Relatos de um Mago
Olá caro leitor. Vejo que sua curiosidade o trouxe ao meu terceiro relato. Espero que minhas aventuras pelo continente tibiano continuem despertando o seu interesse. Neste exato momento estou em Carlin. Minha irmã e eu estamos nos preparando para o treinamento dela. Enquanto ela está conhecendo Carlin eu relatarei minha curta estadia em Venore com os irmãos Friego e Piero.
Da ultima vez que escrevi meus relatos mencionei que estava procurando por um certo conhecido. Infelizmente não consegui encontrá-lo nauele momento. Verifiquei no meu Depot se havia alguma machete, pois era um item que eu utilizava com certa frequência ao desbravar os pântanos de Venore.Com certo dificuldade consegui encontrar uma. Chamei Friego e Piero e seguimos para a saída sul de Venore. Os dois continuavam maravilhados com a cidade suspensa. Contei a eles que morei em Venore dos meus 14 aos meus 25 anos e que passei um longo periodo lá caçando rotworms. Ao descermos as escadas nos deparamos com as boas e velhas cobras de Venore. Então Friego disse:
- Parece que o pântano de Venore quer nos dar as boas vindas!
Matamos as típicas cobras e prosseguimoscom nossa caminhada. Piero avistou algo que parecia ser uma fortaleza. Eu disse a ele que aquela era uma vila élfica e que não chegaríamos perto de lá por enquanto. Eu ainda me recordava de um certo atalho que eu utilizava para chegar nas cavernas de rotworms, evitando assim a ponte e ganhando algum tempo. O atalho consistia em cavar um buraco, descer e atravessar uma caverna subterrânea que possuia alguns morcegos e rotworms. Deixei que friego e Piero derrotassem os minhocões carnívoros. Ao sairmos da caverna nos deparamos com mais algumas cobras. Matamos todas para evitarmos um envenenamento por mordida de de cobra e assim, sem muitos problemas, prosseguimos. Piero disse que estava ansioso, como se fosse possível não notar tal ansiedade. Encontramos uma moça e resolvi coletar algumas informações com ela:
- Olá. A senhorita vem das cavernas de rotworms?
- Certamente, estou indo buscar alguns suprimentos e vender alguns itens que consegui. -respondeu-me a jovem, que estava um pouco ofegante.
- Saberia nos dizer se a caverna está muito cheia? Estou levando os dois rapazes para um treino e se conseguirmos um bom espaço seria ótimo.
Ela olhou para os dois e esboçou um simpático sorriso. Certamente notou o quão ansiosos e contentes os dois estavam por estarem envolvidos em algo aparentemente perigoso. Ela olhou-me e resolveu perguntar:
- Está os ajudando a treinar? Você não me parece um Cavaleiro. Está mais para um Mago.
- Não. Apenas os auxiliarei a encontrar a caverna, e como você notou não sou cavaleiro, mas sim um Feiticeiro. O treinamento eles já conhecem bem. São filhos de um nobre cavaleiro de Carlin.
Nesta hora Piero e Friego começaram a falar de seu pai para a moça e contar histórias. O Problema é que tanto eu quanto ela não entendíamos nada, pois cada um contava uma história diferente. Além de berros e gesticulações, também faziam caretas dos monstros que o pai deles havia enfrentado. Pedi que fizessem silêncio para que pudéssemos proseguir. Disse adeus a moça e continuamos indo. Com a pequena confusão que fizeram acabei por esquecer de perguntar o nome dela e ela esqueceu de me responder se a caverna estava vazia. Ao chegarmos notei que o buraco estava aberto. Pulamos e encontramos alguns insetos. Descemos mais uma vez e prosseguimos. Mostrei os rotworms a eles e me vi obrigado a perguntar:
- Vocês dois ficarão bem? Sabem o que fazer certo?
- Não se preocupe. Aqui a gente treina sossegado. - Respondeu Piero.
- Notei várias pegadas aqui Aldmo. Em uma emergência poderemos pedir auxílio a outras pessoas. - Friego respondeu-me de maneira confiante.
Embora eu soubesse que em certas ocasiões alguns seres humanos praticassem assaltos e assassinatos naquele local preferi deixar que aprendessem isso por conta prórpria. Minha preocupação e responsabilidade fraternal era muito limitada para eu cuidar daqueles rapazes.
Então resolvi dar adeus e Piero me disse:
- Obrigado Aldmo. Ficaremos bem a partir daqui.
- Claro que ficarão. Poucos se arriscariam a enfrentar dois bravos cavaleiros como vocês.
Neste momento eles riram e prosseguiram pela caverna até que eu os perdesse de vista. No retorno para Venore concetrei meus pensamentos em Gambler Swan. Este não era seu nome verdadeiro, mas sim seu nome de apostador. Venore era o refúgio dos apostadores tibianos e Gambler Swan era um deles. Em Tibia os apostadores tendem a mudar seus nomes para que seus credores não consigam encontrá-los com a magia Exiva. Cheguei no depot de Venore e deixei meus ouvidos e olhos atentos. Gambler tinha uma pequena dívida comigo. Ele roubou-me um mapa que continha a entrada e alguns detalhes da torre dos minotauros próxima a Kazordoon. Quando eu estava quase desistindo de procurá-lo escutei um grito que me reanimou! O grito? "GO GO DUSTRUNNER". Gambler sempre apostava no Dustrunner. Ele dizia que se ele mudasse de cão estaria traindo a própria sorte.Imediatamente subi onde ocorrem as apostas dos cães e encontrei Gambler. Não fosse o grito eu jamais o teria reconhecido. Ele estava magro, velho, vestindo trapos e bêbado. Certamente foi perseguido e morto várias vezes. Um homem que perdeu tudo. Gambler era apostador desde que o conheci. Jamais consegui descobrir sua profissão ou seu nome. Apostadores jamais revelam informações sobre si com o intuito de estarem sempre fora do alcance de seus inimigos. Neste momento me dirigi a ele, agarrei-o pelo pescoço e gritei:
- Gambler! Onde está meu mapa? Onde está o mapa que você roubou? Eu o quero de volta!
Gambler deu um pequeno sorriso onde notei vários dentes faltando. Um hálito horrível saiu de sua boca enquanto ele dizia:
- Aldmo! É você? O que aconteceu com você? Até parece que fiz uma viagem ao passado!
- E fará uma viagem ao outro mundo. Quero meu mapa de volta Swan!
- Você acha mesmo que após estes anos eu ainda teria o mapa? Felizmente para você Aldmo eu visitei a torre. Fui até lá certa vez para verificar a veracidade do mapa. Ele estava certo. Para sua felicidade eu ainda recordo da entrada da torre. Posso mostrar onde ela fica.
Neste momento seus olhos começaram a brilhar, pois ele enchergara mais uma oportunidade. Mais uma aposta a ser feita. Logo que notei perguntei a ele:
- Qual o seu preço? O que você quer apostar?
- Que tal a sua Wand of Inferno, Aldmo?
A cobiça no olhar de Gambler quase me fez negar a aposta. Mas era a única chance que eu tinha de conseguir descobrir onde era a entrada da torre. Gambler carregava consigo alguns dados. Então colocou dois dados dentro de dois copos e deu um para mim. Jogou um terceiro dado. O número que caiu no terceiro dado foi o cinco. O objetivo do jogo era sacudirmos os copos e revelar os dados ao mesmo tempo. O jogador que possuisse o dado com o número mais próximo do cinco seria o vencedor. Ao revelarmos os dados assutei-me. Eu havia perdido a aposta. Meu dado saiu com o número dois e o dele com o número quatro. Então com um surto de fúria ataquei-o com minha Wand of Inferno. As pessoas ao redor resolveram atacar-me e neste momento saí correndo. Então jurei que o perseguiria e que o mataria. Tive que correr para longe enquanto as pessoas tentavam me matar. Usei o meu Escudo de Mana e meus fluidos de mana e corri o mais rápido que pude. Consegui esconder-me e ao perceber que a confusão havia cessado prossegui para Carlin. A caminhada até Carlin foi tranquila e sem grandes surpresas. Até a ponte dos Anões estava vazia. Cheguei em Carlin durante a madrugada e resolvi descansar um pouco. Durante a manhã encontrei Melinda e contei a ela sobre minhas aventuras com Piero e Friego e meus aborrecimentos com Gambler Swan. A partir de agora iniciarei uma pequena investigação em Carlin para descobrir a entrada da torre dos minotauros enquanto minha irmã inicia seus treinamentos. Volto a escrever assim que obtiver algum êxito na investigação ou alguma nova aventura.
Aldmo Yung

