Chester Khas? - Ironizou - Eu.
Khas riu.
- Vou lhe pagar uma alta quantia. Isto é, se me trouxer o que quero e manter discrição. Elimine qualquer um que ficar sabendo de sua missão ou tiver contato com você. Não importa quem. Se tiver que matar uma criança, mate.
O sangue frio daquele homem era impressionante.
- Por que eu? - Fez questão de manter o tom mais formal possível, fingindo não estar desesperado por aquela informação. Infelizmente, não sabia disfarçar.
- Não és hábil. Mas apareceu na hora certa, no lugar certo - Khas ergueu-se e foi ao jardim, arrancando a última maçã da macieira. Mordeu-a com uma cara de satisfação no rosto - As maçãs daqui são boas.
- Por isso costuma afanar algumas?
Khas deu outra mordida e pulou o cercado.
- Não afano. Consfico para investigação. No parque, uma semana. Lhe darei detalhes. Não volte mais para cá. - Jogou um saco pesado no pátio - É o adiantamento. Não gaste, precisará para a viagem - E dizendo isso saiu pelas ruas. O que Chester Khas poderia querer com ele, não sabia. Mas pelo aparente peso do saco, era algo grande.
***
Fizeram uma curva quando chegaram ao terceiro andar. A distância entre Ava e Henry já era de uns dois metros, e o primeiro nem parecia reparar. Caminhava decidido rumo a lugar algum. Cada passo dele eram cinco de Henry, que já se cansava de carregar aquele corpo por tanto tempo.
- Chega de humanitarismo - Disse o cavaleiro quebrando o silêncio que se mantinha desde que saíram do templo - Posso abandona-lo?
Ava parou e começou a ponderar. Na realidade, se esquecera que fizera questão de salvar o corpo enquanto ainda era o velho druida, bom samaritano, ajudante. Tolo, isso sim.
- Deixe-o perto da escada. Vai nos atrasar quando formos invadir Dwacatra.
Henry fez menção de apoiar o corpo em um nicho onde havia uma escada, deixando-o sentado para que caso uma boa alma passasse o salvasse. Mas parou ao ouvir a última frase, que seu amigo demorou a proferir.
- Invadir Dwacatra? - Exclamou o abismado Henry, virando-se ao terminar de deixar o indigente lá. Estava pasmo com aquela afirmação tão fria. Estavam falando de Dwacatra, ninguém nunca saiu de lá! Não podiam invadi-la!
- Que foi caro Henry? - Disse Avalanche se virando pela primeira vez e encarando o amigo nos olhos. Henry viu gelo no olhar de seu grande companheiro. Assustou-se com a expressão calma dele e chocou-se ainda mais quando percebeu que já não o reconhecia mais. Companheiro de longa data, se conheciam desde antes o incidente em Darashia. Depois de tantos anos, não conseguia crer que aquele era o garoto com quem brincava - Não era você o otimista?
O cavaleiro caiu sentado. Baixou a cabeça e lembrou-se da dura vida que levara nas ruas de Carlin. Um mendigo aos olhos dos demais. Um patético aos seus próprios olhos. Não tivera família, era um bastardo. A rua o criara e por isso nunca teve oportunidades. Como nunca lutou por nada, acreditava que eram nossas escolhas e pensamentos que mudavam as situações. Mas era conversa fiada.
- Não, e sabe disso.
O druida deu alguns passos e se aproximou de Henry, sentando-se ao seu lado e o olhando com o olhar mais puro que manifestara desde que chegaram em Kazordoon.
- Crescemos aqui - Disse, apoiando o braço no ombro do colega - Não é irônico voltarmos salvar uma amiga?
- Não - Henry fez menção de falar algo mais, mas Ava o calou.
- Não cite o nome dele.
- Mas é teu pai!
- Não é nem nunca foi! - Ava explodiu em fúria, gritando a frase. Virou-se vermelho com os olhos em chamas e os pensamentos repletos de memórias desgraçadas daquele homem, ora seu ídolo, ora seu traidor. Lembrou-se de todo um passado mas fez questão de se esquecer rápido - Ele me abandonou.
O silêncio permaneceu. Henry se ergueu lentamente e olhou o amigo com um olhar de súplica, de lamentação. Ava pareceu entender pois parou de bufar.
- Vou pegar o corpo e vamos embora - Disse Henry.
- Pra que?
- Você não está em seu juízo perfeito meu bom Ava. Sei que quando voltar ao normal não vai se perdoar por ter me dito pra abandonar o corpo aqui - E dizendo isso Henry se voltou para o nicho, mas surpreendeu-se ao ver que o corpo já não estava mais lá.
***
Estava sentado no parque, como fora combinado. Era tarde, o sol estava indo dormir entre as montanhas distantes a nordeste dali. O banco de madeira onde estava era desconfortável, nem mesmo um mendigo teria coragem de dormir ali. Estava meio quebrado, com ripas partidas e atravessadas. Tibianus nada fazia a respeito, mas ninguém se importava. Só velhos iam ao parque.
Na verdade, velhos e ele. Afinal estava sentado ali, perante a bela fonte de pedra que jorrava tanta água quando suas lágrimas. Ou seja, nada. A tal fonte circular jazia meio cheia sobre uns tufos de grama mal aparados e detonados, que mal e porcamente se discerniam das duas trilhas de areia branca - que agora já era terra - que marcava o passeto, como eles chamavam o lugar. Havia uma grandiosa árvore torta com poucas folhas em sua diagonal, ao lado a entrada para a subterrânea sala de jogos, freqüentada por prostitutas e bandidos.
Ao seu lado, do outro lado da rua fria marcada pelo sangue de um pobre coitado estava o tumultuado bar de Frodo. Palco de discussões, revoluções, sexo e mortes, era um lugar absurdamente liberal: até mesmo a TBI estava de olho em quem freqüentava o estabelecimento tarde da noite. Frodo dizia que só vendi cerveja e alguma comida - a preços exorbitantes, diga-se de passagem - mas na verdade sabíamos que ele devia fazer algo mais. Talvez provocar brigas ou contratar umas vadias, quem poderia saber... Nunca entrara lá.
Esta era sua regra, só entrar em lugares que podia roubar. Afinal, a vida era feito disso. Crimes. Mas estava quebrando suas regras permanecendo no pior lugar da cidade para se cometer um crime. O parque. Quem por ali passava fingia que o lugar nem existia, só virava a cara para a grande beleza da cidade. Talvez por isso Khas marcara com ele ali.
Mas onde estava o grande general? Nem Banor, o grande filho dos deuses deveria saber. Só havia uma velhinha raquítica com seu xale sentada em frente a fonte, sobre a terra. Molhava as mãos e recitava alguma coisa, como se estivesse fazendo um vodu ou quem sabe tentando afogar a mão. Havia ainda algumas crianças burras correndo em círculos no meio da rua, rindo e brincando. Vermes patéticos, se pudesse matava aqueles lindo pedaços de gente.
Levantou-se, decidido a voltar para a baixa Thais. Não podia ficar esperando ali. Cada vez mais acreditava ter caído em uma armadilha. E foi assim que se desesperou. Viu alguns guardas rondando as tavernas e casas próximas, as armas em punho. Pessoas desconfiadas se abrigavam com olhares curiosos no depósito que ficava ali perto. O templo fechava as portas e o monge Quentin se escondia em seu refúgio sagrado. Um desespero bateu seu coração, e ele andou para trás, esquecendo do banco e tropeçando nele, caindo de costas no chão. Surpreendeu-se ao ver a velhinha estender a mão para ajuda-lo a erguer-se.
- Obrigado.. - Disse ainda meio dolorido. Ao olhar para a face dela, quase cai novamente. Levara um susto tremendo. Era Khas.
- Não vou lamentar a demora, pois foi você que chegou mais cedo. - Ele disse, piscando.
***
Subiram as escadas e correram pelos lados dali em disparada. Ava andava em círculos ao redor de uma outra escada no andar superior. Olhava cada canto do andar procurando o homem misterioso. Não podia estar longe dali, era impossível! Olhou para Henry, que corria pelos corredores olhando para o chão, em uma rara demonstração de inteligência que este jamais mostrara ter. Estava vasculhando em busca de sangue. Era óbvio!
Ava o alcançou, ofegante, Seu preparo físico o torturava cada vez mais naquele dia. Respirou fundo e se recompôs, parando ereto e encarando o amigo profundamente. Henry parou de procurar e o olhou em resposta, sem o encarar.
- Não há sangue pelo andar - Disse o cavaleiro, a voz aparentemente firme, mas na verdade temerosa da reação que o druida poderia ter ao ouvir aquilo. Ele não esboçou reação. Ponderou e deu as costas, olhando para o poço da escada, não vendo sangue pelos degraus - Duvido que o ferimento estivesse cicatrizado - Gritou do outro lado da sala. Ava ponderou mais e voltou para perto do amigo.
- Óbvio que não cicatrizou - fez uma longa e dolorosa pausa, pensativo. O velho Ava estaria voltando? Não, Henry tinha certeza que não - Deve ter nos enganado.
- Enganado? - Estava prestes a berrar. Avalanche devia ter pirado se achava que alguém naquelas condições fora esperto e rápido o suficiente para bolar um plano de fuga - O cara estava praticamente morto Ava! Nunca teria condições de fugir!
- Então estamos agindo como retardados! - Berrou em resposta o druida, perdendo a decência e o alto padrão de respeito que usualmente mantinha - Pode ter sido seqüestrado!
- Pra que alguém ia querer um cara com o pé na cova? - Berrou Henry ironizando aquele argumento insensato e totalmente atípico de Ava.
- Pra que nós o queremos?
- Me responda você - Touché.
Se mantiveram em silêncio por um tempo. Ava deu as costas e voltou ao fosso, disposto a encontrar marcas de sangue. Não podia se dar ao luxo de perder o homem, não sabia exatamente porque. Seu humanitarismo fora embora com Chronus, então só podia querer acha-lo por respostas. Afinal, indiretamente fora o homem que prendera Chronus. Se jamais o tivessem encontrado talvez os guardas nunca a achassem e os três sairiam felizes dali. Era isso, queria vingança.
- Precisamos examinar os olhos - Gritou Henry do andar de cima. Ava surgiu no fosso, extremamente irritado pelo cavaleiro ter quebrado sua concentração. Olhou para ele com desdém, esperando que o que ele tinha a dizer fosse grandioso - Ou precisamos de mais criatividade.
- Por que diz isso?
Henry estava ao lado da escada que levava ao primeiro andar abaixo do solo. Era igual a todas as outras, de mármore. A não ser... A não ser por algumas gotas de sangue bem recente escorrendo pelos degraus. Saiu de sobressalto do fosso e passou o dedo no sangue, comprovando ser o que era.
- Nosso amigo nos tapeou - Completou Henry, com o peito estufado, como se tivesse recebido um elogio. Pareceu até esperar por ele, mas murchou quando este não veio.
Avalanche desmoronou em segundos, quando murchou por inteiro e caiu de joelhos.
- Perdemos ele.
Henry estranhou, erguendo as sobrancelhas. Como assim o perderam? Sabiam que estava no andar acima, não havia erro! Deviam se apressar e subir para pega-lo antes que chegasse aos...
- Vagões - Disse Henry levando a mão à testa quando a ficha caiu. Estiveram com o rato nas mãos mas deixaram que ele caísse bem em cima de um vagão que levava para a saída dali - Ele não deve ter dinheiro para comprar um bilhete e ir pra lá e...
- QUE SE DANE, ELE VAI FUGIR! - Ava ficou em pé magicamente - Eu vou ir ao depósito, é lá que estão os carrinhos. Você volte e vá para a entrada da cidade, naquela ponte grande sobre a lava abaixo do Colosso.
Dizendo isso, pulou pelos degraus e desapareceu na escuridão das tochas apagadas no andar de cima. Henry bufou e desceu as escadas ao lado. Decididamente não gostava nem um pouco daquele novo Ava.
***
- Não podemos nos demorar, quero deixar isso claro - Disse Khas sem disfarçar a voz, podendo por tudo a perder se alguém chegasse perto demais - Sente-se meu filho, vou ver se não se feriu - Dessa vez forçou a voz, não deixando-a nada feminina, mas sim mais velha, esganiçada. Não era um ás no disfarce, mas estava provando boa vontade. Obedeceu e sentou-se, mancando no trajeto. Khas - ou melhor, a velhinha - se sentou ao seu lado, analisando a canela do homem atentamente.
- O rei não deve saber disso. Bloodblade não deve saber disso. Sua mãe não deve saber disso. E você deve fingir não saber disso - Falou sem erguer os olhos, pouco se importando se ele estava ouvindo ou não. Avisado estava - Entendeu McFist?
- Sim - Sussurrou. Um deles deveria ter alguma discrição - Que quer?
Khas parou o que estava fazendo e ergueu a cabeça, fuzilando McFist com os olhos. Apertou a canela dele com força, quase fazendo-o gritar. Soltou-o e sentou-se direito, olhando a fonte.
- Não fale assim comigo, sou superior a você - Ele disse com o queixo erguido e o peito estufado, exibindo os seios falsos que caiam pela barriga. O disfarce estava péssimo - Diga “que querer vossa excelência general Khas”. Entendeu?
Era humilhante demais pra ele. Mas era um ladrão falando contra um homem poderoso e cheio de honrarias. Não tinha escolha, precisava obedecer. Além do que, estava sendo muito bem pago: havia cerca de trinta mil moedas de ouro no saco entregue a ele por Khas. O serviço devia ser grande. Concordou com a cabeça e repetiu a frase ensaiada do general, quase vomitando em sua face. Khas sorriu com superioridade.
- Soube que conhece Kazordoon - Disse. McFist fez menção de falar alguma coisa mas Khas o calor com seu furioso e impiedoso olhar - Não me interessa se sim ou não. Mandei o espionar, sei que tem alguma habilidade com invasões e fugas. Preciso disso.
O olhar e as rápidas palavras de Khas eram impactante para ele, e, ao mesmo tempo, o colocavam em uma posição complicada.
- E pra que precisa? - Disse, levando à face um ar de desentendimento totalmente falso, mas na tentativa de fazer Khas perder mais tempo falando do maravilhoso plano que devia ter em mente. Sabia que pessoas como ele adoravam aquilo, então era um modo de ganhar pontos e, consequentemente, mais dinheiro.
Khas riu.
- Pra invadir o Colosso de Kazordoon.
McFist não se surpreendeu. Ou pelo menos fingiu não se surpreender, pois internamente explodia com a idéia de invadir aquele lugar. A única forma de faze-lo seria entrar por aqueles que eram os olhos de Durin, que ficavam a uns cinqüenta metros do solo. Seria burrice tentar subir lá. Mas por dinheiro valia a pena arriscar a vida, e então engoliu a exclamação acompanhada de protesto que faria.
- E pra que? - Disse com dificuldade. Sua resposta a simples frase cortante de Khas ainda estava entalada na garganta e teve a péssima impressão de que não ganhara pontos.
- Me diga, já ouviu falar em Petra? - O tom de voz de Khas parecia caçoar dele. Mas ignorou e ouviu atento - e boquiaberto - aquilo que o general dizia sobre lendas e passados. Se perguntava onde ele entrava nisso tudo.
***
Ava chegara ao depósito. Lugar para distração, comércio e segurança. Um complexo sistema de engrenagens e trilhos subterrâneos levava cofres de aço pesadíssimos a certas aberturas em mesas separadas por paredes. Os cofres eram levados por combinações que destravavam botões e alavancas que por sua vez moviam as pistas e correntes que levavam eles até quem queria guardar algo. Cada pessoa podia comprar um cofre e receber sua chave. Aquele sistema era tão complexo que a segurança estava garantida: bastava ter a chave e saber sua senha para ter acesso a seu cofre. Sistema daqueles não se via no mundo todo, razão pela qual aquele era o único depósito livre para viajantes de todo o Tibia.
Ao lado do balcão onde se compravam pacotes e cartas - e onde havia uma caixa de correio azul toda amassada - estavam os causadores de tudo: quatro vagões perfeitamente alinhados paralelamente, apontados para a parede. Eram feitos de ferro, pequenos, lembravam bacias maiores. Tinham pequenas rodinhas presas aos trilhos e estavam perante uma longa queda pelas trilhas internas da montanha. Ligavam pontos importantes da cidade e foram feitos para facilitar os transportes. Por duzentas e cinqüenta moedas de ouro - um roubo! - se podia comprar um bilhete para viajar por eles. Um guarda especial fiscalizava a autenticidade deles e quando você entrava no vagão de seu destino, ele simplesmente puxava uma alavanca, fazendo você ir até onde queria.
O sistema era muito complexo, assim como o dos depósitos. Havia pelo menos dezesseis daqueles espalhados pela cidade, interligados pelas rotas cruzadas de trilhos confusos. Era muito fácil burlar o sistema, bastava saltar do carrinho pelo meio da montanha, o que os tornava muito populares para fuga. O Imperador Kruzak de Kazordoon nada fazia a respeito das fugas. Dizia que os ferimentos adquiridos na fuga dos vagões já eram punições. Velho cretino, não sabia como aquele povo o aturava. Dirigiu-se ao guarda dos vagões. Seria rápido. Não havia sangue por ali, mas notou que não havia um vagão no terceiro trilho. Leu em uma placa sobre o túnel as palavras “Para a entrada da cidade”, e teve certeza que o vagão que devia estar ali naquele momento estava indo para longe. Se não já não havia chegado a seu destino. Seu único consolo era saber que o homem não poderia saltar do vagão. Ou poderia se complicar mais ainda com os ferimentos.
- Com licença - Disse cordialmente ao guarda. Ele nem olhou, permaneceu encarando os vagões - Por acaso um homem alto, vestido de preto, mancando e aparentemente ferido pegou aquele vagão a pouco? - Apontou para o terceiro trilho. Podia estar se expondo visto que provavelmente era perseguido pelo assassinato daqueles guardas, mas contava com a idéia de que ninguém deveria saber daquilo ainda. Mas ai lembrou de Isimov e engoliu em seco. O guarda o analisou por breves instantes e ele teve a sensação que pusera tudo a perder. Decorreram segundos e o guarda balançou a cabeça. Maldição!
Saiu correndo para o outro lado do vagão, onde havia uma escada conectada com o banco. Poderia ir por outro vagão e pular fora quando chegasse perto da saída, ou até descer correndo os trilhos. Mas sabia que poderia dar errado, e não tinha tempo para perder. Ia ir atrás de Henry. Não se daria ao luxo de falhar naquele instante. Desceu as escadas desembestado e rumou para o sul, por onde passaria pelo banco. Os corredores eram estreitos e escuros, sinistros. Dava medo andar por ali, pois não sabia de onde sairia uma ameaça. Mas medo era algo que não podia existir. Passou correndo pelo banco, mas parou abruptamente ao olhar para o balcão.
Um homem com uma longa capa negra estava em pé sobre ele, uma faca em mãos. Tinha baixa estatura pelo que a fraca luz do ambiente lhe permitia ver. Do outro lado do balcão... Um corpo?! Banor! Era o corpo de Tezila, dona do banco. Mulher fofoqueira, enxerida. O assassino virou-se em sua direção, encarando-o pelo capuz. Decididamente aquele dia estava mais estranho do que podia.
***
Longe dali, na entrada da cidade, ao lado de uma magnífica torre de pedra situada em uma ilha de mármore em meio a lava borbulhante, Henry esperava pacientemente o vagão do terceiro trilho. Se estivesse certo, dele sairia o homem que procuravam. Estranhamente vivo. Quem diria que aquele ser praticamente morto que encontraram na árvore anã estava bem vivo por ai, correndo e entrando em vagões para fugir. E se fugia, como ele muito bem sabia, devia ser culpado de algo. Pois é, a vítima virara foragido. Era engraçado até certo ponto. Dois foragidos atrás de outro.
O tempo passava e nada chegava. Andava em círculos, perdendo a paciência que aprendera a ter mas já estava esquecendo. Precisava pegar aquele homem logo. Seria sua passagem de entrada para Dwacatra acha-lo! Mas não como preso. Se Ava havia pensado nisso ou não, não sabia nem queria saber. O fato é que se ele tivesse feito o que não devia teria um lugar garantido na prisão dos anões. E como era lá que estava Chronus...
Era uma idéia louca, mas por Chronus era capaz de tudo. Sentia que Ava também, mas não se preocuparia com aquilo. Por enquanto. A vida toda perdera o que mais queria para ele, e não podia ser sua sina. Não iria perder a mulher que amava para aquele que tivera como irmão.
Um estridente som metálico veio do túnel cavado nas paredes daquele lugar. Virou-se e viu um vagão chegando em alta velocidade. Abruptamente parou, pouco antes de se projetar para fora do seu esconderijo. Sabia que o fugitivo devia ter puxado a alavanca interna de freio. Ele desceria a qualquer momento. Ouviu uma voz.
- Me pegaram - Disse, roucamente. Saiu um homem do túnel. Não era qualquer homem, era o homem deles. Mancava, com a mão no ferimento. Apoiou-se em um cavalete no fim dos trilhos. Ofegava - Um homem ferido não pode ir muito longe...
Henry estranhava o homem. Porque alguém que tentara fugir implacavelmente se entregava daquele jeito?
- McFist - Disse, estendendo a mão. Henry não a apertou, apenas olhava torto, sem entender nada. McFist sorriu - Um bom bandido sempre precisa de sua quadrilha, onde está seu amigo?
Henry o agarrou pelo pescoço, fazendo-o ofegar ainda mais.
- Não interessa - Disse, duramente - Agora Sr. McFist, vai me dizer por que estava no Colosso - Ele balançou a cabeça como se negasse - Não negue. Se falar o porquê, vai pra Dwacatra e me será útil - Henry olhou para a ponte de madeira que ligava os vagões à ilha de mármore - Já se não falar... Você queima.
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Nota: O capítulo pode parecer muito confuso. Mas só digo uma coisa: o título é a chave pra entender o capítulo.
PS: Cliquem nos dragões da sign e nesse: http://dragcave.net/image/aH2K.gif
Manteiga.
Muito boa a história, você poderia entrar mais em detalhes, assim a história iria ficar mais legal. ;)
MEU DEUS, OLHA A SIGN DESSE CARA, SENHOR JESUS!
@Topic
Eu estou lendo aos poucos os capítulos e tá me surpreendendo. Vou voltar a acompanhar desde que você acompanhe também Por trás das Linhas Inimigas. Você tá me devendo também, pelO Incubo que você não acompanhou. :(
Tá muito bom, até agora. Qualquer coisa, eu refaço um post.
Abraços.
JESUS MARIA JOSÉ O TAMANHO DA SIGN DO LOUCO O.O
@CRonaldo
Ty por voltar a acompanhar e por estar gostando :D Eu não to tendo muito tempo pra ler nada ultimamente, mas prometo que vou passar no seu rp o mais rápido possível. E pode me cobrar.
@Rukex
A idéia é manter sigilo. Suspense ajuda.
@All
Cliquem nos ovinhos e nos dragões 8D [+ vou propagar a modinha]
http://dragcave.net/image/aH2K.gif
Manteiga.
goostei da história, porém ela deixa a deseijar, você precisa ser mais detalhaaado! assim agente não consegue imaginar direito a história e você acaba se prejudicando por isso.. :o beeeijo
MAIS DETALHADO?! LOL?
A história tá muito bem detalhada, não deixa nada a desejar.
Acho que você só disse isso pra ter algo pra falar...
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Mais dois capítulos ótimos. Esse XII foi grande mesmo hein? ^^
O que eu entendi do título foi que os cortes não acontecem ao mesmo tempo (isso é óbvio, afinal no início o cara tá tentando invadir o colosso, e agora ele se apresenta como McFist e tal) e que a memória do pai do Ava é para este uma coisa horrível...
To bem curioso pra saber qual será a utilidade do McFist, pra saber porque o Khas quer invadir o Colosso e o que diabos é Petra. Mas não se apresse em revelar os segredos, já que a melhor parte da história é exatamente o mistério! ^^
<Esperando o próximo capítulo>
huuum.. adoreeei a parte da batalhaa, arrazou :P beeijo
Thanks aos comentários, mas vamos não deixar o tópico morrer e propagar o capítulo 12? u-u
Manteiga.
Fiz um baita post mas o TBR deu bug e eu perdi tudo.
Vou ter que resumir muito, sorry.
Dwacatra foi um capítulo legal, e você se focou bastante nos sentimentos da personagem. Mas senti um pouco de falta de descrições. Btw, foi um dos melhores capítulos já escritos por ti no OdC.
O capítulo XI que não me lembro o nome agora foi muito bom, e aconteceu o contrário do X: Você trabalhou pouco o emocional e bastante as descrições. É legal ver essa sua mudança de estilo de narrativa e como você vai evoluindo.
O enredo está foda.
Ah, peço desculpas pelo atraso. Você nem sentiria nada quanto ao meu atraso já que meu comentário anterior era super-foda, mas como o TBR bugou fica assim ruinzinho 8D
O 8D não tem graça no fórum :(
Btw vou responder fingindo que não o forcei a postar via MSN ok? =d
Bom, sobre dwacatra, não há muito o que descrever sobra o lugar. Imagine uma ilha de pedras e terra em uma gruta subterrânea e ao invés de mar há lava ao redor da ilha. Basicamente é isso. Mas em vou destacar mais umas descrições futuramente. Don't Worry.
Bom sobre o XI, ele é um daqueles capítulos de assassinatos em que o objetivo é deixar o maior suspense e mistério no ar. Acho que ele cumpre bem essa função non? 8D
Btw, fico feliz que esteja gostando da trama. Se eu calculei bem, ela fica ainda mais fodasticamente viciante e torturadora futuramente. Mas posso estar equivocado, claro. Só pesso que não criem muitas expectativas sobre OdC, pode parecer uma mega trama complexa, mas é só uma super trama complexa.
Bom, eu até hoje espero o cap V de GRIM... Se algum dia ele sair eu vou estar lá =d Enfim, o XIII sai Domingo. Quem ainda não leu o XII sinta-se pressionado 8D
Manteiga.
Titio manteiga não conseguiu comprar alguma coisa cara e se revoltou com os ricos nesse capítulo :D
Vou ser bem sincero: Você pecou ao fazer um capítulo de dez páginas ao meu ver. Ficaria muito mais fácil fazer dois de cinco - ou um de dez com duas partes separadas. É mais fácil pra se achar.
Sobre o capítulo... Não gostei tanto dele por causa da saga Ava. Sei lá, não estou achando tão legal. Agora, as partes do Khas estão bem legais.
Na parte que você diz que o disfarce - por parte da imagem em si - estava ruim (o da velha) você contradiz porque ele acreditava que fosse uma velha. Tanto é que pelo que e me lembro ele queria matá-la. Ah, você poderia acrescentar algo como ''nem olhou para ela direito'' ou algo assim para que ficasse mais convincente essa cena. Mas o final... WOW, se eu entendi bem ficou muito bom.
Só algumas coisinhas de gramática que quero comentar:
Depois de escrever uma coisa e colocar um vocativo/sujeito, vai uma vírgula.
EX: Gostaria de acrescentar isso, meu bom senhor.
Você usou algo assim, só que sem a vírgula. Sem a vírgula fica feio e provavelmente errado.
Bom, é isso.
Eu não induzi o Elementals a postar aqui. Fake.
Ok, pro tio: A "saga Ava" é a parte principal da história. Ava é o protagonista u-u E Khas é um pseudo-antagonista ô.- Simpatia pelo mal? Bom eu não posso dizer que vou tornar o Ava mais simpático ou as cenas melhores, mas o que eu posso dizer é que ele ainda vai protagonizar muitas coisas legais na história. E a visão dele como "foda" que com certeza muita gente tem, é só uma visão. Explico melhor futuramente.
O número do azar vem aí. E bom, pode parecer "desnexado" o capítulo, mas é um capítulo se maior importância que desencadeará efeitos futuros determinantes.
Capítulo XIII
Eufemismos
Baxter entrou sem muita cerimônia no suntuoso quarto do rei Tibianus III. Era grotescamente enorme, com um longo tapete felpudo vermelho bordado de dourado cobrindo o chão de mármore negro, que se deixava aparecer nos cantos e na porta de madeira escura. Havia criados-mudos e um mar de mesas com candelabros, documentos, cartas e um único elmo dourado com uma plumagem vermelha como o tapete brotando de seu topo.
Ao lado da única cama, postada ao lado da porta, jazia uma estante bem polida com três prateleiras para livros. Estavam vazias. Não havia mais livros. Não havia mais razão para ler. O único que tocava neles estava deitado na cama, com a expressão de derrota cravada na face. O cobertor verde com um enorme “T” dourado cobria-lhe o corpo. Os longos barba e cabelo brancos como a pele daquele homem estavam desgrenhados, mal posicionados. Os olhos azuis apertados se escondiam nas rugas da face. Face de um velho que babava e tentava falar algo.
- Baxter... - Disse com suas forças ao máximo, na tentativa de falar alto. Mas o que saiu foi um murmúrio - Venha cá...
O homem se sentiu honrado em estar na presença do rei, mesmo naqueles momentos de doença. Não se sabia o que havia com ele, apenas que era grave. Espirrava, tossia, gemia, se contorcia... Era terrível ver. Muitos já perderam as esperanças, já se perguntava quem seria o novo rei. Mas Baxter sabia que ele sobreviveria, era um exemplo de força de vontade. Comandara Thais nos piores momentos e sempre se saíra bem, era um vencedor. Só lamentava dele ter adoecido ali, justo quando os orcs resolveram atacar! Se tinha alguma relação com aquilo, não sabia... Mas que era lamentável era. E perigoso para ele, por isso precisavam impedir que as torres chegassem à cidade... Mas será que era preciso confiar no traidor que Khas arrumara para aquilo?
- Meu filho? - Disse a voz fraca e distante de Tibianus, penetrando em sua mente e fazendo-o voltar a realidade. Sentiu-se pior ao ouvir aquelas palavras. Apenas velhos fracos e deprimidos viviam arrumando filhos por ali. Suspirou e se virou, caminhando para perto da cama, tentando esquecer o que Khas lhe dissera há pouco.
- Sim vossa alteza? - Disse em alto e bom som, a voz firme e os olhos penetrantes encarando-o com confiança. Era imensamente importante transmitir-lhe fé naquele momento. Tibianus forçou um sorriso com alguma dificuldade e fez um gesto para que senta-se. Buscou uma bela cadeira estofada vermelha, dava dó só em sentar nela. Se postou ao seu lado e ouviu.
- Os orcs... - Tossiu - ... Eles estão... - Tossiu de novo, dessa vez sacudindo-se todo. Quem contara sobre aquilo para ele? Não precisava que seu rei finalizasse a frase para ele saber o que diria. Khas! Devia ter sido Khas, só para depois destruir as torres e esconder tudo do rei, só para ganhar honrarias e dinheiro. Era típico dele, só podia ser ele! Haviam feito um pacto, todos os guardas, ninguém iria contar para ele sobre a guerra. A única pessoa com livre circulação no castelo naqueles dias eram os druidas - os melhores de Thais - que também foram obrigados a manter segredo e o palhaço real. Mas Bozo vivia infeliz naqueles dias, escondido em algum canto do suntuoso castelo. Não devia ter contado, aliás não devia nem saber daquilo. Suspirou.
- Sim, meu rei - Baixou a cabeça, temendo a reação dele em saber que sua filha mais bela estava em perigo justo quando a doença o atacara.
- Por que ninguém me contou a respeito? - Disse, a voz mais firme e decidia e o olhar espantado perdido na janela que dava para o corredor. Engolia em seco o tempo todo, tentava tirar a idéia da cabeça mas era difícil. Terminou por olhar nos olhos de Baxter, querendo a verdade.
- Eu... - As palavras prenderam-se em sua garganta. Não conseguia pensar no que dizer e muito menos dizer aquilo que queria. Embalava as mãos no ar tentando encontrar uma saída, olhava desesperado para o rei e se movia inquieto. Perdera as palavras.
- Ouvi-o grit... - Tossiu mais alto, como se seu coração fosse saltar pela boca - ... Tar da rua...
Claro. Por um momento esquecera-se que era o réles guarda da ponte de acesso ao castelo. E que fora lá que berrara para a cidade inteira ouvir que procurava voluntários para a tal guerra. Era um retardado mesmo, como fora tão imbecil? Achara que mesmo naquele estado ele não ouviria, ou até quem sabe não entenderia?
- Me perdoe por manter o segredo - Decidiu por falar, cabisbaixo, refletindo sobre seus dois erros. Omitir aquilo dele e gritar aquilo para a cidade toda. Erros paradoxais que o comprometeriam. Mas agora entendia o porquê de ser chamado ali. O rei iria lhe falar palavras duras. Sabia disso.
- Não vou lhe culpar por tent.. - Tossira muito alto e muito forte, parecendo que explodiria. Parou de falar e deu uma respirada funda, terminando a frase rapidamente, parecendo que ia morrer em seguida. Que Banor não o fizesse! - ... Por tentar me poupar.
Baxter, surpreso, voltou a olhar seu digníssimo superior.
- Mas por favor - Era fantasioso imaginar que o rei lhe pedia um favor - Não me poupe do que diz respeito a minha cidade - Incrivelmente aquelas últimas palavras foram duras e confiantes, transmitindo exatamente o que tinham de transmitir - Agora vá. Preciso descansar e você... - Tossiu mais baixo - ... Arrumar mais gente para a guerra.
Saiu sem cerimônias, como entrara. Deixou o rei dormir e saiu a passos largos pelos corredores, decidido a falar com Khas. Não queria nem pensar o que ia acontecer com Tibianus se descobrisse das máquinas de guerra.
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Manteiga.
Cara, vou falar sério... você foi realmente muito criativo e intencionalmente claro no que você gostaria de proporcionar aos membros do TibiaBR Forums. Mas eu não me interessei muito na história, li a introdução e não achei meu futuro em relação a lê-la. Mas valeu ai! Tem quem goste, tem quem não goste e tem os neutros como eu =)
Valeu ai por postar! Mas eu li a introdução e num me interessei mas valeu ai!