Antes de matar alguém é bom saber pelo quê se está lutando
Acho que a grande questão não é se o Sul conseguiria se separar, ou se o exército brasileiro iria debelar uma revolta sulista. A grande pergunta é: Pra quê se separar?
Não somos todos brasileiros? O Brasil não tem assumido uma posição de liderança na América Latina, e por que não dizer entre os países emergentes (vide o BRICs), justamente por suas dimensões continentais e a diversidade do povo e de seus recursos naturais?
Podemos lembrar da revolução de Simon Bolívar, que libertou todas as colônias espanholas da América Latina e planejava uma Grande Colômbia, não as repúblicas fragmentadas que acabaram surgindo.
Um grande país latino americano de origem espanhola teria muito mais peso na economia mundial, como o Brasil certamente tem.
O Panamá surgiu da divisão da Colômbia em duas, para que o famoso Canal do Panamá ficasse na mão das potências internacionais, pelo seu valioso interesse estratégico. Alguém aqui acha que o Panamá está melhor hoje do que se ainda fizesse parte da Colômbia?
Olhem ao redor do mundo e vejam o que as grandes potências estão fazendo:
EUA - Desde a época da união das 13 colônias só houve uma guerra, a de secessão para acabar com a escravidão.
Rússia - Atualmente impedindo a separação da Tchetchênia.
China - Requerendo na ONU a anexação de Taiwan.
Reino Unido - Não cede independência à Irlanda do Norte (mesmo com a atuação do IRA) e muito menos à Escócia.
União Européia - Os países da Europa estão num esforço para criar uma constituição única e um parlamento europeu para fazer frente ao poderio econômico dos EUA, a única superpotência mundial do século XXI (já chamam de potência imperial). O EURO já é uma realidade.
Agora vejamos as separações "bem sucedidas":
Iugoslávia - Dividida primeiramente pela guerra na Bósnia, agora se desintegrou em Sérvia, Montenegro, Eslovênia e Macedônia.
Tchecoeslováquia - Dividiu-se em República Tcheca e Eslováquia após a queda do regime comunista.
Antiga URSS - Com a queda do regime soviético Lituânia, Letônia, Estônia, Geórgia, entre outras, pediram a separação.
Guerras africanas - Todas baseadas no abandono econômico dos antigos colonizadores, gerando guerras fratricidas como aquela entre Tutsis e Hutus.
O que se percebe em todas essas iniciativas de separação é que uma situação desfavorável se torna terreno fértil para as soluções salvadoras. Só que não consigo me lembrar de um exemplo sequer em que um país dividido melhorou a qualidade de vida do seu povo.
Curioso que na nossa vizinha Bolívia também o território de Santa Cruz quer a separação, agora que está enriquecido pelo gás natural que é produzido lá. Anos de menosprezo das classes dominantes por aquela região também criaram esse sentimento.
Como diz um ditado bem manjado: "Dividir para conquistar". A quem interessa a separação do Brasil? Talvez aos mesmos que têm interesse na "internacionalização"(sic) da Amazônia.
P.S.: Para aqueles que pensam que os problemas brasileiros surgiram por causa da colonização portuguesa, vejam o Suriname (Holanda), Guiana Francesa (França), Guiana (Inglaterra), Congo Belga (Bélgica) etc.