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Sentados na sala de Lug, Rhizód e Targos estavam visivelmente incomodados com o assunto que iriam abordar e o clima na casa estava tenso. Após conversarem um tempo sobre coisas triviais, Rhizód tocou logo no assunto.
- Bem, Lug... Nós sabemos que você está cansado, após a viagem. Mas queremos saber algumas coisas. Pessoas vêm falar conosco sobre as estranhas condições de sua volta. Indagam-nos sobre seus amigos... O que houve com eles? Você sabe?
Lug parou por um instante, como se quisesse se lembrar de algo. Por fim, disse:
- Desculpem-me, cavalheiros. Os acontecimentos da viagem ainda estão turvos na minha mente. Não me lembro ao certo de como aconteceu, mas... Sei que eles estão mortos. Infelizmente, essa é a única certeza que lhes posso dar. O mar os levou.
- Hum... Devemos então proceder aos ritos funerários.
Targos interveio: “Mas Lug, você tem certeza de que estão mortos? Realizar rituais fúnebres para pessoas vivas é maldição na certa! Uma blasfêmia contra a vida!”
- Nobre Targos, pode realizar os rituais sem medo. Eles estão mortos sim.
- Se você diz, Lug, assim o faremos – falou o Chefe. Há também pessoas que afirmam que você saiu de seu barco flutuando, como um fantasma. O Senhor Mines mesmo disse não ter visto pegadas suas pela praia.
Lug ficou em silêncio, como se tentasse lembrar o que havia ocorrido naquele dia.
Shirà, voltando da cozinha, respondeu por Lug: “Meu marido chegou aqui com algas presas no cabelo e roupas molhadas. Ele saiu de seu barco nas pedras e nadou até o outro lado da praia, mais perto do centro da cidade. Por isso vocês não encontraram pegadas dele ao redor do barco.” A esposa do pescador estava visivelmente incomodada com as perguntas, com medo de que seu marido voltasse a ter reações estranhas.
- Senhores – continuou Lug – minha esposa diz isso, mas eu mesmo não me lembro dos fatos com clareza. Com o passar dos dias, sinto que minhas lembranças vão ficando cada vez mais claras. Se eu me lembrar de algo mais, assumo o compromisso de ir até o conselho e prestar todas as informações.
- Assim esperamos, Lug. Você e sua família sempre foram muito respeitados na comunidade. Estou feliz com sua volta, mas preocupado com os outros quatro marinheiros, respondeu o Chefe.
Tenner tentou – e conseguiu – mudar o tópico do assunto para trivialidades cotidianas. Os dois visitantes terminaram o chá que lhes fora servido e despediram-se de seus anfitriões. Quando saíram, uma chuva fina teve início sobre a cidade.
- E então Targos? Ele parece bem, não acha? Melhor do que eu esperava, em todo caso.
- Não sei bem. Achei-o meio apreensivo.
- Talvez devessemos dar mais um tempo a ele.
- Sim, Rhizód... Mas é muito estranho a única certeza dele ser a morte dos quatro companheiros de viagem.
- É... Essa viagem parece mesmo ter alterado sua percepção das coisas. Mas como ele mesmo falou, sua memória esta melhorando com o tempo. Vamos falar com os druidas para que procedam aos rituais funerários o quanto antes.
- Não é nisso que eu estou pensando.
- E no que é?
- Assassinato!
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Nomes bizarros? Que nomes??
@seleto grupo de leitores: Antes de mais nada, obrigado por acompanhar e pelos comentários. O capítulo 9 já está pronto, em processo de revisão... Porém, ainda tenho dúvidas se ele será de fato publicado. Isso porque ele difere do resto da história, sendo centrado em uma caçada... Emtão, CASO eu o publique mesmo, não estranhem a mudança abrupta de estilo. Será algo momentâneo.
Abraços
Karasutengu