Nenhum dos candidatos desse ano se importou com educação, essa é a realidade. Mas, partindo dessa perspectiva, o que vai mudar de um candidato para outro são as pessoas que irão compor os quadros do MEC. Hoje, esses servidores comissionados são pessoas que, ou sabem muito pouco de educação (militares), ou tem interesses difusos e mais ligados a criar conflitos ideológicos do que resolver problemas de gestão. Além de muita má-vontade e do tratamento hostil à profissionais da educação pública (porque os da educação privada estão sendo beneficiados) e do próprio MEC, existe uma incompetência gigante, coisa de gente que mal sabe escrever gerando instruções normativas que regem o trabalho de centenas de milhares de professores. Não vou me esquecer do primeiro ministro que o Bolsonaro colocou, o tal de Vélez, que mal sabia utilizar as ferramentas computacionais de gestão do ministério, o que atrasou diversas decisões e documentos lá em 2019. O cara era simplesmente incompetente de modo geral e prejudicou milhões de professores e estudantes por essa incompetência.
Além disso, não existe um norte programático, os instrumentos de controle e medição foram dilapidados (o INEP, por exemplo, já teve CINCO presidentes diferentes nessa gestão) e várias comissões, grupos de trabalho e fóruns de decisões (alguns que eu já participei, inclusive), foram extintos, claramente como uma espécie de retaliação ideológica e uma tentativa de centralizar decisões em poucos indicados pelo governo.
Nos governos do PT, mesmo que não tenha sido um paraíso, que os professores também tenham sofrido e que muita greve tenha sido feita em busca de recomposição salarial e de carreira, pelo menos se tinha a segurança de que, lá no MEC, existiriam pessoas que estariam do lado da educação pública de fato. Professores, ex-reitores, funcionários de carreira do MEC elevados à cargos comissionados de gestão. Se existir uma demanda, quando sentarmos na mesa no governo do PT, do outro lado vai ter alguém que, no mínimo, trata a educação com algum respeito. No governo atual a certeza é que, ou do outro lado da mesa estará uma pessoa hostil ou não terá ninguém (e, provavelmente, já mandaram a mesa para o Ministério da Economia). A expectativa é que, em um possível novo governo Lula, isso se mantenha (até porque os professores e a educação pública são voto para o PT).
A educação nunca foi uma maravilha com o PT, muitos programas deram errado e o norte que o PT traçou (valorizar muito a educação superior) deixou lacunas grandes na educação brasileira que, como professor, percebo nitidamente. Mas, pelo menos, tinha um plano, com metas, índices e que até teve alguns bons acertos. Hoje o plano não existe, não tem nem como acertar nada. O MEC virou um mero repassador de recursos, ninguém lá dentro pensa em educação e a única coisa que prospera é o lobby. O MCTI, do Marcos Pontes, foi uma vergonha e o próprio Marcos Pontes uma das maiores decepção entre os pesquisadores, principalmente porque a expectativa em relação a ele e ao diagnóstico que ele fazia da pesquisa no Brasil era alta.
Enfim, não sei se alguém vai ler essa choradeira, mas esse é mais ou menos o resumo da minha decisão de voto, onde Educação e Ciência pesa MUITO. Afinal, diferente da maioria aqui, além de estar escolhendo o presidente, eu também estou escolhendo meus futuros chefes. Não é uma decisão simples, não dá para ser somente ideológica, então preciso de um fiel da balança.

