Pô, muito massa cara. Sabe contar muito bem. Consigo imaginar tudo! :D
Versão Imprimível
Pô, muito massa cara. Sabe contar muito bem. Consigo imaginar tudo! :D
Jack, ficou massa.
Mais simples, de leitura mais fácil e direta.
Gostei.
No primeiro você foi muito filosófico e nesse muito direto, tenta dar uma mesclada nos dois...=P
Aquele momento de descoberta do primeiro foi muito legal, pode usar agora no terceiro de novo, já que nosso amigo (ainda sem nome) vai sair dos muros da cidade.
Leitor é chato pra caramba né? aeiuheaiueahuea, mas é só minha opinião.
Abraços. Estou aguardando o 3º!
Saudações!
Primeiramente meus parabéns pela história. Bom, os probleminhas q eu havia encontrado no primeiro capítulo (wall of text muito condensada e narração um pouco corrida demais) já foram resolvidos no segundo capítulo, e isso foi um puta progresso. Parabéns!
Quanto à história, o que mais me atraiu não foi tanto o cenário, mas sim a abordagem do protagonista - você preferiu usar a visão mais próxima a de um jogador, a nossa visão enquanto forasteiros em Tibia; convidados ilustres desse universo, ouso dizer. Rs.
No mais, é isso. Por favor, continue sua história. É sempre bom ter mais almas vivas alimentando essa Seção com suas ideias e narrativas; uma mudança de ares, bem como a chegada deles, é sempre muito boa.
Abraço,
Iridium
Primeiramente obrigado pelos elogios e pelas sugestões. Como sempre digo, é extremamente importante.
Sabe, anda difícil ter tempo para escrever e para não deixar a coisa meio largada, escrevo aos poucos no trabalho quando sobra um tempo.
Espero que não esteja fazendo nada errado revivendo este tópico, mas como estou escrevendo a história acho que não deve ter problemas.
:hum:
Mas é isso então, segue abaixo a parte 3 da história e mais uma vez, comentem por favor.
Um grande abraço e uma ótima semana a todos.
(Por favor se alguém souber me explicar como deixar parágrafo aqui no fórum, estará reduzindo meu nível de noobisse em 10 pontos. hehehe)
:tchau:
Parte 3
Olá meu caro amigo. Hoje pela manhã quando pensei no que escreveria em suas páginas ao final do dia, jamais imaginei que estaria nesta situação. Gostaria muito de lhe dizer que estou sentado ao lado de minha fogueira, cozinhando carne de coelho, imaginando o tamanho e complexidade deste mundo, cheio de objetivos e coragem. É engraçado como tudo pode terminar assim, de uma hora para outra, apenas uma sequência de eventos ridículos que não consegui evitar de maneira alguma. Pois é companheiro, pode ser esta a última vez que nos falamos e digamos que as minhas chances não são boas. Apesar de tudo isso, agradeço por ter colocado você na mochila hoje cedo porque será você que saberá minhas últimas palavras.
Era mais cedo que normalmente, passei a noite inteira sem pregar os olhos esperando amanhecer e quando o primeiro raio de sol surgiu no horizonte já estava com minha mochila nas costas caminhando em direção aos muros da cidade com um imenso sorriso no rosto.
Confesso meu velho amigo, tem coisas que são grandes mistérios neste lugar, como já lhe contei. Existem monstros, magias, mistérios e sabe-se lá o que mais, porém, o que não consigo entender é como este guarda nunca sai desse maldito portão! Não importa a hora, ou dia da semana, ele está lá! Ele não reveza com nenhum outro homem e eu nunca vi ele ir no banheiro! Que diabos é este cara?! A única vez que presenciei uma ação fora do normal do guarda, foi naquela segunda-feira fatídica quando uma cobra subiu as escadas do muro. Eu morria de rir vendo ele travar uma verdadeira guerra contra o animal tentando acertá-lo com aquela lança gigante. Foi depois de dez minutos que resolvi pegar minha espada e acabar com a brincadeira, ao contrário ele estaria naquela batalha até hoje.
A primeira sensação foi de liberdade. Parei por alguns minutos na parte de fora dos muros, olhando para o horizonte e sentindo aquela leve brisa de verão tocar meu rosto. Lá longe enxergava apenas arvores e montanhas, não parecia nada perigoso aquele lugar, muito pelo contrário, era muito belo.
Minha primeira vontade foi de correr, simplesmente correr muito, sem rumo nenhum apenas para ver onde ia parar. Mas em um momento de lucidez decidi caminhar pela praia, mapear a ilha e no final explorar o que estivesse no centro.
A caminhada levou muito tempo. No meio do trajeto encontrei algumas cobras, vespas e até algumas aranhas bem grandes que me deixaram bem apavorado de início. – Bicho repugnante. - Horas e horas se passaram, conforme andava ia desenhando em suas últimas páginas o contorno da ilha até que me deparei com algo inusitado e realmente muito incompreensível.
Em certo ponto de minha exploração achei uma pequena ilha, no máximo uns quinze metros de distância da costa onde eu estava. No centro desta havia uma pedra rodeada por um fogo bem intenso que realmente não tinha a mínima intenção de apagar, e encima da pedra, acredite caro amigo, tinha uma espada. Sim, é isso mesmo, mas não era qualquer espada, ela era diferente, sua lâmina era branca como as nuvens e possuía espinhos pontudos, como se fosse uma serra com dentes bem grandes. Na margem onde eu estava havia uma placa de madeira cravada no chão com a seguinte mensagem: "Apenas o mais humilde pode tocar a Espada da Fúria". Que demais! Deve ser muito poderosa esta espada!
Eu realmente tentei me aproximar da ilha mas descobri que é impossível sair do continente, é como se tivesse uma barreira invisível que não me deixa tocar na água, porém, ao mesmo tempo que arremesso objetos, eles passam tranquilamente, até chegam encostar na espada. O que mais me surpreendeu é que este fato acontece em todos os lugares em Rookgaard, simplesmente não dá para entrar na água. – A não ser que seja uma praia como em meu acampamento – O que será isso?
Continuei meu caminho até chegar na entrada de uma caverna subterrânea. Era apenas um buraco no chão e por mais que eu tentasse olhar, era impossível enxergar alguma coisa naquela escuridão. Prendi uma corda em um pedaço de madeira e joguei lá para dentro, verifiquei se estava firme e comecei da descer.
Quando pude sentir o chão me soltei. Peguei uma tocha que trouxe na mochila e acendi. Era uma caverna muito grande com corredores um pouco estreitos e fedia demais! Peguei minha espada e comecei caminhar. Andei por uns quinze metros até que vi o primeiro sinal de que realmente eu não deveria estar aqui. Sentado no chão e escorado na parede com as pernas estiradas para frente estava o corpo de um homem. Quando me aproximei, vi que seu rosto estava desfigurado de tanta pancada que deve ter levado, havia muito sangue. Em seu lado, estava sua espada, quebrada pela metade um pouco abaixo de sua mão direita. Revirei sua mochila e não tinha muita coisa, apenas um pouco de dinheiro e comida suficiente para uma pequena viajem. Este momento me deixou um pouco pensativo, eu confesso. Pela primeira vez desde que cheguei aqui eu vi que realmente isso não é um jogo, não é brincadeira, esse rapaz devia ter objetivos como os meus e quem sabe estivesse também tão perdido quanto eu, apenas procurando uma saída ou respostas. Apesar disso tudo, o que mais me emocionou é que foi o mesmo jovem que vi saindo do bueiro aquele dia, lembra diário? Ele aparentava tão feliz e determinado.
Continuei meu caminho. Em outros dias certamente isso seria o suficiente para me fazer sair correndo feito um bebê chorão pelo buraco e nunca mais voltar ali, mas pelo meu azar eu não sou mais assim. Quanto mais caminhava mais aquele fedor aumentava. Andei por mais um tempo até chegar em uma sala um pouco mais ampla e no final dela à esquerda o corredor continuava. Quando estava no meio do lugar vi uma sombra na parede à minha frente avançando em minha direção. Poucos momentos depois avistei uma criatura bizarra, era marrom e peluda, sem falar que quando me avistou juro que ouvi ele dizer: “hmm cachorro”!
Cachorro? Eu vou te mostrar o que é cachorro sua criatura pestilenta! – Foi o que disse antes de partir com sangue nos olhos para cima dele. Por algum motivo não tive medo, claro que vi na hora que aquilo era um Troll, mas para falar a verdade pensei que eram mais assustadores, cá entre nós, a criatura era apenas alguns centímetros mais alta que eu e nem arma tinha – apesar daqueles montes de soco no meu escudo terem deixado meu braço um pouco dolorido. – Não foi uma batalha longa, é um pouco difícil causar danos graves com apenas um golpe, mas cortei tanto aquele bicho que uma hora ele caiu morto no chão. – Me chama de cachorro de novo seu infeliz miserável!
Matei um Troll, matei um Troll, matei um Troll sozinho! – Fiquei comemorando em voz alta e com a mão para cima erguendo a espada como uma criança alegre. Mas não ria de mim, pelo menos já matei um Troll, e você? Fez o que? (Risos).
Bom, seja o que for espero que não tenha gritado como eu, porque graças a isso, outros três surgiram bem no final do corredor e já vinham correndo em minha direção me chamando de cachorro de novo. Criaturas insolentes!
Não podia enfrentar todos sozinho então me virei e corri o mais rápido possível na direção oposta. Correr dentro de cavernas é difícil, tropicava direto, chutava pedras o tempo inteiro e acredite se quiser aqueles vermes ainda me seguiam de perto. Já tinha percorrido muito mais do que havia caminhado, com certeza já estava perdido e bem longe da saída daquele lugar. Os túneis não terminavam nunca e toda hora chamava atenção de mais criaturas daquelas. A caverna está tomada por estes bichos! Quando minha tocha resolveu apagar e me deixar em uma completa penumbra, já devia ter uns cinco ou seis atrás de mim. Já não aguentava mais correr quando senti aquela coisa boa e assustadora de estar flutuando. Sim, como dar um passo no vazio talvez. Isso pelo fato que cai em outro buraco.
Foi uma queda de uns cinco metros. Cai estirado na terra com os braços abertos e minha espada chegou depois, cravando no chão ao lado de minha cabeça. Me virei para olhar o buraco e o lado bom dessa história é que aquelas criaturas fedorentas não eram magras o suficiente para me seguir agora. – Seus otários, imundos, vem me pegar agora! O cachorrinho se deu bem seus trouxas! – Falei enquanto caía na gargalhada e ouvia o resmungo dos Trolls lá encima.
Me levantei devagar e limpei um pouco da terra que estava em minha armadura. Peguei a espada que ficou fincada no chão e segui o único caminho que tinha em minha frente. Nessas alturas já não me importava mais nada, queria apenas achar a saída daquele inferno.
Após andar por vários metros observei de longe um local meio inusitado. Era uma espécie de sala diferente dentro da caverna. Possuía paredes de tijolos vermelhos e tinha claridade lá dentro suficiente para iluminar praticamente todo o corredor onde eu estava. A primeira conclusão que tirei era de que alguém ou algo morasse naquele lugar.
Me aproximei aos poucos, tentando me esconder atrás das pedras que tinham no caminho e tentando olhar para dentro daquela sala. Quando cheguei perto notei que não tinha ninguém no local, embora pudesse concluir facilmente que alguém morou ali por algum tempo. Havia uma mesa de madeira e duas cadeiras. Nas paredes do lugar avistei estantes cheias de livros e artefatos mágicos para todos os lados. No meio da sala tinha uma fogueira – fonte de toda aquela luz – e bem no canto da parede direita uma espécie de cama feita de palha. O mais curioso foi uma porta de madeira trancada com chave na parede superior. Encostei o ouvido para tentar escutar algo lá dentro mas estava tudo muito quieto. O que seria? O que você pensaria que tivesse lá dentro meu amigo? Eu achei que fosse um depósito ou coisa do tipo que pudesse estar cheio de coisas valiosas. Graças a isso, revirei cada canto daquela sala atrás da chave que abrisse aquela porta. Olhei dentro de gavetas, revirei cada livro de cada estante, verifiquei até o fundo daquela mesa e desmontei aquela cama de palha na esperança que estivesse ali. Tudo em vão. Me sentei na cadeira e me debrucei na mesa por uns momentos, quando o sono estava começando a me pegar resolvi levantar, mas continuei sentado olhando ao meu redor. Foi quando olhei direito para a porta que vi algo brilhando meio enterrado no chão, bem em frente à fresta. Quando fui até lá que encontrei a chave.
Pensei sobre aquilo mas não hesitei em coloca-la na fechadura. Assim que a porta destravou e girei a maçaneta algo extremamente forte puxou a porta quase me arrastando junto. Estava de pé diante de mim uma criatura verde horrenda, com dentes pontudos e uma expressão de ódio no rosto que nunca haveria visto. – Maruk Buta! – Ele disse quando me viu. Não sei o que significa, mas não devia ser coisa boa, afinal depois disso ele me ergueu pelo pescoço e me levou até à parede onde me apoiou. Eu não conseguia respirar, meus pés não encontravam o chão e só podia sentir o gelado daqueles tijolos húmidos. Enquanto isso ele repetia sem parar aquela palavras incompreensíveis: – Maruk Buta! Maruk Buta! Maruk Buta! – Foi quando estava prestes a me render que senti o cabo de minha espada. – Isso! Ainda tenho ela! – Diante de tanto pavor esqueci que ainda estava segurando-a e como puro instinto cravei a lamina na barriga do monstro com toda a força que pude reunir naquele momento.
Imediatamente ele me largou fazendo eu cair sentado. Enquanto ele gritava de dor e sangrava muito pelo ferimento me levantei e parti para cima. Ergui minha espada e me preparei para acertá-lo. Usei toda minha força naquele golpe, mas o bracelete que o monstro usava foi tão resistente que destruiu minha espada quando ele colocou o braço para se defender, fazendo-a quebrar em diversos pedaços. Ele me atacou diversas vezes, cada soco da criatura eu pensava que meu escudo fosse estraçalhar em vários pedaços. Só me restou duas opções meu caro amigo e uma delas era a morte certa.
Estou onde estou agora porque escolhi não morrer tão facilmente. Corri para dentro do lugar que estava o monstro e fechei a porta me trancando com a chave. Confesso que não entendi o que essa criatura fazia presa aqui, certamente alguém à trancou e eu fiz o desfavor de soltar. Minha esperança era que tivesse qualquer tipo de arma nesse lugar, mas é simplesmente um quarto pequeno e vazio. As únicas coisas aqui dentro são um cajado de madeira com uma pedra vermelha na ponta e uma espécie de capuz roxo que está jogado ao lado, certamente pertences daquele bicho lá fora.
É meu amigo. Acho que agora você conseguiu perceber o tamanho da furada que estou metido não é? Já faz mais de uma hora que estou escutando as pancadas que aquele monstrengo está dando na porta e tenho certeza que ela não vai aguentar muito tempo. Apesar disso tudo fico feliz de ter conseguido lhe contar o que aconteceu e deixar relatado o pouco que vivi neste mundo. Não fui herói, não matei meu dragão e muito menos tenho força suficiente para matar uma coisa verde de cara feia como esta. Acredito que algumas pessoas nascem para isso, mas eu, talvez não seja um guerreiro ou coisa do tipo. Sou igual àquele rapaz morto lá na entrada, só estou durando um pouco mais. Sorte quem sabe.
Mesmo assim não vou simplesmente me entregar amigo, pode ter certeza, eu tenho uma bengala com estilo e vou usá-la, afinal, desde que cheguei aqui, este lugar me ensinou a tirar o melhor proveito do mínimo que eu tenha em mãos. Mas se eu morrer hoje, espero que alguém encontre este livro e sirva de ajuda. Para que outros talvez não cometam os mesmos erros que eu.
Apenas seja meu porta voz pela eternidade, para saberem que não morri como um covarde.
A porta está quebrando...
Adeus velho amigo... Foi um imenso prazer.