Capítulo 8 - Ladroagem honesta
Janor Benson - Venore
Jan observava de cima a rua venoriana, relativamente deserta. Ele estava acocorado no telhado de um grande mercado de artigos mágicos, longe da vista dos transeuntes, que de qualquer forma estavam absortos em seus afazeres e raramente olhavam para cima. Havia muito o que se ver e fazer em Venore para que as pessoas perdessem tempo olhando para o céu.
O jovem vestia uma capa negra que ocultava todos os contornos de seu corpo e o fazia misturar-se ainda mais com as trevas celestes que já haviam ocupado inteiramente o céu sobre a cidade do pântano. Parecia uma gárgula esculpida numa torreta de castelo, a observar, taciturna, as pessoas que iam e vinham. A expressão no rosto de Jan também não era das melhores, e a careta que fazia, retorcendo seu rosto thaiano jovem, realmente o fazia parecer um grotesco. De seu pescoço, pendia uma máscara de feições humanas distorcidas, pintada de branco e vermelho.
– Falta muito ainda? – Perguntou ele para a moça que se agachava de maneira semelhante ao seu lado.
– Você perguntou isso faz cinco minutos – respondeu ela, com uma voz impaciente. Não era a voz de Lenore, e nem era ela que estava ali. Jan fazia dupla com a mulher dos libertadores que havia sido, por falta de uma palavra melhor, convocada por Lenore na praça. Lenore estava em outro telhado, fazendo dupla com o outro cara, que era como Jan referiu-se ao sujeito que também havia sido chamado.
– Eu não gosto de ficar parado – resmungou o rapaz.
– Isso é visível, novato – falou a moça. As capas que ambos usavam possuíam capuzes. Jan não utilizava o seu, portanto seus cabelos negros e seu rosto estavam expostos ao vento. Sua companheira, por outro lado, não podia se dar a esse luxo, pois possuía cabelos na altura do ombro de um vermelho-alaranjado intenso e vibrante, que com certeza atrairia olhares caso ela resolvesse expô-los. Portanto, ela ocultava todo o cabelo e grande parte do rosto, enquanto encarava Jan. Jan havia reparado anteriormente que ela tinha sardas de um tom de marrom mais escuro que o da pele, e seus olhos eram verdes como jade. Em algum lugar do subconsciente de Jan, haviam se alojado a observação de que ela era bastante bonita, e também a curiosidade sobre sua origem - não parecia ser thaiana. Mas naquele instante, sua mente se ocupava de outras coisas. – Você se mexe como uma barata tonta – completou a jovem. Seu nome - pelo menos, o nome que lhe dera - era Annika, e do pescoço dela pendia uma máscara bem semelhante à de Jan.
– Me desculpe se meu trabalho normalmente não envolve ficar esperando as aranhas tecerem teias na minha cara – retrucou Jan. – Geralmente, eu vou atrás dos alvos, e não espero eles virem até mim.
Annika revirou os olhos. Jan se lembrava do nome dela de quando se apresentara anteriormente na praça, mas não do de seu companheiro, que agora estava com Lenore.
– Você sabe porque estamos aqui; Lenore deve ter te explicado mil vezes. E quer por favor colocar esse capuz? – esbravejou Annika.
– Cuide da sua vida – disse Jan, voltando o olhar para seu alvo.
O telhado sobre o qual eles estavam lhes proporcionava uma ampla visão da fachada da
Vista-se para o Sucesso, onde trabalhava Aldo, o sapateiro e tecelão que iriam ajudar. Lenore e o outro sujeito estavam em um telhado diferente, mas que também os agraciava com uma visão favorável do mesmo alvo.
Para Jan, parecia que já fazia horas que estavam ali, trepados precariamente sobre aquelas telhas de cerâmica, olhando fixamente para a entrada da loja, à espera. Os minutos pareciam se arrastar, pois além de o rapaz realmente não gostar de ficar tanto tempo parado no mesmo lugar, não parava de pensar em Lenore. Sentia como se ela lhe tivesse pregado uma espécie de peça. Ele não estava esperando que fosse haver mais alguém com eles, quanto mais que ela fosse se juntar com outro. Lenore lhe explicara o porquê daquilo: tanto Jan quanto ela sentiam-se mais confortáveis combatendo a distâncias médias - ela com sua varinha de feiticeira, ele com seu arco. Seus dois novos aliados, no entanto, eram combatentes de corpo-a-corpo. Annika portava uma elegante rapieira na mão esquerda, e um pequeno escudo redondo de madeira envolto em couro na direita - um broquel. Segundo Lenore, os libertadores geralmente operavam em duplas complementares, de modo que seria melhor se ele ficasse com Annika.
– Mas eu posso te defender! – Ele havia protestado, com um rubor no rosto, quando ela lhe informara a respeito disso.
– Fofo, eu sei que pode. Mas é assim que agimos, e é melhor se acostumar – Lenore dissera entre risinhos, enquanto Annika revirava os olhos, e o outro libertador sorria um sorriso com um leve toque de troça.
Portanto, os pensamentos de Jan não eram dos melhores enquanto esperavam no telhado, o que fazia o tempo passar ainda mais devagar. Porém, só devia fazer uns quinze minutos que estavam ali. As oito horas se aproximavam.
Todas as sextas-feiras, às oito em ponto, informaram-no os libertadores, funcionários de Alaric Savoy, que era nominalmente o nobre lorde regente de Venore apontado diretamente pelo rei Tibianus III, vinham bater à porta daquela loja, exigindo sua parte nos lucros da semana. A tradição era os comerciantes de Venore pagarem altos impostos para a coroa, em troca de serem deixados - relativamente - em paz pelo reino. Nas últimas semanas, porém, um novo decreto do rei havia quase dobrado as taxas que os mercadores e produtores venorianos precisavam pagar para Thais. Além disso, via-se muito mais soldados oficiais do reino circulando pelas ruas elevadas de Venore do que era comum, e mais e mais chegavam todos os dias pela entrada oeste da cidade, provavelmente vindos da capital. Thais buscava lembrar aos venorianos quem é que mandava ali de verdade.
Os cidadãos livres da cidade não gostaram daquilo nem um pouco. Haviam se acostumado com sua existência relativamente afastada dos problemas do velho reino, e no que dependesse deles, Thais e sua laia da nobreza poderiam muito bem dar o fora. Jan gostava daquela perspectiva. Desprezava a nobreza desde que crescera na Baía da Liberdade com os colonos olhando para ele e sua família com seus narizes empinados e contorcidos em expressões de desprazer. Portanto, convencê-lo a se juntar aos libertadores, para fazer o que iriam fazer, não fora tão difícil. Ou vai ver, ele só queria ficar próximo de Lenore.
De repente, Jan observou cinco sujeitos virarem uma esquina e seguirem na direção da loja Vista-se para o Sucesso. Três deles pareciam tipos pomposos, andando com seus narizes empertigados e trajados em roupas finas. Jan reconhecia o andar da nobreza de longe. Eles eram ladeados por dois guarda-costas, cada um vestindo armaduras de placas cujo metal era tingido de vermelho-escuro. Também ostentavam escudos em formato triangular com bordas recortadas e no mesmo tom rubro das armaduras, além de detalhes em amarelo-ouro. A bainha de suas espadas e as capas que esvoaçavam atrás dos soldados, conforme eles avançavam, também tinham coloração semelhante. As cores de Thais.
– São eles ali? – Jan perguntou, tocando o ombro de Annika.
A guerreira libertadora assentiu.
– E o que fazemos? Vamos pra cima? – Exclamou Janor, subitamente ansiando por um pouco de ação e esquecendo seu mal-humor.
– Não. Lenore já não te explicou? A gente não pode abordá-los aqui. Aldo quer levantar o mínimo de suspeitas possível a respeito de seu envolvimento.
Jan assentiu a contragosto, lembrando-se do plano. Iriam permitir que os nobres coletassem a sua parte dos lucros semanais da loja, e então deixá-los prosseguir por um bom número de ruas e um longo tempo, enquanto os seguiam na surdina. Então, os abordariam em algum local relativamente deserto e roubariam todo o ouro coletado. Se tudo desse certo, a coisa toda pareceria um assalto comum.
Jan observou enquanto a patota da nobreza batia na porta da Vista-se para o Sucesso, que naquela hora já encerrava o expediente, e eram recebidos pelo solícito Hugo, dono do estabelecimento, já com uma bolsa de ouro em mãos. Poucos minutos depois, os homens seguiram em frente, sem maiores problemas.
As ruas naquela parte da cidade estavam apinhadas, então Jan e Annika podiam simplesmente segui-los de longe pelas estradas em meio a outras pessoas, misturando-se à multidão. Os soldados não pareciam muito atentos, de qualquer forma.Todos pareciam muito à vontade enquanto andavam por Venore, falando e rindo alto e por vezes batendo em outras portas para coletar mais ouro.
– Eles realmente se sentem em casa, não é? – Disse de repente uma voz feminina familiar por trás de Jan. Ele torceu o pescoço e percebeu que Lenore e seu companheiro haviam se juntado a eles na estrada.
– Se continuarmos fazendo isso, logo irão reforçar a segurança, e não será mais tão simples reaver o dinheiro dos comerciantes – ponderou o companheiro de Lenore, que possuía um rosto anguloso típico de um thaiano, mas com pele escura e cabelos negros cortados bem rente à cabeça.
– Nós apenas temos que fazer a nossa parte, Rikker – disse Annika. – Não se preocupe com o resto.
Lenore assentiu, e perguntou:
– Tudo bem, querido?
Jan respondeu após um instante:
– Nunca estive melhor. Pronto para dar um susto naqueles fanfarrões.
Não só Lenore, como também Annika deram risinhos ante o comentário. O outro sujeito, Rikker, sorriu e acenou de maneira aprovadora com a cabeça.
– Eu acho que você vai se encaixar perfeitamente com os libertadores – disse Lenore, se aproximando e tocando Jan no ombro.
– Vamos ver como o novato se sai na prática, primeiro – falou Rikker.
Passos leves; olhos na presa. Aquela era uma rotina com a qual Jan já estava acostumado, de certa maneira. Era como ele e Bert geralmente operavam nos Corredores Verdes. No entanto, como caçador de recompensas, ele costumava se fazer reconhecer por seus alvos, e iniciava uma perseguição aberta por entre as ruas da cidade, confiando no conhecimento dele e de Bert dos caminhos de Venore, e também em seus fôlegos - quando não, no
utani hur. Eram como lobos, correndo atrás de uma presa que ficava cada vez mais cansada e perturbada enquanto fugia, sabendo-se caçada.
Com o grupo de libertadores, no entanto, precisava ser discreto, e perseguir o alvo à distância, sem ser notado, à maneira dos felinos silenciosos, que viam sem ser vistos e pisavam com passos de plumas. Inicialmente, Jan pensou que não fazia seu estilo agir daquela forma, mas enquanto avançavam, imaginou que poderia se familiarizar. Até que era divertido.
– Ali – sussurrou Lenore subitamente, quando o grupo de nobres enveredou para uma estrada menor, que rumava para a parte mais alta da cidade.
Rikker assentiu.
– Um bom lugar para um assalto descompromissado e de rotina – disse o guerreiro. Jan reparara anteriormente que Rikker portava uma série de adagas compridas ao redor de seu cinto utilitário, além de um espadim do lado direito da cintura. Todas em geral ficavam ocultas pela capa que usava.
– Eu confio que você saiba o que fazer nessas situações, certo, querido? – Perguntou Lenore, olhando para Jan.
O rapaz sorriu. Sua mão já apertava seu arco de cipreste com excitação. Jan avaliou o muro da rua à esquerda. Perfeito para escalar e ter uma boa visão dos alvos à frente.
– Sei – ele respondeu, com um esgar. – Podemos usar força?
Lenore riu.
– Nada letal. Sem perfurar corações, pessoal! Apenas ferimentos fáceis de serem curados por um druida. Coloquem suas máscaras, e vamos.
Jan assentiu, e lançou-se, rápido como um relâmpago, para o muro. Rikker e Annika foram à frente pela rua.
– Quer uma ajuda para subir? – Jan perguntou, já estendendo a mão para auxiliar Lenore a escalar.
– Você realmente é como um gato – ela disse, rindo. – Mas não. Eu vou pela rua, atrás de Annika e Rikker.
Jan assentiu, e seguiu em frente. Ele observou quando Rikker e Annika dobraram a mesma esquina na qual os nobres haviam entrado, segundos antes. A estrada estava deserta. Rikker, então, bradou:
– Alto! Vocês cinco aí. Estão cheios da grana, hein? – O guerreiro fez questão de empunhar sua espada e fazer uma grande cena, como se fosse atacar os cinco sozinho. Annika brandia sua rapieira e tinha o escudo a postos. Ambos estavam irreconhecíveis com suas máscaras, como demônios travessos de faces retorcidas e contrastes grosseiros.
– Você é retardado? – Disse um dos três nobres, um homem jovem de feições finas e cabelos negros.
– É um paspalhão – bradou um outro, mais velho, mas com um rosto similar. Talvez fossem pai e filho. – Cout, Cromwel, vão atrás deles.
Imediatamente, os dois soldados armados começaram a avançar na direção de Annika e Rikker, com suas belas espadas do reino em mãos. Os três nobres começaram a correr na direção oposta.
– Não vão não – bradou Lenore com voz abafada pela máscara, alcançando os colegas. Então, a feiticeira arremessou algo que parecia uma pequena pedra azul, por cima de todos. O objeto caiu na estrada à frente dos nobres e explodiu de maneira bizarra: a explosão não criou fogos ou estilhaços, mas sim, um campo concentrado de raios azuis de energia, que se assemelhavam a relâmpagos. O que era ainda mais estranho, o campo não desapareceu após alguns instantes, mas permaneceu na estrada, bloqueando o caminho dos fujões como uma barreira composta de milhares de pequenos raios concentrados em um só lugar. Jan sabia que feiticeiros podiam fazer coisas do tipo, mas nunca havia visto algo assim ao vivo. Por um segundo olhou embasbacado para a barreira, que lançava uma luminosidade azulada sobre a estrada e os presentes.
Os dois soldados de Thais perderam a compostura e se voltaram para trás por um instante, a fim de ver o que acontecera. Rikker, aproveitando a deixa, sacou uma de suas facas da cintura e lançou-a, com precisão milimétrica, na mão desprotegida de um dos soldados. O guerreiro largou a espada que empunhava, com um grito, erguendo a mão ensanguentada.
– Seu desgraçado! – Gritou ele, enquanto seu companheiro avançava na direção de Rikker. Annika, no entanto, interceptou-o.
– Você é meu – disse ela, com um sorriso. – Rikker, você finaliza o outro.
Ao mesmo tempo, Jan notou que algo acontecia com um dos três nobres que haviam sido parados pela barreira. Era o que não havia falado nada anteriormente. Este tinha cabelos loiros na altura dos ombros, diferente dos outros dois. O que era mais diferente, no entanto, era que ele estava levitando. Flutuava uns bons dois metros acima do chão, mais alto do que a barreira criada por Lenore.
–
Exani hur sio – exclamou o nobre loiro, e subitamente outro de seus companheiros começou a levitar, como se a gravidade tivesse deixado de agir sobre ele.
Jan praguejou e retesou o arco. Uma flecha de ponta de ônix já estava pronta, e apontada para o alvo. Quando a soltou, a seta recortou o ar venoriano com um sibilo e atingiu o pé do nobre loiro. Jan esperava desestabilizá-lo e impedi-lo de tentar fugir com seus companheiros. Foi parcialmente bem-sucedido: o homem gritou, e seu companheiro parou de levitar uns trinta centímetros acima do nível da rua. Nenhum dos dois caiu.
– Lá! – Disse o nobre de meia-idade, que ainda estava no chão, finalmente identificando e apontando para Jan.
–
Utani hur – sussurrou Jan, e sentiu o poder do feitiço deixando-o mais rápido e ágil. Avançou pelo muro até estar mais próximo dos alvos, e antes que qualquer um deles pudesse reagir, já tinha outra flecha pronta. Esta, ao ser liberada, atingiu a perna do nobre feiticeiro. Seu companheiro levitador desabou no chão, e Jan sorriu.
–
Exori flam – bradou o feiticeiro, se recompondo, e Jan percebeu a bola de fogo conjurada por ele vindo na sua direção, como um pequeno sol, bem a tempo. Jan desceu do muro com uma pirueta, e observou o feitiço atingir o ponto onde ele estivera um segundo atrás. A bola de fogo desfez-se em uma pequena explosão. Jan correu para junto de seus companheiros.
–
Exori amp vis – bradou Lenore. Ela empunhava sua varinha de feiticeira: era comprida, delgada e parecia feita de madeira, com detalhes em ouro ao longo de seu comprimento. A ponta terminava em uma meia lua ao redor da qual dançavam pequenos raios azulados, que surgiam e sumiam em um piscar de olhos.
O resultado do feitiço de Lenore foi uma grande descarga de energia elétrica que partiu de sua mão e atingiu em cheio o nobre feiticeiro. Ele enfim caiu no chão, e ficou imóvel.
– Então você gosta de eletricidade – observou Jan, se aproximando.
– Chocante, não? – Lenore respondeu, com um sorriso.
Jan notou que Rikker e Annika haviam também rendido os dois soldados thaianos, que se encontravam sob a ponta de suas lâminas.
O resto da pilhagem ocorreu de maneira relativamente tranquila. Os guerreiros libertadores - e Jan - tomaram o ouro dos nobres, todo o tempo fazendo parecer que eram apenas assaltantes comuns, e que pretendiam gastar tudo em bebidas e quinquilharias. Jan agia de forma quase maníaca, como se tivesse sido ele mesmo eletrificado por Lenore. Sentia uma leveza em seus movimentos e uma energia que não eram mais resultados do
utani hur. Ele raramente se sentia tão vivo quanto naquele momento. Até as caçadas com Bert haviam se tornado rotina. Aquilo era algo diferente; novo. Algo do qual ele precisava.
– E agora? – Ele perguntou, animado, depois que já haviam se afastado, deixando os nobres coletores de impostos na rua e sem dinheiro.
– Agora, cada um irá para seu rumo – disse Annika. – Não é bom que libertadores sejam vistos perambulando juntos. Cumprimos a missão, e damos no pé, até a próxima.
Rikker assentiu.
– E o dinheiro? – Perguntou Jan, levemente desapontado. – E quanto a você? – Ele continuou, olhando para Lenore.
A feiticeira sorriu bondosamente.
– Paciência. Lembre-se de que você ainda não é um membro oficial. Eu sabia que você não seria convencido somente por palavras, por isso o trouxe hoje. Mas é só até aqui que iremos, e é só isso que você saberá, por enquanto.
– Vamos nos separar? – Indagou Jan.
– Eu tenho um compromisso inadiável – disse Lenore. – Semana que vem, haverá uma nova sessão de admissão de novatos. Eu encontro você lá!
Annika e Rikker se despediram, e fizeram exatamente o que Annika dissera: foram cada um para um lado. Quando estavam sozinhos, Lenore se aproximou de Jan, e beijou-o. O gosto de seu beijo nos lábios de Jan era agridoce.
– Adeus, meu bem – disse Lenore, entrelaçando seus dedos com os de Jan. Ele reparou que, ao se soltar, Lenore deixara um pedaço de papel amassado em suas mãos.
– Espere – protestou ele, mas sem muita energia.
Sabia que não adiantava. No final das contas, piscara os olhos e Lenore não estava mais ali. Havia sido exatamente daquela mesma forma todas as outras vezes em que se encontraram.
De repente, Jan viu-se sozinho numa rua escura de Venore, tendo como única companhia o pedaço de papel amassado que Lenore lhe deixara. Apertou-o até que os nós de seus dedos ficassem brancos, olhando para a direção pela qual ela se fora.