"A mitomania pode ser considerada patológica quando leva a um encerramento na necessidade de repetição", explica por sua vez o professor Philippe Jeammet (Institut Mutualiste Montsouris, em Paris).
"De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo."
Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que têm finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins.
"Na mitomania, ao contrário, a mentira é uma finalidade em si", salienta o professor Jeammet. "Contam-se histórias ao mesmo tempo que se acredita nelas. É também uma forma de consolo. Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente."
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"A maioria das mitomanias é bem construída e se alimenta de histórias verossímeis", ele explica. "Assim, é lógico que as pessoas próximas se deixem atrair para o jogo, pois não podemos de todo modo começar a suspeitar de que todos são mitômanos."
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Nesse contexto, a melhor resposta reside muitas vezes na implementação de um quadro de cuidados que associa o tratamento em meio psiquiátrico do problema subjacente a um acompanhamento psicoterápico.
*Fonte: Le Monde