@CRonaldo:
Olha, já que tu pediu a minha opinião, vou tentar explicar melhor o meu ponto e de quebra buscar convencer melhor o Emanoel, hehe. (e me perdoe as opiniões polêmicas sobre o livro que tu gostou. Eu realmente não tenho nada a ver com isso, e espero que entenda que o fato de eu não gostar das mesmas coisas que você não significa que eu tenha algo contra você, nem que eu ache você estúpido nem nada do tipo. Não é meu objetivo te subestimar.)
Harry Potter, Senhor dos anéis e outros (lembrando que o mundo do Senhor dos Anéis tem na verdade, só sobre a saga do Um Anel e os anéis do poder, no mínimo 5 livros diretamente relacionados - os três do SdA + O Hobbit e Silmarillion), são exemplos de livros feitos por autores com anos de experiência. O caso do Tolkien é bem específico, claro, ele dedicou a vida inteira ao universo da Terra Média... Ok.
Mas não tem nem comparação, pois a própria motivação inicial dele era fazer um mundo para as línguas que ele criou, então é compreensível que ele tenha se focado num mundo só. O interesse linguístico era um determinante.
Sobre Harry Potter... Bem, nem vou falar muito sobre a série, que eu acho medíocre e um clichê puro. O que a Howling fez foi simplesmente pegar todos os clichês que conhecia e aproveitar um grande modismo ocidental da nossa época, o ocultismo, para vender bastante. Harry Potter não traz nada de novo, nem de surpreendente. Ela nem se deu ao trabalho de criar um bestiário/mundo totalmente original. (E sim, os filmes são divertidos - afinal, os livros da série são apenas isso, um entretenimento. Mas nada além disso.) - Ou seja, por mais que seja um sucesso, na minha opinião não é exatamente um exemplo a ser seguido.
Já Dan Brown... Nâo li e não pretendo ler (pode até ser preconceito, mas prefiro outros tipos de livros) - Foi outro autor que deu um golpe de mídia, reunindo uma gama enorme de clichês batidos (maçonaria, graal, cavaleiros religiosos, códigos secretos, teorias de conspiração, etc...) e aventura - Nâo tinha como um livro desses não virar Best Seller, e a onda de livros agregados feitos por outros autores pra aproveitar a "$$código da-vinci-mania$$" é outra coisa deplorável.
Porém, eu reconheço: Tanto Dan Brown quanto J.K. Rowling escrevem muito bem, de um modo que cativa o leitor. Se não fosse assim, obviamente os livros não teriam vendido tanto. Mas repito, essas obras são fruto da experiência. Rowling, por exemplo, escreve desde a pré-adolescência se não me engano. A série "Harry Potter" não foi a sua primeira história.
Agora, atendo-se ao conteúdo do tópico em si, a história do Emanoel, não há semelhança nenhuma com os livros/filmes que tu citou. O autor desse tópico ainda está na primeira fase de aprendizado, desenvolvendo a sua maneira de escrever. O que não é nenhuma vergonha - Ninguém começa sabendo.
Nesse condição de aprendiz, que inclusive é a condição de todos nós aqui do fórum, acredito que se prender a um universo ou a um tipo de história (tipo, escrever só histórias medievais ou tibianas) é um problema no sentido que limita precocemente a criatividade. Quem está começando precisa experimentar coisas diferentes antes de se afirmar em um tema.
Quando um autor está começando, ele ainda não se conhece. Ele não tem certeza do que pode fazer. Um jovem escritor tem afinidades com certos temas, e isso é natural. Porém, se ele se mantiver em uma linha lógica de histórias, em um mundo que ele criou, como ele vai saber até onde ele pode ir?
Vou dar um exemplo prático:
Um tal jovem, o Fulano, escreve histórias medievais. Ele se atém ao tema, pois sempre gostou das histórias de cavaleiros, de reis, castelos e guerras - e de RPG clássico (D&D). Ok. Só que um belo dia, ele resolve ler um livro mais atual e gosta do tema, que tem possibilidades que ele nunca imaginaria se estivesse apenas olhando para o passado. Então vem a questão: Ele já escreveu uma história em um ambiente pseudo-medieval, cheia de magos, espadas e etc. Mas e agora? "Continuo a escrever na mesma linha, que era o meu projeto antes de ler esse tal livro, ou invento algo novo?"
Digamos que ele resolva ficar no âmbito das histórias que ele já conhecia... Será que ele não perdeu uma grande oportunidade de se renovar? Quem sabe ele não acabaria se descobrindo um melhor escritor de histórias atuais do que ele seria de histórias medievais se tivesse inovado?
Na pior das hipóteses, se ele inovar, pode acabar vendo que o negócio dele é escrever naquele antigo mundinho dele mesmo, e agora voltar cheio de idéias novas para aquele foco inicial - Ou seja, ele tem só a ganhar quando procura ampliar seus horizontes.
Afinal, ele ainda é um iniciante, precisa se descobrir como escritor. E não vai se descobrir completamente, se já nas suas primeiras histórias achar que está tudo bom, que o melhor é continuar nessa linha e fazer uma sequência para coisas já existentes.
E que fique claro, no meu outro post não falei para o Emanoel que "O Arauto do Expurgo não deve passar de apenas uma história.". Longe disso. Eu falei que por enquanto seria melhor ele buscar algo novo, que o exercício de criar algo do zero é muito mais construtivo que reaproveitar cenários e personagens. E por fim, também falei que se ele assim desejar, poderia até no final das contas voltar a aprofundar o mundo do Arauto do Expurgo, e como ele faria isso depois de inovar, teria idéias novas e mais experiência para fazer isso de modo interessante.
A.E. Melgraon I
