Capítulo 7 - Vladislavus Dragulia.
Kamus abria os olhos devagarosamente. Dois vultos eram a única coisa destingüível no momento, mas a dor e o sangue pareciam haver cessado. Quando se sentou, Kamus sentiu que o corte havia fechado. Nad olhava sorridente para ele:
- Deve ter doído, não? - perguntou.
- Sim, doeu mesmo. - disse esfregando a barriga no lugar de um corte inexistente - O que me curou?
- Isso - disse o velho, apontando para uma pedra azul disforme e pesada.
- E o que é...isso?
- Ora, mas será que você não conhece a Ultimate Healing Rune?
- Kamus, isso é bom mesmo! Curou seus ferimentos na hora! Eu decidi que serei um Druida, só para poder fazer essas maravilhosas runas! - disse Nad feliz.
- E como presente, eu lhe dei...
- Uma varinha mágica! Muito obrigado, senhor!
Kamus não estava entendendo nada, mas preferiu não perguntar. Levantou-se e foi em direção a sua casa. Estava cansado e faminto.
- Vamos Nad. Está com as botas?
- É falta de educação não agradeçer. - disse o velho.
- É falta de educação envolver os outros nos seus problemas. - disse o garoto rispidamente.
- É falta de educação vir até aqui sem ser convidado.
Sem contra-argumentos, Kamus voltou a sua casa, desejando que não houvessem começado com essa tolice de treino.
Aquela noite ele dormiu muito desconfortavelmente. Queria do fundo do coração que Nad parasse de atear fogo a todos os pequenos objetos que se deixavam inflamar pela sua varinha. Teve um sonho estranho...aquele velho urso polar o seguia, suas garras o rasgavam, seus dentes o furavam, um grito fora lançado. Acordara.
No outro dia tomou seu café da manhã, que na verdade era da madrugada, correu cinco vezes em volta da casa, tomou banho no pequeno lago gelado, e transportou vários baldes d'água para a montanha. Tudo estava normal, até que o garoto viu algo se mexer na imensidão da neve. Nad parecia não ter visto nada, e Kamus deixou pra lá; devia ter sido um pássaro ou algo do tipo. Limpou manualmente a grossa camada de neve da frente da porta do velho, da sua, e das raízes das árvores. Foi até um casebre que servia de depósito, no qual tinha que fazer o caminho por cima do lago congelado sem escorregar e cair da montanha, colheu pedras e gravetos secos do pé da montanha para fazer fogueiras e grandes cestas de frutas para fazer sucos.
Quando quis fazer um lanche, pegou o pão, leite e algumas frutas. Nad o seguiu, e após sentarem-se no banco de tronco de árvore, Kamus viu mais uma vez alguma coisa se mexendo. Dessa vez pegou um pedaço de pau e fora investigar, Nad sem entender, pegou sua varinha e o seguiu.
Tudo acontecera muito rápido: um urso aparece, Nad empunha sua varinha, ele e o animal atacam. Entretanto algo atrás deles acerta o animal; uma magia lançada pelo velho.
- Corram - gritou ele.
Kamus e Nad desataram a correr, o velho se impõs entre o animal e os dois garotos. Quando chegaram na porta de sua casa, os dois esperaram uns dez minutos, nos quais ao fim o velho vinha descendo a montanha em direção aos dois. Não aparentava estar ferido.
Quando chegou perto os dois se exaltaram, ele apenas abriu a porta e fez um gesto cordial:
- Entrem, preciso falar com os dois.
Os dois entraram e se sentaram.
- Bom, queria revelar um pequeno segredo. Espero que vocês ouçam tudo e entendam muito bem. Não quero que me julgem mal, por isso peço que ouçam até o fim. - disse ele como se estivesse debatendo o tempo - Há muito tempo eu discordo com muitas ações do presente Rei. Isso se deve há discussões que eu tenho com seus antecessores, mas não vem ao caso. O problema é quero exigir de vocês mais treino a partir de hoje, ou pode ser que um desses capangas do rei - sim, eles são capangas do rei, e não simples ladrões e saqueadores - acabe os matando, e não quero isso.
"Esse em especial é muito perigoso. Esse urso polar é na verdade um homem, usando uma poderosa magia de Criação de Ilusão, na qual algumas poucas pessoas conseguem se transformar em animais. Seu nome é Vladislavus Dragulia. E é extremamente poderoso, tomem cuidado."
"Prometam-me que irão fazer tudo que eu mandar, sem pestanejar, pois depois verão como eu estava certo."
Incrédulos, os garotos prometeram.