Capítulo 2------------------------ Olho de Cobra e Mad Bolt
Embaixo do comércio de H.L exite uma taberna. Não é propriamente uma taberna, é como se fosse um restaurante, ou coisa assim. Vive abandonada, raramente alguém além do taberneiro se encontra lá. O taberneiro, aproposito, é um homem baixo, de membros fortes e cabelo longo, que alcança os ombros. Suas vestes são, como as de H.L, um pouco mais limpas que as dos demais habitantes.
Mas o que mais chama a atenção nesse homem é o fato do mesmo possuir apenas um olho. Seu nome é Olho de Cobra, e nós nos tornamos amigos. Estou nesse lugar à mais de uma semana, e a única distração que tenho são as conversas com Olho de Cobra.
Hoje ele me disse o porque desse apelido. Me contou que uma vez tivera uma luta com uma cobra, que lhe tirara um dos olhos. Desde então carrega, com um pouco de orgulho, esse apelido.
Nessa manhã entrei na taberna de Olho de Cobra, e ele não estava sozinho. Alguém tomava um pouco de cerveja e batia um papo animado com ele. Quando me viu entrar, Olho de Cobra disse ao seu companheiro: “Olha só quem chegou, Mad Bolt: o amigo Rock. Sente-se com a gente, cara.”
Eu me aproximei, mas o tal Mad Bolt foi saindo, pagando alguns trocados ao taberneiro. Perguntei afinal quem era ele. Olho de Cobra respondeu: “Ah, o Mad Bolt é apenas mais um dos desafortunados desse lugar. Mas ele nunca foi um criminoso. É apenas um louco que foi trazido para morar aqui com o tio dele, um contrabandista que tinha a cabeça à prêmio. Mad Bolt nasceu louco, e quando seus pais morreram de forma desconhecida, foi trazido pra cá pelo tio. Ganhou esse apelido porque conseguiu a proeza de mirar um veado que estava à apenas dois metros dele, e acertar o próprio pé com um tiro certeiro de sua besta.” Nisso Olho de Cobra deu boas gargalhadas, e eu acabei fazendo o mesmo.
Esse lugar é o inferno. Talvez as pessoas estivessem enganadas ao dizer que as portas do Inferno ficam nas Planícies de Havoc. Eu tenho certeza de que é aqui, no Campo dos Foragidos. Eu passo os dias na taberna de Olho de Cobra, durmo em diversos lugares, tais como à sombra de uma arvore ou as margens de um dos rios. Posso não ter comentado antes, mas esse lugar é cercado por dois grandes rios. Um deles separa o Campo dos Foragidos do deserto, ao norte; o outro separa o lugar das Planícies. Ambos correm em direção sul, se fundindo em um só e desaguando no mar. As únicas saídas são a saída norte, por onde cheguei e a saída sudeste, mas esta ninguém se aventura a seguir: dizem que se pode encontrar aranhas-gigantes por este lado. Aqui vivem contrabandistas, ladrões, assassinos, bandidos de toda a espécie. Toda a escória da raça humana vive aqui, e eu sou um deles.
Ao sul da “cidade” existe uma floresta difícil de se atravessar. Nela existem vespas do tamanho de morcegos, que envenenam ao simples toque. Atravessando a floresta, encontro mais moradias dessa escória. Vivem um tanto afastados dos outros, parecem esconder algum segredo. Mas para o meu próprio bem é melhor não me meter com eles. Parecem perigosos.
Ouço ruídos, e vejo uma pequena aglomeração de pessoas: está ocorrendo uma briga. Um dos lutadores empunha um machado e parte em direção ao outro: esse possui uma lança e tenta arremessar contra seu oponente, mas erra por muito. Reconheço o desafortunado, é Mad Bolt; e seria cruelmente assassinado, se eu não pulasse na frente e protegesse-o com meu escudo. O machado do atacante bateu fortemente, mas resisti, e com um leve movimento de corpo derrubei-o.
Vendo minha intervenção, mais três caras resolveram me atacar;o primeiro também segurava um machado e veio para cima; desviei e lhe ataquei pelas costas com minha espada, matando o mesmo na hora. O segundo empunhava uma faca, e correu em minha direção com a mesma; mas enquanto defendia-me de seu ataque, o terceiro me atacou ao mesmo tempo com um sabre, e me atingiu em cheio na perna esquerda; caí e esperava aquela desonrosa morte quando Mad Bolt atacou meu carrasco com sua lança recém recuperada; Acertou-lhe em cheio na testa, com tamanha violência que ela quebrou. O atingido desabou em meio à uma poça de sangue; o terceiro ainda tentou correr, mas eu consegui usar uma magia que aprendi na academia dos cavalheiros: “Exori Hur!”, gritei à plenos pulmões e minha espada foi arremessada de minha mão, acertando em cheio o fugitivo.
Muitos se impressionaram com isso, e se afastaram, alguns comentando o ocorrido.
Mad Bolt e eu nos tornamos amigos. Ele me convidou para uma visita à sua casa. É bem humilde, mas com algumas coisas estranhas: um quadrado desenhado em uma das paredes, um número igualmente estranho em outra parede oposta. E alguns livros velhos, empilhados em uma estante; uma cama e um tapete encardido completam a mobília do local.
Depois dessa visita, vou para a taberna. Enfim, é alguma diversão depois desse movimentado dia.
Continua...

