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Aceito de bom grado todas as críticas relativas ao desenvolvimento do texto; mas discordo quanto aos possíveis erros de pontuação. Não cometi nenhum – até onde estou ciente – sem ser de propósito. É um jeito meu de escrever, só isso. Caso o único estilo aceitável e correto for aquele que segue à risca o que a Gramática diz, então José Saramago e Mario de Andrade eram analfabetos.
Que Deus os tenha, aliás :coolface:
:fckthat:
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Não quis dar uma de grosso, não, não. Compreendo que se um texto desse tipo estivesse em um livro, sua escrita seria facilmente considerada como um estilo próprio do autor, e quem o lesse apenas julgaria se gostou ou não; mas por vir de alguém amador o leitor mal e raramente cogita isso, os enxergando como meros erros e descuidos.
Dard* :)
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Quando eu postei um comentário no tópico principal das justas dizendo que eu estava surpresa com o nível dos escritores daqui e que me julgava um pouco aquém dele, ficou parecendo um discursinho barato do tipo "Aiii, eu sou tão ruim, vou tão mal, mas depois vou surpreender a todos e arrazar". Só que era apenas uma percepção correta da realidade, uma "aceitação".
Explico: Fazia pelo menos um ano que não escrevia sequer uma narração, e mais de dois anos que não finalizava nenhuma do meu agrado. E isso é doloroso porque esse costumava ser justamente o meu gênero textual preferido. Por motivos adversos, eu desenvolvi um "bloqueio literário" em que ou eu não conseguia finalizar um texto meu ou quando o fazia, ficava extremamente infeliz com o resultado. Então, quando me propus a integrar essa justa foi um desafio ainda maior do que só criar um bom texto a partir do tema. O primeiro desafio foi, antes de tudo, de fato criar um texto. E nesse sentido eu saí muito contente.
Logo de cara fiquei sabendo que meu adversário escrevia faz anos, e mais: era respeitado por sua redação por grande parte do fórum. Desafio triplo.
E agora eu estou feliz porque verdadeiramente me sinto "vencedora" dessa justa. Quando eu enviei o texto eu disse para um amigo meu que "Não importa qual seja o resultado, só o fato de eu ter conseguido finalizar meu conto e mais, ter gostado dele, já é uma vitória. E derrota nenhuma vai mudar isso". E me mantenho firme nessa decisão.
Sendo assim, vamos aos comentários práticos.
1. O título entrega o final e o conto é previsível
Sim, e sim. E foi uma escolha minha, afinal. De início "acidental", mas que depois abracei. Quando eu comecei a escrevê-lo a minha ideia inicial era dar indícios sutis do que aconteceria e depois no final haver um surpreendimento do leitor mais desatento, que numa segunda leitura pensaria "Nossa, desde o início já dava pra sacar". Só que confesso que ficou um pouco escrachado, então desisti disso. Eu poderia até ter modificado tudo de forma a deixar realmente sutil e causar a surpresa que pretendia, mas eu estava correndo contra o relógio (e me envergonho disso) então deixei assim mesmo. Assim, quando eu coloquei o título "Até Que a Morte Nos Una" eu já sabia que todos saberiam o que iria acontecer, mas imaginei que não sabiam como iria acontecer, e essa foi a minha intenção. A surpresa aconteceria apenas para a personagem, que cega, não percebia o que estava na cara. Ok, colocar o nome da cidade de Little Undeadnian foi forçado e foi meio que, de certa forma, subestimar a inteligência do leitor. Mas de qualquer forma, foram as escolhas que fiz, e vejo que enveredei pelo pior caminho, mas foi consciente.
2."AH OS AMORES! OH CEUS, O QUE FAÇO SEM VOCÊ?" e a escolha por uma ambientação internacional
Assim que decidi qual seria a linha que o texto seguiria eu decidi incorporar a isso o ultrarromantismo do final do séc. XVII. Talvez não tenha agradado, ou tenha ficado clichê e bobo, mas a escolha do lugar, do perfil do personagem (boêmio, entediado, dramático), dessa "valorização" da figura feminina, do desfecho, entre outros detalhes, foi "sob encomenda" para encaixar no perfil que gostaria que o texto tivesse, e sei que não são todos que gostam dessa linha.
3.Faltou uma descrição melhor para o protagonista
Eu quis deixar subentendido e "dar dicas" através das ações da personagem, dos diálogos, etc. Talvez não tenha funcionado, mas era a minha intenção.
A imagem que eu tinha dele era de um boêmio ultrarromântico que continuou "vivendo no passado" mesmo quando os tempos já haviam mudado. E mudar para aquela cidade queria dizer voltar a esse tempo tão estimado por ele. Mas acho que falhei também, porque quase ninguém percebeu isso e como o conto se passa na primeira década do séc. XX ele, então com vinte e poucos anos, não poderia ter participado "ativamente" de toda profusão daquela época, ficando mais como um "peixe fora d'água" que preferia o que acontecia antes. Acho que de fato faltou tempo para ao revisar o texto trabalhar mais quanto a isso.
Em suma, penso que me faltou tempo pra poder corrigir certas falhas e trabalhar mais o tema. Eu acabei deixando tudo pra última hora e enviei o conto faltando 2min para o fim do prazo. Um descuido que fez meu texto pagar certo preço. Mas como disse, eu estou muito feliz. Eu aprendi muito nessa justa, e pretendo escrever muitas outras narrações, e procurar trabalhar o meu estilo para que, finalmente, seja merecedora dos votos positivos de vocês. De verdade, obrigada.
Ps.: E desculpem pelo tamanho da minha respota. Acho que já deu pra perceber que é costume meu falar muito, rs.
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Quanto ao texto do Dard
(Sim, tem mais, kkk)
Acho que já estou criando um hábito de ter uma opinião diferenciada de seus textos após uma segunda leitura, haha. Na primeira vez incomodou-me muitíssimo o recurso estilístico da inversão de palavras nos períodos e a pontuação cuidadosamente mudada. Não gosto, nem em escritores cultuados, nem em textos normais. Mas conforme você vai acostumando, acaba "passando por cima" da contrariedade dessas escolhas e aproveitando mais a leitura.
Primeiramente, gostei muito da temática. Aliás, esse casamento não tem nada de "casual" - embora enxergue que infelizmente existem muitos que passam por situações parecidas. Digo, esse casamento sai dos parâmetros tradicionais, e com muita criatividade e talento desenvolve uma trama cômica, mas com sua cota muito definida de amargura. É o "rir pra não chorar".
Confesso que até metade do texto, em todas as leituras, ele não conseguiu me prender muito, não "fluindo" e até me impacientando um pouco. Mas a partir de certo ponto, os períodos curtos antes irritantes passam a ser um recurso muito interessante, e esse "bate-volta" da história é realmente muito bom.
O final é uma sacada tremenda, e eu fiquei indecisa se ria, ou se ficava triste. Realmente um misto de sentimentos muito bom, o que mostra experiência, conhecimento e uma segurança do autor de ousar da forma que bem entender. Merecido, de verdade.